domingo, 29 de março de 2015

UPE: VINTE E SETE ANOS DE PERSISTÊNCIA

UPE: VINTE E SETE ANOS DE PERSISTÊNCIA
Prof. Izaias Resplandes


Ideias e sonhos se complementam. Quem nasceria primeiro? Eu até acho que poderiam ser sinônimos. Quando uma ideia é boa de verdade, ela não desvanece, ela permanece, ainda que seja na forma de um sonho que um dia poderá se tornar realidade. A UPE – União Poxorense de Escritores é a ideia mais perene que já tivemos. Ela é de todos os nossos devaneios, nosso sonho mais lindo.
28 Diretoria: João de Sousa, Presidente; Gaudêncio Amorim (1 Vice Presidente), Izaias Resplandes (2 Vice Presidente), Kautuzum Coutinho (Secretário) e Márcia Oliveira (Tesiureira). Mandato: 2015/2016, A eleição foi presidida pelo Sr. Antonio Nival (entre Kautuzem e Márcia, o 2ª da esquerda para a direita).

A UPE é o sonho de escrever a memória de Poxoréu nas linhas da história; é a vontade que sobrepuja a dificuldade; é a força de poucos e de fracos que se uniu para ser apenas uma força, mas uma força.
A UPE é uma força que resiste há 27 anos às dificuldades de inserir o nome de Poxoréu nas páginas da literatura brasileira, na memória das sucessivas gerações poxoreanas e na história desse país.
Ex-Vereador e Ex-Vice-Prefeito Osmar Resplandes com o 1º Vice-Presidente Upenino Gaudênciio Amorim

O povo de Poxoréu é talentoso, é inteligente e, acima de tudo é persistente. É bairrista por excelência. Em Poxoréu, antes de tudo está Poxoréu. Mas muito antes de ser um mal, como possa parecer, esse poxorianismo é diamante de grande valor. Quem não se preza, não tem o direito de ser amado. O segundo grande mandamento da lei de Deus é “Amar ao próximo como a si mesmo”. E eu creio que aquele não se ama, não é capaz de amar a mais ninguém. Mas aquele que se ama tem o dom para amar o mundo inteiro e está pronto para ser um agente de transformação do todo em favor de cada parte, inclusive de si mesmo.

Dona Valdi, esposa de seu Oscar Alves da Silva e Profº Josélia Neves, upenina

Já disse várias vezes e de diversas formas, em situações também as mais diversas, que o legado da inclusão histórica e artística do nome “Poxoréu” nas páginas da literatura e da história brasileira é um troféu que pertence à União Poxorense de Escritores, como entidade e a cada um dos notáveis upeninos, em particular.
Mariza Resplandes, Ex-vereador de Poxoréu João Joaquim JJ e sua esposa Ediná Duque, Maria de Lourdes Resplandes e Osmar Resplandes, ex-vice-prefeito de Poxoréu.

A UPE é um divisor de águas no registro da temática “Poxoréu”. Existe um antes e um depois da UPE. Em relação ao antes da UPE, destaco das palavras que ficaram do saudoso acadêmico mato-grossense Lenine de Campos Póvoas (4/7/1921-29/1/2007) em relação à literatura do leste de Mato Grosso, o seguinte excerto:
Até bem pouco tempo muito escassas eram as obras que faziam referências a essa extensa e rica região, tão próxima da Capital do Estado, mas dela tão afastada pela precariedade dos transportes.
Em 1959 surgiu um livro admirável sobre o leste, sua história, sua vida social, seus problemas. Foi o “Caçadores de Diamantes”, de autoria do Dr. Luís Philipe Saboia Ribeiro, médico que viveu longos anos naquela área e que pelo seu talento de escritor consumado ocupou uma Cadeira na Academia Matogrossense de Letras.
Em 1973 a Srtª Carmelita Cury lançou outro interessante trabalho, focalizando mais especificamente o Vale do rio Vermelho e a cidade de Rondonópolis, intitulado do “Do Bororo ao Prodoeste”.
O historiador Valdon Varjão, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso editou várias obras de grande valor sobre o extremo leste, que margeia o rio Araguaia, fixando-lhe os aspectos econômicos, sociais e os fatos históricos mais importantes: Barra do Garças no Passado (1980), Baliza – Etéreas Reminiscências (1981) e Barra do Garças – Migalhas de sua História (1985). Nesse mesmo ano de 1985 a Professora Erotiles da Silva Milhomem publicou Meu Araguaia Querido, um repositório de informações sobre o baixo Aragguaia, São Félix, seu povo e suas lutas.
Esses pesquisadores formam, assim, uma vanguarda de desbravadores da geografia, da história e da vida econômica e social de uma região que apenas conhecíamos pelas ligeiras referências e informações de Virgílio Corrêa Filho e de Estêvão de Mendonça.
Prof João de Sousa, Presidente da UPE, com Sulene Campos (sua esposa) e Raimunda Cardoso (Mundica);

