sábado, 30 de abril de 2011

PEQUENOS TRABALHADORES DO BRASIL

Upeninos: Garibaldi Toledo, Genivá Bezerra, Luís Carlos Ferreira, Amorésio Silva e Márcia Nunes
Luís Carlos Ferreira




Pequenos Trabalhadores Do Brasil, Está Na Hora Do Recreio.
Depois Venham À Biblioteca Folhear As Páginas Pálidas
E Ver Crianças Esquálidas Que Não Conheceram Brinquedos.
Eram Simplesmente Escravas, Ou Crianças Dos Escravos
Sem Direitos A Folguedos... (Alguma Esperança Cálida);
Eram Crianças Esquecidas, Pobres Crianças Perdidas,
Sem Teto, Sem Lar E Sem Pão.
– Nem Sequer As Suas Súplicas Eram Tidas Como Válidas.
Nos Livros Estão Inscritas
As Memórias Da Infância Das Crianças Operárias
E A Labuta Missionária Das Crianças Jesuíticas,
Pois Os Jesuítas E As Crianças Tentaram Nesse País
Um Jeito De Ser Feliz – Com Teto, Com Amor E Com Pão.
Olhem Bem E Saibam Mais Cada Título Estampado:
Internatos E Cotidiano, Crianças E Criminalidade,,,
Genocídio De Crianças... É O Revelar Do Pecado
Que Recebemos De Herança,
A Partir Da História Trágico-Marítima Das Crianças Orientais.
Não Queremos Essa História Para Ilustrar Às Crianças:
Gentes Pálidas... Esquálidas... Tão Carentes De Esperanças.
Esta Não É A História Que Está Para As Crianças:
Sem Folguedos E Com Medo De Sua Própria Semelhança
Que Lhes Tiram Os Brinquedos, A Fé... Amor – Confiança...
A História Não Se Restringe Ao Que Viram Até Aqui;
Ela Tem Outras Passagens Que Vêm De Outras Paragens
Bem Mais Vastas... E Mais Belas.
Esta Parte Da História É Da Criança Que Chora,
Que Vive A Pedir Esmolas Na Escuridão Das Vielas.
Esta É A Trágica História Da Criança No Brasil
.. Mas, Encontrou-Se Uma Chance Para Lhes Servir O Lanche,
Até Três Vezes Ao Dia...
Não Mais Haverá Revanche E Não Mais As Tiranias.

DIA DO TRABALHO: UMA CRÔNICA APENAS

Escritores: Toninho Nogueira, Gaudêncio Amorim, JB Cavalcante e Izaias Resplandes


Prof. Gaudêncio Amorim
O 1º domingo de maio de 2011 é um domingo de paz, diferente daquele dia 03 de maio de 1886 em que na Chicago americana os confrontos contra as condições desumanas de trabalho e jornada estressante de 13 horas diárias influenciaria a história da humanidade e que mais tarde se tornaria data de comemoração do dia do trabalho, cuja reserva nos sugere repensar o mundo trabalho sob impacto da globalização na era capitalista.
Um pouco de história não faz mal, afinal, pensar os fatos sem uma referência é deixar nossa razão em ponto morto, como afirmava o filosofo alemão Imanuel Kant ou permanecer uma tabula rasa, conforme ensina o pensamento Lockeano.
Ademais, não podemos pensar algo sem o seu correspondente real e é neste particular a afirmação de Hegel, de que “a filosofia sempre chaga tarde”. Então vamos filosofar e para ser fiel a expressão, vamos “pensar no já pensado”, como Kant conceituara a filosofia. Pois bem: Naquela data, Milhares de trabalhadores protestavam e houve vários confrontos dos manifestantes com a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram, resultando na morte de diversos manifestantes. As manifestações e os protestos realizados pelos trabalhadores ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.
Em 20 de junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o mesmo dia das manifestações como data máxima dos trabalhadores organizados, para assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário. Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional.
Após a França estabelecer o Dia do Trabalho, a Rússia foi o primeiro país a adotar a data comemorativa, em 1920. No Brasil, a data foi consolidada em 1924 no governo de Artur Bernardes. Além disso, a partir do governo de Getúlio Vargas, as principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nesta data. Atualmente, inúmeros países adotam o dia 1° de maio como o Dia do Trabalho, sendo considerado feriado em muitos deles.
Pela história dessa data, não há como falar de trabalho sem nos atermos as lutas de classes e de formação do proletariado de inspiração socialista capitaneada por Karl Marx, principal teórico do socialismo científico a partir do seu “Manifesto Comunista” em 1848, com F. Engels.
É de se notar que mesmo sem a utopia corporativa e universal do socialismo, cujas experiências se restringiram a Rússia de Lênin e Josef Stalin, a partir de 1917 e a China de Mao Tsung em 1949 o socialismo marxista influenciou o dia do trabalho, já que suas idéias contra o modo de produção capitalista resultou nas reflexões da categoria nas internacionais, tendo como referência a segunda que instituiu o dia do trabalho e também o direito de greve, sobressaindo, mais tarde, as teorias do materialismo histórico dialético, proletariado, luta de classe, mais valia, as quais passaram subsidiar inúmeras correntes de pensamento. Por isso, afirmo que este dia é um dia de comemoração, não de descanso, senão pela memória inigualável do patrono Marx, mas pelas conquistas práticas a que chegaram suas idéias a partir do sec. XX, tanto no que se refere a liberdade de pensamento e ação, quanto as melhoria das condições de trabalho e na possibilidade real, apesar ainda da exploração e alienação do trabalhador, de uma mobilidade social ascendente ou ainda uma evolução da estratificação profissional e econômica.
Essa data é um marco do exorcismo dos velhos fantasmas que reduzia o ser humano à coisificação, uma matéria sem vontade, sem vida para uma relação menos opressora materializada no direito e sem a necessidade de lutar pelo direito de ter direito, mas de se cumprir o direito reconhecido e legitimado.
De alguma forma, o trabalho sempre esteve vinculado ao homem, mesmo durante o primitivismo histórico distante do trabalho assalariado imputado pela onda das revoluções industriais, cuja existência denotou os extremos da oferta e da procura sob o impacto do liberalismo inglês teorizado por Locke. O próprio Marx afirmava que o trabalho é digno do homem, não a exploração predatória da sua força de trabalho, como condenado ao castigo de não possuir os meios e instrumentos de produção e assim, de algum modo o trabalho nos espelha, basta observar a afirmação de Charles Schulz: “O que fazemos durante as horas de trabalho determina o que temos; o que fazemos nas horas de lazer determina o que somos.”
É, neste diapasão nossa reflexão, pequena é bem verdade, mas uma oportunidade para repensar os caminhos íngremes pelos quais passou o trabalhador na história da humanidade, seja qual for o trabalho, pois não o classificamos em tipos, mas ao ato de laborar, de fazer algo para reproduzir nossa existência ou melhorar a qualidade de vida ao patamar da dignidade humana, pois como afirma Elena Bonner: Assim com não existem pessoas pequenas na vida, sem importância, também não existe trabalho insignificante”.

