terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Bodas de madrepérola

Bodas de Madrepérola


Era sábado, noite. De dia chovera, mas a noite fora reservada para nós. Corria o ano de 19 de janeiro de 1985. Naquela época Lourdes estava com 23, quase 24 anos e eu estava com 27. Não iniciávamos uma aventura. Não éramos mais adolescentes. Sabíamos o que queríamos: viver juntos, apoiar-nos mutuamente, construir uma família, ter filhos... Tínhamos certeza de que poderíamos isso e muito mais.  Nosso amor seria o alicerce e as colunas da construção que, então, iniciávamos.
Tudo foi simples, mas verdadeiro. Nossos familiares mais próximos estavam presentes. Alguns amigos e familiares vieram de Mato Grosso para a cerimônia para serem testemunhas de nossa decisão. Nossos pais e demais familiares se alegraram conosco naquela ocasião. Foi uma noite muito feliz. Tivemos muitos percalços para que o nosso casamento se concretizasse. Mas, finalmente, tudo o que imaginávamos começava. Eu viveria para Lourdes e ela viveria para mim.
Os anos passaram. Tivemos dificuldades. Mas com a nossa persistência e disposição, tudo foi superado. Tivemos três filhos maravilhosos: Fernando, Mariza e Ricardo. Fernando se casou com Mariana e já nos deu Davi, nosso primeiro netinho. E agora eles já nos anunciaram que seremos avós de novo. Essa tem sido a nossa vida.
Já se vão trinta e um anos de vida conjugal. É certo que nem tudo foram flores. Tivemos nossos conflitos, nossas tristezas e alguns desentendimentos. Não seríamos normais se assim não fosse. Mas podemos dizer que essas noites não foram nada, diante da grandeza de nossas concordâncias, nossas alegrias e nossos entendimentos. As qualidades de nossa união superaram e abafaram os pequenos defeitos de percurso. De forma que nem temos muitas lembranças de momentos ruins que tenhamos vivido. Mas temos muitas memórias de nossos momentos felizes.
À Lourdes, nessa noite de 19 de janeiro de 2016, 31 anos depois daquela prima noche, quero dizer que valeu a pena cada segundo que vivi ao seu lado. Eu teria grande prazer de começar tudo de novo outra vez. Mil vezes trocaria alianças e me casaria contigo, se tantas vidas e tantas oportunidades eu tivesse.
Eu te amo, minha escolhida entre todas as mulheres. Viver com você me faz um dos homens mais felizes dessa vida. Aproveito a ocasião dessa celebração para também pedir a você o perdão pelas vezes que te magoei. Assumo o compromisso de fazer o melhor que puder para que nossa união perdure no tempo permitido por Deus, cuidando e zelando de você.
Que Deus nos reabençoe nessa ocasião. Parabéns pelo nosso dia. Trinta e um beijos com muito amor para você.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Missões de Amor

Missões de Amor
  

Prof. Izaias Resplandes

Cada um de nós veio ao mundo para cumprir uma missão. Uma missão de amor. Deus deseja que todos nós sejamos capazes de amar. Amar primeiramente a Deus e depois amar também às demais pessoas, da mesma forma com que amaríamos a nós mesmos.
A respeito desse mandamento de amor, Jesus disse:
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22:37-39.
Ainda que não haja um mandamento de amor por nós mesmos, entendemos que devemos ter amor próprio e devemos também cuidar de nós, principalmente porque nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Mas esse não é o amor que deve ter a primazia em nossas vidas. Se fôssemos estabelecer uma ordem sobre a prática do amor, eu diria que primeiro devemos amar a Deus, depois amar aos demais e por último a nós mesmos.
Paulo escreveu em 1 Coríntios 13:5, que o amor não busca os seus próprios interesses.
O verdadeiro amor consiste em buscar fazer a vontade de Deus, em primeiro lugar. E em segundo lugar, atender às necessidades das demais pessoas com as quais convivemos, e que são os nossos alvos missionários.
Deus deseja que nós trabalhemos com amor e ardor em favor dos nossos semelhantes.
Somente demonstraremos que amamos de fato a Deus se formos capazes de amar os nossos semelhantes com a mesma intensidade de amor, com que amaríamos a nós mesmos.
Jesus disse:
Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros. João 13:34-35.
E Deus nos ajuda a cumprir nossa missão, colocando pessoas com necessidades especiais à nossa volta. E nos capacita para servi-las. Ele nos dá saúde, força e vigor, bem como bens materiais, para que nós possamos ter êxito no cumprimento de nossa missão de amor.
Deus não coloca sobre nossas costas um fardo pesado demais, ao qual nós não conseguimos carregar. O nosso fardo é proporcional à nossa capacidade.
Assim diz a Palavra:
Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. Mateus 25:14-15.
Deus não pede que amemos acima da nossa capacidade de amar. Primeiro ele deseja que nós cuidemos de nós mesmos. Depois que cuidemos de nossa família. E depois que cuidemos das demais pessoas e de toda a criação.
É por isso que Deus nos dá muito mais do que nós precisamos. Para que nós possamos cumprir com as missões que ele determinou que nós cumpríssemos.
Por outro lado, existe alguém que fará todo o possível para nos desviar de nossos objetivos. Essa pessoa é Satanás. Ele é o inimigo de nossas almas. Ele é o nosso adversário. É aquele que vive semeando o joio no meio do trigo. Foi assim que disse Jesus em sua parábola do semeador: o inimigo que o semeou é o Diabo. Mateus 13:39.
Satanás não quer que sejamos bem sucedidos. Ele quer que nós fracassemos no cumprimento de nossas missões. Ele se esforça para que nós sejamos egoístas e para que pensemos apenas em nós mesmos. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. 1 Coríntios 15:57.
Quando nós vemos alguém doente em uma família, muitas vezes pensamos que essa família deva ter cometido alguma coisa ruim para que a enfermidade viesse sobre ela. Mas nem sempre é assim. Nem toda enfermidade é por conta de pecado, ainda que possa ser. Vejamos um pouco da história da cura daquele cego de nascença registrada em João 9:1-4. O texto diz assim:
E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?  Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus. Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.
Uma pessoa enferma é uma oportunidade para que possamos fazer nela as obras de Deus.
Quando cuidamos e nos preocupamos com aquele que está enfermo, nós estamos fazendo a obra de Deus.