Veja-se que o registro histórico da Academia Mato grossense de Letras, se alia à nossa análise simplória que divide a memória de Poxoréu em antes e depois da UPE. O destaque é feito para apenas uma obra de fìlego em prol de Poxoréu. E certamente, nós da UPE já tomamos a bênção do Notável escritor Luís Philipe Saboia Ribeiro pelo que ele fez por essa terra leste matogrossense e, em especial, pelo nome e pela marca “Poxoréu”. E aqui aproveito para observar que esse município ainda é devedor de longa soma de louvor e honra pelas citações de seu nome,  a esse grande escritor pré-upenino. Salvo engano, não registro ainda a mais ínfima homenagem dessa cidade a esse homem que colocou Poxoréu no mapa do Brasil. E não acredito que isso seja por conta dos aspectos negativos do bairrismo característico desse povo, até porque, ainda que poxorense não tenha nascido, Dr. Saboia assim se fez quando deixou tamanho legado para essa região.
Raimunda Cardoso (Mundica) com Izaias Resplandes, upenino

E então, eis que surge a UPE – União Poxorense de Escritores. Nasce com a timidez e a simplicidade dos bebês e cresce com a humildade da gente do interior. Todos que falaram dela disseram que era uma grande ideia. Pelo menos uma coisa era verdade.  A UPE era uma ideia pioneira. Pelo que conhecíamos na época, ela foi a primeira entidade do gênero a surgir no Estado de Mato Grosso. Ainda me recordo que nós queríamos que ela fosse a Academia Poxorense de Letras, mas achamos que seria muita pretensão de nossa parte criar uma academia com tão ínfima produção literária. E então pensamos em formar uma União de Escritores. Éramos sete companheiros: Genivá Bezerra, Joaquim Moreira, Aquilino Sousa Silva, Kautuzum de Araújo Coutinho, Enir Arge Conceição, João de Sousa e Izaias Resplandes de Sousa.
Luzineth Amorim e Rita Costa

Veja-se a dimensão da ousadia upenina. Nossa única publicação livresca nessa época era “Saudades de Melancolias”, escrito a três mãos por Gaudêncio Amorim, Kautuzum Coutinho e Isaias Resplandes, datado de 1987, impresso pela Editora Aurora, de Poxoréo (com o), MT e que veio a lume, graças ao apoio inegável de nosso confrade Prof. João de Sousa, irmão de José de Sousa, o proprietário da Editora.
1º Vice Presidente Upenino Gaudêncio e Antõnio Nival, homenageado upenino 2015, presidente das eleições deste ano.

