sábado, 21 de outubro de 2017

Vigésimo Sexto Recital Upenino

Vigésimo Sexto Recital Upenino


Prof. Izaias Resplandes de Sousa


Vinte de outubro. Enfim, chegou o dia do poeta em 2017.


No dia 20 de outubro do ano de 1976, em São Paulo, surgiu o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia. Esse movimento decidiu adotar a data como o dia do poeta no Brasil. A UPE surgiu doze anos depois, em 31 de março de 1988, e sua Plenária decidiu seguir a orientação desse MPN, também reconhecendo o dia 20 de outubro como o dia do poeta. Posteriormente, o dia 31 de outubro foi oficializado como o Dia Nacional da Poesia, através da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015, data do nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. Mas como uma coisa não descarta a outra, a UPE abraça as duas datas, como datas importantes para a literatura poxoreana.


Em Poxoréu, há 26 anos, a Plenária Upenina deliberou realizar no dia 20 de outubro, um grande recital, onde a quinta das sete tradicionais belas artes fosse decantada em verso ou prosa, para o gáudio e deleite da população de nossa querida, doce e amada cidade.


E aqui abrimos um parêntese. Já que a missão fundamental da UPE, sempre foi a de atuar “em defesa da arte e da cultura”, aproveitamos essa oportunidade em que ocupamos a tribuna, para fazermos a defesa de que cetro de “CAPITAL”, aqui tradicionalmente concedido ao diamante, seja a partir de agora concedido à “POESIA”. Poxoréu ficaria muito bem como a “Capital da Poesia”. E temos lastro para defender a nossa proposta, pois desde sempre valorizamos a quinta arte, além de que, institucionalmente, já estamos há trinta anos cultuando a poesia, levando encanto, emoção e sentimento em todos os palcos erguidos em Poxoréu. É de ver que nunca nos faltou um intérprete dessa grande e tradicional bela arte da humanidade. Que o tempo possa avaliar a nossa propositura. Por enquanto, voltemos ao presente.


Nos dias 19 e 20 de outubro de 2017, a União Poxorense de Escritores (UPE) e parceiros realizou seu vigésimo sexto recital de poesias, com participação de alunos das escolas de Poxoréu e dos distritos de Alto Coité e Jarudore. O evento foi desenvolvido no Salão Dom José Selva, no Externato São José, na Casa das Filhas de Maria Auxiliadora, gentilmente cedido pela instituição.


Na etapa do dia 19, a cena foi ocupada pelas crianças. E foi emoção demais. Algumas crianças mal conseguiam falar, de tanto que estavam emocionadas em estar ali. Mesmo assim, falaram e falaram. Todas deram o seu show. Todas fizeram os nossos olhos lacrimejar de emoção e os nossos corações baterem em ritmo mais acelerado. Ah, meus queridos! É como diz o locutor Galvão Bueno: “haja coração!”


As criancinhas declamadoras chegavam ao palco com aquele jeitinho tímido de quem estava com vergonha de estar ali, mas isso durava muito pouco, pois logo dominavam o cenário e mostravam para o que tinham vindo, arrancando não apenas suspiros e lágrimas, mas milhares de aplausos e brados de entusiasmo da plateia atenta e deslumbrada. Se não bastasse o fato de que as crianças já encantavam somente pelo fato de serem lindas crianças, ficava muito difícil não se encantar quando à criancice se aliava a um talento indescritível. Foi como sempre disse o poxorense Zequinha: a gente fica “sem palavras”.


Já no dia 20, no dia do poeta, tivemos a etapa final do recital. Desta feita, estiveram envolvidos os alunos das séries finais do ensino fundamental e os do ensino médio. E aí a emoção atingiu outro nível. Naquela hora, a conversa seria assunto de gente grande. Os adolescentes não vinham apenas pensando em oferecer um espetáculo para seus assistentes. Eles chegavam encarnados no espírito dos poetas e entregavam a mensagem dos artistas como se fossem suas próprias mensagens.