A ENFERMIDADE DE RICARDO

No início de 2010, meu filho Ricardo foi diagnosticado como tendo um angioma cavernoso se desenvolvendo no topo de seu tronco encefálico, na região do mesencéfalo. Bem no centro da cabeça. Não é uma doença. O angioma é um órgão extra, congênito (de nascença). Conforme o lugar em que ele se desenvolve, não há risco para a pessoa. Por exemplo: já viram algumas pessoas com um sexto dedo nas mãos? É parecido com essa situação.
No caso de Ricardo, o angioma surgiu em um lugar onde não há espaço físico para ele crescer, naturalmente. Mas, como todo órgão do corpo, ele também foi crescendo, mesmo com as dificuldades topográficas de sua localização. Ele foi se espremendo dentro da cabeça de Ricardo. Segundo o neurocirurgião que cuida dele, ali é como se fosse a alma dele, porque aquela é a região onde estão os nervos que ligam o corpo ao cérebro. E qualquer lesão ali pode provocar sequelas na pessoa.
E então, depois de muitas lutas, Ricardo foi operado em 31/03/2010. Na ocasião, a equipe médica fez o seu melhor. Não pode retirar todo o angioma, para evitar sequelas, mas Ricardo ficou bem. E durante esses quase seis anos, de lá para cá, ele teve uma vida normal, estudando, trabalhando, amando, participando das atividades da igreja e da vida, como qualquer pessoa normal.
Ricardo é um rapaz muito especial. É generoso. Para ele, tudo está bem. Quase não reclama de nada. Nem mesmo das dores que sente. É um moço que só contribui para que nós possamos ser uma família feliz.
Mas então ele chegou para nós (Lourdes e eu), pedindo para fazer novos exames e nova ressonância magnética para ver como ele estava, porque ele vinha sentindo fortes dores de cabeça e os analgésicos não estavam surtindo efeitos. Destaque-se: Ricardo é farmacêutico. Acreditamos que estava tomando os remédios que entendia serem adequados para tirar as dores que sentia. 
Cumprindo esse propósito, chegamos em Goiânia. Procuramos o mesmo médico que fez a cirurgia em 2010. Ele é considerado um dos melhores profissionais da neurocirurgia do Brasil. Uma nova ressonância foi realizada, revelando as nossas preocupações: o angioma voltara a crescer. Ricardo precisaria ser operado novamente.
Ficamos sem palavras! Naquele momento, percebendo a nossa impotência diante do problema, o médico nos disse que não haveria pressa; que não precisávamos fazer a cirurgia imediatamente; que poderíamos esperar mais algum tempo, lá para janeiro ou fevereiro. Mas também nos disse que a cirurgia precisava ser feita, para evitar que o cavernoma, continuando a crescer, viesse ser perfurado como fora em 2010 e provocasse novas lesões na região, que poderiam alterar as funções normais do corpo.

