terça-feira, 24 de abril de 2018

I Leilão de Gado do IHG de Poxoréu


I Leilão de Gado do IHG de Poxoréu

·       Izaias Resplandes de Sousa



Domingo, 22 de abril de 2018, Dia da Terra, dia de sol forte, dia de realização do primeiro leilão de gado promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu (IHGP), dia de encontrar velhos amigos, como o Dr. José Jorge Sobrinho, Presidente do Sindicato Rural de Poxoréu (onde o evento aconteceu), dia de arrematar gado, dia de beber, comer e se divertir. Mas também foi um dia triste, pois foi o dia de sepultar a amiga e companheira de profissão, já aposentada, a Profª Mirete de Oliveira Souza.
O leilão do IHG estava marcado para começar às dez horas. E a partir dessa hora de encontro marcado, já estavam presentes a maioria dos membros do Instituto e o povo também já se concentrava no local. Conforme previamente combinado, antes de tudo, o grupo teria uma roda de conversa com o Dr. Jerulino de Aquino, sócio correspondente do IHGP em Cuiabá. Ele falou animada e empolgadamente de suas ações e fez orientações aos demais membros da instituição.
O Dr. Jerulino de Aquino é proprietário dos Laboratórios Carlos Chagas, em Cuiabá e também da Fazenda Consolação. Ele fez uma brilhante participação no leilão, arrematando diversos lotes, contribuindo assim, de forma notável com a instituição da qual faz parte. Segundo o auxiliar de leiloeiro “Sorriso”, que ao lado da Daniela coordenava as vendas entre os clientes presentes, Dr. Jerulino é “patrão”. E ele foi mesmo, recebendo os agradecimentos de todos por isso. Saiu de Cuiabá, veio a Poxoréu, fez-se presente no Leilão, participou da reunião com os membros do IHG, arrematou bezerras e novilhas, fez a sua parte, feliz e fazendo seus companheiros felizes.
Confesso que nunca havia participado de um leilão de gado. Às vezes vejo alguns momentos na televisão, mas ao vivo, presencial, foi a primeira vez que participei. Achei muito interessante a organização do cenário. O leiloeiro oficial fica lá no alto, acima do palco. À sua frente, fica um pequeno cercado, o palco para o gado, com uma porteira de cada lado. O lote a ser leiloado entra por uma porteira e sai pela outra após ser vendido. À frente do curral ficam os vendedores que captarão os lances dos clientes. No caso, o Sorriso e a Daniela. Cada um mais animado do que o outro. Ao captar um lance, Daniela dava um gritinho para o atento leiloeiro. Sorriso, por sua vez, além do “eu” bem forte, também levantava o braço para se fazer entender. No início do leilão estranhei os gritinhos da Daniela. Não sabia o que era. Depois achei interessante e passei a acompanhar. E acompanhei até o final, já depois das dezessete horas. Foi um longo leilão.
O evento começou com as apresentações musicais da Orquestra de Viola de Poxoréu. Lindo! Os violeiros poxoreanos tocaram e cantaram com alegria e entusiasmo. Fizeram um belo espetáculo.
Depois das violas, veio a Catira, um belo sapateado apresentado por sete jovens alegres, bem coreografados e compromissados com a divulgação dessa tradicional dança brasileira, a Catira. Eles foram acompanhados por uma dupla de violeiros. Um grande show.
E então veio o almoço, oferecido gratuitamente aos presentes pelo IHG de Poxoréu. No menu, carne assada, vinagrete, mandioca e arroz branco. Uma boa comida, bem preparada e saborosa. Todos comeram com apetite.
Finalmente, com a alma e o estômago devidamente abastecidos pela boa música violeira, pela catira e pela boa comida oferecida, o Presidente da instituição abriu oficialmente o evento. As autoridades falaram, agradeceram e foram aplaudidas pelo povo presente. E então, disse o Presidente: “agora vamos sair de cena e deixar o espaço ao povo que tem dinheiro”.
E começou o leilão, com a abertura entusiasmada do leiloeiro e um minuto de silêncio em memória da Profª Mirete de Oliveira Souza, que, infelizmente, acometida de parada cardíaca, partiu para o mundo das almas no dia 21 d abril, sendo sepultada no dia 22, no Cemitério de Poxoréu. Esperamos que ela alcance o reino da eterna felicidade.
A primeira bezerra leiloada marcou o tom do leilão. Em que pese fosse um belo exemplar, foi arrematada por R$ 1.860,00. Um valor espetacular! Foi oferecida pelo Sr. Orlando César Dalberto, da Fazenda Água Fria e arrematada pelo Dr. Jerulino de Aquino, da Fazenda Consolação. Nenhum outro lote alcançou um valor tão alto, mas houve quinze bezerras arrematadas por valores iguais ou superiores a R$ 1.000,00. E a média de preço de uma bezerra de boa qualidade é R$ 700,00. As outras bezerras também foram bem cotadas. Apenas quatro bezerras foram arrematadas por menos de R$ 700,00. Foi um grande leilão.
Na prestação de contas, o Presidente do IHG de Poxoréu informou que o valor bruto arrecadado no leilão foi de R$ 50.440,00. E o montante líquido foi de R$ 43.090,00. De forma que foi mesmo um grande leilão. Foram vendidas 54 reses, as quais foram adquiridas por DANILO RODRIGUES VALE BARBOSA, MATHEUS, ALEXANDRE PINTO (AGRO Paraná), JOÃO DE JEUS OLIVEIRA, BENJAMIN MARTINS DE OLIVEIRA, OSMAR DA SILVA TRASNPORTE, JOAQUIM NUNES ROCHA FILHO, JOSÉ MORAES BARBOSA, JOÃO DE JESUS OLIVEIRA, JOÃO ALVES DA ROCHA, EUDOSON ROSA DA SILVA e JERULINO LOPES DE AQUINO.
As doações vieram dos quatros cantos do município, através de Lourival Nunes Vieira da Fazenda LN Vieira, Sandro Cleber V. Filho da Fazenda Bela Vista, Joaquim Benedito Cirilo da Fazenda Chapadão, Viriato Bortoloti, da Fazenda Mangabeira, Lenilson Miranda da Silva da Fazenda Conquista, Trajano Rodrigues da Silva da Fazenda Jaraguá, Antônio Carlos Ramos Neto da Fazenda Lagoinha, Eli Pereira Turbino da Fazenda São Francisco, Maurição da Fazenda Santo Antônio, Altamiro Pereira Campos do Sítio União, Isonel Gil Lopes do Sitio Lambary, Alexandre Pinto da Agro Paraná, Família do Sr. Izaias da Fazenda LN Vieira, Donizette Benedito Cirilo da Fazenda Chapadão, Waldemar Dias da Silva da Fazenda Gameleira, João Vieira da Silva Filho da Fazenda Morro dos Pingas, Armezinda Rosa da Silva da Fazenda Morro dos Pingas, Denizar Benedito Cirilo da Fazenda Chapadão, Raul Farias Pinto da Fazenda Goiabeira, Paulo Mangialardo, Lourival Nunes Vieira da Fazenda LN Vieira, Wislon Nunes Vieira, Helena Dias Vieira da Maria Aguiar Araújo da Fazenda Cachoeirinha, Fazenda Santa Helena, Maurílio da Fazenda Paraiso do Leste, Dr. Moraes, Ademar de Mato S. Junior da Fazenda Capão, Orlando Ribeiro Vilela do Posto São Lucas, Carlos Maia de Almeida da Fazenda Casa da Dinda, Joaquim Nunes Rocha Filho da Fazenda Santa Luzia, LEODILIO GIL LOPES do Sitio Recanto Feliz, Eli Pereira Turbino da Fazenda São Francisco, Sandra Nery Silva da Fazenda Santa Luzia, Danilo Rodrigues, Antônio Garcia Dornelas da Fazenda Boa Vista, Dr. Euson Rosa da Silva da Fazenda Boa Vista, João Neves da Silva da Fazenda Santa Lídia, Nilton Benedito Cirilo da Fazenda Chapadão, Valdete Rosa da Silva da Fazenda Bela Vista, Osman Camargo da Silva do Sito Olho dos Anjos, Jailton Souza Bravo, Wilson Nunes Vieira,  Laurita Silva Xavier da Fazenda Portão, Orlando Cesar Dalberto da Fazenda Água Viva, José Diomedes Pacheco da Fazenda São Pedro, Floriza Nunes Vieira da Fazenda Bom Jesus, Jussária Martins de Oliveira da Fazenda Jussária, Osvaldo Nunes Vieira da Fazenda Estância Baú, Joaquim Santana Nero da Fazenda Cruz de Malta, Donizete Benedito Cirilo da Fazenda Chapadão, João Batista Pancoti da Fazenda São Luiz, Dr. Edmar e Sr. Valdeson Rodrigues de Alcântara da Fazenda Três Irmãos.
Com os recursos arrecadados nesse I Leilão de Gado, o Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu dará prosseguimento aos seus projetos culturais em prol da sociedade poxoreana, com todos seus membros muito agradecidos pelas doações e arrematações que tornarão possível o caminhar da instituição, a qual vai andando em passos largos, buscando corresponder aos anseios presentes em sua criação.
·       Izaias Resplandes de Sousa é Orador do Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu e 2º Vice-Presidente da União Poxorense de Escritores.


