domingo, 24 de novembro de 2013

Até breve, Batistella



Até breve, Batistella

Izaias Resplandes de Sousa*

Estivemos juntos tantas vezes... Falamos de muitas coisas. Umas sérias, outras banais... Contamos piadas, fizemos gracejos... Sorrimos, choramos, cantamos... Comemos, bebemos... Estudamos, lemos... Fizemos tudo o que fariam juntas as pessoas que se amam, que se prezam e que se querem bem...
E você, Anderson... Você nunca ficou de fora. Mesmo com suas limitações físicas, você sempre encontrou um jeito de participar conosco. E sua participação não era somente na presença. Você comentava, discutia, dava sugestões...
De fato, amigo, você foi um vencedor em sua jornada pela Terra dos Homens. Fez muito mais do que aqueles que tinham tudo para fazer, mas que se quedavam inertes. Não agiam porque não queriam. E você, que tinha muitas dificuldades para conseguir realizar até mesmo tarefas mais simples, por conta de suas limitações físicas, fazia de tudo exatamente pelo motivo oposto, porque você queria mostrar a diferença.
É claro que você teve muito apoio de seus pais e também pode contar um pouco com seus amigos que nunca lhe faltaram. Mas se não fosse o seu querer e a sua vontade de vencer, nem o apoio dos seus pais ou de seus amigos teriam servido para qualquer coisa. Mas justamente porque você queria vencer, foi que valorizou todo o apoio que recebeu, tanto o grande, dado por seus pais Guilherme e Izete Boese, como o mais simples, dispensado por nós que tivemos o prazer de ser seus amigos, fazendo desses braços e pernas que te auxiliavam uma brava e potente força, que foi inquebrantável e decisiva em sua breve caminhada de 31 anos, 6 meses e alguns dias, para levá-lo às suas conquistas mais significativas, dentre as quais certamente se destaca a formação em Direito pela UNIC/UNICEM de Primavera do Leste, MT e a implantação e funcionamento do Escritório de Advocacia Batistella Boese, na Av. Porto Alegre, 1975, também em Primavera do Leste.
E agora, amigo? A sua jornada chegou ao fim ou ela está apenas começando? Você sabia que o fim ou o começo tem tudo a ver conosco, com nossas crenças, nossas convicções, nossas esperanças e nossa fé? Não temos dúvidas sobre isso.
Navegando pelo seu perfil no Facebook a gente pode dizer com a boca cheia, que você não temia a morte e nem a via como se fosse o fim de tudo. Você sabia, Batistella, que haveria de continuar exercendo o seu sacerdócio e a sua missão não apenas no além espiritual de tantas faces e doutrinas, mas aqui mesmo, neste lugar que chamamos Terra dos Homens. Você sabia amigo, que haveria de continuar influenciando as gerações, como igualmente influenciam suas grandes inspirações como Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, João Paulo II, Irmã Dulce...
Observamos também que você tinha entre suas preferências de leitura o Livro dos Livros, a Bíblia Sagrada, a qual mereceu o privilégio de ser sua única referência na categoria “Livros”. E quem destaca essa coleção milenar como seu livro de orientações para todas as horas da vida, não pode ser alguém que vê a morte como o fim de tudo, senão como um novo marco para uma mudança de plano, de espaço, de campo de ação.
É assim que também acreditamos amigo Anderson Boese. Entendemos que tanto pela ciência, como pela fé, que o fim não existe. Pela ciência, seu corpo, meu amigo, formado por um complexo de elementos químicos, estará voltando ao pó da terra, ao grande laboratório onde passará por novas combinações, renascendo como um grão de trigo plantado no mesmo solo, em uma nova composição que traz a essência daquele grão, mas que tem outro brilho, outro status, outras dimensões. O pé de trigo é bem diferente do grão, mas é a continuação deste, que não se acaba, mas que pelas leis da física, apenas se transforma. Seu corpo, amigo Boese fará brotar da terra outros tantos corpos. E assim você continuará a viver enquanto a vida existir em qualquer de suas formas.
Também pela fé, nós acreditamos que a vida continua no além-túmulo. E que teremos muitas outras missões tão ou mais importantes do que aquelas que já executamos. Por hora estaremos separados. Mas isso será por pouco tempo, porque também nós haveremos de partir para a dimensão em que agora você está. E talvez venhamos de novo a ser parceiros em novas aventuras em benefício dos demais.
Seja o que for a nossa crença, seja com base na ciência, seja com base na fé, a vida continua. Como cantam os sertanejos Duduca e Dalvan em sua “Espinheira”: “o mundo não acaba aqui” e você também não, amigo Anderson Boese. Você também continuará existindo, agindo, influenciando as novas gerações, seja pelos seus exemplos de vida, seja pelos seus escritos, pelas suas produções e pela sua memória. Ninguém acaba de vez, mas pessoas como você nos deixa um legado que será referenciado por nós e pelas gerações futuras. E também através desse legado você continuará existindo.
Assim, estimado amigo... Nessa ocasião de brutal separação, com certeza todos nós estamos sofrivelmente comovidos. O choro insiste em querer embargar a nossa voz, mas pela nossa amizade, não poderíamos deixar de te dizer essas palavras que agora encerramos, não com um “Adeus”, mas com um “Até Breve”, porque essa é a certeza que adquirimos pela ciência e pela fé que professamos.
Siga em paz, amigo. Viaje sempre na direção da luz. Esse é o Caminho e a Verdade e a Vida. Entregue o nosso abraço ao Milton e lá espere por nós.
Até breve!