As palavras adquiriam vida na medida em que eram pronunciadas. Não era somente a boca que falava… Todo o corpo fazia coro, ressignificando cada letra. O sentido da mensagem dos poetas foi imensamente multiplicado pela beleza e riqueza da interpretação que aqueles atores lhes deram. E isso se deu não apenas uma, duas ou três vezes. Isso aconteceu durante várias horas. E a gente, que estava ali assistindo… A gente foi se enchendo daquela beleza, daquela emoção e de todo o sentimento que foi transmitido pelos artistas da noite, até que, não cabendo mais, não dando mais para continuar segurando, só nos restava aplaudir e aplaudir até as mãos doerem. Quantas vezes observei que nem aplaudir as pessoas conseguiam, tão embevecidas estavam com as apresentações. Chegou ao ponto de uma artista ter que dizer sorrindo: “Acabou!!!” Porque a concentração da plateia era tão grande, que ela não se conformava que tivesse acabado. E permanecia em silêncio, aguardando e querendo mais.


Como sempre aconteceu nos outros recitais, neste vigésimo sexto também tivemos as participações especiais. Alunos do SESC LER, da Escola Guiomar Maria da Silva e também a jovem Laís Luana fizeram apresentações especiais. Laís fez uma homenagem à sua mestra, a professora Davina Messias, a qual depois de duas jornadas de 25 anos como professora municipal sentindo o perfume do pó de giz, agora decidiu pendurar seu guarda pó e desfrutar de uma merecida aposentadoria.


Aconteceram alguns percalços técnicos durante as apresentações… A obrigatoriedade de uso do microfone, por exemplo, arrancou algumas reclamações, porque os meninos não estavam acostumados a usá-los. Mas isso também foi superado. A organização foi tolerante com essas dificuldades e ninguém foi prejudicado pelo uso dessa tecnologia, a qual permitiu que todos no salão pudessem acompanhar as mensagens declamadas pelos artistas.


E os resultados… Ah, os resultados. Como foi difícil julgar o talento de quem mereceu nota dez somente pelo fato de ter ido ali e podido falar e transmitir o seu recado para uma plateia que, ardentemente, queria ouvir. Foi assim que se pronunciou a professora Silvana, depois que duas de suas alunas puderam voltar ao palco e concluir as apresentações que, no seu entendimento foram prejudicadas “pelo uso dos microfones”. Que bom seria se fôssemos ao teatro apenas para apreciar o espetáculo e não para julgar quem foi melhor. Porque, afinal, quem foi o melhor? Nós não temos um emocionômetro, um sentimentômetro ou qualquer coisa desse gênero para medir o sentimento e a emoção transmitida pelos artistas no palco e pelos pais, amigos e assistentes que estão na plateia. São muitos ingredientes juntos de uma só vez.


O julgamento de uma apresentação é sempre pessoal. Cada um sente e recebe de um jeito a mensagem do artista. O juiz é impactado pessoalmente. E cada um da plateia também tem a sua própria impactação. Não há como agradar a gregos e troianos. E ainda que todos tenham sido vitoriosos porque falaram e transmitiram suas mensagens, coube aos juízes escolherem os cinco melhores entre o time de bam-bam-bans que desfilaram pelo palco, em cada categoria. A gente pode criticar porque não concordou com a decisão dos jurados? É claro que pode. Um artista pode ter sido melhor em nossa opinião do que outro? É claro que sim, porque, como já dissemos, o sentimento é pessoal e cada um sente de uma forma, ainda que todos sintam. E é assim que precisamos ver, entender e receber a decisão de um corpo de jurados. Temos certeza de que qualquer um que estivesse nessa posição de julgar não se sentiria confortável, porque sabe que aquele que julga também será julgado pelos demais. Mas a vida é assim mesmo. Alguém tem que julgar e dizer quem foram os melhores. E nossos convidados aceitaram essa missão e, junto com os demais organizadores estamos agradecidos pelo bom trabalho que fizeram, ao decidirem quem foram as melhores apresentações.