domingo, 8 de abril de 2018

ANIVERSÁRIOS DE GIGANTES


ANIVERSÁRIOS DE GIGANTES
                                                
Gaudêncio Amorim

                        Apesar das avaliações negativas de muitos críticos de nossos tempos, eu diria que estamos vivendo em tempos de gigantes. É certo que um dia eles tombarão, mas os seus feitos serão eternos, da mesma forma que é certo constatar que, o que importa mesmo, não é quem foram eles, mas o legado que deixaram, pois assim caminha a humanidade, de sorte que não seremos lembrados pelo glamour das nossas vaidades nem pelo nosso castelo de prosperidades materiais, embora também seja verdade que muitos exércitos defendam o contrário, reconhecemos.
                        A afirmação do empresário Itamar Vilela (Genro do saudoso “Tonico Ribeiro” – da Fazenda Três Balisas) – de que “o IHG está dando de si o que de mais precioso existe nos últimos tempos: o tempo” é passível de uma incisão no curso de nossa história, haja vista a fertilidade dos tempos por oportuno dos 30 anos da UPE; 03 do IHG e 80 anos de vida administrativa do município. De fato, você já percebeu que quase ninguém tem tempo para alguém? Quiçá, o Dr. Itamar tenha mesmo razão, afinal, quando dele ouvi a afirmação, na companhia do confrade Antônio Nival, quando buscávamos arrecadação de gado para um leilão beneficente do IHG, mudei o foco do meu olhar para os gigantes do meu tempo.
                        Quando voltei daquela região do Corguinho, firmei uma “luta corporal” com os meus pensamentos sobre como aquele homem que não conhecia tanto do nosso dia a dia podia saber do tempo que dedicamos graciosamente à sociedade e quanto tempo vimos dedicando a este tempo. Parecia que aquele homem sabia mais de nós do que nós mesmos. Mas depois entendi que o bem é contagioso. Por mais que experimentemos pouco a sua concretude, há uma corrente invisível pulsando nos tecidos sociais e, todos, à sua maneira de percepção, corroboram nossos feitos, implícito ou explicitamente, direto ou indiretamente. Na verdade, contra os fatos não há argumentos. Qualquer invenção contrária se dissiparia em simulacros.
                       