* Izaias Resplandes de Sousa é advogado e professor. Foi colega de Anderson Clayton Batistella Boese na UNIC/UNICEM, no curso de Direito, com quem travou profícuos debates.
* Publicado em Plantão News em 6/11/13. Disponível em: http://www.plantaonews.com.br/artigos/show/id_coluna_conteudo/1054/id_coluna/313

sábado, 5 de outubro de 2013

A IGREJA EM CONSTRUÇÃO



A IGREJA EM CONSTRUÇÃO
                                                                                              Gaudêncio Amorim
I
Deus está no homem, mas o homem pouco está com Deus:
Neste mundo, quase tudo chama atenção
Desde os prazeres estéreis de efêmera duração
Aos vícios continuados que o escraviza e o domina
Inobstante ao bem que um ou outro perpetua
É muito improvável ver Deus no canto da rua
Para a verdadeira aliança que na vitória se anima
II
Mas uma coisa é ver Deus, por opção
Outra, Deus mostrado pela igreja
Sem alardes messiânicos e sem sobeja
E justificar o papel do templo representativo
Porque igreja não é só casa de oração
Assim – é um templo em construção
Com fiéis desiludidos e pouco criativos.
III
O homem precisa-se reinventar para igreja reconstruir
A igreja de portas abertas, noite e dia – toda hora
Acalentando o homem atordoado e a criança que chora
Como a mãe que alimenta a prole, sempre por perto
E o homem que acredita saber tudo nesta vida
Não passará de leve bruma na dispersa avenida
Como uma lânguida miragem no deserto.
IV
Não é só  a igreja, o templo de adoração
Que faz do homem reto e bom cristão
Nem a igreja nua de eclesiásticos mudos
Aquela que prega o capital em liturgias disfarçadas
Para poucos fiéis e mentes acomodadas
Presas ao egoísmo e a ouvidos surdos.
V
Mas Deus mandou seu emissário
Um a um após o Cristo do Calvário
E falou de uma igreja nova, diferente
Para o homem renovado, livre e crente
Difundindo o sal da terra à nação
Uma igreja em construção.....

VI
Cada líder espiritual, cada conselho episcopal
Cada padre, monge, pastor ou líder papal
Cada um na doutrina, à sua maneira
Pregou o evangelho e tremulou bandeiras
Levando a todos a boa nova de Cristo.
Porém, nenhum em toda história
Suscitou a bonança de nova aurora
Como a mensagem do papa Francisco.
VII
E agigantou a igreja prostrada no dogma artificial
Na agonia dolorosa dos tempos e sem remédio
Se debatendo entre as religiões o seu frágil credo
Misturando-se ao pó evoluído das vaidades mundanas.
Soube, convencer o seu radical cristão
Que o Cristo está em qualquer religião
Seja ela católica, protestante ou muçulmana.

VIII
Ele pregou a igreja que ainda não está pronta
Mas de todas, é a que menos afronta
O verdadeiro ideal do cristianismo
A igreja das ruas, campos, construção
Mais comedida e de menor corrupção
Para um fiel convicto e sem fanatismo.
IX
Este homem não é Deus, mas o tem em si
E o define na mensagem de sua existência
A nutrir-se do necessário sem exigência
Para ostentar a fama e o cetro em milhões
Porque é na simplicidade e na unidade de papéis
Que se deve edificar a igreja e seus fiéis
Num regozijo à felicidade das multidões.
X
Foi ele, ungido e convicto da fé verdadeira
Que desenhou no cenário católico à completude
Que se rende ao velho e orienta a juventude
Num sermão aberto à construtividade.
Assim, sem esmero, remodelou um cristão renovado
Que não precisa mais esconder atrás do livro sagrado
Para camuflar um coração repleto de vaidades.
XI
Porque o bem não se mede em palavras bonitas
Adornado na aparência com enfeites de fitas
E uma rotina litúrgica de ir às missas.
Mas pode ser percebido na ação permanente
A serviço do homem frágil, o irmão carente
Sem o estatuto de qualquer outra premissa.
XII
Vede, irmãos do meu tempo e da minha geração
O que pode fazer a palavra nos dias meus!....
O que pode fazer um homem com Deus!...
Na simbiose da criatura em recriação.
E de como é preciso acordar e se dar conta
Que a igreja caminha sem estar pronta
E que é apenas uma igreja em construção.

XIII
A igreja na unidade e na diversidade sobrevive
Mas ela sozinha é o templo nu, o prédio
Que não se personifica sem o assédio
Do cristão são na sã e efetiva conduta
Afinal, da forma que estava prostrada
Era como reunião sem rumo, desorganizada
Que todos falam, mas ninguém escuta.

XIV
E foi preciso este homem divinizado na fé
De doutrina inspirada no ideal franciscano
Deixar os limites do território Vaticano
Para no Brasil, revigorar o seu templo.
Isso mostra, ao cristão, inobstante
Aqueles que no ideário seguem avante
A força e a importância do exemplo.
XV
A igreja de Pedro edificada na rocha
Se conhece pelo esmero das pastorais
Não tão somente pela liturgia dos missais
Em dias de missa no criado mudo
É como conhecer a cidade feia ou bonita
Pelos cuidados do morador que nela habita
Sem ensejar ciência ou estudo.

XVI
Mas ainda assim, tal qual ao operário em marcha
Também é a igreja dos fiéis e de Francisco,
Porque, este sim, merece um obelisco
Por fazer da simplicidade, uma revolução.
E pode ensinar ao povo brasileiro
A se portar como um lord, cavalheiro
Numa igreja em construção.

XVIII
E ensinou que a igreja precisa da política social
Que onde os corações cedem a cobiça
Sem termo, critério e justiça
Configura opressão dos fracos e excluídos.
E que só bom cristão puro e renovado
Pode bradar a voz e levantar o cajado
Indicando o novo rumo a ser seguido

XIX
Como bons discípulos de um templo
Eu, nós, a imensa nação do Brasil
Bem de perto seu exemplo sentiu
É uma nova corrente em vigília e oração
Despiu-se da vaidade, a heresia do evangelho
E jogou fora o método velho
Para fazer uma igreja em construção
XX
E agora, enfim, mire-se no exemplo de Francisco
Que na mensagem deixada na jornada da juventude
Revigorou os cristãos em perfeita saúde
Para cumprirem sua missão mais importante:
De que nada é mais primordial para se viver
Do que praticar bem e cuidar de você
Além de amar o seu próprio semelhante.
XXI
E esta poderia ser a mensagem do papa Francisco
Ordenado pelas graças de Cristo
Numa corrente em oração
Para falar de uma igreja no caminho
Que merece no seu coração um cantinho
Um igreja em construção!!!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Na Casa Upenina de Zenaide

João de Sousa e Sulene

 A UPE de Zenaide Farias, com a Juiza Mazzarelo


Lembranças de Jurandir Xavier

Em 29 de março de 2008, o Jurandir recebeu os seus confrades em sua chácara às margens do Rio Areia, no perímetro urbano da cidade. Um lindo lugar. Então, ele me falava de seus projetos para aquela propriedade.