E então nós entendemos que não podíamos esperar. Não queríamos correr os riscos do agravamento da situação, sem a perspectiva de regressão. Decidimos fazer a cirurgia. Pedimos um orçamento para ver se conseguíamos pagar.
A previsão inicial é que cirurgias desse tipo ficariam em torno de 40 mil. Mas após o médico explicar para a servidora todos os detalhes da operação, ela refez os cálculos e disse que ficaria em torno de 60 mil reais. Não dispúnhamos desse dinheiro. Mas não tivemos dúvidas de que iríamos conseguir levantá-lo.
Cremos em Deus. Somos cristãos. Servimos àquele que é dono do ouro e da prata. Fazemos parte da família de Deus. Somos seus filhos e cremos que seríamos socorridos em nossa necessidade. E fomos!
Ricardo foi operado no dia 5 de janeiro de 2016. Entrou no centro cirúrgico às 8 horas da manhã e saiu às 15 horas. Foi uma cirurgia longa. Naquele dia o médico disse que não faria mais nada, dedicando-se integralmente à realização e acompanhamento do procedimento. Por várias vezes, falou-me sobre a delicadeza da operação. Sabendo que éramos pessoas que vivem pela fé, pediu-me que orássemos por Ricardo, mas que também orássemos por ele.
O pedido do médico nos pareceu muito especial. Muitos médicos pensam que são deuses e que podem fazer milagres nas vidas de seus pacientes. Não compreendem que são apenas instrumentos nas mãos do Médico dos médicos. Graças a Deus, o médico do Ricardo sabia qual era o seu lugar nessa operação. Pedimos que fossem replicadas orações a Deus também em seu favor.
E muita gente orou. E Deus ouviu. E a certeza que temos dessa resposta é consequência de tudo o que ocorreu até aqui.
Como da primeira vez, antes da cirurgia o médico pediu que eu fosse sozinho conversar com ele, para que falasse francamente sobre os riscos da operação. Embora ele acreditasse que tudo correria bem, não podia deixar de dizer que o estado de saúde do Ricardo se agravaria depois da cirurgia. As deficiências que ele já possuía poderiam ficar mais acentuadas. Ele corria o risco de ficar com deformações faciais, como pálpebras caídas, boca torta, por exemplo. Mas que, com o passar do tempo, isso voltaria ao normal.
Depois da conversa com o médico eu chorei, interiormente, porque eu fiquei imaginando que nunca mais veria o meu filho com a mesma aparência bonita que ele sempre teve, ainda que para mim, seu pai, ele nunca ficaria feio. Não chorava por mim, mas por ele, porque sei o quanto a aparência física importa para os mais jovens. E o médico me recomendou que não falasse com ele sobre esse agravamento das sequelas, para que ele continuasse acreditando que não haveria problemas e se mantivesse com a mesma prontidão e disposição para o procedimento.
Quantas vezes o médico me disse que Ricardo poderia ter ficado em coma, mudo, sem condições de engolir direito, de mastigar... Mas, como tirar as esperanças do meu rapaz!
Conversei delicadamente com Ricardo. Ele me disse que estava com medo. Também lhe disse que estava com medo. Mas nos confortamos mutuamente, dizendo-nos que Deus estava no controle e que, segundo sua vontade, tudo daria certo.
E essa foi a nossa decisão. Fosse o que fosse, que  a vontade de Deus fosse feita! Se fosse para ficar bom, aleluia! Se não fosse, glória a Deus!
Os recursos para pagar a cirurgia foram providenciados. Duas pessoas da família nos emprestaram a metade do valor para que pagássemos posteriormente. Os outros 30 mil vieram de nossas provisões pessoais e de doações, as quais chegaram a aproximadamente 20 mil reais.
Quem doou? Nós sabemos, mas reservaremos essas informações a nós e a Deus. A informação que prestamos é para que todos saibam que Deus não coloca um fardo em nossas costas, sem nos dar os meios para carregá-lo.
Em nenhum momento de nossa jornada, me preocupei com a questão financeira mais do que deveria. Eu entendi que isso estaria sendo resolvido pelo Pai, como de fato foi. E ainda está sendo, posto que quase todos os dias alguém faz um depósito de amor em nossa conta. Várias pessoas me mandam mensagens privadas pedindo o número da conta porque sentiu em seu coração que deveria contribuir conosco no pagamento das despesas. E é evidente que jamais recusaríamos as providências divinas.
Compreendemos que se Deus fala conosco, devemos ouvir a sua voz, seja para ajudar a quem for. Seja parente ou estranho, de nossa igreja local ou de qualquer outra. Quem ajuda, ajuda! Não pergunta a Deus e nem a ninguém porque, simplesmente ajuda! É isso que Deus espera de nós.
Uma pessoa me disse que não era Ricardo a pessoa mais beneficiada com toda essa situação. Éramos nós, aqueles que o amamos. Éramos nós que tínhamos o privilégio de sermos abençoados com a oportunidade de participar. E eu concordo com isso.
Toda vez que somos desafiados a participar de qualquer campanha, nós nos sentimos abençoados. Há uma alegria especial para a pessoa que compartilha um pouco do que tem com o seu próximo.
Na primeira cirurgia, uma senhora que cuidava da limpeza da escola onde eu trabalhava saiu um dia correndo atrás de mim e me chamando. Eu parei e ela, chegando, me disse: “professor, eu também quero participar. Eu não posso dar muito, mas o que dou é de coração”. E então ela me deu 20 reais. Eu chorei de emoção. Mal consegui lhe dizer “muito obrigado!”. Eu sabia que aquela pequena quantia significava muito para ela, faria falta para o seu sustento, mas eu jamais poderia tirar a sua alegria de poder participar da nossa alegria pela libertação de nosso filho daquela enfermidade cruel.
Essa é foi apenas uma das tantas lições que temos aprendido com essas jornadas de amor por Ricardo. Sabemos que aquele que ama, não consegue fica indiferente à dor do outro.
E as orações? A nossa irmandade em Campo Grande, MS, na Igreja Neotestamentária da Vila Planalto, lançou o desafio do “Relógio de Oração” por Ricardo.
Que coisa linda! Ele é como a sabedoria, cujo valor é descrito no livro de Jó com essas palavras: Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em troca dela. Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. Com ela não se pode comparar o ouro nem o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino. Não se fará menção de coral, nem de pérolas; porque o valor da sabedoria é melhor que o dos rubis. Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro. Jó 28:15-19.
Cada oração feita a Deus em prol de outra pessoa é um gesto de amor. E é isso que Deus deseja. Não é a nossa cura o que Deus deseja. Não é a nossa riqueza material. Não é a nossa vitória sobre qualquer situação e adversidade. O que Deus deseja,meus queridos, é que nós valorizemos e nos preocupemos com o outro, seja ele rico ou pobre. Deus espera que nós amemos de fato, de verdade e não apenas de língua.
É assim que nos ensina a Palavra de Deus:
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 1 João 3:16-18.
Antes de continuar, preciso dizer que não estou cobrando a ajuda de ninguém. Estou agradecendo a cada um que se prontificou a ajudar e dizendo que, de acordo com o que tenho aprendido da Palavra de Deus, as demonstrações de amor por nós foram legítimas demonstrações de amor a Deus.
Ricardo operou dia 05/01/2016. Recebeu alta no dia 08/01/2016. Sentiu-se mal e voltou a internar-se no domingo, dia 10/01/2016. Fez uma tomografia, constatando um leve sangramento, que talvez fosse o motivo das dores intensas que estava sentindo naquele momento. Ficou mais dois dias internado e voltou para casa outra vez. Desde então, está se recuperando normalmente. As dores diminuíram e não temos dúvidas de que muito em breve já estaremos vivendo normalmente, sem as angústias desses dias. Quanto ao sangue na cavidade operatória, o médico informou que ele será absorvido normalmente. Disse também que o organismo do Ricardo criou uma espécie de defesa natural contra as sequelas do cavernoma no tronco encefálico. Essa proteção é uma espécie de camada fibrosa entre o tronco. Isso impedirá futuras sequelas naquela região.
Ao concluir essa narrativa, queremos dizer que Ricardo sempre esteve bom e bem cuidado, porque esteve nas mãos daquele que garante a vida, a saúde, a força e o vigor.
Jesus perguntou em seu sermão do monte: Qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? Mateus 6:27.
É Deus que cuida de nós. Cuida de você, cuida de Ricardo e cuida de nós. De nossa parte, somos apenas instrumentos nas mãos de Deus. Nós cantamos pedindo que Ele nos use da maneira que agradar. Então devemos também deixar que Ele nos use de igual maneira.
E as visitas? Nunca recebemos tantas visitas. Vieram pessoas de todos os lados. Algumas nós conhecíamos, outras não. E por que nos visitavam, se nem sequem tinham convivência conosco? E a resposta é simples.
Deus move as pessoas. Foi Deus quem esteve nos visitando em casa e no hospital.
Há um texto na Bíblia que ilustra isso muito bem. O texto mostra qual é a filosofia que rege o Reino de Deus. O narrador diz que as pessoas perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Mateus 25:37-40.
Jesus, o Rei dos reis estava junto com cada pessoa que vinha nos visitar, com cada pessoa que ligava ou escrevia uma mensagem de conforto e de esperança nas redes sociais para nós. Quando líamos cada palavra, nós sentíamos a presença de Jesus, porque sentíamos a sinceridade, a preocupação e o empenho vivo de nos socorrer em nossa necessidade. E quando respondíamos, nós também o fazíamos de todo o coração, na certeza de que a resposta que dávamos era também uma palavra de agradecimento a Deus por seus cuidados por nós.
E assim encerramos, agradecidos a todos os que têm cuidado de nós, desde os familiares mais próximos, até os que foram nossos amigos, mesmo sem nos conhecer. Se for da vontade de Deus, um dia nós também seremos usados por Ele para velar e cuidar de cada um de vocês, com a mesma medida de amor com que vocês nos têm medido, acrescida de nossa gratidão. Muito obrigado a todos!
E para finalizar, nós queremos dizer a vocês que confiem sempre em Deus. Em qualquer situação, seja o que for e seja como for... Que seja sempre feita a vontade do Senhor!
Amém!