O professor João de Souza tem um talento especial. Ele sempre esteve pronto para apoiar as iniciativas, os novos talentos e as ideias de modo geral. Ele é um otimista. E assim, estimulou-nos a publicar nosso primeiro livro. Até então, a minha experiência em escrever se resumia ao trabalho como redator no Jornal Correio de Poxoréu (1983-84), participações no Jornal A Voz de Poxoréu e como redator nos jornais estudantis A Gazeta do Estudante e A Seiva. Gaudêncio e Kautuzum eram estreantes e escreviam poesias.
Maria Auxiliadora Silva e Silva (viúva upenina), Família de Antônio Nival (irmãs, esposa e filha) e Raimunda Cardoso

Os demais fundadores também escreviam apenas nos jornais e revistas que circulavam periodicamente na cidade de Poxoréu, como a Revista O Garimpeiro (editada por Anadissor Franco de Almeida), Jornal AVoz de Poxoréu e Jornal Correio de Poxoréu. Mas, inegavelmente, todos tinham grande talento e maestria no domínio da pena. E assim, com apenas esses predicados nós já ousávamos falar em Academia de Letras de Poxoréu.
Mariza Resplandes, a Upenina Josélia Neves e Lourdes Resplandes

Mas, como já disse o imortal Fernando Pessoa “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E a alma upenina era grandiosa. Sempre foi e esperamos que sempre seja dessa magnitude. A UPE, durante esses vinte e sete anos de sua existência, mostrou para o que veio e fez a diferença, dentro de seus limites e possibilidades. Desde que começamos nossa luta “em defesa da arte e da cultura”, nosso trabalho nunca sofreu solução de continuidade, apesar de termos enfrentado por diversas vezes as baionnetas da resistência política, que, narcisisticamente, somente aprova e se apaixona por suas próprias ideias, desprezando tudo o que é dos outros, por melhor que seja.
Maria Auxiliadora Silva e Silva (viúva do upenino Amorésio) com Ajax Alves Gomes, ex-vereador homenageado em 2-15 pela UPE

A UPE venceu a política partidária. Em suas fileiras os diversos Pês Políticos da vida sempre conviveram harmonicamente. Todos nós somos muito políticos e temos nossas tendências partidárias. Todavia, sempre deixamos o discurso partidário para os palanques e para as nossas intervenções isoladas.
Família de Oscar Alves da Silva, homenageado da UPE de 2015

A UPE venceu a barreira da religiosidade. A religião também não conseguiu nos dividir. Fazer orações é a nossa principal vocação. Todavia, o nosso empenho é na arte de produzir e de dizer. Nossas orações, nossos sermões e todas as nossas obras com temáticas religiosas são produções literárias. Ainda que as raízes dessas obras atinjam o mais profundo de nossa fé, não temos por objetivo discutir a fé de cada um, nem tampouco julgar aquilo que qualquer de nós acredita. A nossa convivência sempre primou pelo respeito às nossas diferenças e é por isso que convivemos. E será somente dessa forma que a humanidade garantirá o seu futuro, ou seja, quando for capaz de conviver com as diferenças e souber valorizar e respeitar as individualidades e desigualdades. Assim, já dizia o mestre Rui Barbosa:
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real (Rui Barbosa BARBOSA, R., Obras completas de Rui Barbosa).
A UPE e seus convidados nas eleições gerais de 2015

Essa é a UPE, uma União que hoje abriga um pequeno grupo de mentes diferentes, mas com capacidade de conviver. São eles: João de Sousa, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, Márcia Adriana Nunes de Almeida Oliveira, Luís Carlos Ferreira, Enir Arge Conceição, João Batista Cavalcante, Genivá Bezerra, Josélia Neves da Silva, Edinaldo Pereira de Sousa, Doriléia Adriana Santos S. Detoni, Márcia de Oliveira Moura, Antônio José Alves Vieira, Garibaldi Toledo de Moraes, Wallace Rodolfo Pereira da Silva, Aurélio Miranda, João Batista de Araújo Barbosa, Márcia Rosa Lorenzon, José Antônio de Castro Leite Nogueira, Amarílio Bento de Brito Neto e Martiniano José da Silva. Também vivem sob nossas fileiras os companheiros que hoje defendem nossas ideias no além eterno. São eles: Manoel Joaquim Fraga Filho, Aquilino Sousa Silva, Delza Fernandes Zambonini, Maria de Lurdes Coutinho, Joaquim Nunes Rocha, Gilbert Araújo Lemos, Zenaide Farias Pinto, Joaquim Moreira, Jurandir da Cruz Xavier e Amorésio Sousa Silva.
Eurípedes da Radar (ex-candidato a Prefeito de Poxoréu), Izaias Resplandes (Upenino) e Ajax Alves Gomes (ex-vereador de Poxoréu, homenageado  upenino 2015)