A União Poxorense de Escritores – UPE, fundada em 31 de março de 1988, era apenas um protótipo de agremiação com a lânguida pretensão de se consolidar numa bandeira de luta, “em defesa da arte e da cultura”, sem saber quão alto voaria, que valor a história lhe daria e se duraria o tempo que durou e ainda se mantêm viva. Ela não só surpreendeu a si mesma, como finca desafios para que hajam outras a imitá-la com igual e tempo de existência e com tantos generais no campo de batalha. Quando o prof. Izaias Resplandes reuniu os primeiros “timoneiros da literatura” àquela viagem, há 30 anos atrás, mais do que a agremiação dos talentos literários da época, ele o fazia com todos um pacto com aquilo que já se consubstanciava em raridade, mercadoria de alto custo e pouco acessível aos trabalhadores: a doação de tempo. Quem quisesse pertencer a UPE haveria de dispor de tempo. Talvez, por isso, poucos tem se prestados ao sentimento de pertencimento à entidade. E cada um, à sua maneira, passou a contabilizar o seu tempo e, certamente, fosse uma poupança retornável no decurso, todos teriam para si uma próspera vida material. Este tempo foi investido nas pessoas, principalmente na juventude dos últimos 30 anos. Ele muitos haverão de citar este legado no futuro.
Passei, taciturno e me esgueirando pelas veredas do tempo, para apreciar a riqueza do tempo dispensado à causa upenina: O prof. Izaias com a sua máquina intelectual de produzir artigos; de levantar bandeiras; de criar e transformar tantas matérias brutas em pedras raras, consumidas vorazmente por muitos que não possuem tempo, apenas o tempo para saciar suas necessidades imediatas; o prof. João de Souzacom suas pesquisas, suas palestras, sua voz e um baú de criações e produções, embaladas e, caprichosamente, postas à disposição de quem, sem tempo, se presta à avidez do consumo; a professora Josélia Neves, com tempo para o seu português castiço, para a rima rara, a poesia que exulta o poema e com todo tempo possível, adorna as páginas silenciosas da literatura local, posta ao infortúnio apressado do consumo repentino; O Kautuzum Araújo, pulsando o tempo na artéria, foi generoso para compartilhar com o mundo os lampejos da sua humilde poesia, mas rica simplicidade; O Joaquim Moreira que, de tanto tempo, poderia ”calar” Bilac, seja na qualidade ou na quantidade dos seus sonetos decassílabos, mesmo depois de calado pela sua existência física; A Delza Zambonini, tão intensa, quanto seus versos, cujo tempo farto, só encurtado pela precoce existência; O Aquilino Silva, cujo tempo para escrever  foi imensamente maior do que as aflições que ceifaram sua própria vida; O Genivá Bezerra, a testemunhar tanto tempo nas laudas capitais de sua produção, comumente visitada, num “esforço de tempo” que a circunstância exige; O Edinaldo Pereira, em voo livre, rompendo trilhas da soleira do tempo para acondicionar seu legado, às vezes ecoado nas vozes juvenis, “investindo tempo” para digerir suas raras poesias em recitais; O Wallace Rodolfo, graciosamente, a produzir para quem, cujo tempo não o impele viver aprisionado pelo seu alto valor; Ao Jurandir Xavier, que não etiquetou o valor do seu tempo para escrever, resgatar e preservar as memórias de uma sociedade sem tempo, embora, algumas vezes, se preste com tempo para, paradoxalmente, destruí-las; O Dr. Joaquim Nunes Rocha que não poupou tempo para sanear os percalços que afligiram sua gente; O Dr. João Batista que “das exordiais às considerações finais” não deixou lacunas nem vazios que se aproximasse de pelo menos um verso arredio; O Luis Carlos Ferreira, cujo tempo fê-lo brotar das entranhas da sua fertilidade, um estilo único, a ser admirado e consumido por legiões de gente sem tempo.