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Vovô, eu te amo muito!


Vovô, eu te amo muito!

Foi assim que o meu neto Davi, me cumprimentou nessa manhã! E me abraçou e me beijou. Como não emocionar! Como não sentir que esse será um dia de bênçãos muito mais do que especial!

A verdade é que todos os dias são portadores de bênçãos. Muitas e incontáveis bênçãos! Cada uma melhor do que a outra! Mas, agora, aproveite o ar! Respire fundo, porque hoje será um dia fantástico! Hoje faremos a colheita das últimas bênçãos deste ano. E quero te convidar para colher principalmente aquelas de janeiro, fevereiro, março... Aquelas dos meses passados, você não se lembra? Aquelas que não foram colhidas, aquelas que ficaram para trás e que não conseguimos trazer para casa, porque estávamos com os braços cheios e não tínhamos onde por. Então! Hoje é dia de colher e compartilhar as bênçãos poupadas, que nos foram dadas para serem dadas e que não tivemos a oportunidade de dar em tempo oportuno.

Quero testemunhar a respeito de uma prova difícil e das bênçãos que essa prova me tem proporcionado. Refere-se ao meu filho Ricardo. Quem já sabe de tudo o que aconteceu conosco, também pode testemunhar. Nossas vidas são transparentes. Que Deus possa ser glorificado por meio delas!

No início de 2010, meu filho foi diagnosticado como tendo um angioma cavernoso se desenvolvendo no topo de seu tronco encefálico, na região do mesencéfalo. Bem no centro da cabeça. Não é uma doença. O angioma é um órgão extra. Conforme o lugar em que ele se desenvolve, não há nenhum risco. Já viram algumas pessoas com um sexto dedo nas mãos? É parecido com essa situação. No caso de meu filho, o angioma surgiu em um lugar onde não há espaço físico para ele crescer. Mas, como todo órgão do corpo, ele também foi crescendo, mesmo com as dificuldades topográficas de sua localização. O neurocirurgião que cuida de Ricardo diz que ali é como se fosse a alma dele, porque aquela é a região de tudo o que liga o corpo ao cérebro. E qualquer lesão ali provoca sequelas na pessoa.

E então, depois de muitas lutas, Ricardo foi operado em 31/03/2010. Na ocasião, a equipe médica fez o seu melhor. Não pode retirar todo o angioma, para evitar sequelas, mas Ricardo ficou muito bom, com pouquíssimas sequelas. E durante esses quase seis anos, de lá para cá, ele teve uma vida normal, estudando, trabalhando, amando, participando das atividades da igreja e da vida.

Ricardo é um rapaz muito especial. É generoso. Para ele, tudo está bem. Quase não reclama de nada. Nem mesmo das dores que sente. É um moço que só contribui para que nós possamos ser uma família feliz.

Mas então ele chegou para nós e nos pediu para fazer novos exames, nova ressonância magnética para ver como ele estava, porque ele vinha sentindo fortes dores de cabeça e os analgésicos não estavam surtindo efeitos. Destaque-se: Ricardo é farmacêutico. Acreditamos que estava tomando os remédios que entendia ser adequados para tirar as dores que estava sentindo. 

E assim chegamos em Goiânia. Procuramos o mesmo médico que fez a cirurgia anterior. Ele é considerado um dos melhores profissionais da neurocirurgia do Brasil. Uma nova ressonância foi realizada, revelando as nossas preocupações: o angioma voltara a crescer. Ricardo precisaria ser operado novamente.

Ficamos sem palavras! Naquele momento, percebendo a nossa impotência diante do problema, o médico nos disse que não haveria pressa; que não precisávamos fazer a cirurgia imediatamente; que poderíamos esperar mais algum tempo, lá para janeiro ou fevereiro. Mas também nos disse que a cirurgia precisava ser feita, para evitar que o cavernoma, continuando a crescer, não viesse ser perfurado como fora em 2010 e provocasse novas lesões na região, que poderiam alterar as funções normais do corpo.

Então nós entendemos que não podíamos esperar. Não queríamos correr os riscos do agravamento da situação, sem a perspectiva de regressão. 

E então decidimos fazer a cirurgia. Pedimos um orçamento... No princípio a previsão era de 40 mil, mas ao fim, ficará em 60 mil reais. Não dispomos desse dinheiro. Mas não temos dúvidas que vamos conseguir levantá-lo. Cremos em Deus. Somos cristãos. Servimos àquele que é dono do ouro e da prata. Fazemos parte da família de Deus. Somos seus filhos e cremos que seremos socorridos em nossa necessidade. Se tudo der certo, Ricardo será operado dia 5 de janeiro de 2016, a partir das 8 horas da manhã. Será uma cirurgia longa. O médico disse que não fará mais nada nesse dia, dedicando-se integralmente à realização do procedimento. Por várias vezes, falou-me sobre a delicadeza dessa operação. Sabendo que somos pessoas que vivem pela fé, pediu-me que orássemos por Ricardo, mas que também orássemos por ele.