Durante esses primeiros vinte e sete anos de existência, quero crer que a maior virtude da UPE, através de seus notáveis membros seja a persistência. Apesar dos reveses, nunca desistimos, nunca interrompemos nossas atividades. A divulgação de nossa produção pode ser menor, mas nunca deixamos de produzir e tampouco de divulgar uma parcela daquilo que produzimos. Dessa forma, temos garantido que a temática “Poxoréu” não seja deixada à margem da história. Pelo contrário, graças ao empenho e à persistência que se arraiga na alma upenina, Poxoréu permanece vivo como um expoente da cultura nacional.
Márcia Oliveira e Josélia Neves, upeninas

Assim, ao ensejo de mais um aniversário upenino, de mais uma eleição e de mais uma renovação em nossos quadros de luta e de produção, ergo a minha voz em três vivas a todos os meus confrades e a toda a sociedade poxoreana. Viva Poxoréu, viva Poxoréu e viva Poxoréu!

domingo, 8 de março de 2015

Feliz dia da mulher

Feliz dia dos mulheres. À minha esposa, à minha filha, à minha mãe, à minha nora (que me deu o melhor neto de todos), às minhas irmãs, às cunhadas, cum-cunhadas, sogra, tias, primas, sobrinhas, alunas, colegas de trabalho, upeninas e amigas eu desejo um dia feliz, leve, com sabor de quero mais, com o ardor do sol da manhã, com o frescor das frutas da estação, com o perfume e o encanto da primavera... Eu te desejo um dia especial, que te ajude a ter mais fé na vida e que sirva de incentivo para que você continue sendo essa mulher especial que você é... Beijos a todas!!!
 — com Maria De Lourdes Resplandes e Mariza Resplandes.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

MENDIGANDO...


Quando penso em você, meu tesouro
Meu coração bate em outro compasso
Meu estômago enche-se de borboletas
Minha garganta ganha um nó
E os olhos deixam escorrer todo o amor
Que já não cabe em meu coração
E nem quer caber!
Ah, meu bem, esse amor quer só você
Do jeito que você estiver
Do jeito que você quiser
Do jeito que você puder!
Podes estar pensando que é um amor mendigo
E acertou ao pensar isso!
Insistentemente ele bate à porta
Com um pratinho vazio nas mãos
Barba por fazer
Cabelo por cortar
Mas tomado de um desejo de te amar!
Se puder, atenda ao menos as ligações
Retorne os meus recados,
Pois, por mais que seja seu
Um dia pode chegar (e sinto que já chegou)
Que o meu pratinho de mendigo
Esse que você não preencheu
Vá em outra porta mendigar.


Wallace Rodolfo

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

01-01-2015

O ano de curvatura 2015

Lourdes e Izaias Resplandes

Nesse ano novo eu desafio todos os seres humanos a me dizer o que se esconde depois da próxima curva da vida de cada um de todos nós.



E eis que já começou a nossa viagem pelo mundo das curvas deste novo ano de 2015. Aliás, vale dizer que ele tem o nome de novo, mas não há duvidas de que, em sua alma, traz a essência do velho dentro si. Esse novo é tudo o que o velho foi, mas não é o velho, pois que a cada curva do tempo que passou, ele se aperfeiçoou e se fez novo.
O novo olha para dentro de si e vê que o velho ainda está lá. E tinha que estar mesmo, pois ele é o começo, é a base em que o novo está se construindo a cada momento. Ele não pode perder seu DNA, senão morreria a cada segundo em que se torna velho e não saberia nada do que foi o velho que deixara de existir. É por isso que não existiu apenas o velho e nem o novo irá apenas existir tão somente. O novo e o velho sempre foram, são e serão sempre um. Assim, quem vê o velho, vê o novo e quem vê o novo, vê também o velho.
A verdade é que tudo é único. Um não é apenas o primeiro. Um é o tudo. A Terra, o mundo, o universo, a criação... Tudo e todos são apenas um. Existe apenas uma respiração, um sonho, um destino, uma existência...