                        Em 30 anos estes intelectuais, jamais ousaram colocar em xeque o tempo, como o vilão, mas como oportunidade de doação, já que, verdadeiramente doais, quando são capazes de doar de vós mesmos e não de vossas posses, como dantes afirmara um pensador. Então, o mérito destes imortais pensadores, não foi somente a bandeira filosófica e não a mais nobre de suas missões, mas suas abnegadas doações de tempo.
                        Da mesma forma o Instituto Histórico e Geográfico, uma criança promissora, embalde o embrião que lateja a vida em abundância em tão poucos anos de existência. E assim não seria assim, se no comportamento do tecido humano que o constitui não houvesse ricas milhas de tempo materializadas no feixe das ações que tributam dos resultados dos seus valentes soldados. Porque assim não seria, se a professora “Mundica”, do alto de sua vivência quase octogenária não se predispusesse a constituir num quase “oráculo” da história local para o deleite da tenra juventude e sem a vaidade de ser “sacudida” como arvore da sabedoria, iluminando veredas que a  ignorância poderia enterrar nos destroços da “história sem memória”; Porque assim não seria, se professor João de Souza, reduzisse sua aposentadoria ao deleite privado dos seus sonhos, sem a genialidade de compartilhar projetos e ações a tantos quantos puderem beber da sua sabedoria; Porque assim não seria, se a professora “Deja”, professora de história, ficasse imune ao seu tempo sem se tornar sujeito de sua própria história, incorrendo no seu próprio abismo de contradições, como muitos o fazem. Se o Dr. Alan, Engº. Agrônomo, desejasse viver no limite dos seus conhecimentos técnicos compartilhados apenas com aqueles que pudesse debitar seus custos, sem quaisquer projeções maiores para a riqueza do seu tempo para as pessoas do seu tempo; Se o Dr. Marcelo Vilela, além do bem sucedido profissional que é não pudesse concretizar seus méritos na riqueza do material que possui capaz de se constituir em personalidade notória. Se o Adolfo Catalá, absorto no ofício de empreender grandes negócios, não pudesse compartilhar os frutos do seu sucesso no ânimo dos seus semelhantes e não mantivesse suas mãos estendidas para levantar os que jazem caídos ou sem forças, à sua volta; Se a professora Leda Figueiredo, dos altos tonéis de sua experiência, depois do dever profissional cumprido, não pudesse manter-se rica e à disposição desta geração, com suas intervenções de alto quilate, podendo o eco de sua voz propagar-se nos ouvidos que tanto desejara continuar ouvindo ; Se o Marcos Cezar, a seu jeito e à sua maneira, não se prestasse ao tempo do colecionador solitário e silencioso de artefatos e de memórias dos tempos de antanho;  da  Sandra Sol, com o seu tempo de criar, de acolher, de somar, de grandeza pessoal, de paciência farta, não pudesse ocupar o tempo para ensinar estas virtudes; A Sandra Nery, cuja generosidade, fizera ninho na sua consciência, com a leveza de compartilhar exemplos, na serena luta diante das tempestades ameaçadoras do seu próprio destino; O Agnaldo Luz, com o seu tempo, com tempo para socializar nossos feitos na Web, podendo os visionários da virtualidade conhecer a todos nós com um simples “click”; A Maria Luiza, que “misturada” entre os hangares do poder local, coleciona tempo para desfraldar a nossa nobre bandeira, inobstante as resistências ocultas que nos deseja silenciar; O Jailton, de vida agitada e passos apressados que conseguiu abrir “brechas” no tempo para emoldurar verdadeiros acervos fotográficos, caprichosamente cedidos a tantos entusiastas sem tempo. O Antônio Nival que, com a força de uma general irrompe no tempo em gestos e atitudes de abundantes doações pelo simples prazer de se sentir útil e continuar produzindo riquezas ao alcance de quem desejar compartilhá-las; A Lúcia Voltan, com tempo para o sacerdócio da vida em abundância, fazendo do seu colo, gigantescos tentáculos para aninhar as crianças e adornar os jovens, sob a inspiração de Dom Bosco e sem tempo para se curvar diante das dificuldades, mas com o desejo fortuito para aquecer corações nas mãos que se movimentam a filantropia; A Elvira, com tempo sem vaidade de turnos, quando se tem que fazer grandes ou pequenas ações, com suas mãos prósperas de movimentos; O Izaias Resplandes que, na sua estreita agenda, transforma o próprio tempo em paisagens nas lentes de suas milhares fotos; A Nelice que cada vez mais de alinha ao desejo que vem do coração, dando sentido e alentos aos subjugados e traídos pelas armadilhas da consciência; A Eva Mendes, apaziguando as inquietudes que cabem no tempo, com o anseio estreito de conquistas e de uma maturidade alcançada por toda equipe. Tempo de uma guerreira voraz, vigorosa e comprometida. Eu contemplo tudo isso, soldado de ambas as agremiações, como se fossem pinturas das mais raras paisagens não dissecadas pelo tempo; vivas em qualquer tempo na pinacoteca imprescritível de nossas memórias.


                        Realmente, entre os guerreiros da UPE e do IHG, o tempo que tem dedicado à causa institucional, longe do egoísmo e do individualismo que assolam nossa geração,  os colocam na condição de seres humanos incomuns, bem maiores do que supostamente pensam que são.


Certamente, as gerações do presente hão de proclamar seus feitos e suas memórias dizendo que viveram em tempo de gigantes: no tempo da UPE e do IHG.
                        
Vida longa aos gigantes!


segunda-feira, 26 de março de 2018

Revista A UPENINA Nº 07

Revista A UPENINA nº. 07

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A família

A FAMÍLIA

Compartilho com os leitores desse Blog o meu novo livro, intitulado 

A FAMÍLIA. 

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domingo, 29 de outubro de 2017

A UPENINA N° 06 - OUTUBRO DE 2017


Compartilho nossa primeira REVISTA UPENINA totalmente eletrônica. Espero que apreciem o trabalho. É mais uma amostra do potencial da nossa tecnologia. As matérias formatadas foram aquelas publicadas aqui no grupo, no nosso blog e /ou no facebook. Clique e leia.
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx1cGVwb3h8Z3g6MTdlN2E1NjZmYjBmNjg1Nw

domingo, 22 de outubro de 2017

Poxoréu, 2017

Poxoréu 2017


Izaias Resplandes


A cidade de Poxoréu está vivendo um clima diferente neste ano. Por onde tenho passado, o povo está reclamando menos. Acho que isso é bom, ainda que seja um tanto estranho, pois o que se propaga pelos quatro cantos do país é que o Brasil está vivendo uma de suas maiores crises econômicas. Dá para sentir uma atmosfera de certa satisfação com os primeiros meses da administração municipal de Nelson Paim, ainda que alguns também o criticam. Mas a crítica que tenho visto é muito menor do que o elogio.
O povo sempre fica satisfeito quando há realizações.
Nelson Paim está concluindo obras que foram começadas há anos e que não foram concluídas.
Ouvi ele dizer em um discurso na inauguração da Unidade Básica de Saúde do Jardim Brilhante e que foi batizada com o nome de “Pe. Pedro Melesi”, que há pelo menos 17 obras inacabadas. E disse que não começará nenhuma obra nova sem que haja concluído essas.