O pedido do médico me pareceu muito especial. Muitos médicos pensam que são deuses e que podem fazer milagres nas vidas de seus pacientes. Não compreendem que são apenas instrumentos nas mãos do Médico dos médicos. Graças a Deus, o médico do Ricardo sabe qual é o seu lugar nessa operação. Peço que sejam replicadas orações a Deus em seu favor.

Esse é o começo da nova história. No que tange ao financeiro, a situação não é muito diferente daquela de 2010, quando fomos socorridos.

Eu me lembro de tantas coisas que aconteceram naquela época. Lembro-me das diversas vezes em que as pessoas me estenderam as suas mãos para me entregarem os seus presentes, o seu amor, o seu carinho, a sua generosidade. Alguns mais, outros menos. Todos muito importantes e necessários.

Alguns podem pensar que eu não preciso de ajuda. Mas quero dizer, com toda a humildade, que estão errados. Eu preciso e muito do amor de cada um de vocês. E recebo o presente de cada um, com um coração agradecido, não importa o valor e o tamanho de sua graça em meu favor. O que mais conta é o gesto e atitude amorosa de cada um.

Nós julgamos que as pessoas com muito dinheiro sejam pessoas muito ricas. E pode ser assim, mas não é a quantidade de dinheiro que define a riqueza de alguém. Uma pessoa pode ter muito dinheiro e mesmo assim ser muito pobre. E pode ter pouco dinheiro e, em contrapartida, ser uma pessoa muito rica.

A riqueza de uma pessoa sempre será medida pelos seus gestos de amor para com os outros. As riquezas da terra vêm e vão. Os seus gestos de amor, de entrega e de doação são as riquezas eternas que formam, no céu, os seus verdadeiros tesouros, que não podem ser consumidos nem pela traça, nem pela ferrugem, nem por qualquer outro meio.

Jesus conta a história de um fazendeiro que teve uma grande colheita em determinado ano, de sorte que não tinha lugar para colocar os mantimentos. E então disse que destruiria todos os seus celeiros e construiria outros maiores. E aí diria à sua alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. Lucas 12:19-21.

Já o apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, falou a respeito de um grupo de irmãos da Macedônia, considerados terrenamente pobres, usando as seguintes palavras:

Irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus (2 Coríntios 8:1-5).

Tanto para a realização da cirurgia de 2010, como para essa nova cirurgia, tenho recebido doações de pessoas com mais e com menos riquezas. Alguns, com menos, que talvez até estejam precisando de ajuda para sobreviver, tem me pedido para aceitar a sua oferta de amor. E é claro que isso me emociona muito, porque eu sei que qualquer quantia que tais pessoas abrirem mão, lhes fará falta. Mas, com o coração muito grato eu tenho recebido todas essas doações, sejam grandes ou sejam pequenas, porque o amor de alguém por outrem, não é medido pelo valor da sua oferta, mas por tudo o que esteja envolvido em seu gesto.

De minha parte, Deus já me disse tantas vezes que todas aquelas bênçãos que Ele me dava e que excediam às minhas necessidades, não eram exatamente para que eu as colocasse em depósito, ou para que esbanjasse de uma ou outra forma. Aquelas eram as bênçãos que ele confiava em minhas mãos, para que eu as entregasse àqueles que tivessem necessidade delas. Ele já me disse, pelas suas ações que Ele é bom e generoso e que seu desejo é que cada um de seus filhos também seja bom e generoso, mas sem passar necessidades. E por isso, toda vez que ele nos abençoa, eu extrapola o que pedimos, para que possa sobrar das nossas necessidades, um tanto a mais, a fim de que possamos exercitar as nossas virtudes de amor, bondade, generosidade e fraternidade.

A medida de Deus é desmedida. E seu desejo é que o imitemos. 

Jesus disse: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. Lucas 6:38.

E o apóstolo Paulo acrescenta: Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados (Efésios 5:1).

Obrigado a todos os que têm orado por nós, pela operação de meu filho Ricardo e pelo médico que fará a cirurgia. Temos certeza de que tudo dará certo. Temos fé nisso. Entendemos que não pode ser diferente, porque é Deus quem estará no controle. Pensamos como Davi. Ele disse de Deus: O norte e o sul tu os criaste; Tabor e Hermom jubilam em teu nome. Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra. Salmos 89:12, 13.

No entanto, seja o que for e como for, em tudo seja feita a vontade de Deus, a quem louvamos e honramos para sempre. Amém.

domingo, 25 de outubro de 2015

Saudade Antiga.

Foto de Luis Carlos Ferreira.
LUIS CARLOS FERREIRA
Algum Motivo Me Obrigou Partir Daquela Cidade Onde Eu Nasci.
Não Foi Por Acaso Que Vim Embora. Porém, Agora Saudade É Demais.
Estando Distante, Como Aprendi A Falta Que Faz Estar Longe Dos Pais...
Mas, Foi Pra Estudar Que Deixei Tudo – Após Os Estudos, Hei De Retornar!
Lembro-Me Ainda O Dia Em Que Partia, Deixando Ali Um Pedaço De Mim.
Olhava Para Trás, A Cidade Eu Via Que Foi Escondendo Entre A Serrania...
A Torre Altaneira Da Igreja Matriz – Como Eu Era Feliz, Porém Não Sabia...
Só Agora Percebo Tudo Que Fiz, Porque Não Condiz Com Minha Alegria.
No Entanto, Anseio Transpor A Serra E Retornar À Minha Amada Terra...
Há Muito Tempo Eu Saí De Lá, Deixando Aqueles Que Me Querem Bem.
E Já Estou Pensando Em Voltar – Matar A Saudade Que Sinto De Alguém...
Ficar Para Sempre Naquele Lugar E Nunca Mais Pensar Em Morar Além.
Quando Eu Retornar À Antiga Morada Minha Ansiedade Chegará Ao Fim.
Ali Vou Rever O Rincão Querido Que Há Muito Tempo Está Longe De Mim.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Viva o professor!