Nesse momento eu estou escrevendo o destino, as páginas do destino... Do seu, do meu, do nosso... O destino é um só. Novo e velho tem apenas um destino: existir.
Eu existo. Eu sou. Eu penso. Eu construo. Você também faz tudo isso. Nós fazemos tudo isso. Com a nossa voz nós falamos dele, com as nossas mãos nós escrevemos, e com tudo isso nós existimos.
As nossas mãos conhecem por onde os nossos pés seguirão e onde deixarão seus passos, meus passos, nossos passos. Elas conhecem os segredos de cada curva do universo. Uns já foram e os outros também serão escritos por elas. Elas tocam, acariciam... São mãos! Mãos carinhosas e amorosas que pensam e que criam o que haverá depois de cada curva da estrada da vida. Na verdade, às vezes me pergunto se são elas que pensam, ou se são elas que são pensadas. Quem saberá o mistério das mãos!
Foram as mãos que inventaram as letras, de muitas formas, tamanhos, estilos. Com essas letras elas escrevem o destino, elas revelam os segredos e os mistérios mais profundos do universo.

O que se esconde atrás de cada pensamento de nossas mãos? E o que será escrito na curva do destino? Sim, não seria na reta, mas na curva. O universo é reto, mas o destino é curvo. O universo é o presente existente. Já o destino é o futuro e pela sua curvatura vai materializando as possibilidades de nossa existência. Nisso reside a mágica da criação. Se a existência se revelasse por inteiro, em uma linha reta, ela não seria portadora do novo, porque não haveria novo. E seria enfadonha e sem graça. E ninguém iria gostar de existir. É por isso que o futuro não é reto. E também é por isso que falamos e existimos através das curvas, enquanto escrevemos as retas de nossa existência.
As curvas são melhores do que as retas, porque elas trazem as possibilidades do progresso, do inédito, da aventura, dos sonhos, das esperanças...

Nas curvas de meus sonhos eu viajo sem limites. Eu vou e volto ao fim do mundo, em um segundo. Foi lá, quando eu as percorria que descobri aquele mundo fantástico, tão parecido com a Terra que nos encantou e que temos descoberto em cada curva dos nossos dias que passaram. Lá também existe um mar azul. No dia em que você chegar lá, você verá o quanto é azul, o azul daquele mar. Você olha, olha, olha até onde a sua vista alcança. O mundo novo é lindo e tem muito azul para se ver.
Espero que esteja tudo bem para você e que você goste do azul, porque ele é maravilhoso. É uma beleza! No mundo novo, o mar azul se confunde com o céu azul. Ele termina lá naquela curva em que o céu começa. E é lá que está a curva dos nossos sonhos.
O céu é a curva dos nossos sonhos.