Infelizmente, ele nos deixou sem concretizar o projeto para a chácara.

Tertúlia em 2008

As tertúlias upeninas são bastante animadas. Na foto abaixo, temos um instantâneo com a presença de vários Notáveis Upeninos, dentre os quais os saudosos Jurandir Xavier de Oliveira e Zenaide Farias de Mendonça.

Na foto acima: o Comendador Francisco Dorilêo com os Notáveis Upeninos Amorésio e Edinaldo, comandando a animação.

Homenagem ao Moreira

Aluno da Escola Poxoréu presta homenagem ao poeta upenino Joaquim Moreira, no desfile de aniversário da cidade em 26 de outubro de 2008.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Exaltação a Poxoréu

O poema "Exaltação a Poxoréu" foi composto em 1988 e foi recitado pela primeira vez, por Roseli Sousa Silva, na abertura do 1º FESCAMPOX - Festival da Canção de Poxoréu, nos festejos de inauguração do Ginásio de Esportes Cinquentenário, o "Cinquentão".

domingo, 28 de abril de 2013

UPE elege sua 26ª Diretoria

A UPE - União Poxorense de Escritores elegeu na manhã deste domingo a sua 26ª Diretoria, a qual foi composta pelos seguintes Notáveis: Prof.  Luís Carlos Ferreira - Presidente; Prof. João de Sousa - 1º Vice-presidente; Acad. Wallace Rodolfo Pereira da Silva - 2º Vice-Presidente; Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim - Secretário Geral; e Profª Márcia Adriana Nunes de Almeida Oliveira - Tesoureira Geral[foto acima com Izaias Resplandes, à esquerda]. 

A eleição aconteceu na residência do ex-presidente Wallace Rodolfo [foto acima] e foi acompanhada de um delicioso churrasco, com a participação de upeninos e convidados.

Ao término da eleição, os upeninos falaram sobre suas expectativas para a nova gestão administrativa da UPE. Para Luís Carlos, o novo Presidente[foto acima], sua eleição se deu em um dos momentos mais profícuos de sua vida, o que espera resultar em benefícios para a cultura local.

Na ocasião, o grupo discutiu uma programação possível para comemorar os 25 anos de existência da entidade em Poxoréu, atuando dentro dos limites do possível, em defesa da arte e da cultura. Dentre os eventos está a implantação de um museu, a publicação de um livro de poesias e um grande encontro cultural. Também foi discutido um pouco sobre as responsabilidades upeninas com o programa Momento de Arte e Cultura, levado ao ar aos domingos pela Rádio Sul matogrossense, o qual sempre foi o nosso projeto prioritário durante os anos desse jubileu de prata upenino e que sempre fez grande suceso entre  população local.

domingo, 31 de março de 2013

UPE comemora Bodas de Prata

E então chegamos aos vinte e cinco anos... Quanto tempo já passou. Os fundadores, alguns, já não eram jovens em 31 de março de 1988 e agora estão mesmo de cabelos brancos. Mas ainda que cansados, não estão desanimados e continuam a produzir, a registrar, a cantar e a decantar a temática "Poxoréu".
 A UPE é um pequeno regimento que luta "em defesa da arte e da cultura" de um modo geral e, da cultura e da arte de Poxoréu, de um modo específico.
 Companheiros upeninos chegaram, outras se foram. Já disse antes que a UPE do céu está quase tão grande quanto a UPE da Terra. Mas upeninos somos, vivos ou não na terra. Queremos continuar.

É claro que precisamos de novas mentes, novos talentos e novas vontades para continuar essa jornada. Nos últimos anos temos buscado agregar novos membros, na expectativa de que pudessem dar prosseguimento a esse projeto upenino. Esse pensamento continua. Continuamos esperando isso dos jovens upeninos. Não que estamos querendo abandonar a luta, mas que entendemos ser necessário que outros se empenhem nessa tarefa para que ela possa continuar depois que também partirmos.

É óbvio que produzir e registrar a cultura de um povo exige tempo, investimentos financeiros, sacrifícios e tantas coisas semelhantes. Mas é preciso que alguém esteja disposto a fazer isso, ainda que sofra as críticas de pouco fazer, principalmente dos que nada fazem.
Nesse 25 anos não fizemos muito, mas fizemos algo contra os muitos que não fizeram nada. Então estamos satisfeitos e esperamos poder continuar fazendo nosso pouco nesse universo do muito "nada". E que esse pouco sobreviva.

Nessa oportunidade quero cumprimentar aos meus confrades da UPE e dizer-lhes que aprecio a coragem e o desprendimento de cada um de vocês. Vocês são realmente "os caras", gente de fibra, de coragem. Vale a pena caminhar com vocês. 
Parabéns à família upenina, aos amigos e a toda a cidade de Poxoréu pelo aniversário de sua ilustre filha, a União Poxorense de Escritores. Abraços a todos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA DE PESCADORES!

Letra e Melodia FABULOSAS!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Falecimento do Comendador José Moraes Barbosa

 Faleceu nesta data o Comendador José Moraes Barbosa, "Seu Moraes", aos 89 anos de idade. Republicamos o artigo "História do Comendador José Moraes Barbosa", escrita pelo seu filho, o Promotor de Justiça Dr. Adauto Barbosa.

O Comendador cumpriu sua jornada, deu o seu melhor para a construção desse Município, onde criou uma família de construtores, homens de ação que o honrarão por todo o sempre.

Ele não entrou para a história. Ele é história em Poxoréu.

A família upenina se enluta juntamente com a família Barbosa. Que todos possam ser consolados conforme suas crenças e esperanças.

 

História do Comendador José Moraes Barbosa


Fonte: http://pox.zip.net/arch2010-09-01_2010-09-30.html#2010_09-16_21_42_02-3506064-0

Por: Dr. Adauto Barbosa (à esquerda, na foto, ao lado de seu irmão, Dr. José Moraes Barbosa Filho - Moraizinho)


Após singular evento que homenageou tão destacadas figuras da sociedade poxorense, agradecido, peço permissão para melhor detalhar no histórico de José Moraes Barbosa o seguinte:

1 – De garoto pobre e retirante do agreste baiano, ainda criança, José Moraes chegou a Poxoréu, ocasião em que foi discípulo do temido Prof. João Torres, tendo como colega e amigo, dentre outros, o Dr. Edésio Cardoso, destacado médico graduado pela antiga Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro-RJ.