Viva o  professor!

Prof. Izaias Resplandes



Antes de dizer tudo o que eu vou dizer depois, eu quero dizer uma coisa muito importante, já que muitos vão ler apenas as primeiras linhas dessa redação e não vão chegar até o grande final, onde eu vou repetir o que digo agora: Ainda que muitos pensem o contrário, de professor para professor, eu te digo: vale a pena ser professor. Se tivesse outra vida, eu faria de novo o mesmo percurso, porque eu sou o que sou. Eu sou professor e amo ser professor. E quero te cumprimentar por também ser e amar o que você é: um professor. Parabéns a você, meu colega de caminhada, meu amigo e meu irmão! Feliz dia do professor!


E então é isso. E agora que já disse o mais importante, eu também quero dizer mais umas coisinhas e gostaria que você lesse e também participasse um pouco dos sentimentos e das emoções que estou sentindo agora, vestido e revestido com peles de professor.

Eu sei que muitos de vocês se lembram de que o professor já foi “o cara”! Ele foi uma pessoa de grande importância. Para alguns, era mais que um pai ou uma mãe. Suas palavras eram ouvidas, seus conselhos eram acatados, suas orientações eram seguidas ao pé da letra. Mas, como já disse: o professor já foi o cara!
Prof. Luís Carlos, Prof. Izaias Resplandes, Profª Márcia Nunes,
 Prof. João de Sousa,  Profª Ana Paula Rossini e Profª Rosana Rocha

Hoje, o professor não é mais nada! Nem a própria escola reconhece a importância de seus professores. Outrora, a escola fazia uma festa em homenagem ao professor. Alunos recitavam poesias, liam mensagens. O dia do professor era um dia muito especial. Mas, como disse: o dia do professor era muito especial!

Hoje, o dia do professor não passa de mais um dia. Um dia normal de aulas! Um dia letivo comum. E todo mundo aceita isso com naturalidade. Por que parar? Por que feriar? Já não tem o dia do funcionário público? Então! Vamos feriar no dia do funcionário público e então comemoraremos também o dia do professor.

Na hora de fazer o calendário escolar, a escola tem a prerrogativa de dizer quais os dias que serão letivos, que vão ter aulas e quais os dias que vão ter recesso, que não haverá aulas. No entanto, os próprios professores em função de gestão e de coordenação escolar são os primeiros a puxar o tapete do dia do professor. São os primeiros que alegam que já tem o dia do funcionário público, então porque parar também no dia do professor? Eles esqueceram a resposta. Eles se esqueceram de que se paravam as atividades no dia do professor, porque era o mínimo que a escola podia fazer por ele: dar-lhe um dia de descanso de suas atividades. E é assim que está sendo hoje. Todo mundo esqueceu da importância do professor. Como já disse: o dia do professor não passa de mais um dia!

Profª Alice, Profª Wislene, Profª Saira e Profª Marinalva
E então, o professor já não precisa mais ter o seu dia especial. Se ele for professor funcionário público, comemorará o seu dia junto com os outros funcionários públicos; e se for um empregado comum, que fique do jeito que está. Afinal, o que é que se tem para comemorar? Eu penso que em breve, a escola também vai entender que não há necessidade de se parar no dia do funcionário público também. Para que parar. Já não tem o dia do trabalho, o dia do trabalhador, o dia primeiro de maio! Então! Professor, funcionário público, diretor, secretário, vigia, merendeira e tantos outros profissionais que trabalham na escola são todos trabalhadores. Não precisam de um dia especial para parar de trabalhar. O dia primeiro de maio já basta para todas as comemorações! Como já disse: o professor não precisa de mais um dia!

Profª Adjair Miranda, Diretora da Escola Pe. César Albisetti
Nem todo professor é funcionário público, embora muitos sejam. Mas, o status não é o mesmo, as condições de trabalho não são as mesmas, o stress do dia a dia é muito diferente. O professor é o testa de ferro, é a linha de frente, é a pessoa que resolve, é a face visível da escola. Os outros funcionários públicos da educação, para não generalizar, também têm a sua importância. Eles fazem o trabalho dos bastidores: limpam, guardam, organizam a papelada... Seu trabalho é difícil, mas é um pouco mais tranquilo do que o trabalho do professor. Eles não sofrem a pressão que o professor sofre. Mas, com certeza, eles também merecem ser homenageados. E para isso se pensou no dia do funcionário público, quando todos os funcionários públicos são homenageados. Mas o professor, além dessa homenagem genérica, fazia jus a uma homenagem especial. O professor tinha o seu dia de glória, o seu dia de honra. Mas, como já disse: o professor tinha seu dia de honra!

Profª Marinalva e Profª Wislene
E então! Que mensagem eu vou passar para os meus alunos nesse dia 15 de outubro? Hoje, na véspera do dia, um aluno me disse que amanhã ele não viria à escola em homenagem a nós, seus professores. Já que não tínhamos a coragem de parar no próprio dia, ele não se sentia à vontade de ter que vir à escola cobrar que nós lhe déssemos aulas nessa data. Vários outros alunos me perguntaram se haveria aulas amanhã. E eu, porta-voz da escola, tive de dizer também várias vezes que sim, que haveria aulas, que era um dia letivo normal, que não era feriado, que não tínhamos nada para comemorar e coisas assim. E muitos disseram: mas professor, não é o seu dia! O senhor vai dar aulas no dia do professor? No seu dia? E então, triste e humilhado, sem ter mais o que dizer, eu só pude dizer uma coisa: sim! Como já disse: o dia do professor é um dia normal de aulas!

Profª Leda Lago, Secretária Mun. de Educação
E então é isso. Dia 15 de outubro não é mais nada. Tanto o dia, como o professor também: ambos não passam de um mais nada! Tanto para a sociedade, quanto para a própria escola. Não há respeito, não há glórias, não há valorização, não há reconhecimento, não há parabéns, não há elogios, não há nada, salvo críticas, desprezo, desrespeito e pouco caso. Como já disse: do dia do professor, não há nada para dizer que vá além de tudo o que eu já disse!