Você sabia que o que vem depois da curva que faz o limite entre o mar e o céu, não são três sementes de abóboras e nem é a ponta do dedo de um tolo? Ah! É lá naquela curva que começam os nossos sonhos e as nossas esperanças. É lá que começa o futuro. Até lá está o presente que eu vejo, mas depois de lá, vem o céu e o infinito que eu ainda não sei.
A partir da curva em que o mar termina e o céu começa, eu sei que pode ter tudo o que eu quiser e conseguir imaginar. Lá eu já consigo visualizar os homens voando sem seus motores, se teletransportando na força de vontade de seus pensamentos. Eles vão e vem, como querem e na hora que querem. Ali eles já viajam para o passado, onde alguns corrigem seus erros, se apagam da existência, definem novas trajetórias, novos futuros e iniciam-se outra vez. A partir daquela curva, o que existe pode deixar de existir, pode nascer de novo, ou pode melhorar com a memória das retas do passado. Ali é o mundo das possibilidades, onde cada um se constrói e constrói o que sua imaginação for capaz.
E então, o mundo de curvatura 2015 está cada vez mais curvo. E as retas que se traçam nele são formadas de curvas cada vez mais acentuadas. É desse modo que a nossa vida de cada dia vai se construindo na revelação que a curva da nossa existência vai fazendo a cada instante. Com nossa imaginação e nossos sonhos nós vamos alimentando a força criadora da curva de nossa vida e vamos deixando nossos rastros pelas praias do universo, em uma longa reta. Nossos rastros não se perdem nas curvas do passado.
Não há curvas no passado.
O passado é formado de retas. É verdade que elas são infinitas. Mas sempre que olhamos e até onde conseguimos ver o que nós já vivemos, o que nós vemos são retas. As curvas carregam mistérios. As retas revelam verdades já vividas, ou mentiras que pareciam verdades, até que a vida revelou que eram mentiras. As retas escrevem os relatórios das curvas, na medida em que elas vão deixando de se encurvarem e vão se alinhando com as retas já existentes, formando um universo de retas e existências paralelas, que até se avistam, que são vizinhas, que compactuam, mas que são identidades. Cada reta é uma existência revelada por uma curva de sonhos. E o universo se enche com essas curvas que se tornaram retas.
O ano novo sempre chega com o dia que ainda não chegou. O hoje não é um novo dia. Ele é a continuação do velho dia que a nova curva de ontem revelou. Mas ontem não é mais uma linha curva. É uma linha reta. A curva é uma linha reta que vai sendo escrita sobre a curvatura do universo. Cada palavra que eu escrevo vai revelando o segredo da curva, mas sempre haverá segredos e mistérios além da próxima curva.
A vida é curva.

A vida é o que está pela frente e que ainda não aconteceu para nós que estamos aquém da curva. A vida está além. O aquém é o agora, o já, o passado vivido. O agora é o rastro reto e visível da vida. Eu olho para trás e enquanto meus olhos me permitem ver, eu vejo os meus rastros, as minhas pegadas, as minhas ilusões, o que ficou e o que passou. Mas quando eu olho para frente, eu não vejo nada com os olhos do presente, porque eles somente veem por meio de retas. E o que está na frente é curvo. E a curvatura é contínua. O próximo segundo se esconde do atual. Uma virada se esconde da outra. Então, quando olho para frente eu vejo... Não vejo três sementes de abóbora... Como diria Walt Disney, da Disneylândia, “o mundo maravilhoso de cores”, eu vejo possibilidades!
Além da próxima curva, eu não vejo carros, nem motores, vejo que nós estamos viajando pelas asas da imaginação. Como é grande o poder de nossa imaginação! Em segundos, ela nos transporta para os confins do universo sem fim, mas de possibilidades infinitas. Ela nos ajuda a ver essas possibilidades ocultas em cada segundo da eterna curvatura.
Como diria Sócrates, “tudo que sei é que nada sei”. Somente nossa imaginação poderá nos dizer o que existe além da próxima curva! É lá que tudo o que for possível está nos aguardando para existir. Tudo, tudo mesmo! Tudo está lá. Basta ver, basta olhar, basta imaginar! Mas não queira ver com olhos retos; veja com olhos curvos. Os olhos retos só veem o velho, mas os curvos veem o invisível, o que está além dos limites dos olhos retos. Eles veem um mundo novo de possibilidades que brotam na terra fértil de nossa imaginação. Os olhos curvos de nossa existência eterna nos ajudarão na revelação e construção de um universo cada vez melhor para todos nós.
Então, que o novo ano seja bem curvo e que todos nós tenhamos nele grandes e felizes aventuras. Que Deus nos abençoe para que possamos fazer uma feliz virada a cada novo dia desse ano de curvatura 2015.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Décimo Recital de Poesias do SESC-LER de Poxoréu - MT