A organização neste ano contou com a parceria do Ponto de Cultura “Centelha de Luz Juvenil”, que tem na direção a senhora Lúcia Voltan. O ponto de Cultura ofereceu parte da premiação, certificados e troféus. A Prefeitura de Poxoréu, através da Secretaria de Educação e Cultura também participou da logística, com equipamentos de som e pessoal de apoio. O Externato São José cedeu-nos o Salão Dom José Selva, como tem acontecido durante todos os 26 anos de realização do Recital. As escolas entraram com os artistas e o povo completou a parceria formando a plateia. Aliás, falando em povo…


Tem um povo em Poxoréu que sempre acompanhou a UPE e que sempre cantou junto com os Titãs esse refrão:
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer”
Esse povo cresce em número a cada ano e é imensamente carinhoso com nossos artistas. Dentre aqueles que prestigiaram esses dois dias de Recital, existem pessoas que ali estiveram desde o primeiro espetáculo, como a professora Maria Auxiliadora, Presidente do SINTEP de Poxoréu. Foi ela mesma quem disse nunca ter perdido um recital.


Os artistas precisam de muito pouco, mas como precisam desse pouco. Os artistas são os nossos filhos, são os filhos de nossos amigos, são os filhos de nossa gente. E o que eles esperam de nós é que, quando subirem ao palco, possam nos ver ali nas primeiras filas, cheios de expectativa com relação às suas apresentações.


Queremos agradecer a todos os que cooperaram com a realização desse evento, deste Vigésimo Sexto Recital Upenino de Poesias.


Obrigado aos parceiros Lúcia Voltan, Secretário de Educação Adriano Maia, prefeito de Poxoréu Nelson Paim, jurados convidados, Diretoria da Upe, upeninos que apoiaram direta ou indiretamente e a todo o povo que prestigiou o evento. Agradecemos de coração. Não agradecemos somente pelo que fizeram por nós. Agradecemos pelo que fizeram por nossas crianças, jovens e adolescentes. Embora alguns possam pensar o contrário, nós sempre fizemos por eles.  obrigado por se juntarem a nós, pois assim, juntos, todos nós permitimos que eles extravasassem suas emoções e sentimento através da interpretação de lindas e maravilhosas poesias.


Até o Vigésimo Sétimo. Há trinta anos estamos arregimentando os fanáticos, os loucos e os apaixonados pela poesia. Foi uma luta intensa. E agora que esse time está formado, esperamos que nossos artistas possam sempre contar com vocês para que essa linda história de amor pela poesia continue depois que nós partirmos.

Vida longa para o Recital Upenino de Poesias, em Poxoréu!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

NA TRILHA DO KURUGUGWÁRI


Cenário: Morro da Mesa, monte que à distância de muitos quilômetros avisa aos viajantes que Poxoréu se aproxima. O “Morro do Gavião Carcará”, conforme denominaram os Bororo que habitaram essas paragens desde os tempos imemoriais (Kuruguwa = gavião carcará e Ri = morro).






Subir montanhas tem seus percalços, mas, passo a passo, o que parece ser demasiado sacrifício vai sendo convertido em prazer dos mais raros, desfrutado apenas pelos que se põem a caminho.

Visto de longe, o Morro da Mesa compõe a paisagem que emoldura a cidade de Poxoréu, complementando as serras que circundam a sua porção mais ao sul.


Uma palavra o traduz: imponente.




Quem o vislumbra desde a sua base, percebe a energia que esse monumento de arenito irradia. É um convite à aventura, à liberdade, a respirar o ar fresco que a brisa constante do topo traz consigo. Tem sido assim ao longo de muitas décadas e assim será per saecula saeculorum.



A tradição católica do povo nordestino que fundou Poxoréu converteu esse monte num local de peregrinação. Assim, na semana santa, inúmeras pessoas sobem o monte como expiação pelos pecados e para fazer memória do sofrimento do Cristo ao subir o Calvário. Outros o fazem por mera curiosidade. E há aqueles que buscam na subida um momento de contato com a natureza. Na fuga dos fastios cotidianos, impor ao corpo e à mente o desafio de chegar ao cume é higiene mental das mais profícuas e preciosas.


No dia 30 de julho de 2017, foi a nossa vez de experimentar.



É uma caminhada de 1,5km, com pouco mais de 200m de desnível, que se realiza em 50 minutos. A trilha serpenteia entre árvores e rochas, transpondo obstáculos e recompensando quem se aventura com a visão de um horizonte que se alarga à medida que se sobe: aos poucos, descortina-se Poxoréu... mais uns minutos e o norte se pinta com as luzes de Primavera do Leste.