Na minha avaliação isso está corretíssimo. É triste de se ver os investimentos públicos serem jogados ao vento em obras começadas e inacabadas. Nós temos muitas em Poxoréu. Vejamos alguns exemplos:
No governo de Herculano Muniz se começou a construção do Fórum, ao lado do prédio do INSS. Até hoje ainda se podem ver as marcas da obra sem terminar. Agora tem até uma placa de vende-se no imóvel.

No governo de Adriano Neves da Silveira, como Presidente da Câmara, teve início a construção da sede do Legislativo em frente à Escola Juracy Macêdo. Também lá ainda se pode ver as marcas do descaso com o dinheiro público.
No governo de Antônio Rodrigues da Silva se começou a reforma do Balneário da Lagoa e da Rede de Esgoto da cidade. E até hoje o que se vê nessas obras são os rastros dos milhões de reais jogados pelo ralo.
O governo de Jane Sanchez Rocha começou, mas não concluiu, a reforma do Cinquentão, a construção da Quadra coberta da Escola Odete Oliveira Sousa e a construção de diversas Unidades Básicas de Saúde.
E por aí vai e vai e vai… De forma que essa decisão de terminar o que se começou, antes de se começar qualquer outra coisa, me parece uma coisa muito boa. Mas essa é a minha opinião e cada um deve ter a sua, a qual, evidentemente, será respeitada.
Outra coisa boa que estamos vendo em nossa Poxoréu de 2017 é um crescimento vertiginoso na área da construção civil. Quantas casas novas estão sendo construídas. Só na Av. Brasília surgiram aproximadamente uma dezena de novas residências e algumas construções comerciais. Na Avenida Brasil esquina com a Rondonópolis está sendo construído um belo edifício comercial com dois pisos. E na Rua Campo Grande, logo abaixo também há grandes construções. E a mesma coisa está acontecendo por toda a cidade. O povo está realimentando suas esperanças de fé em Poxoréu como um bom lugar para fazer seus investimentos.
Por outro lado, nunca vi tanta placa de “vende-se este lote” e “aluga-se esta casa” como estou vendo este ano. Na Avenida Brasília a concorrência entre as placas de “vende-se” segue praticamente no mesmo compasso da construção de novas casas. Disso eu não sei o que dizer. É um verdadeiro contraste.
O comércio também tem mudado as caras. O sr. Clóvis do Mercado Supergás Poxoréu vendeu o negócio para o Tião e o Joninha. No Mercado Central também o seu Antônio passou o ponto para o José Garimpeiro. O Mercado Brasil também andou com problemas. Chegaram a fechar a Lanchonete e a Panificadora que tinham aberto, reduziram os funcionários e serviços internos, mas recentemente a  Lanchonete foi reaberta.
Mas, ainda que alguns setores estejam indo bem, como o da construção civil, há, sim, sinais de crise em Poxoréu. O aumento do número de comerciantes ambulantes nas ruas é um sinal dessa realidade. E  hoje vejo diversos vendedores de frutas e verduras nas calçadas; também garaparias e pequenas lanchonetes são inauguradas cotidianamente. O número de farmácias também aumentou de quatro para sete. E tenho notícias de que em breve será inaugurada a oitava e talvez até a nona.
A indústria também não pegou até agora em Poxoréu. Continuamos apenas com aquelas de fundo de quintal, fazendo quitandas, queijos, rapaduras, cortes de peixes, aves e suínos. As padarias continuam as mesmas. A indústria de sucrilhos de milho encerrou suas atividades aqui deixando uma construção inacabada que foi embargada pela municipalidade. A indústria de sucos, que nem começou, parou de vez. Até a Cerâmica Poxoréu andou parando suas atividades. O Parque industrial do prefeito Ronan não emplacou. Só conseguiu mesmo foi transferir terrenos de domínio público para os particulares que não cumprriram suas responsabilidades.
Uma outra novidade de 2017 foi a questão das divisas de nosso Município com os municípios vizinhos. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso havia aprovado uma lei alterando esses limites e, por aquela lei, todo mundo metia mão numa fatia do território poxorense. Mas ainda bem que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu a inconstitucionalidade da lei e suspendeu seus efeitos. O povo do Distrito Nova Poxoréu, criado no governo de Sanchez Rocha chegou a comemorar a sua transferência para Primavera do Leste, mesmo economicamente se identificando muito mais conosco do que com  aqueles que vivem em cima da serra, nas margens da BR-070 e MT-130.
E falando em Nova Poxoréu, o Município continua criando infraestrutura naquele Distrito. Uma daquelas Unidades Básicas de Saúde que o prefeito Nelson está concluindo é destinada àqueles conterrâneos que vivem ali, à sombra do sucesso de Primavera do Leste.
E a população de Poxoréu só vai despencando. No censo de 2010, a população era de 17.599 pessoas. Na estimativa vigente do IBGE, em 2017, a população é de 15.985 habitantes. A maior parte de sua população está entre 10 e 19 anos, segundo a pirâmide etária.
Ah, sim! Uma outra coisa que tem mudado muito em Poxoréu é a paisagem religiosa. Tem surgido muitas igrejas evangélicas na cidade. Atualmente a população católica soma algo em torno de 13 mil pessoas, as demais igrejas e ateus completam os números da população.
E por último eu quero voltar os olhos para o aspecto cultural da cidade. A grande novidade de 2017 foi a consolidação do IHGP - Instituto Histórico e Geográfico de Poxoréu, o qual recebeu por doação da administração Sanchez Lopes o prédio onde funciona o Poxoréu Previ e a Assessoria Pedagógica. A estrutura estava se deteriorando e foi totalmente recuperada pelos membros do Instituto, trazendo uma nova feição para a paisagem central da cidade.