2 - Adolescente, enfrentou atividades garimpeiras, rurais e ainda, a de balconista em alguns bares existentes no agitado cabaré da Rua Bahia, em Poxoréu. Nesse particular, observou que tinha o traquejo para vender o que aparecesse. Temendo a violência, resolveu estabelecer um pequeno comércio (bolicho) na Rua Paraíba, esquina com Pernambuco, cuja iniciativa tornou-se possível com a ajuda do seu tão querido irmão José Euclides (Quidinho).

3 – Maduro, casado com a saudosa Diva do Valle Barbosa e com prole numerosa, dava início também a sua vida pública. Assim, na função de Juiz de Paz, substituía o Juiz de Direito, oportunidade em que promovia inúmeras conciliações. Nesse aspecto, de porco que comeu a roça de milho do vizinho a um noivo que deflorou a sua amada e caiu fora descendo o rio Poxoréu..., existiam demandas para todos os gostos. Nós ainda guris, ficávamos sempre distantes das conversas dos adultos. Confesso que dava para ouvir algo e ainda, na minha meninice, achava tudo muito divertido. Alguns casos sim, muito, muito, divertidos mesmo.

4 – Eleito vereador por duas vezes – sem qualquer remuneração - empunhou como bandeira de luta, a criação do Ginásio Estadual 7 de Setembro em Poxoréu. Logo, com outros vereadores esteve em Cuiabá por diversas ocasiões cobrando do Governo Estadual a criação do ginásio. Conseguiu. Instalado o ginásio ainda no antigo Grupo Escolar Júlio Müller, o então vereador José Moraes Barbosa entendeu que faltava uma biblioteca. Novamente, de caminhão, empreendeu viagem a Cuiabá e ao retornar numa velha Kombi da Secretaria de Educação, trouxe consigo duas caixas de fogão a gás, repletas de significativas obras de cunho pedagógico e literário. Digamos que ele quase não cabia nas suas vestes ao receber da então Diretora Drª Zilda Rocha, sempre durona, enormes elogios pela materialização de mais esse sonho.

5 - Em 1970, ao ser nomeado representante do FUNRURAL em Poxoréu, tomou conhecimento que suas atribuições estendiam-se aos municípios de General Carneiro e Barra do Garças-MT. Concordou. Logo após, incluíram sob a mesma representação, os municípios de São Félix do Araguaia e Luciara-MT. Acontece que as estradas eram quase inexistentes. Pensou em desistir. A direção do antigo INPS de MT conseguiu convencê-lo a continuar. Argumentaram que as viagens às longínquas regiões poderiam ser realizadas num "moderno" avião búfalo, tipo cargueiro, da FAB. Nessas condições, empreendeu diversas viagens à região do Vale do Araguaia indo até quase à divisa do Pará, oportunidade em que viabilizou a aposentadoria de centenas de trabalhadores rurais. Como conseqüência dessas desconfortáveis viagens aéreas, restou-lhe um problema na audição, superado após longo tratamento com especialistas em São Paulo-SP. Ao saber desse relato, Jamyle, nossa tão amada filha, expressou-se: “tadinho do vô”...!

6 – Enfim, seja na vida pública, seja na particular como comerciante e agropecuarista, seja como filho, irmão, esposo e pai responsável, tendo sempre como lema “não dar o passo maior que as pernas ”, José Moraes Barbosa, pelo entusiasmo, esmero e determinação – a exemplo dos demais tão destacados homenageados – conseguiu ajudar a escrever a história de Poxoréu.

Parabéns, meu grande!

Adauto Barbosa é filho de José Moraes e Promotor de Justiça.
aluizbarbosa@yahoo.com.br

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

8º Recital de Poesias do SESC-LER Poxoréu


A noite do dia 18 de dezembro de 2012 marcou o encerramento do ano letivo do SESC-LER de Poxoréu com a realização do espetacular Recital de Poesias, já na sua oitava edição.
A festa foi comandada pela Profª Josiane, com o apoio de toda a equipe do SESC-LER.
Na abertura, os alunos Samuel e Camile, convidados, apresentaram as poesias "Sonho de um jovem", de Genivá Bezerra e "Corujinha", de Vinícius de Moraes, respectivamente.
 O evento, que em sua grande maioria consiste na declamação e leitura de poesias upeninas, contou com a presença dos Notáveis Upeninos Genivá Bezerra, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim,Luís Carlos Ferreira, Josélia Neves da Silva, Márcia Adriana Nunes Almeida Oliveira e Izaias Resplandes de Sousa (foto acima).
As poesias declamadas foram as seguintes:
 Menina Moça", de Luís Carlos Ferreira, interpretada por Maria Júlia; "Setembro", de João Batista Cavalcante; "ngelina e Biá... Sônia e Edith", de Zenaide Farias, interpretada por Beatriz; "Bonecas de pano", de Josélia Neves da Silva; "Minhas filhas", também de Josélia Neves, interpretada por Edniely; "A bola", de Edinaldo Pereira da Silva, interpretada por Sérgio Henrique; "Minha infância", de Genivá Bezerra, interpretada por Serafim; "A boneca", de Olavo Bilac, na voz de Cíntia; "Meu Vizinho", de Luís Carlos Ferreira, interpretada por Rosângela; "Incertezas", de João Batista Cavalcante, declamada por Joelito; "Estrela da manhã", de Gaudêncio Filho Rosa de Amorim; "Motivo de viver", de João Batista Cavalcante, por Pedro Lucas (filho do Dr. Elson Miranda); e "Pequenos trabalhadores do Brasil", de Luís Carlos Ferreira, na declamação de Lígia.
 O aluno José Nilton apresenta o poema "Poxoréu", de sua própria autoria.
As poesias declamadas pelos alunos da EJA foram as seguintes:
"Menina pobre", de Laudelina (ex-aluna), pela própria autora; "Sem preconceito", de Izaias Resplandes de Sousa, pelo aluno Isaías; "Eu me amo", de Luís Carlos Ferreira, por Domingas; "Vida de plebeu", de João Batista Cavalcante, por Michele; "A Primavera", de Izaias Resplandes de Sousa, por Helena; "Minha casa", de Gaudêncio Amorim, por Vilma; "Na curva da fazenda", de Luís Carlos Ferreira, por Zepelino, Aníbal, Valdemar e Odenil; "Beleza interior", de Izaias Resplandes, por Denisvaldo; "Minha Casa", de Gaudêncio Amorim, por Rubens Alves; "Família", de Osvaldo Montenegro, por Maria; "Mãe", de Gaudêncio Amorim, por Sinvaldo Viana; "Natureza", de autor desconhecido, por Ivan; "Saudade", de Cora Coralina, por Aparecida; "Mãe", de Cora Coralina, por Vanderlino.
 Antes da apresentação das poesias foi apresentado um belo vídeo, mostrando as belezas naturais de
Poxoréu, tendo como fundo musical, a música "Minha Doce Poxoréo", do upenino Aurélio Miranda (foto acima).