O vozerio dos primeiros metros converte-se em silêncio espartano e respeitoso, pois é preciso poupar energia e oxigênio. Todos se ajudam: aqui e ali são vistas mãos que se dão e se apoiam. As poucas palavras ouvidas são de estímulo. Somos agora um organismo que se move morro acima. Andamos juntos, sentindo o mesmo cansaço e o mesmo prazer.




Uma pausa... descanso de cinco minutos... as risadas reaparecem. Reiniciamos. Entre rochas e raízes superamos mais dois lances íngremes.


Ânimo! Falta pouco! Um esforço final e passamos o portão de onde se vê o Rio Poxoréu rasgando a paisagem em direção ao Sul, apontando para o relevo que embeleza a região de Jarudore.


O Caminho se estreita, apertado entre a grade de segurança e a rocha. Faltam poucos metros... um gole de água vai bem... respire fundo e dê os últimos passos...



Pronto! Chegamos! Do alto, a cidade fica pequena e a paisagem em 360o não pode ser mais deslumbrante. No horizonte, a leste, um tímido clarão tinge o cimo dos montes, avisando que em instantes o astro-rei nos brindará com sua presença. De início, uma tênue faixa vermelha já contrasta entre o negro do relevo e o céu que já começa a ser mostrado em tons de azul. Num ponto, a luz é mais forte. Já identificamos a exata posição onde o Sol quer se mostrar. E ele se mostra em segundos, iluminando os sorrisos de todos. Um brinde às luzes da aurora! Viva a vida! Irrompe uma salva de palmas... uma revoada de andorinhas nos dá as boas-vindas. Hora de muitas fotos e de café da manhã festivo.



Mais alguns instantes e é chegada a hora de se despedir da montanha e iniciar a descida. Mais algum esforço será necessário. Mais suor será vertido. Desçamos.


Já é dia e o caminho antes percorrido sob a luz de lanternas agora ganha cores que recompensam o caminhar entre as pedras. Atenção redobrada para não escorregar.





Pouco mais de meia hora e já estamos no ponto onde tudo começou. Suados e felizes. Enriquecidos pela experiência e nutridos pelo ar puro. Cansaço que nos fortalece para as inúmeras batalhas que a vida moderna nos impõe.


Retornamos gratos ao Grande Kurugugwári por nos permitir compartilhar de sua divindade. Que venham outras trilhas!!!
 Edinaldo Pereira de Souza

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Revista Eletrônica da UPE

Estamos construindo a Revista Eletrônica da UPE
https://sites.google.com/site/upepox/

Acesse.

Boas leituras.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Especial Upenino Dia das Mães

Especial Upenino “Dia das Mães”
Izaias Resplandes
O dia da mães é de fato especial. No fundo todos nós vivemos de emoções. E, mesmo as pessoas mas duronas e mais sisudas se dobram emocionalmente, quando o assunto é mãe.

Como costumo fazer todos os anos, rabisquei alguns versos. E então escrevi...