Com um ano de existência oficial, pode-se dizer que o IHG de Poxoréu está indo de vento em popa. Instalou a Casa de Memória Manoel de Aquino Pié, que é o primeiro museu da cidade, hoje com um acervo garimpeiro significativo. E está lançando também, neste mês de outubro, a primeira Revista do IHG. Entre as mais recentes novidades, o IHG está empossando como Sócios Correspondentes, diversos filhos ilustres de Poxoréu que vivem em outros municípios, dentre os quais já figuram: Dr. Juvenal Pereira da Silva, Desembargador do TJMT; Dr. Jerolino Lopes de Aquino, sócio-proprietário dos Laboratórios Carlos Chagas, da Capital; Drª Velenice Dias de Almeida e Lima, Presidente do Instituto de Estudos e Protestos de Títulos do Brasil, Seção de Mato Grosso, Cuiabá, MT; Noeme Ferreira Matos, Arquiteta da Prefeitura de Rondonópolis, MT; entre outros que deverão ser empossados nos próximos dias.
O IHG também realizou em parceria com a UPE, a primeira Tertúlia do Padroeiro. O evento aconteceu no mês de junho, com a presença dos filhos e amigos de Poxoréu e contou com o apoio do IHG de Mato Grosso, da Academia Mato-grossense de Letras e da OAB/MT.
Estiveram em Poxoréu na ocasião o Presidente do IHG/MT e o Vice-Presidente da OAB/MT, que é também o Diretor da Companhia de Teatro Cena Onze. Em decorrência dessa parceria, o IHG levou a Cuiabá a Orquestra de Viola de Poxoréu, a qual participou junto com a trupe do Cena Onze, da execução da peça “O poeta e o garimpeiro”, no Cine Teatro Cuiabá e que, pela mesma parceria também veio se apresentar em Poxoréu e Primavera do Leste neste mês de outubro de 2017.
A UPE - União Poxorense de Escritores está vivendo o seu terceiro decenário, completando trinta anos de existência no próximo dia 31 de março de 2018. Continua realizando o programa “Momento de Arte e Cultura” na Rádio Sulmatogrossense, em todos os domingos e também o seu tradicional Recital de Poesias, o qual chegou à sua vigésima sexta edição neste ano, com grande participação da sociedade. É provável que este tenha sido o Recital de maior amplitude e que aconteceu em parceria com o Ponto de Cultura Centelha de Luz Juvenil.
Aliás, o surgimento de mais um ponto de cultura em Poxoréu é também uma das novidades do ano. O ponto foi concedido para o Centro Juvenil e tem à frente a Diretora Lúcia Voltan. Agora já são dois pontos de cultura em Poxoréu: o Centelha de Luz Juvenil e a Associação Partilhar, que tem na direção o Prof. Giampiero Barozzi.
Mas a grande aposta da sociedade cultural neste ano está na inclusão do chamado CPF da Cultura, composto por um Conselho, um Plano e um Fundo de Cultura. Acredita-se que isso poderá abrir as portas para a realização de muitos eventos culturais em Poxoréu.
O grito de angústia da cultura poxorense, no momento, é dado em prol da comunicação. A Rádio Sulmatogrossense estará deixando de operar em AM, que segundo consta, só dá prejuízo e passará a retransmitir em FM, a programação da Rádio Jovem Pam. Com isso, é provável que a comunicação em âmbito local deverá assumir novos contornos e quem sabe até para melhor. Já se discute nos bastidores a criação de uma Rádio Web, já que a Rádio Comunitária existente é de curta penetração entre a população.
Esse é o olhar horizontal e vertical que faço sobre a cidade de Poxoréu neste ano de 2017. É um olhar comum, de um cidadão de periferia, que acompanha atentamente a caminhada dessa tradicional cidade. Ainda teria muito para se dizer, mas deixemos isso para outro momento ou talvez para outras pessoas.
O meu desejo é que Poxoréu redefina os seus horizontes e os seus picos de futuro e invista seriamente nos mesmos. Não adianta nada a gente ficar chorando pelo leite derramado, pela crise, pelas dificuldades. A solução de um problema se inicia com a sua leitura e compreensão; em seguida, a gente estabelece possibilidades de solução e aí aplicamos aquelas possibilidades com maior êxito de sucesso.
Eu acredito no povo de Poxoréu. É um povo de fé, corajoso e trabalhador. Eu acredito que essa cidade que já foi chamada de Capital do Diamante, por conta de seus ricos e lendários garimpos, pode retomar os seus dias de glória. Aliás, é bom que se diga que ainda há muito diamante em Poxoréu, seja nos monchões e grupiaras, seja em nossa sociedade. O povo de Poxoréu é um diamante lapidado, que enfrentou todo tipo de problema e que, por essa razão, tem todas as condições de construir um novo e pujante município.
Parabéns a todos que aqui militam e labutam. Parabéns pelos 79 anos de sua emancipação política. Parabéns a todos.

sábado, 21 de outubro de 2017

Vigésimo Sexto Recital Upenino

Vigésimo Sexto Recital Upenino


Prof. Izaias Resplandes de Sousa


Vinte de outubro. Enfim, chegou o dia do poeta em 2017.