Finalmente, à guisa de conclusão desta crônica, resta uma centelha de luz, esperançoso que a história do trabalho nos faça pensar, que utilizemos o descanso para descansar trabalhando o nosso pensamento, como um artesão que se preocupa em “como usar o tempo e não como passar o tempo, sem a triste constatação de Henry Ford, para o qual, “Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso.". vamos fazer do pensamento um lazer que, sem nenhum fardo pesado, possa nos dar prazer e leveza humana..
*Gaudêncio Amorim. Poeta. Escritor. Compositor filiado a UPE e Professor de Filosofia e Sociologia da E.E. Pe. Cesar Albisetti em Poxoréu.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Marcando Passos...

Foto: Wallace Rodolfo, Izaias Resplandes e Gaudêncio Amorim


*Gaudêncio Amorim

O processo de globalização iniciado no mundo possui os seus convenientes e inconvenientes, mas, por outro lado, expõe as comunidades e os próprios homens, enquanto seres existenciais socialmente organizados, à compreensão dos fenômenos de grandezas e dimensões variáveis para que, na condição de células sociais, partilhem e compreendam o mundo das idéias como na velha Grécia, assim o denominava o filósofo Platão. Todavia, de um mundo de idéias sensatas, racionais politicamente corretas e socialmente éticas, nunca um arroto do sentimento incontido ou de mágoas pessoais mal resolvidas. O mundo das idéias em que se apresenta esta idéia ainda é nebuloso, mas logo a iluminarei melhor. A princípio é uma idéia nebulosa, mas é também, a principio, uma idéia filosófica, única coisa incapaz de morrer no mundo das idéias. Por isso, toda idéia para ser inserida no contexto, precisa dos seus fundamentos, da sua história, sob pena de lhe ser impingida um caráter banal pela aclamação social. Assim, a dimensão histórica da globalização precisa ser aclarada, pois que nem sempre foi assim, ou seja, a globalização é um processo recente, tanto é que mesmo em franca proliferação do fenômeno em todo mundo, ainda existe comunidades fechadas, tribos em sistema de castas que não reconhecem o estreitamento das fronteiras políticas e culturais nem tampouco a pluralidade social como aspecto de um mesmo processo e, em tendência universal. A indiferença dessas comunidades e a incompreensão do fenômeno lhes trarão conseqüências desagradáveis e o preço do retrocesso, do atraso e de um incômodo lugar na retaguarda político-social e sobretudo, econômica. Lidar com a globalização requer um serviço de inteligência social materializada numa atitude para além dos discursos ouvidos e processados nos meios de comunicação. A globalização é uma realidade, quer reconheçamos ou não os seus efeitos. E. num futuro bem próximo, a crença da neutralidade ou da lamúria barata e retaliadora dos homens cederá lugar (forçosamente) para uma nova visão de futuro: a visão da história, da diversidade e do contexto que se explicitará na unidade, porém, com maiores avanços na direção da totalidade, da universalidade, numa visão que supera o homem e contempla o contexto social, econômico e político.


O reconhecimento a globalização, enquanto fenômeno universal, bom ou ruim, transformará os homens. E assim como este fenômeno estreita fronteiras aproxima os povos para uma convivência em direção da universalidade de tantos aspectos humanos, o homem tende a alargar os seus horizontes de compreensão da vida, da sociedade, da política e da cultura; tende, outrossim, a ser mais racional e menos emocional.

Isto posto, já posso falar do processo político de uma comunidade, entendendo suas vantagens e desvantagens pelo processo de globalização.


A política é matéria subjetiva, diz respeito as relações humanas e a lógica administrativa de uma sociedade, excluída a ótica de “pacto entre os iguais”.

Por essa razão, se não compreendermos a política como atividade imanente aos homens e transcendental a eles, é possível que nos restrinjamos aos deuses, monarcas, déspotas, absolutistas, legisladores, caciques etc.. como os verdadeiros heróis da história; como única atividade política e desconsidere a relação do e entre os homens, cedendo às retóricas, as promessas não cumpridas sem saber com clareza qual engodo é pior: se do político que passa, se do que se estabelece, restando nesse processo uma única coisa boa: a esperança no futuro. Cada vez mais esmorecida à medida que vivemos.

De maneira que a esperança no futuro precisa ser transformada em uma nova visão de futuro que parte da nossa vontade de mudança, mas não só; que reconhece as intenções locais, mas não só; que acata o novo como herói, mas não só. A visão de futuro não coloca o homem num processo de ostracismo e de egoísmo sem precedente ou de um orgulho insaciável incapaz de se reconhecer o óbvio dos seus gestos, que não compromete a si, mas todos, enquanto seres socialmente organizados. Não basta apenas a nossa vontade, é preciso reconhecer as outras; não basta apenas reconhecer as intenções locais é preciso ler o contexto regional, do Estado, do País e até de organismo internacionais, dos quais, economicamente, dependa o progresso local; não basta acolher “o novo” como salvador ou lenitivo para os males sociais e econômicos, é preciso compreender a possibilidade de alianças com “o velho”, com o diferente segundo a versatilidade do novo líder e assim por diante. A política não é mais “um negócio da china” no sentido da exploração social dos homens, mas uma ciência que desenvolve dos homens para com os homens estruturada na racionalidade dos próprios homens e não crença vã dos deuses, que heroicamente salvaria o mundo.

Precisamos superar a política dos coronéis, dos salvadores da pátria, das fórmulas mágicas de resolução de problemas sociais cancerígenos. Precisamos ver as coisas e a política como realmente elas são: sem romantismo e retóricas “calientes”. Caso contrário, continuaremos marcando passos, na retaguarda de outros.


Gaudêncio Amorim – 1º Vice-Presidente da União Poxorense de Escritores; pedagogo, Cientista político (UNIVAG), Pósgraduando em Gestão e financiamento da educação (UFMT) e diretor da Escola Estadual Pe. César Albisetti em Poxoréo- MT.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ZELO PELO CRÉDITO

Luís Carlos Ferreira

Neste Comércio Não Entre,
Porque Perderás A Bolsa E O Ventre.
Mas, Se Duvidas – Adentre...