LEIA TODA A MATÉRIA EM



domingo, 23 de abril de 2017

Os cristãos e os movimentos pró-mudanças sociais

Os cristãos e os movimentos pró-mudanças sociais
IZAIAS RESPLANDES

Eu sou cristão. Nós, os cristãos temos a Bíblia como a regra fundamental para disciplinar as nossas relações sociais, de um modo geral.
Em relação à obediência às leis do país nós temos duas diretrizes: 1) Obedecer a Deus acima de tudo, desobedecendo as leis humanas sempre que essas atentarem contra o estabelecido na Bíblia e arcar com as consequências; 2) Obedecer as leis do país sempre que elas forem compatíveis com as normas estabelecidas na Bíblia (At 4:18-20; Rm 13:1-7; 1 Pe 2:13-17).
Neste ano de 2017, o Brasil está vivendo dias de grandes mudanças em suas leis sociais trabalhistas, previdenciárias, entre outras. Muitos movimentos têm se formado em insurreição contra essas novas propostas, com greves localizadas e gerais.
A presente reflexão visa compreender e responder sobre qual deve ser o comportamento do cristão em face dos movimentos pró-mudanças sociais: participar ou não, eis a questão!
Jesus disse que ele e seus discípulos não eram deste mundo. Por sua vez, o apóstolo Paulo também disse que a nossa Pátria está nos céus (Jo 17:14-18; Fp 3:20). Isso significaria dizer que nós não devemos nos envolver com as coisas dessa vida, porque não somos daqui e sim dos céus? Ou apenas que as nossas prioridades devam ser as coisas concernentes aos céus, podendo nós participar delas, mas não de forma prioritária?
Com certeza essa é uma questão muito difícil de responder. Como não me envolver naquilo que já estou envolvido, haja vista que, como trabalhador e cidadão desse país, também faço parte do conjunto dos atingidos pelas reformas legais? Por exemplo, se vou para a greve, luto contra os patrões, ficando ao lado dos meus companheiros; se não vou, fico contra os meus colegas e luto contra eles, nos piquetes que eles farão para impedir os fura greves de trabalhar. Fico com os patrões ou com os meus companheiros de trabalho? Ou peço demissão para não me envolver e vou procurar outro emprego? O que fazer?
Vejamos como Jesus se comportou diante de alguns eventos sociais de seu tempo...
1 – Jesus foi em uma festa de casamento em Caná da Galiléia (Jo 2:1-11). E não foi apenas como assistente, mas intervindo de forma direta no evento, realizando o seu primeiro milagre e manifestando a sua glória.
2 – Jesus pagou tributos ao império romano e disse que todos deveriam pagar, ainda que o costume geral era cobrar o tributo dos estrangeiros e não dos filhos da terra (Mt 17:24-27; 22:17-21).
3 – Jesus se deixou prender pelos soldados do templo, submetendo-se à sua autoridade, mesmo podendo se rebelar, convocando legiões de anjos em sua defesa (Mt 26:47-53).
4 – Jesus se deixou batizar por João Batista, num batismo para arrependimento de pecados, mesmo não sendo pecador (Mt 3:13-15).
5 – Jesus curou muitas pessoas e deu poder aos seus discípulos para que fizessem o mesmo, como forma de amor, mas também como provas de seu poder (Mt 8:5-10; Mc 16:17-18).
Em todas essas passagens vemos o envolvimento de Jesus com questões desse mundo. Mesmo não sendo da Terra, enquanto esteve aqui Jesus teve um envolvimento direto em diversos eventos, tanto de natureza social, política e econômica, quanto de natureza religiosa. Se a sua missão fosse apenas espiritual, não deveria ele imiscuir-se de envolver-se em questões estranhas a isso? Mas não foi assim que aconteceu. Ele se envolveu com as causas dos oprimidos, dos fracos, dos doentes...
Ao concluir que se deveria dar a César o que é de César, Jesus dizia que deveríamos cumprir com nossas obrigações junto aos governantes do país. Isso foi entendido e ensinado pelos seus apóstolos, como por exemplo, Paulo e Pedro (Rm 13:1-7; 1 Pe 2:13-17).
Jesus não disse que não deveríamos nos relacionar com as questões desse mundo. Em sua oração ele apenas pediu a Deus que guardasse os seus discípulos, livrando-os do mal, protegendo-os enquanto estivessem no mundo (Jo 17:15).
O que Jesus esperava de seus discípulos é que tivessem uma vida espiritual que influenciasse o mundo de forma positiva e não que os seus discípulos fossem influenciados pelos apelos da vida mundana.
Além de Jesus, a gente vê essa preocupação também no apóstolo Paulo, quando temia que assim como Satanás enganou Eva, também os discípulos pudessem ser enredados pelos seus rudimentos (2 Co 11:3).
Assim, em um primeiro momento, não vemos como não nos relacionarmos com as coisas do mundo, vivendo no mundo. Todavia, nosso relacionamento deve ser realizado com muita cautela, para que não sejamos vítimas dos ardis de Satanás (2 Co 2:10-11;; 1 Pe 5:8).
A nossa vida deve ser como um bom livro aberto à leitura do mundo, de forma que possamos influenciar as pessoas com as quais convivemos, sendo uma luz que ilumina e um sal que dê sabor (Mt 5:13-14; 1 Co 7::12-14;1 Pe 3:1-5).
Ao nos envolvermos em um movimento social devemos nos portar com decência e respeito às instituições. Podemos participar de uma passeata, mas não devemos nos envolver em quebra-quebras. É de ver que somos testemunhas de Jesus. Apesar de seus discípulos terem ficado indignados com a prisão do Mestre, como Pedro, por exemplo, Jesus não permitiu que ele reagisse de forma violenta e também condenou aqueles que o vinham prender usando desse expediente. Como disse o Senhor, a violência, gera a violência.
Nós somos agentes da paz, da negociação, do entendimento. Isso não significa que, se as coisas passarem dos limites, nós também devamos ficar de braços cruzados. É de ver que Jesus reagiu violentamente contra aqueles que faziam do templo uma casa de comércio (Jo 2:13-17).
Não há nenhum erro em reivindicar a justiça, que é o direito devido a cada um. Mas é preciso ser cauteloso, porque não temos como prever a reação das pessoas, que poderá ser favorável ou não à nossa causa (Lc 18:1-5).