Ao final, falaram pela UPE, os upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (acima) e Josélia Neves da Silva (abaixo).

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Feliz 2013

Foto da Casa do Vereador Jailton Suizi Xavier. Foto: Profª Suizzi
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Suizi disse: "Da minha casa,do meu jardim deixo minha mensagem de um Ano Novo de muitas alegrias à todos meus amigos!"
E eu digo:
Que esse desejo de fazer bonito se reflita no próximo ano, com todos procurando fazer o mais bonito possível por nossa cidade, ao invés de somente criticar o feio. Se todos quisermos, poderemos construir uma linda cidade, na qual todos nós nos sentiremos bem; e se também quisermos, poderemos fazer uma cidade feia, onde ninguém faz nada para que ela seja bela. Que o sentimento do belo tome conte de TODOS NÓS em 2013.
Feliz ano novo para todos!
Izaias Resplandes 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Educação

O trabalho com projetos
Gaudêncio Amorim
Heráclito afirmava a teoria filosófica de que a “única coisa permanente é a mudança”. De fato, o paradigma da mudança é uma realidade constante  no processo de uma vida sempre em evolução. Pe. Antônio Vieira, nos seus clássicos “os Sermões do primeiro domingo do advento” (1.655), enfatizava: Tudo muda, tudo passa...”, portanto nada é e nem continua o que sempre foi.
O processo de mudança é tudo em tudo e não há nada que escape a transformação.
Entre as infindáveis coisas sujeitas ás mudanças permanentes, as práticas pedagógicas se inserem numa seara de absoluta transformação educacional, reflexo direto das mudanças sociais e tecnológicas e, nesse particular urge refletir os ambientes educativos que se mantêm resistentes à renovação constante presos aos modelos arcaicos que não respondem mais as expectativas do presente.
Diante de um mundo contagiado pela modernidade tecnológica e pela conseqüente mudança do comportamento social, manter-se na postura pedagógica de antes é a garantia indubitável de fracassos escolares, aliás, como tem ocorrido na maioria das escolas, apesar das alternativas governamentais para mascarar a qualidade no processo de formação escolar desviando o foco da educação para o custo aluno e não para o custo-aluno-qualidade, evidentemente, consideradas as devidas exceções.
É provável que essa mudança permanente seja necessária no bojo de todas intervenções escolares, mas principalmente na relação professor-aluno com foco na postura docente, vez que os discursos compridos (que fala tudo e nada ao mesmo tempo), o quadro negro com desenhos gráficos “indecifráveis” já não tão atraentes diante de práticas mais inovadoras capaz de suprimir a relação de bons falantes X bons ouvintes, já que os alunos mais escutam e quando ouvem, assimilam pouco revelando de vez a falência do modelo enciclopédico em voga no final da idade média e em muitos ciclos acadêmicos do mundo globalizado.
O desafio é mudar para encantar, atrair e prender a atenção sem perder a qualidade. Não se discute aqui o prazer de estudar, mas o prazer de aprender num ambiente inusitado, diferente, criativo capaz de fomentar descobertas, romper com as dúvidas na construção (re) autônoma do conhecimento numa realidade em que o aluno seja também sujeito do seu próprio conhecimento, inobstante a postura mediadora dos docentes. Nessa nova realidade, o trabalho pedagógico com a execução de projetos dá novo significado ao processo educacional e ressignifica profundamente o processo de ensino aprendizagem.
É de se considerar que o trabalho com projetos é desafiador para os professores e plenamente atrativo para os alunos e nem sempre os primeiros abdicam da inércia de sua prática, embora as novidades são, quase sempre, desejadas pelos alunos já saturados pela mesmice dos “sabe tudo”, “acima de qualquer suspeita”. O trabalho com projeto é uma boa alternativa para tonificar a prática pedagógica, inobstante a outras atividades criativas igualmente importantes.
E por que? São muitas as possibilidades e ganhos e nenhum prejuízo, porque embora eles dêem trabalho à execução, todas as avaliações são positivas e plenamente satisfatórias, pois todos revelam profundas mudanças comportamentais denotando amplo ganho de novos conhecimentos e habilidades. É, por outro lado, um santo remédio para combater a indisciplina, vez que a experiência mostra que tais alunos são, via de regra, os que mais se envolvem na execução.
Além do objetivo final, que é próprio conhecimento, o trabalho com projetos, possibilita o aprimoramento da interação social e a diminuição da timidez somada a habilidade de falar em público defendendo teorias com argumentos sofisticados, coerentes e coesos numa perspectiva de alunos pesquisadores. Ademais, o trabalho rompe com o individualismo para a organização e busca de resultados coletivos e com responsabilidades bilaterais em que todos se sentem sujeitos do processo. Não sem razão são aprimorados valores como respeito mutuo, participação, responsabilidade, solidariedade, parceria, disciplina, organização, entre outros.
Nem sempre são necessários projetos científicos. Mister se faz o desenvolvimento de um tema voltado para um objetivo à resolução de um ou mais problemas.
Nessa possibilidade, a pratica pedagógica se reveste de novos significados e, por conseguinte, de novos resultados bem mais apropriados à formação humana, provavelmente sem carecer de exames finais e conselhos de classe para coibir o fracasso escolar e atender, na maioria dos casos, a filosofia governamental de que a educação brasileira “está bem na fita” mostrada por fora “como bela viola” , maqueada por dentro “com pães vencidos”, abandonados por saciados paradigmas de antanhos.