No dia 20 de outubro do ano de 1976, em São Paulo, surgiu o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia. Esse movimento decidiu adotar a data como o dia do poeta no Brasil.


A UPE surgiu doze anos depois, em 31 de março de 1988, e sua Plenária decidiu seguir a orientação desse MPN, também reconhecendo o dia 20 de outubro como o dia do poeta.


Posteriormente, o dia 31 de outubro foi oficializado como o Dia Nacional da Poesia, através da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015, data do nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade.

Mas como uma coisa não descarta a outra, a UPE abraça as duas datas, como datas importantes para a literatura poxoreana.


Em Poxoréu, há 26 anos, a Plenária Upenina deliberou realizar no dia 20 de outubro, um grande recital, onde a quinta das sete tradicionais belas artes fosse decantada em verso ou prosa, para o gáudio e deleite da população de nossa querida, doce e amada cidade.



E aqui abrimos um parêntese. Já que a missão fundamental da UPE, semprefoi a de atuar “em defesa da arte e da cultura”, aproveitamos essa oportunidade em que ocupamos a tribuna, para fazermos a defesa de que cetro de “CAPITAL”, aqui tradicionalmente concedido ao diamante, seja a partir de agora concedido à “POESIA”.

Poxoréu ficaria muito bem como a “Capital da Poesia”.

E temos lastro para defender a nossa proposta, pois desde sempre valorizamos a quinta arte, além de que, institucionalmente, já estamos há trinta anos cultuando a poesia, levando encanto, emoção e sentimento em todos os palcos erguidos em Poxoréu.


É de ver que nunca nos faltou um intérprete dessa grande e tradicional bela arte da humanidade.

Que o tempo possa avaliar a nossa propositura. Por enquanto, voltemos ao presente.

Nos dias 19 e 20 de outubro de 2017, a União Poxorense de Escritores (UPE) e parceiros realizou seu vigésimo sexto recital de poesias, com participação de alunos das escolas de Poxoréu e dos distritos de Alto Coité e Jarudore.


O evento foi desenvolvido no Salão Dom José Selva, no Externato São José, na Casa das Filhas de Maria Auxiliadora, gentilmente cedido pela instituição.
Na etapa do dia 19, a cena foi ocupada pelas crianças.

E foi emoção demais.
Algumas crianças mal conseguiam falar, de tanto que estavam emocionadas em estar ali.

Mesmo assim, falaram e falaram.

Todas deram o seu show.

Todas fizeram os nossos olhos lacrimejar de emoção e os nossos corações baterem em ritmo mais acelerado.
Ah, meus queridos!

É como diz o locutor Galvão Bueno: “haja coração!”

As criancinhas declamadoras chegavam ao palco com aquele jeitinho tímido de quem estava com vergonha de estar ali, mas isso durava muito pouco, pois logo dominavam o cenário e mostravam para o que tinham vindo, arrancando não apenas suspiros e lágrimas, mas milhares de aplausos e brados de entusiasmo da plateia atenta e deslumbrada.

Se não bastasse o fato de que as crianças já encantavam somente pelo fato de serem lindas crianças, ficava muito difícil não se encantar quando à criancice se aliava a um talento indescritível.

Foi como sempre disse o poxorense Zequinha: a gente fica “sem palavras”.


Já no dia 20, no dia do poeta, tivemos a etapa final do recital.

Desta feita, estiveram envolvidos os alunos das séries finais do ensino fundamental e os do ensino médio.

E aí a emoção atingiu outro nível.

Naquela hora, a conversa seria assunto de gente grande.


Os adolescentes não vinham apenas pensando em oferecer um espetáculo para seus assistentes.

Eles chegavam encarnados no espírito dos poetas e entregavam a mensagem dos artistas como se fossem suas próprias mensagens.


As palavras adquiriam vida na medida em que eram pronunciadas.


Não era somente a boca que falava… Todo o corpo fazia coro, ressignificando cada letra.

O sentido da mensagem dos poetas foi imensamente multiplicado pela beleza e riqueza da interpretação que aqueles atores lhes deram.


E isso se deu não apenas uma, duas ou três vezes. Isso aconteceu durante várias horas.
E a gente, que estava ali assistindo…


A gente foi se enchendo daquela beleza, daquela emoção e de todo o sentimento que foi transmitido pelos artistas da noite, até que, não cabendo mais, não dando mais para continuar segurando, só nos restava aplaudir e aplaudir até as mãos doerem.



Quantas vezes observei que nem aplaudir as pessoas conseguiam, tão embevecidas estavam com as apresentações.

Chegou ao ponto de uma artista ter que dizer sorrindo: “Acabou!!!”

Porque a concentração da plateia era tão grande, que ela não se conformava que tivesse acabado.

E permanecia em silêncio, aguardando e querendo mais.

Como sempre aconteceu nos outros recitais, neste vigésimo sexto também tivemos as participações especiais.

Aconteceram alguns percalços técnicos durante as apresentações…

A obrigatoriedade de uso do microfone, por exemplo, arrancou algumasreclamações, porque os meninos não estavam acostumados a usá-los.

Mas isso também foi superado.