Vemos, então, com todo o respeito à posição daqueles que pensam de forma contrária, que nós, cristãos, poderemos participar dos movimentos sociais paredistas, comportando-nos devidamente como cristãos ordeiros e sensatos, defendendo sempre a verdade, as causas justas, apoiando os mais fracos, os mais pobres e os oprimidos de um modo geral, buscando a conciliação, o entendimento e a paz, porque, acima de tudo, nós somos embaixadores da paz neste mundo turbulento e violento.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Uma tarde de jogos estudantis

Uma tarde de jogos estudantis


Izaias Resplandes

Hoje eu passei a tarde no Centro Juvenil de Poxoréu, assistindo os jogos estudantis interescolares de 2017 que estão sendo realizados lá. 
Foi muito bom ver a alegria, a garra e o desempenho de nossa garotada. 
Os jogos continuarão nessa sexta-feira de manhã. 
Vale a pena ver.

Não pude assistir as solenidades de abertura. 
Quando cheguei já iam começar os dois primeiros combates em futebol de salão. 
Não havia muita gente ainda, mas depois, pouco a pouco as arquibancadas foram se enchendo de uma assistência alegre e barulhenta, como deve ser a plateia de um evento futebolístico.

Cada lance de craque arrancava uma ovação das arquibancadas. 
E quando veio  o primeiro gol, aí foi uma “zorra total”, um tremendo barulho. 
E, como foram muitos os gols da tarde, o que não faltou foi emoção e vibração.
 Acompanhando ali mais de perto da quadra para capturar uns flashes dos nossos meninos, ouvi também um comentário me fez lembrar dos grandes acontecimentos que estamos presenciando no Brasil de hoje em dia. 
Tendo perdido o jogo, um atleta comentou com seus pares: “por quanto será que se compra um juiz?” 
Eita! 
Ainda bem que o juiz não escutou, porque senão poderia ficar bravo. Mas isso é coisa normal no futebol. 
A gente sempre ouve esse tipo de comentário, pelo que não nos causa mais tanta estranheza.
Aí eu fiquei me lembrando do comentá-rios feitos por um dos delatores dessa Operação Lavajato, que está acontecendo no Brasil desde 2016. 
Em minha interpretação ele disse que ao realizar a primeira propina, o ato causa certo desconforto. 
Mas aí vem a segunda e a terceira... 
E então o corruptor já não acha mais estranho. 
Pelo contrário, administra a regra ilícita com naturalidade, compreendendo como perfeitamente normal fazer o que faz. 
E que a surpresa é quando ele é pego pela Justiça, que decide escancarar isso, depois de anos em que essa prática ocorria no Brasil com naturalidade, sem causar nenhuma estranheza nos milhares de agentes públicos envolvidos. 
Ainda bem que isso parece não ter sido entendido dessa forma, porque senão, alguém poderia ficar muito bravo também.
Divagação a parte, valeu a pena passar uma tarde no Centro Juvenil de Poxoréu. 
A gente aprende muita coisa e entende muitas outras mais ainda.  
Teve até goleada!
 Um garoto que estava próximo de mim gritou para o atleta em campo: Seis! É... Para quem gosta de gols, os meninos ofereceram muitos gols!
 E nessa sexta-feira as emoções serão redobradas, porque já serão as finais das diversas modalidades. 
Vale a pena conferir.