No entanto, eu sou eu, homem é homem e rato é um bicho. Não vou ficar de choradeira. Eu nunca fui valorizado mesmo. De que estou reclamando? Durante tantos anos, ganhei uma merreca. Trabalhei em salas de aulas quentes, escrevi em quadros esburacados com gizes duros como pedra. Aguentei as críticas e as humilhações da desvalorização. Eu poderia ter escolhido tantas outras profissões, mas escolhi ser professor. E olhem e escutem bem. Eu não escolhi ser professor porque não tinha outra profissão. Eu tinha. Tornei-me professor, porque alguém me convenceu de que a escola precisava de mim como professor. E fiquei muito feliz com isso.

Prof. José Antônio Vieira e Profª Izabel Vieira
Eu me tornei professor quando ainda nem era professor na verdadeira acepção da palavra. Eu ainda nem tinha concluído o curso de Magistério (em nível de segundo grau, hoje nível médio), quando fui procurado para assumir uma sala de aula como professor regente. Naquele dia, nos anos oitenta do século passado, um diretor me disse que o município de Poxoréu tinha mais de vinte mil habitantes, mas não tinha professores de Matemática. E então, por recomendação de um professor amigo, eu fui convidado para dar aulas. E foi assim que eu me tornei professor. Terminei o Magistério. Fiz concurso público. Ainda me recordo de minha boa classificação naquele concurso. Fiquei feliz demais por ser, então, um professor oficial da rede pública mato-grossense. E vesti a camisa. E somei, diminui, multipliquei, dividi... Quantas e quantas vezes eu me desesperei com a falta de aprendizagem de meus alunos e busquei soluções junto com outros colegas para resolver esse problema.

Prof. Sebastião, Prof. Urano, Profª Débora, Detinha, Profª Emily, Lourdes,
Profª Maria Iva, Prof. Izaias, Prof. Gaudêncio, Prof. Luiz Sérgio, Prof. Antenor,
Profª Lenice, Profª Zeny e Profª Adjair Miranda.
Ser professor não é só comparecer na escola e dar suas aulinhas disso ou daquilo. Isso, qualquer um pode fazer. Ser professor é sofrer com a situação da educação brasileira. Ser professor é descabelar em preocupações para encontrar soluções que melhorem a qualidade de vida das famílias que nos entregam seus filhos, como se nós fôssemos “Sassás Mutemas” salvadores da Pátria! Ser professor é crer que os milagres podem acontecer. Ser professor é ter olhos para ver os avanços e progressos de nossos alunos, que outras pessoas não conseguem ver. Ser professor é acreditar que vale a pena trabalhar, até mesmo no dia do professor, porque não existe Pátria, não existe povo, não existe país, não existe gente, não existe humanidade se não houver antes, durante e junto com cada um desses status, um professor para educar e mostrar os rumos a seguir.

Prof. João de Sousa, Dr. Raniere Farias, Profª Sandra Sol, Profª Márcia Lorenzon,
Prof. Luís Carlos Ferreira, Dr. Volnei Lorenzon, Prof. Gaudêncio Amorim e
Prof. Izaias Resplandes
Para os outros, queridos professores, podemos não ser nada. Mas para nós, não. Nós não somos apenas os missionários, nós também somos a própria missão. E tanto o missionário, quanto a missão são importantes. Um não existe sem o outro. Vamos crer que o milagre possa acontecer, como diz o hino. E vamos sonhar com o dia em que as pessoas possam tirar o chapéu para os seus professores e possam cantar para eles uma canção de agradecimento pelas vitórias que conseguiram. Vamos em frente! Ainda há muito por fazer. Enxugue suas lágrimas, lave o rosto, passe uma brilhantina no cabelo, levante a cabeça, assovie uma canção, sorria, seja o palhaço do dia, abrace e abra o seu coração para amar e ser amado. E, por último, me escute: os homens não sabem o que fazem, mas Deus está acompanhando tudo o que você está fazendo e Ele tem uma coroa de honra e de glória para você. Não desanime! Continue na luta. Continue se esforçando por seus alunos, como se eles fossem seus filhos, suas joias e seus tesouros mais preciosos.

Ainda que muitos pensem o contrário, de professor para professor eu te digo: vale a pena ser professor. Se tivesse outra vida, eu faria de novo o mesmo percurso, porque eu sou o que sou. Eu sou um professor e amo ser um professor. 

Viva o professor! Viva eu, viva você, viva a todos os professores desse país!

sábado, 15 de agosto de 2015

As mudanças do século vinte e um

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. Gênesis 1:26.
Vivemos sob o domínio do homem. Desde que deixou o Éden e foi lançado na terra que se tornara maldita por sua causa e que já que já não produzia somente bons frutos, mas também “espinhos e cardos”, o homem tem molhado a camisa de suor para tirar dela a sua sobrevivência. Por outro lado, dia após dia, esse mesmo homem foi investigando e descobrindo novas formas de fazer as coisas. E começou a inventar máquinas e técnicas engenhosas que facilitasse o seu trabalho e que o ajudasse a se defender de seus inimigos.