Os Preços Estão Acima Da Média,
Cada Aviso É Uma Enciclopédia;
Os Produtos – Parecem Comédia.

Neste Comércio Ninguém Pechincha,
Porque Logo O Dono Rincha
E, Lá No Fundo, A Dona Relincha.

Nem Se Fala Em Venda A Prazo,
Aliás Faz Até Pouco Caso...
Tua Fala Vai Pro Fundo Do Vaso.

O Sistema É “Compra E Venda”
Sem Entrega Da Encomenda...
É Verdade – Não Te Ofendas!

Vá Comprar N’outro Local,
Onde Não Te Tratem Mal...
Não Alimente O Comércio Canibal.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

É tempo de acampar

Cachoeira do Lucas, em Poxoréu, MT.


* Izaias Resplandes

A cidade é maravilhosa, cheia de cores, cheiros, sabores... Encantos que sempre cabem nos bolsos e bolsas de cada um. É quase certo que se pode encontrar qualquer coisa que se procurar. Eu sou urbano. Embora tenha nascido no campo, aos dez anos eu fui viver na cidade e me apaixonei por suas luzes, pelo seu esplendor, pela beleza das magníficas construções e até pelo corre-corre de seu movimento.
Eu ainda me lembro de quando cheguei em Alto Araguaia, MT, na divisa com Goiás, nos idos de 1969, para estudar no Ginásio Pe. Carletti. Era tardezinha. Começava a turvar. Então, após uma curva da estrada eu avistei as luzes da cidade. Quantas luzes! Que coisa linda! Aquela imagem nunca mais se apagou da minha mente. Para mim fora como se estivesse chegando ao céu. Que encanto! Amor à primeira vista.
Dois anos depois eu fui à loucura. Nós nos mudamos para Goiânia, GO. Aquilo não era cidade. Era uma “coisa absurda”. Para todo lado que a gente olhava só se viam prédios e mais prédios, cada um mais alto do que o outro. Passamos vários anos andando a pé de um lado para outro, conhecendo aquela maravilhosa cidade. A gente só tem condições de conhecer uma cidade andando por suas ruas, becos e praças. Que comidas deliciosas, que cheiros, que perfumes! O Mercado Central era um dos meus lugares preferidos, mas eu também gostava do Parque Mutirama, do Jardim Zoológico, dos cinemas... Ali tinha de tudo que a gente pudesse imaginar. Eu amei Goiânia, casei com uma goiana, sou esmeraldino (torcedor do Goiás Esporte Clube) e daqui a alguns dias estará nascendo Davi, o meu neto goianiense.
Mas nada é para sempre. Até um amor pode ser substituído por outro amor. Só as idéias são eternas. A vida é volátil, passageira e está em constante mutação. Então eu saí de Goiás e vim para Poxoréu com a intenção de ficar. Meu Deus! Foi uma mudança radical. Esta cidade não tinha nada a ver com aquela. Sei que após a noite, vem o dia; que após a tempestade vem a calmaria, mas haja paciência.
Eu sofri bastante nos meus primeiros meses em Poxoréu. O ser humano vive fazendo comparações. E eu ficava irritado quando queria uma coisa e não encontrava aqui. Então eu ficava bravo com minha família que havia insistido comigo para que viesse morar nesta cidade. Eu dizia que não sabia onde estava com a cabeça para vir parar nesse buraco. E meus irmãos que já viviam aqui e gostavam do lugar, me escutavam de forma compreensiva, sem replicar, sabendo que o tempo haveria de me transformar. E assim aconteceu.
O tempo foi passando, passando... Comecei a tomar gosto por Poxoréu. Passei a apreciar seu relevo, seus morros, seus rios, sua gente... Fiz amigos, fui convidado para escrever. Primeiro, no jornal “A Seiva”, da Escola Pe. César Albisetti; depois fundei “A Gazeta do Estudante” e, através dela cheguei ao “Correio de Poxoréo”, um antigo jornal da cidade, fundado em 1939 por João José Freire, Joaquim Dias Coutinho, Joaquim Nunes Rocha e que já teve entre seus redatores, o historiador Jurandir da Cruz Xavier e o jornalista Weller Marcos.
Na medida em que eu escrevia sobre Poxoréu e para o povo da região eu fui amando cada vez mais essa cidade. Hoje, Goiânia já não me fascina mais do que o encanto de Poxoréu. Aqui existe a paz e o sossego divino. Há lugares maravilhosos, cada um mais lindo do que o outro.
Deus foi generoso com Poxoréu. Deu-lhe um relevo espetacular. Este é o lugar para se descansar do corre-corre da cidade grande sem quase sair da cidade. Esta é uma cidade rural, com excelentes recantos para se acampar, ouvir a voz da natureza, o canto dos pássaros multicores... Aqui é possível tomar banho de cachoeira (há tantas!), pescar de canoa no rio Poxoréu, descer de caiaque no rio das Mortes...
Então a hora é agora. Para esta semana santa e esse feriadão de quatro dias, não há nada melhor do que abraçar a terra, beijar a flor, cantar para a lua cheia e fazer uma seresta de amor para a natureza. Com certeza, esse é um dos melhores tempos para se acampar por aqui neste ano.

*Izaias Resplandes é advogado, gerente de cidades, professor e presidente da União Poxorense de Escritores.

O VIOLEIRO E A ESTRADA



O VIOLEIRO E A ESTRADA
Aurélio Miranda

NASCÍ PRÁ SER VIOLEIRO
UM POETA CANTADOR
SOU FILHO DE MATO GROSSO
NASCIDO NO INTERIOR
LA DAS TERRAS DE RONDON
ONDE O SOL TEM MAIS CALOR

SAÍ DE CASA MENINO
O MUNDO FOI MINHA ESCOLA
ME RALEI PRÁ TER SUCESSO
NO BRAÇO DESTA VIOLA.

CANTEI PROS DOIS MATO GROSSOS
BEM ANTES DA DIVISÃO
DE CUIABÁ A GOIÂNIA
EU JÁ FIZ TREMER O CHÃO
CAMPO GRANDE TRÊS LAGOAS
DOURADOS E REGIÃO
CANTANDO O BRASIL AFORA
PELAS FESTAS DE PEÃO.

GOSTEI DO CHÃO DE GOIÁS
DO SUL E NORTE DE MINAS
DE SÃO PAULO AO PARANÁ
EU FUI À SANTA CATARINA
LÁ NO RIO GRANDE DO SUL
ME ENTREVEREI COM UMA CHINA
FOI UMA PAIXÃO GOSTOSA
DE PORTO ALEGRE A LONDRINA.