A organização foi tolerante com essas dificuldades e ninguém foi prejudicado pelo uso dessa tecnologia, a qual permitiu que todos no salão pudessem acompanhar as mensagens declamadas pelos artistas.



E os resultados… Ah, os resultados.
Como foi difícil julgar o talento de quem mereceu nota dez somente pelo fato de ter ido ali e podido falar e transmitir o seu recado para uma plateia que, ardentemente, queria ouvir.

Foi assim que se pronunciou a professora Silvana, depois que duas de suas alunas puderam voltar ao palco e concluir as apresentações que, no seu entendimento foram prejudicadas “pelo uso dos microfones”.

Que bom seria se fôssemos ao teatro apenas para apreciar o espetáculo e não para julgar quem foi melhor.


Porque, afinal, quem foi o melhor?

Nós não temos um emocionômetro, um sentimentômetro ou qualquer coisa desse gênero para medir o sentimento e a emoção transmitida pelos artistas no palco e pelos pais, amigos e assistentes que estão na plateia.

São muitos ingredientes juntos de uma só vez.

O julgamento de uma apresentação é sempre pessoal.

Cada um sente e recebe de um jeito a mensagem do artista.

O juiz é impactado pessoalmente.

E cada um da plateia também tem a sua própria impactação.

Não há como agradar a gregos e troianos.

E ainda que todos tenham sido vitoriosos porque falaram e transmitiram suas mensagens, coube aos juízes escolherem os cinco melhores entre o time de bam-bam-bans que desfilaram pelo palco, em cada categoria.

A gente pode criticar porque não concordou com a decisão dos jurados?

É claro que pode. Um artista pode ter sido melhor em nossa opinião do que outro?

É claro que sim, porque, como já dissemos, o sentimento é pessoal e cada um sente de uma forma, ainda que todos sintam.


E é assim que precisamos ver, entender e receber a decisão de um corpo de jurados.

Temos certeza de que qualquer um que estivesse nessa posição de julgar não se sentiria confortável, porque sabe que aquele que julga também será julgado pelos demais.

Mas a vida é assim mesmo. Alguém tem que julgar e dizer quem foram os melhores.

E nossos convidados aceitaram essa missão e, junto com os demais organizadores estamos agradecidos pelo bom trabalho que fizeram, ao decidirem quem foram as melhores apresentações.


A organização neste ano contou com a parceria do Ponto de Cultura “Centelha de Luz Juvenil”, que tem na direção a senhora Lúcia Voltan. O ponto de Cultura ofereceu parte da premiação, certificados e troféus.

A Prefeitura de Poxoréu, através da Secretaria de Educação e Cultura também participou da logística, com equipamentos de som e pessoal de apoio.
O Externato São José cedeu-nos o Salão Dom José Selva, como tem acontecido durante todos os 26 anos de realização do Recital.

As escolas entraram com os artistas e o povo completou a parceria formando a plateia.
Aliás, falando em povo…


Tem um povo em Poxoréu que sempre acompanhou a UPE e que sempre cantou junto com os Titãs esse refrão:
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer”

Esse povo cresce em número a cada ano e é imensamente carinhoso com nossos artistas. Dentre aqueles que prestigiaram esses dois dias de Recital, existem pessoas que ali estiveram desde o primeiro espetáculo, como a professora Maria Auxiliadora, Presidente do SINTEP de Poxoréu.

Foi ela mesma quem disse nunca ter perdido um recital.


Os artistas precisam de muito pouco, mas como precisam desse pouco. Os artistas são os nossos filhos, são os filhos de nossos amigos, são os filhos de nossa gente.

E o que eles esperam de nós é que, quando subirem ao palco, possam nos ver ali nas primeiras filas, cheios de expectativa com relação às suas apresentações.


Queremos agradecer a todos os que cooperaram com a realização desse evento, deste Vigésimo Sexto Recital Upenino de Poesias.


Obrigado aos parceiros Lúcia Voltan, Secretário de Educação Adriano Maia,

prefeito de Poxoréu Nelson Paim, jurados convidados, Diretoria da Upe,upeninos que apoiaram direta ou indiretamente e a todo o povo que prestigiou o evento.

Agradecemos de coração. Não agradecemos somente pelo que fizeram por nós. Agradecemos pelo que fizeram por nossas crianças, jovens e adolescentes.

Embora alguns possam pensar o contrário, nós sempre fizemos por eles.  obrigado por se juntarem a nós, pois assim, juntos, todos nós permitimos que eles extravasassem suas emoções e sentimento através da interpretação de lindas e maravilhosas poesias.

Até o Vigésimo Sétimo. Há trinta anos estamos arregimentando os fanáticos, os loucos e os apaixonados pela poesia.

Foi uma luta intensa. E agora que esse time está formado, esperamos que nossos artistas possam sempre contar com vocês para que essa linda história de amor pela poesia continue depois que nós partirmos.

Vida longa para o Recital Upenino de Poesias, em Poxoréu!


Classificados do Ensino Fundamental 

Classificados Ensino Médio


Classificados do Ensino Fundamental - Séries finais



Comissão Julgadora do primeiro dia

Laís fez uma homenagem à sua mestra, a professora Davina Messias, a qual depois de duas jornadas de 25 anos como professora municipal sentindo o perfume do pó de giz, agora decidiu pendurar seu guarda pó e desfrutar de uma merecida aposentadoria.

Upeninos Márcia, Gaudêncio, João, Izaias. Prefeito Nelson e Sec. de Educação Adriano

Lúcia Voltan - Ponto de Cultura Centelha de Luz Juvenil

Diretores da UPE: Edinaldo, Gaudêncio e João










Família Upenina e convidados