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domingo, 9 de agosto de 2015

A honra aos pais II



A honra aos pais II
Prof. Izaias Resplandes de Sousa
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. Efésios 6:2-3.
Todos os dias nós cumprimentamos nossos amigos que aniversariam, com expressões do tipo: vida longa; que Deus multiplique seus dias; que Deus te dê muitos anos de vida; e frases semelhantes.
A Palavra de Deus nos dá uma receita de como isso pode acontecer, de como poderemos ter nossos dias prolongados na terra.
Honra a teu pai....
Segundo o apóstolo São Paulo, em Ef. 6:2, esse “é o primeiro mandamento com promessa”.
A promessa é de longevidade.
Filhos, vocês querem viver muitos anos?
Então honrem a teus pais!
Incorporem em seus comportamentos aquelas virtudes que seus pais tanto valorizam: honestidade, dignidade, coragem...
Sejam honestos. Falem a verdade. Não mintam. Não deturpem as coisas. Sejam sinceros. Contentem-se com o que é seu. Respeitem o que é dos outros. Sejam reconhecidos como pessoas de reputação ilibada, pessoas que merecem confiança, pessoas sérias.
Todo pai gostaria que o filho fosse assim.
Mas o que se vê por aí?
Vemos pessoas sadias fingindo-se de doentes para obter os privilégios de licenças remuneradas, aposentadorias precoces. Elas montam seus ardis de tal forma que até conseguem convencer profissionais de saúde a respaldarem suas mentiras. E passam a vida se mantendo com os recursos públicos, ao invés de trabalharem e de contribuírem para o seu próprio crescimento e também o crescimento de seu país.
Vemos estudantes se promovendo nos estudos na base de colas, de cópias, de plágios e de outras falsificações, e que se tornam profissionais vis e desprezíveis ao invés de profissionais de respeito e valorizados por todos.
Vemos pessoas contrabandeando ou adquirindo produtos contrabandeados dos países vizinhos sem o devido recolhimento dos impostos, para comprar mais barato e ainda defendendo que isso está certo, porque em seu país se cobra impostos em demasia, ao invés de comprarem em suas respectivas cidades e em seu país, para valorizarem a prata da casa. É possível que se todos fossem honestos e pagassem seus impostos, provavelmente haveria uma menor oneração sobre nós.
Vemos pessoas casadas se passando por solteiras para seduzirem jovens despreparadas ou despreparados para conhecerem sobre a malícia dos seres humanos, ao invés de valorizarem as suas próprias famílias, seus cônjuges, seus filhos.
Vemos muita gente querendo levar vantagem em tudo, ao invés de se contentarem apenas com aquilo que é seu de direito.
Assim, filhos... Sejam dignos. Comportem-se de tal forma que todos falem a seu respeito com uma boca boa, cheia de prazer e satisfação.
Se vocês levarem uma vida nessa linha, com certeza vocês estarão honrando aos seus pais, mesmo que eles não tenham levado a mesma vida que vocês levam. As pessoas vão dizer de seus pais sobre cada um de vocês: o filho (ou filha) daquele homem é realmente uma pessoa de valor.
Atitudes como essas estão na base do ato de honrar aos pais!
Mas a honra ainda vai muito além...
Estejam junto de seus pais o máximo que vocês puderem. Convidem-nos para suas festas, mesmo que vocês seja pessoas importantes e eles sejam pessoas humildes. Valorizem o ato de estar ao lado deles. Honrem-nos em seus estudos tirando boas notas; convidem-nos para irem à escola ver como vocês estão se comportando por lá. Ah, meus queridos filhos! Seus pais vão gostar muito de ouvirem seus professores falando bem de cada um de vocês, dizendo que é um aluno estudioso, aplicado, respeitador, participativo...
Se escreverem um livro, dediquem-no à memória de seus pais, que certamente te incentivaram a estudar.
Façam seus pais sentirem que vocês realmente apreciam a companhia dele, sua conversa, suas orientações. Deixem claro que, mesmo discordando de algumas coisas, vocês respeitam os pensamentos e as ideias deles. Conversem sobre suas discordâncias, sempre com respeito, procurando entender e valorizar o que seus pais querem dizer a vocês e que certamente serão coisas boas, pois qual é o pai que o filho pede um peixe e ele lhe dá uma cobra?
O pai sempre quer o melhor para o seu filho. E somente deve ser ignorado quando for um mau pai e quiser levar você a fazer coisas vis, imorais, erradas, indignas, ilegais e injustas.
E às queridas filhas, eu quero dizer:
Ah, meninas, como deve se sentir honrado aquele pai que leva sua filha ao altar no dia de seu casamento! Deem essa alegria ao seu velho. Ainda que muita gente veja esse casamento religioso como sem muita importância, toda filha e todo pai sonha com esse dia.
O dia do casamento dos filhos, quando os noivos se vestem em seus mais lindos trajes para comparecerem diante da igreja, a fim de receberem a bênção de Deus através da irmandade, dos amigos, dos familiares e de outros convidados é um dia de grande honra. Todos os que ali estiverem se sentirão honrados por estarem ali. E seu pai, meninas, talvez até mais do que vocês, se sentirá o homem mais feliz do mundo.
Então, meus queridos filhos...
Que cada um de vocês seja sempre um filho, ainda que já seja maior de idade. Honre seu velho, permitindo-lhe que ele seja seu pai. Ouça-o! Pergunte as coisas para ele e reflita calma e profundamente em suas declarações antes de rejeitá-las. Dê-lhe a honra de ser sempre seu pai, como se você ainda fosse uma criança.
Se as orientações que seu pai lhe deu foram boas e se você também educa seus filhos no mesmo sentido, então não se desvie dessas instruções, ainda que você já tenha uma boa idade.
Isso é honrar a seus pais.
A honra deve alcançar palavras e ações. A honra só de boca é hipócrita. Lábios e corações devem estar casados. A boca deve falar daquilo que o coração está cheio, para que a honraria seja um ato de autêntico valor.
Falando sobre essa falta de sintonia que costumeiramente vemos entre nós, Jesus disse:
Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Mateus 15:8-11.
As palavras que saírem de nossa boca devem ter boa praticidade, devem alcançar bons resultados. Resultados, todas as palavras trazem. Mas, bons resultados, nem sempre...
Ao finalizar queremos apontar que a honra prestada  aos nossos pais, por estarem nessa condição de pais, na verdade reflete a própria honra que fazemos ao Nosso Pai Celestial, nosso verdadeiro Pai.
O apóstolo João nos alerta sobre a relação de amor entre nós e Deus. Ela deve começar entre nós,  pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1 João 4:20.
Parafraseando a ideia: quem não honra a seu pai na Terra, a quem conhece e com o qual convive, como pode honrar alguém que está no Céu e a quem nunca viu?


E essa é a mensagem. Que Deus nos abençoe e nos ajude a estar colocando essas ideias em prática durante todos os dias de nossa vida.