ESTE PAGODE OFEREÇO
A TODOS OS RADIALISTAS
MEUS AMIGOS DA IMPRENSA
TELEVISADA E ESCRITA
QUE GOSTA DO SOM DA VIOLA
E DE UMA BOA ENTREVISTA
O LOCUTOR SERTANEJO
QUE FAZ CRESCER O ARTISTA.

http://www.vagalume.com.br/aurelio-miranda/chao-da-saudade.html#ixzz1K1vY95bU

terça-feira, 19 de abril de 2011

Homenagem ao José Nunes Farias


Upenino Edinaldo Pereira (foto)

Morre-se.

Essa é a grande verdade pra quem vive.

E assim, prematura e repentinamente, no fim do dia 08/04/2011, partiu o amigo, o pai, o companheiro, o irmão, o tio, o músico, o colega de escola José Nunes Farias.

Sua existência terrena não se passou em brancas nuvens, nem adormeceu em plácido repouso. Viveu! Amou e sofreu seus amores, animou tantos de nossos carnavais, instruiu tantos alunos da fanfarra da escola Poxoréu, fez felizes a todos nós com suas piadas intercaladas nas conversas sérias.

Assim era o Zé Nunes: uma alma inquieta!

Seus fantasmas o levaram para o que lhe degradaria o corpo, mas nunca houve quem pudesse dele dizer que não fosse de um caráter extremamente honrado.

Há poucos dias, preocupava-se com a educação do filho (meu aluno) e passamos um tempão conversando sobre os áureos anos na Escola Poxoréu. Peripécias de adolescentes.

Quis o destino que eu não tomasse conhecimento de seu falecimento em tempo hábil para prantear seu corpo na companhia dos outros tantos amigos e familiares, nem fosse presença em seu sepultamento. Assim, tenho apenas as imagens de um Zé Nunes vivo, por vezes doído, acabrunhado, mas um ser humano com H maiúsculo, com esperanças e sonhos.

Hoje, enquanto cobre-nos a tristeza de sua falta, a Escola de Samba Estrela D'Alva do Céu ganha mais um componente. Mais um treme-terra ecoa nos trovões pra avisar que um novo ritmista ingressou no mais sublime dos batuques. Chegou o Zé! Vai fazer barulho com os saudosos Rafael Martins e sua cuíca, com Vanderley (Pica-Pau) e José Soares (Zezinho). Todos nós que ainda tocaremos outros carnavais honraremos a mesma bandeira que lhe cobriu o caixão até que nosso ingresso seja aceito no céu dos sambistas. Faça boa companhia ao Renato Feitosa, nosso saudoso colega da turma de 1986.

Nesses troféus que você, Zé, ajudou a conquistar como percussionista, fica o nosso agradecimento eterno pela alegria que proporcionou a milhares de foliões.

Até logo, companheiro!

Saudades de todos os que te foram queridos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Rompendo as Correntes.


* Gaudêncio Amorim (foto).




“A liberdade é algo que não se decreta porque ninguém liberta ninguém e ninguém se liberta sozinho” dizia Torres Nóvoas (1979) se referindo a educação libertadora de Paulo Freire.

As pessoas se libertam na conquista de sua prática de liberdade, seja resultando de um exercício consuetudinário, de uma atitude emancipadora de si mesmo em relação aos outros, de um exercício legal da razão e dos atos, seja enfim, resultado do conhecimento manifestado na ação, ou seja, daquele que pratica porque sabe dos seus direitos e, uma vez negado, sabe também como restabelecê-los.

Houve um tempo em que a liberdade era decretada, dependendo assim da vontade de outrem. Em nome de uma vontade pessoal, tilintar de açoites faziam minar rios de sangue em homens com direitos ignorados à margem da cidadania; correntes frias e cálidas cingiam um pacto polarizado de uma raça superior contra uma outra inferior ou, dos cidadãos e dos não cidadãos, dos que tinham direitos e dos que tinham apenas deveres.

O sonho de liberdade de muitos que ousaram conquistá-la se coroaram na sua própria sentença de morte, porém, era preciso ousar, porque jamais os cidadãos daquelas épocas concediam uma liberdade por decreto. Por outro lado, os homens eram escravos de si mesmos na correlação das forças através do medo de liberdade. Todos desejavam, mas a sua busca estava envolta num terreno minado e entre a liberdade e a vida, esta última impunha o temor. Todavia, a razão humana dos “quase subumanos” tomou proporções mais racionais à medida em que compreenderam a máxima do Torres Nóvoas: de que ninguém se liberta sozinho. E, é assim que as revoltas localizadas forjaram a liberdade, como conseqüência não de uma outorga do setor dominante ou de um decreto governamental, mas de uma conquista coletiva.

É isso. Hoje o medo ainda atemoriza algumas atitudes, mas não é mais o medo da liberdade. As correntes já foram rompidas há alguns séculos. O medo de liberdade é resultado da insegurança do se sabe sobre a própria liberdade, ou seja, da falta de conhecimento que ainda aliena os homens e os torna míopes no que se refere aos seus direitos humanos e constitucionais.

· Gaudêncio Amorim – Presidente da União Poxorense de Escritores; pedagogo, Cientista político (UNIVAG), Pósgraduando em Gestão e financiamento da educação (UFMT) e diretor da Escola Estadual Pe. César Albisetti em Poxoréo- MT.

domingo, 17 de abril de 2011

ZUN-ZUN-ZUM


Upenino Luís Carlos Ferreira (foto)

Esmeralda Se Esmera,
E Espera Esmeraldo...
Esmeraldo,
Que É Ex De Mera,
Se Esmera Para Ada,
Que Era O Amor De Aldo.
Porém, Ada Se Esmera,
Sonhando Com O Amor De Ado,
Que Se Apaixonou Por Alda.
Mas, Alda Ama Esmeraldo,
Que Nem Pensa Em Esmeralda...

Jornal “O Upenino”


A UPE publica o jornal “O Upenino” desde setembro de 1990 (nº 1). Em 21/12/2010, publicou a edição nº. 21. Já são vinte anos de registros culturais do que acontece e se produz no Município de Poxoréu.


A edição nº. 1 trazia na capa a matéria intitulada “O 7 de Setembro”, escrita por Izaias Resplandes de Sousa, então Secretário Geral da UPE. Naquela matéria, o autor expôs suas idéias sobre a independência do Brasil. Considerou o entendimento simplista das crianças de que no dia 7 de setembro de 1822, pela bravura de Dom Pedro I, o Brasil se tornara independente de Portugal. E avançou no entendimento de que a independência do Brasil é uma luta histórica e que deve ser incentivada pelas lideranças. Segundo o escritor, o 7 de setembro precisa ser marcado com movimentos que lembre a importância dessa luta para a construção da nossa identidade. O jovem precisa de um momento para dizer que ama o seu País e está disposto a fazer o seu melhor para que ele seja de fato independente.