Gaudêncio Amorim – Pedagogo, Cientista Político, Poeta, Escritor e Compositor filiado a União Poxorense de Escritores – UPE.

Homenagem



70 anos de Irmãs Salesianas em Poxoréu

Cumprimento a mesa na pessoa senhor Prefeito Ronan Figueiredo Rocha, da Irmã Bernadete, Irmã Terezinha e da Irmã Maria Elza e em nome da professora Sizaltina do Carmo, cumprimento aos presentes que, graciosamente compareceram aqui neste tão importante evento e igualmente memorável a data de 70 anos das irmãs salesianas em Poxoréu.
As irmãs salesianas, na verdade, datam sua atuação em Poxoréu na mesma época em que Poxoréu começa sua vida administrativa, afinal em 1942, Luis Coelho Campos, que havia tomado posse em 01 de janeiro de 1939, portanto no seu ultimo ano de mandato e permaneceram aqui no abnegado trabalho de praticar o “bem sem olhar a quem”.
Professor João de Souza enfatizou o trabalho das salesianas na educação, no trato com as crianças, jovens e adolescentes. Eu diria muito mais: As irmãs salesianas tiveram e tem um importante papel também na saúde, na assistência social entre tantas outras, basta lembrar aqui quantas casas são construídas e entregues para famílias carentes. Então essa data é deveras significativa e não só por isso!!!
Todavia, inobstante a data, 70 anos, importante mesmo é reconhecer a importância do trabalho das irmãs. Por isso, hoje, este salão deveria encontrar-se lotado pela importância das irmãs, mas infelizmente, para uma boa parte da população, conta quem vai ganhar ou perder o poder, se tem bebidas ou comidas e coisas do gênero. Não importa, pra nós da União de Escritores,, conta a importância dessas mulheres vocacionadas para o evangelho de Cristo. Aliás, ouvi dias atrás uma crítica infeliz ao Pe. Pedro, “de que teria feito tantas coisas pela sociedade e estaria velho doente e sozinho”. E pensei como certos prejulgamentos são tão infelizes e ingratos. Ora, a tal pessoa foi uma das centenas de beneficiadas com a valorosa e incontestável obra do Pe Pedro e deveria, nesse momento, prestar a sua retribuição, a sua gratidão a quem renunciou (assim como as irmãs salesianas) todas coisas mundanas para servir o próximo! Mas não, mesmo com o peso da idade, do acumulo de doenças, essas pessoas generosas como são, têm que suportar a ignorância e o egoísmo humanos. A crítica implacável de alguns corações insensatos!!!.  
Pois bem! Não importa se as pessoas não vieram aqui honrar essa data como se esperava; não importa se muitas pessoas não reconhecem o valor dessas irmãs... Nós reconhecemos e muitos outros que não puderam estar aqui o reconhecem. A Upe reconhece! O Poder Executivo reconhece! O poder legislativo, mesmo em face da ausência literal dos vereadores, certamente o reconhece! Quem veio aqui, reconhece e tenho certeza que tudo permanecerá tal e qual, pois o trabalho que fazem, fazem por escolha, por sacerdócio e não importa muito o tamanho da cruz e o peso do fardo que precisam carregar nem se aqueles agraciados com a sua obra valorizam essas verdadeiras doações, afinal, como dizia um certo poeta: “doais verdadeiramente quando doais de vós mesmos e não de vossas posses”
Por isso entendemos que hoje a sociedade deveria encontrar-se para simplesmente dizer, “Irmãs, Muito Obrigado! Como a mais simples forma de agradecimento. Da nossa parte, a União Poxorense de Escritores lhes dizem: Muito Obrigado!!!

Discurso do Prof. Gaudêncio Amorim, representando a União Poxorense de Escritores – UPE na Cerimônia de comemoração de 70 anos de Irmãs salesianas em Poxoréu ocorrida no dia 07/12/2012 na Câmara de Vereadores.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A VERDADE

Estimulemos a verdade. Não façamos perguntas que estimulem ou induzam mentiras ou meias verdades. A confiança fortalece qualquer relacionamento. É bom poder confiar em alguém.


Izaias Resplandes

Morre Federico Toscani, um poxoreense de coração

Fonte: http://pox.zip.net/
 
"Buscar a Deus, um Deus que não pode encontrar com a minha racionalidade, mas eu continuo a olhar através de obras de caridade voltadas para os mais pobres."
 
O mestre italiano Federico Toscani, faleceu nessa quinta-feira, dia 29 de novembro, em Goiânia (GO), vítima de câncer.
Nascido em Noceto, Itália, Frederico Toscani participou da primeira expedição de voluntários italianos da Operação Mato Grosso - organização não governamental fundada pelo Padre Pedro Melesi - em Poxoréu, no ano de 1967, aqui colaborou na construção de uma escola para duzentos alunos; posteriormente, retornou à Poxoréu para participar na construção do Centro Juvenil, trabalhar em Paraíso do Leste e construir e coordenar o Centro Técnico Juvenil em Jarudore, local onde residiu por 23 anos.
Por quase 40 anos, o mestre Frederico prestou serviços voluntários de assistência social para a comunidade carente de Poxoréu, com destaque para os residentes nos distritos de Paraiso do Leste [4 anos] e Jarudore [23 anos] e aos índios Xavantes da Aldeia Santa Clara, nordeste de Mato Grosso [12 anos].
Tinha, em sua definição, a missão de "buscar a Deus, um Deus que não pode encontrar com a minha racionalidade, mas eu continuo a olhar através de obras de caridade voltadas para os mais pobres."
Segundo o Notavel Upenino Edinaldo Pereira:
“Seu exemplo não será esquecido. Maior do que ele, só gratidão. Pai de um povo plantou a bondade em todo lugar. Jarudore agradece e chora. Como o céu se torna uma festa com sua chegada. Adeus, querido!".
O sepultamento foi realizado na sexta-feira, dia 30/11, no cemitério do Distrito de Jarudore.
Em seu programa "Momento de Arte e Cultura" deste domingo, a UPE, através dos Notáveis Upeninos João de Souza, Gaudêncio Amorim e Luis Carlos Ferreira fizeram uma homenagem ao Missionário Frederico Toscani.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Abaixo de Deus, o "Nós"

