terça-feira, 14 de setembro de 2010

VERSOS PARA UM CAMPONÊS MORTO


(Edinaldo Pereira)


A terra é para quem trabalha.

Nela germina a semente que se espalha...

O fruto é o suor do homem,

É o trabalho árduo que sacia a dor da fome

Pior do que corte de navalha


O latifúndio aparece, horrendo

Com jagunços, como que antevendo

A tragédia de quem já não tem sorte

E na luta pela vida encontra a morte

Num projétil que entra ardendo.


A nada servirão as conferências

Dos homens sábios com suas ciências

Nos países ricos que dominam os pobres

Enquanto morrerem camponeses nobres

Na terra, palco de violências.


Eis a terra que querias ver dividida

A cobrir-te eternamente no pós-vida.

Voltas ao pó por uma reforma agrária,

Mártir da luta, errante, pária,

Na cova que te cabe, recompensa da luta.


Deixas mulher, filhos e companheiros...

Deles também são teus sonhos derradeiros.

Teu sangue mancha as mãos de latifundiários,

De políticos sujos, seus fiéis sectários,


Encharca a terra o teu sangue de guerreiro

Lava-nos a alma o teu sangue vertido

E escreve o teu nome de homem destemido

Nas páginas do livro dos heróis da utopia

De que terra terão todos, um dia

Porque sonhar ainda não é proibido.

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