O prof. João de Souza, Secretário Geral da UPE, durante a reunião da entidade realizada em 17/04/2011, falou sobre a importância do jornal O Upenino para a cidade de Poxoréu. Ele é um veículo confiável de transmissão da cultura deste Município para as gerações futuras. Na mesma data, a entidade decidiu envidar esforços para editar uma edição do jornal a cada bimestre, devendo a edição de nº 22 ser entregue à comunidade até o dia 30 de junho de 2011.

A Coordenação Editorial do Jornal “O Upenino” ficará a cargo do Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (Editor) e do Prof. Edinaldo Pereira de Souza (Co-Editor).

Estaremos aguardando ansiosamente a chegada dessa nova edição.

É o que me interessa

A UPE reiniciou suas atividades acadêmicas neste dia 17 de abril de 2011, com uma reunião na Casa Upenina de Izaias Resplandes, o Presidente da entidade. Estiveram presentes os seguintes Notáveis: Zenaide Farias, João de Souza, Gaudêncio Amorim, Luís Carlos Ferreira, Edinaldo Pereira, Amorésio Silva e Izaias Resplandes.


Na ocasião a jovem Mariza Resplandes cantou a música "É o que me interessa", de Lenine (vídeo abaixo).


As idéias são eternas

Upeninos reunidos em 17/04/2011: Luís Carlos Ferreira, Wallace Rodolfo, Edinaldo Pereira. Gaudêncio Amorim (em pé); Izaias Resplandes, Amorésio Silva, João de Sousa e Zenaide Farias (sentados).




A alma. O termo deriva do latim “anima” e se refere ao princípio que dá movimento ao que é vivo, que é animado ou o que faz mover. Aristóteles escreveu “Da Alma”, uma obra em defesa da alma e de suas implicações com o mundo físico.

O upenino. A palavra é derivada da sigla UPE (União Poxorense de Escritores), sendo utilizada para designar o membro dessa confraria, criada no Município de Poxoréu, MT, em 31 de março de 1988, com a finalidade de atuar em defesa da arte e da cultura. O upenino é o ser que encarna essa idéia, que vive e luta para transformá-la em realidade, valendo-se, principalmente da palavra, sem prejuízo de outros instrumentos da produção humana.

A palavra. É eterna. É a alma do escritor. É a essência da imortalidade upenina. Segundo um provérbio chinês: “há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Pela palavra Deus fez o universo. Ele apenas dizia: HAJA! E as coisas aconteciam. Jesus ressuscitou morto e levantou paralíticos pela palavra: Dizia ele: Levanta-te! E o morto retornava à vida; e o paralítico voltava a caminhar. A palavra é o poder da criação e da destruição. Por ela nós damos existência a mundos extraordinários, habitados por seres poderosos. Segundo Rousseau, a palavra tem três funções: remédio, veneno e cosmético. É nesse sentido que a usamos para criar céus, purgatórios e infernos.

Segundo Platão, apenas aquilo que existe no mundo das idéias é perfeito. Platonista, defendemos que o perfeito é a idéia e o mais que perfeito é aquele que a defende e que acredita em sua potencialidade. Deus é o Upenino-Mor, o Senhor de todos nós que usamos a palavra nos versos, nas prosas, nos poemas, nos romances, nas músicas, na arte como um todo. Seus discípulos, nós somos deuses em potencial e vivemos para dar vida às nossas idéias e inspirações.

A alma upenina é o princípio que nos anima em nossa missão; é a idéia de que nada é impossível no campo das idéias. As rosas falam com o pequeno príncipe de Exupéry. Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia e uma noite mostra sabedoria a outra noite, registra o Salmo 19 de Davi. Nós criamos e reinventamos mundos conforme o modelo das eternas idéias. Lobatos, nós nos transformamos em Américos Pisca-Piscas e colocamos jabuticabas nas aboboreiras e abóboras nas jabuticabeiras. Ainda que algumas criações sejam bizarras, nós criamos, criamos e criamos. Essa é a nossa sina: transformar em obras cada vez melhores para todos as perfeitas idéias eternas.

Ao falar sobre a missão upenina, o Notável Upenino Luís Carlos Ferreira disse que “é preciso continuar o que vínhamos fazendo e avançarmos ainda mais”. E isso será possível, se realmente acreditarmos nessa idéia. E crer na potencialidade da idéia é a nossa vida.

Izaias Resplandes. Advogado e Professor de Matemática é o Presidente da UPE – União Poxorense de Escritores.

domingo, 10 de abril de 2011

O pequeno valente Toninho Nogueira

Foto: Eliel Rangel, Toninho Nogueira, Vereador Jailton Xavier (Poxoréu) e Vereador Felipe Nogueira (Primavera)

* Izaias Resplandes.

Acabei de ler “Primavera (Com e Sem Flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano”, do sul mato-grossense José Antônio de Castro Leite Nogueira, o “Toninho”, um homem de pequena estatura física, mas de uma valentia invejável, a qual transpira nesse seu livro de crônicas políticas, onde narra, de forma pitoresca, a sua trajetória em Primavera do Leste, desde o ano de 1983, até a eleição de seu filho Felipe Nogueira, em 2008, para a legislatura 2009-2012.

Lembrei-me do rei Davi, segundo rei de Israel. Era um jovem de baixa compleição, mas de uma bravura a toda prova. Estando Israel em guerra contra os filisteus, estes lançaram um desafio homem a homem: um filisteu contra um israelita. O que vencesse garantiria a vitória ao seu povo e os demais se renderiam. E os filisteus apresentaram Golias, um guerreiro gigante. Ao vê-lo, os homens de Israel tremeram de pavor ante a hipótese de enfrentá-lo. Todavia, o pequeno Davi não recuou e se apresentou como voluntário para a luta. E ainda dispensou a armadura do rei Saul e suas armas, enfrentando o gigante apenas com uma funda e cinco pedras em seu boldrié, vencendo-o com certeira pedrada no meio da testa e cortando-lhe a cabeça com sua própria espada.

Toninho enfrentou os gaúchos de Primavera quando estes estavam começando a construção de sua cidade no cerrado mato-grossense. Certamente não foi fácil para ele ouvir de Adevino Castelli “Castelão” a dura crítica que este lançara-lhe ao rosto quando fora nomeado para o cargo de Gerente da CASEMAT: “Não sei o que tu tá fazendo nesse lugar, ocupando um cargo que deveria ser de um gaúcho”, conforme registra em sua “Recepção Calorosa” à pag. 13 do livro. Que recepção!