Abaixo de Deus, ainda existe alguém que é maior do que o "Eu" e o "Tu" ou o "Você". Esse alguém é o "Nós". Por ele vale a pena fazer alguma coisa". Já disse o apóstolo São Paulo: "Quem ama, não busca os seus próprios interesses, mas os de outrem" (1 Co 13). Não vivo exatamente para mim, embora também por mim. Vivo mais precisamente para o "Nós", que é muito melhor do que o "Eu" e o "Você".
Izaias Resplandes

Os Rouxinóis de Primavera




Texto e fotos:  Izaias Resplandes

A UPE – União Poxorense de Escritores estará completando 25 anos de fundação no dia 31 de março de 2013. Sua atual Diretoria, que tem à frente o Notável Upenino Wallace Rodolfo Pereira da Silva, planejou uma vasta programação para marcar esse vigésimo quinto ano.   
No mês de outubro realizou o seu tradicional Recital de Poesias. E agora, em novembro, após entregar a Comenda da Ordem Memória Viva “Pó-Ceréu” e lançar a 5ª edição da revista “A Upenina” (contendo a biografia de mais sete personalidades da história poxoreana), a entidade fechou o mês com chave de ouro, ao promover e realizar em sua última noite, um “Sarau com Freitas e Prazeres”.
O sarau aconteceu na sede social da ASSEMP – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Município de Poxoréu e contou com a presença de upeninos e de um grupo seleto de convidados, entre os quais o professor Admilson e o Dr. Freitas, que, atendendo ao convite da UPE, vieram a Poxoréu para oferecer-nos alguns cálices de seu delicioso licor musical.
O professor Admilson Jair dos Prazeres é um dos grandes expoentes da música em Primavera do Leste, onde vem ensinando essa arte desde 1998, quando veio para a região, procedente de Juaçaba, SC.
 O Maestro Admilson dos Prazeres. Foto: Dr. Toninho

Já o Dr. Waldir Aparecido de Freitas, advogado e empresário, é o fundador e editor do Jornal “O Diário” de Primavera do Leste, MT, o qual circula nesta cidade desde 01 de junho de 1990. 
Profª Geni e a jovem Yasmim

A noite foi maravilhosa. Um professor de música e um editor de jornal... Essas eram as marcas mais destacadas que conhecíamos a respeito dessas duas importantes figuras da comunicação. Desconhecíamos o talento da dupla como intérpretes de primeira grandeza da música popular brasileira e até mesmo da internacional. E valeu a pena estar presente.
 Comendador Francisco Dorilêo

O repertório contou com 28 músicas, abrangendo diversos gêneros musicais. Para sondar a preferência dos ouvintes cantaram uma toada dos anos 50, uma balada de grande sucesso no momento e uma música nordestina, também dos anos 50.
Notável Upenino Luis Carlos Ferreira e sua esposa Olga

A caneta e a enxada” foi o início de uma noite inesquecível. Trata-se de uma maravilhosa composição do grande Tedy Vieira, em parceria com o Capitão Barduíno, uma linda toada datada de 1954, gravada pela primeira vez no segundo disco de 78 rpm da carreira de Zico e Zeca. 
 Freitas & Prazeres, os Rouxinóis de Primavera

Foi uma linda apresentação da dupla visitante (foto acima). Restou saber quem eram “as canetas” e quem “as enxadas”. Acho que todos se comportaram como enxadas e por isso, todos foram canetas. 
 O pequeno Luiz Philipe com sua avó Luzineth Amorim, esposa do upenino Gaudêncio Amorim

A balada que veio em seguida foiEsse Cara Sou Eu” (2012), o mais recente sucesso de Roberto Carlos e que faz parte da trilha sonora da novela global das nove “Salve Jorge”, de Glória Perez. 

A escolha da música foi muito providencial. Se os intérpretes estavam sondando a platéia, esta teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre eles também. A música que a gente canta, tem tudo a ver conosco. E os nossos artistas demonstraram realmente serem “os caras”. 
 Os Notáveis Wallace Rodolfo e Dr. Toninho Nogueira

Fechando a primeira parte da apresentação, os artistas cantaram “A vida do viajante”, composição de Luiz Gonzaga e Hervé Cordovil, datada de 1953. O rei do baião estaria completando 100 anos de vida no dia 13 de dezembro de 2012.
 Ao centro, a Sra. Sulene Campos, esposa do upenino João de Souza

A platéia, silenciosa durante as apresentações, aplaudia e continuava atenta. O professor Dos Prazeres observou: “Que silêncio! É bom cantar para quem sabe ouvir, para quem parou para ouvir”. Então me lembrei de uma observação que fiz há tempos atrás: “Os pássaros nunca pararam de cantar; nós é que não temos parado para ouvi-los”. Foi delicioso parar para ouvir os nossos artistas de Primavera do Leste. Mas eles reclamaram e incentivaram a platéia a cantar com eles. 
O empresário Eurípedes Rodrigues de Araújo com a Profª Terezinha Ramos e seu esposo o Vereador Valtércio Teixeira

Então veio “Ainda ontem chorei de saudade”, composição de Moacyr Franco, gravada por João Mineiro e Marciano, em 1988; “Alguém na multidão”, composição de Rossini Pinto, um dos maiores compositores da Jovem Guarda, gravada por Golden Boys com The Fevers, em novembro de 1965; “Boiadeiro errante”, mais um sucesso composto por Tedy Vieira e gravado no segundo LP 78 rpm de Liu & Léu, em abril de 1959, pela Chantecler. Liu que faleceu neste ano de 2012, no dia 5 de agosto, um dia antes de completar 78 anos.

A esta altura a avaliação de Freitas já estava concluída. Ele disse: “Amilson, parece que a platéia gosta mais dos anos 60 do que do sertanejo”. Então o Dr. Toninho Nogueira, nosso confrade upenino se pronuncia dizendo: “mas estou apreciando muito ouvir essas músicas antigas”. 