A poesia não envelhece. Seu encanto é eterno, como eterna é a alma do poeta.
 Muitas poesias já foram maravilhosamente interpretadas nos recitais do SESC-LER Poxoréu, MT, cuja salão social, nos últimos dez anos, nesta mesma data, sempre respirou a poesia upenina. 
Agradecemos a todos aqueles que têm organizado, preparado e realizado esse Recital de Poesias de autores poxorenses. 
O que vocês fazem não é apenas uma homenagem à poesia, mas especialmente à poesia e literatura poxoreana. 
Como disse Gonçalves Dias: "Todos cantam sua terra, também vou cantar a minha". 
Se nós vamos cantar, seja em verso, seja em prosa, cantemos Poxoréu, essa terra dadivosa, da qual o poeta escreveu: "Se Deus, brasileiro nasceu, por certo que foi teus céus, [Poxoréu], o berço que escolheu". Upenino Izaias Resplandes

Desde o ano de 2005 a Unidade SESC-LER de Poxoréu realiza um recital de poesias nessa data memorável de 17 de dezembro. Neste ano, não foi diferente. 
Sob a Coordenação da Profª Paula (de verde, na foto ao lado), os alunos da Unidade desfilaram pelo palco, declamando com alegria as poesias upeninas, prestando sua homenagem não somente à poesia, mas principalmente à poesia dos autores poxorenses, hoje reunidos na guarida da UPE - União Poxorense de Escritores.
O cerimonial ficou a cargo da Profª Rosa Rocha, que desempenhou seu papel de forma brilhante, fazendo inteligentes introdução sobre cada uma das apresentações realizadas pelos alunos.

Dentre as poesias declamadas destacamos "Centro Juvenil", do Notável poeta Luiz Carlos Ferreira, onde homenageia os salesianos que durante várias décadas prestaram serviços à juventude de Poxoréu, no Centro Juvenil, tais como Mestre Armando Catrana, Pe. Clemente, Mestre Marquez, entre outros. Além dessa, foram declamadas muitas outras poesias de Luiz Carlos, todas notáveis e amorosamente interpretadas pelos alunos do SESC-LER Poxoréu.

A poesia do Notável poeta Gaudêncio Filho Rosa de Amorim também foi celebrada no Recital. Dentre as diversas que foram apresentadas, destacamos "Drogas, não!", onde o autor fala das consequências que as drogas podem acarretar, deixando em seu final a forte mensagem; "Drogas, não". O poema foi muito bem interpretado.
Também foram apresentadas poesias de Márcia Nunes, como por exemplo, "Meus Pais", em que ela homenageia seus genitores Albertino e Adelina. Interpretação emocionante.
De Edinaldo Pereira de Sousa, destacamos a interpretação alegre e descontraída de seu poema "A Bola".

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De Wallace Rodolfo, o destaque fica a poesia "a lição da formiga"; 



De Zenaide Mendonça Farias, destacamos o poema "Medo". 
E, de Izaias Resplandes, foi muito bem declamada pelo aluno acima, a poesia "A morte do Areia", escrita em 1987, inscrita no Concurso Literário de Verso e Prosa promovido pela municipalidade naquele ano, por ocasião do aniversário de Poxoréu.
Dentre os intérpretes adultos destacamos Luís Tremura, na foto ao lado, um dos organizadores da Escola de Samba Estrela D'Alva e Laudelina Magalhães da Silva, que sempre declama poesias de sua autoria.

A poetisa Laudelina escreve a transmite em simplicidade de alfabetizanda, as  mensagens que tem escrito como decorrência de sua alfabetização no SESC-LER Poxoréu, MT.
Ela se encanta com o Recital.
Ao final do evento a Coordenadora do SESC-LER Poxoréu agradeceu a todos, especialmente aos upeninos presentes" pela presença e pelo incentivo ao trabalho anualmente realizado pela unidade.
Falando pela UPE, o Prof. João de Sousa deixou sua mensagem, parabenizando a todos pela realização do evento.