Ainda dá para imaginar a situação do escritor diante do “Dr. Faissal, um soberbo delegado de Rondonópolis” destacado para atender às eleições de 1988, em Primavera do Leste. Naquela ocasião, de acordo com o relatado em “Boca de Urna” (pág. 20), Toninho, pego fazendo boca de urna pelo “sargento Roberto, um rotundo policial que àquela época comandava o destacamento local da PM”, fora levado ante o delegado com os bolsos cheios do dinheiro para a boca de urna. Diz o escritor que “suava frio, pensando na hora em que descobrissem o dinheiro em seus bolsos”. Foi muito interessante a forma com que se safou.

O livro traz diversas narrativas das situações difíceis enfrentadas de forma brilhante por Toninho Nogueira. Mas, dentre essas, duas mais merecem um destaque especial.

Em “Constrangimento” (pág. 33), Nogueira conta como teve que lutar corporalmente com o vereador Edeilto Machado e seus irmãos, por conta de um disse-me-disse iniciado por uma declaração maldosa do então vereador Angelim Baraldi. Segundo este, Edeilto teria acusado Toninho de ter sido beneficiado com a venda de uma escola da cidade. Toninho não gostou da “declaração” e ocupou a Tribuna da Câmara, de onde revidou o ataque, sem saber que tudo não passava de uma armação baraldiana. Edeilton não concordou com o revide, quis ir à forra e o pau quebrou. Mas, apesar de estar em desvantagem, o Toninho não fugiu à luta.
O outro episódio destacado é o caso de “As botinas são minhas” (pág. 87). Nesta história, o escritor enfrenta o ladrão de botinas em plena rua, quando “morava na cidade [de Primavera do Leste] havia apenas 30 dias”. Quando lia esta crônica, ficava imaginando o Toninho imobilizando “o gatuno”, prendendo-o ao chão do lado da cabeça, esmurrando-o, enquanto sua esposa Rosângela estava sentada “sobre as pernas do infeliz retirando-lhes as botinas”.
Em todas essas situações, foi preciso mesmo muita coragem para enfrentar a adversidade. De forma que Toninho, como o rei Davi, embora seja um homem pequeno de estatura, sempre foi muito corajoso, seja quando enfrentou as situações descritas, seja muito mais quando não teve o receio de recontá-las para todos nós neste seu também pequeno grande livro de crônicas. Que outras surpresas ainda nos trará Nogueira? Só o futuro dirá. Aguardemos.
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* Izaias Resplandes de Sousa, advogado com atuação nas Comarcas da região de Poxoréu, é pedagogo e professor de Matemática na rede pública estadual de MT.

sábado, 9 de abril de 2011

Educação democrática


Prof. Izaias Resplandes


A educação é a salvação do mundo. Ela é responsável pela transmissão dos saberes, seja de pai para filho, na chamada educação de berço e que é muito importante para todos nós, seja na educação escolar, onde os pais recebem o apoio de professores preparados para ensinar as artes das ciências nas quais se formaram e se especializaram.








quarta-feira, 6 de abril de 2011

As escolas demais e os gênios de menos

* Izaias Resplandes.

Em todos os tempos, a sociedade foi, proporcionalmente, a mesma. Uma pequeníssima parte se compõe de pessoas geniais, criativas, interessadas em pesquisar e conhecer novas formas de fazer as coisas. Essas poucas pessoas foram aquelas que inventaram toda essa parafernália tecnológica que a todo instante muda o nosso jeito de fazer acontecer. Essa é uma gente que pensa, que age e que faz! Do outro lado, há uma grande maioria, muito útil para testar as novas descobertas, para saber se elas realmente funcionam. Essas são pessoas simples, da média para baixo, gente que se encontra em toda esquina e que aos milhares se acotovelam por aí, brigando por qualquer coisa, ainda que insignificante seja. Ontem foi assim, hoje também e amanhã não será diferente. Só para raciocinar. Se em um instante do início tínhamos uma razão de um para dez de geniais para comuns, com o passar do tempo, multiplicando aquela razão inicial por cem, teríamos cem geniais em cada mil pessoas. Projetando essa proporcionalidade sobre a população mundial atual, veremos que hoje teríamos uma razão de 900 milhões de geniais vivendo em um universo de 9 bilhões de pessoas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Primavera (com e sem flores)

Em que pesem as chuvas continuarem a cair insistentemente sobre Poxoréu, o clima neste início de abril de 2011 foi bastante agradável nesta cidade.

Diziam que era "o dia da mentira", mas o que tivemos foi um dia de grandes verdades, reveladas através da pena inspirada de Toninho Nogueira. Ocorreu que, na data aprazível a população presente no Plenário da Câmara Municipal Vereador Tarquínio Soares e Silva teve a satisfação de adquirir em primeira mão e devidamente autografado, o primeiro livro do Dr. José Antônio de Castro Leite Nogueira, intitulado “Primavera (com e sem flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano”, além de ouvir uma avaliação da obra feita, não apenas pelo autor, como também por seus convidados.

A sessão solene para o lançamento do livro foi organizada pela UPE – União Poxorense de Escritores, em parceria com a Câmara Municipal de Poxoréu. Na ocasião o escritor Toninho, como é popularmente chamado, falou dos motivos que o levaram a escrever a obra, a qual, na verdade, há muito tempo vinha sendo escrita.

As histórias contadas pelo autor são acontecimentos de ontem e de um hoje bem próximo. Toninho fala da família, dos amigos e até dos não muito chegados, mas sempre com perspicácia, cortesia e muito talento, de forma que todos certamente se deliciarão com a leitura do livro, que, dificilmente, passará além do primeiro fôlego.

“Primavera (com e sem flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano” foi prefaciada pelo escritor Celso Antunes, autor de mais de 240 livros, entre didáticos e paradidáticos, os quais têm sido traduzido para diversas línguas. Segundo o prefaciador: “o livro do Toninho não deixa de ser a História ensinada na Escola, ao relatar tempos idos de primaveras que viraram nome de cidade. É história verdadeira, ciência e método colhido desse lindo documento, que é a vida que se viveu”.

O livro começa falando dos embaraços aos primeiros passos do autor na cidade de Primavera do Leste, no ano de 1984, quando ali ainda predominava uma população de gaúchos. E termina contando o encantamento de Primavera com a família Nogueira, ao eleger o Dr. Felipe Nogueira para ocupar uma das nove vagas do Legislativo local. Toninho conta essa história com muito amor no coração. Dá para sentir as suas lágrimas de emoção, as quais ele tem dificuldade de conter quando fala na brilhante trajetória política do filho que chegou a um patamar aonde ele mesmo até hoje ainda não chegou, o que o faz verdadeiramente feliz e agradecido ao povo de Primavera do Leste.