 O artista Waldir Freitas com obra upenina "Antologia Poética", entre os Notáveis Upeninos João de Sousa e Dr. Toninho Nogueira

Sendo assim, Freitas  & Prazeres cantaram “Cavalo Enxuto”, composição de Lourival dos Santos e Moacyr dos Santos, gravada por Tião Carreiro e Pardinho, no LP Viola Cabocla, na Gravadora Alvorada, no ano de 1973. 

 O Comendador Francisco Dorilêo à esquerda dos Notáveis Upeninos Toninho Nogueira e Gaudêncio Amorim

Na sequência veio “Chico Mineiro”, composição de Tonico e Francisco Ribeiro, segundo Freitas, “para chorar”, gravada por Tonico e Tinoco em 1946. 
À esquerda, a Drª Geralda Pereira

Na sequência cantaram o forró “Colo de Menina”, composição de Jorge Filho, gravação da banda Rastapé, criada em 1999 e que faz parte de seu CD/DVD gravado pela EME, intitulado “Rastapé cantando a história do forró”.


Esse forró animou o Prof. Antônio Lélis de Azevedo Rocha, Secretário Municipal de Educação de Poxoréu a convidar a Srª Carmem para bailar pelo salão (foto acima)

Finalizando o bloco vieram “Coração de Papel”, composição de Sérgio Reis, gravada por Luiza Possi, em 2004. Ouvindo essa música, pensei do Freitas: “O editor é um Rouxinol”. 
 Os Notáveis Upeninos João de Souza e Antônio José Alves Vieira

Cantaram ainda a toada “Couro de boi”, composição de Tedy Vieira e Palmeira, gravada por Palmeira e Biá em 1954, uma música “muito triste” na avaliação do artista Freitas; a música sertaneja country “Deus e eu no sertão”, gravada por Victor &  Leo, em 2008, pela gravadora Universal, composição de Victor Chaves; e, “Diana”, composição do canadense Paul Anka, datada de 1957, na versão de Fred Jorge, gravada por Carlos Gonzaga, em 1958.
 O Dr. Alan e sua esposa

Intervalo do show. Início do jantar upenino. Sorteios de obras upeninas. Fotos com os convidados. Palavras de João de Souza sobre os projetos e atividades da entidade e sobre a importância do sarau para nos fazer parar de nossas correrias. Falou sobre a edição da revista “A Upenina” nº 5, concluindo  que “nós temos que ajudar a construir a história deste Município”. Concordo com meu confrade. 
 Os advogados Waldir Freitas e Izaias Resplandes. Foto: Dr. Toninho

Sem a UPE para resgatar as memórias vivas da gente poxoreana, elas jamais entrariam para a história; em pouco tempo seriam totalmente esquecidas. Nós estamos fazendo com que nossa memória se torne história. 
 A profª Sandra Rangel, Lourdes Resplandes, Maria Bianchin e seu esposo José Diomedes
 
Como o Dr. Toninho Nogueira, autor de “Primavera (com e sem flores) disse “eu só janto ouvindo música”, nossos convidados cantaram ainda “É por você que canto (The sound of silence), da lavra de Paul Simon, versão de João Viola e Cilinha, gravada inicialmente por João Viola, em 1984 pela gravadora Continental e, recentemente, por Leandro e Leonardo; 
 O artista Waldir Freitas. Foto: Dr. Toninho

A toada “Luar do sertão”, veio em seguida. É uma composição de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, datada de 1914, quando foi interpretada pelo cantor Eduardo das Neves, em gravação da Odeon; e, “Tristeza do Jeca”, composição de Angelino de Oliveira, apresentada pelo Trio Viquipi, formado pelo autor e mais dois companheiros, em 1918, gravada pela Orquestra Brasil-América em 1924 e, em 1926, por Patrício Teixeira.

Durante o intervalo para o jantar, os poxorenses também cantaram. Eliel Rangel e sua filha Heloísa (foto acima) interpretaram “Minha doce Poxoréu”, composição de Aurélio Miranda, gravada pela Chantecler, em 1980, por Tostão, Cruzeiro e Centavo. 


O “Cruzeiro” é nosso confrade upenino Aurélio Miranda (foto acima), que, a partir de 1983, seguiu carreira solo e consolidou seu trabalho em todo o país. 

Heloísa (foto acima) cantou ainda “Tocando em frente”, composta por Almir Sater e Renato Teixeira , gravada por Almir Sater, em 1992; e “Someone like you” gravada por Adele. 

Eliel Rangel (foto acima), por sua vez, cantou “Às vezes querendo”, composição de José Barreto e Adãozinho, gravada por Chico Rei e Paraná; e “Nova Yorque”, gravada por Cristhian e Ralph no ano de 2005, pela Warner. 
 Foto: Dr. Toninho

O upenino Amorésio Sousa Silva (foto acima) cantou “Como é grande o meu amor por você”, gravação de Roberto Carlos; “Você não me ensinou a te esquecer”, gravação de Caetano Veloso; “Gostava tanto de você”, gravado por Tim Maia; “Não chora meu amor”, de Martinho da Vila; e “Chão de giz”, de Zé Ramalho.
 Os convidados se tornam platéia para ouvir atentamente o cantor upenino Amorésio Souza Silva
Na parte final do sarau, Freitas & Prazeres retornaram e cantaram mais 14 músicas. O sarau terminou no começo da madrugada. Foi uma grande noite para reviver a música popular brasileira.
 O Notável Upenino Luís Carlos Ferreira ao lado do Vereador Valtércio Teixeira de Oliveira e sua esposa Terezinha Ramos
Como se chegou a um entendimento da dupla sobre quem seria o Periquito e quem o Rouxinol, pois ambos queriam ser o Rouxinol, ficaremos apenas com “Freitas & Prazeres, os Rouxinóis de Primavera”, que cantam e encantam com toda certeza. 
 O vereador João Joaquim de Oliveira e sua esposa Eliná

A UPE agradece aos amigos daqui e dalhures que prestigiaram mais esse evento, dentro das comemorações dos 25 anos de fundação da entidade.
 O cantor Eliel Rangel com o Notável Upenino Toninho Nogueira, a Profª Geni e o Notável Upenino Garibaldi Toledo de Moraes

Izaias Resplandes, professor e advogado é sócio-fundador da União Poxorense de Escritores.