Há muitas outras histórias contadas no livro e outras ainda por contar. E, para aqueles que já degustaram esse delicioso petisco e estão ansiosos por mais, o autor diz já estar trabalhando em outros escritos, com novas crônicas. Aliás, ele diz que não consegue parar de escrever. E nisto ele está certo, porque escrever é mesmo um vício. O difícil é começar. Mas depois que se toma gosto, aí o difícil mesmo é parar.

Na condição de Presidente da UPE – União Poxorense de Escritores, temos a satisfação de recomendar a leitura de “Primavera (com e sem flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano”, do escritor Toninho Nogueira. A obra é um, verdadeiramente, um diamante de grande valor para o acervo da literatura regional mato-grossense e que, sem dúvida será uma fortuna nas vidas daqueles que a adquirirem.


Izaias Resplandes

Escola com aluno e aluno com escola



Prof.Gaudêncio Amorim


A pedagogia moderna, assim como as pedagogias, ao longo da história brasileira, modela-se e remodela-se, conforme o paradigma da época, adaptando-se as correntes intelectuais que mais se identifica, porém, com ênfase no modelo ideológico vigente que a inspira ou fundamenta.


É verdade que em todos os momentos históricos, a pedagogia demonstrou imensa preocupação com a formação intelectual dos educandos, mas é também verdade que ela se curvou frente á imposição capitalista do modelo neoliberal, embora a maioria dos profissionais que a praticam não se dão conta do fenômeno e, por isso mesmo, a legitimam o que, também, é aceitável tendo em vista as regras estruturais impostas pelo próprio sistema, afinal é muito mais cômodo seguir a correnteza do que lutar contra.


É de se considerar que até o governo Lula, a educação brasileira viveu os paradigmas dos acordos internacionais e a eles se sujeitavam, haja vista a subordinação natural da relação econômica com a elite dominante, caracterizada pelo poderio do Fundo Monetário Internacional que, entre outras obrigações, exigia a diminuição do fracasso escolar, público e notório entre os alunos egressos de famílias dos estratos populares de baixa renda; No 2° mandato do governo Lula tal exigência não se impunha, pelo menos com o vigor de antes, já que a dívida externa, típica do subdesenvolvimento e característica principal da dependência econômica de países desenvolvidos estava controlada; já não crescia ao patamar da dependência absoluta em comparação com os períodos anteriores da história brasileira desde de Dom João VI, o qual endividou-se com bancos ingleses e sobreviveu dos acordos econômicos com a Inglaterra, desde a proteção da Marinha Inglesa a sua comitiva em 1807, quando fugia das tropas de Napoleão Bonapart.


Já está provado que a tática educacional de premiar e punir não educa ninguém e se assim agirmos, muito provavelmente, reataríamos a educação dos sofistas como “mercadores do conhecimento” e postando nossa didática na contramão da difusão do verdadeiro conhecimento (no sentido da amplitude), matando todos os Sócrates (como fizera os Sofistas) e fazendo com que nossos alunos permaneçam presos à caverna platônica, ignorando a luz e se dando por satisfeitos com as sombras que povoam seus olhos na longevidade dos seus dias, e nós, orgulhosos (ou não ) do nosso ofício, fingindo que ensinamos enquanto os alunos, pelas estatísticas fingiram que aprenderam.


A educação, para ser justa, necessita da produção de iguais, pelo menos uma cópia pálida de um DNA de conhecimento com uma mutação pelo menos equivalente ou ainda melhor que os intelectuais de nossa época. Senão assim, é provável que vislumbraremos a centelha de luz, cada vez mais distante no horizonte, marcando passos no conhecimento proximal ou então, um conhecimento que, no estágio para conhecimento verdadeiro, tornou-se o próprio produto do conhecimento, dando-nos por satisfeitos, sem esperanças, céticos, numa dimensão egoísta como se dissesse: “não está bom para todos, mas está bom para mim”.


Nunca foi tão propalada a necessidade da majoração estatísticas das aprovações. Com efeito, este é um estágio que, face do desenvolvimento econômico e tecnológico a que chegou nosso país não mais se justifica, antes, já não era procedente a conduta da punição dos alunos com o fracasso escolar, embora pudesse aceitar o fenômeno, entre os vários condicionantes, com pelo menos duas vertentes: uma, de origem econômica, assentada na produção primária de um país ainda muito subdesenvolvido, outra, na formação dos intelectuais, eivado dos vícios que determinavam a punição para aqueles que não logravam êxito frente às exigências do mercado dominante, de modo que sobressaia-se, uma pedagogia reprodutiva do sistema e, em pouco ou quase nada colaborava para emancipação do educando. Entretanto, hoje, é de se exigir que o sucesso escolar não seja demonstrado apenas na variação numérica, na majoração matemática, indicada de forma estanque por um número crescente, como se os números explicassem tudo, como afirmara Pitágoras, no Sec. VI a.C. É preciso inquietar-se com a qualidade estatística que cresce, ou seja, com a dimensão espacial do número e com a possibilidade de transformação dos espaços ocupados por eles.


Explicar a educação pelo crescimento estatístico pode ser um vôo solitário se as ações daqueles que o demonstram não puderem espelhar tais resultados na expectativa social ou se, por outro lado, constatarem que o pouco conhecimento que adquiriram ainda se constitui uma alavanca frágil na concorrência com o Capital, marcado pela excelência do TER.


Assim, se o teor acima fizer sentido para uma reflexão preliminar de nossas práticas, não exalando como éter que se dissolve na oposição do ar, é possível produzir uma discussão capaz de evoluir de uma escola com alunos para alunos com escola.


Gaudêncio Amorim, 1º Vice-Presidente da UPE (gestão 2011/2012) é Professor de Filosofia e Sociologia da E.E.Pe. Cesar Albisetti, em Poxoréu, MT.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SOU ASSIM.


PROF. LUIS CARLOS FERREIRA


Imagino que sou uma árvore. Cada folha que de mim desprende, cairá próxima à raiz, tornando-se adubo para o vigor da planta. Pois assim é o meu viver: Os dias vividos são como folhas caídas, reforçando como adubo, a raiz que sustém o caule, que ostenta os galhos, que são canaletas para o transporte da seiva para novas folhas e flores e frutos! Sempre um novo alvorecer! Aqueles que estão à minha volta, são como ribeiros, ou ventos necessários... ou como se fossem as intempéries... Entretanto, árvore frondosa, roseiral florido, arvoredo de frutos cobiçados, cabeça erguida... passos determinados... sentindo pena das ervas daninhas, ervas rasteiras que não crescem à sombra e, ao relento, não sobrevivem do sol e da chuva. Ao contrário, plantas frondosas formam comigo o cenário querido dos pássaros!

sábado, 2 de abril de 2011

Circuito Alternativo Abraço da Viola

Preocupado com a crise instalada entre o Poder Público Municipal e o Sindicato Rural de Poxoréu, no que se refere ao Encontro de Violeiros, o Upenino Batistão publicou em seu Blog (http://www.pox.zip.net/) um vídeo datado de 31/03/2011, apresentando as boas condições da Concha Acústica localizada na sede do Sindicato Rural, demonstrando que a mesma se encontra em condições de abrigar não somente o "Encontro de Violeiros", mas qualquer outro evento do mesmo porte. A partir desse vídeo, conclama a Prefeitura para a promoção do entendimento, no intuito de que a festa dos violeiros seja realizada naquele espaço, o qual foi construído especialmente para finalidades como essa.

Permanecendo a recusa da Prefeitura de Poxoréu em aceitar a oferta do Sindicato Rural para que o Encontro de Violeiros seja realizado na Concha Acústica, nosso confrade propõe uma mobilização popular para organizar e realizar o Circuito Alternativo Abraço da Viola - um encontro paralelo ao encontro oficial -, o qual aconteceria no sábado, 30 de abril de 2011, durante o dia, das 9 às 18 horas, com cantores da região – e, quem sabe, com a colaboração e participação especial do grande violeiro Aurélio Miranda e convidados. Segundo ele, os custos do evento seriam bancado com patrocínios privados, com locação de espaço para restaurante, lanchonetes e barracas do artesanato regional. Seria uma boa oportunidade para mostrarmos harmonia e união, além de divulgar as belezas naturais, a arte e a cultura do nosso povo, e, também, manifestarmos nosso desagravo com a falta de respeito das autoridades públicas municipais intransigentes, que insistem em usar o poder público sem dar satisfação ao povo.


Mais informações podem ser obtidas no BlogPox http://www.pox.zip.net/

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O mais novo Imortal

Uma mistura de passado, presente e futuro; um pouco de anjo e demônio; a mescla de santo e pecador; a fusão de Zeus e Deus; a união de amor e ódio. Um homem sem público, mas com prazer em escrever, ainda que ninguém leia. Um homem apaixonado, extremamente apaixonado, loucamente apaixonado, por tudo, até por essa condição de ser humano!


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Fonte: http://wallacerodolfo.blogspot.com/2011/04/imortal.html#comment-form

O Notável Wallace Rodolfo Pereira da Silva

Na manhã deste 01/04/2011, em sessão solene realizada no Plenário Tarquínio Soares e Silva da Câmara Municipal de Poxoréu, a UPE, por unanimidade recebeu como seu mais novo Notável, o escritor Wallace Rodolfo Pereira da Silva.

O jovem upenino teve seu pedido de ingresso feito pelos upeninos Gaudêncio Amorim, João de Souza, Izaias Resplandes e Luís Carlos Ferreira. Além de excelente declamador (inclusive declamara minutos antes da apresentação um lindo poema de Gaudêncio), Wallace acaba de ter uma de suas produções aprovadas e publicadas na Revista Africa e Africanidades - Ano III, Nº. 12 - FEv. 2011., cujo resumo segue abaixo. Além disso, o artigo pode ser lido na íntegra no link indicado ao final.

A Diretoria Upenina dá as suas mais cordiais boas-vindas ao novo membro.

MULTICULTURALISMO E MINORIAS NEGRAS: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA PARA A EDUCAÇÃO

RESUMO: Este texto tem como objetivo discutir a questão da formação da identidade, a negociação da cultura e da diferença, questões trazidas para dentro do espaço escolar. A pesquisa, de cunho bibliográfico, se baseia na reflexão e análise das idéias contidas nas obras dos autores pesquisados. O sistema escolar está pensado para homogeneizar as pessoas e/ou culturas. Não existe ainda uma educação que insira, de forma séria, em seu currículo, uma formação para se trabalhar com a diversidade cultural, é esse o ponto de partida da discussão proposta neste texto. As minorias vem sendo, cada dia mais, massacradas; os seus direitos são violados; as suas conquistas não são respeitadas. Apesar de reconhecer a existência de muitas minorias, a discussão desse artigo se focará na questão dos negros. Eles, que são os maiores construtores dessa terra, aqueles que mais contribuíram para o seu crescimento, vivem hoje à margem da sociedade, oprimidos pelo sistema, oprimidos pelo preconceito. Nos livros de história só são lembrados pelo trabalho compulsório, escravo; nas novelas só os apresentam como bandidos, empregados “engraçadinhos”, ou como políticos ricos e corruptos; não ensinam o seu culto, a sua religião, pois é “coisa do diabo”, o único culto válido, mesmo na escolas públicas, é o culto judaico-cristão. Os autores analisados para a construção desse texto apontam a educação multicultural como uma forma de combater as representações negativas que circulam em diferentes contextos e de desenvolver uma educação e um currículo que valorize as diferenças.

Palavras-chave: Cultura, diferença negra, educação.
Leia mais em: http://www.africaeafricanidades.com/documentos/12022011_18.pdf

Alunos prestigiam eleição da UPE

Os alunos do 2º ano matutino da Escola Pe. César Albisetti, acompanhado por sua Diretora, a Profª Juscinéia Teixeira e por sua Coordenadora Pedagógia, a Profª Adjair Pereira de Miranda estiveram presentes neste 1º de abril na eleição da 24 Diretoria da UPE - União Poxorense de Escritores, atendendo ao convite formulado pelo Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, então Presidente da UPE (da 23ª Diretoria) e Prof. de Filosofia da referida unidade escolar.

Também estiveram presentes os alunos do 9º ano da Escola Ce. Júlio Müller, devidamente acompanhados pela Profª Suizi Ana Fernandes, Coordenadora Pedagógica da Escola.

A UPE, através de sua 24ª Diretoria, ora eleita, agradece aos alunos que honraram a entidade e seus membros participando desse evento simples, mas singular.

O processo eletivo na UPE é tão democrático que todos os membros são candidatos natos, podendo ser votados, independente de sua manifestação nesse sentido. A votação é secreta; todos os upeninos votam. O Presidente leito, Prof. Izaias Resplandes, disse ter sido pego completamente de surpresa, pois jamais imaginava ser escolhido pelos seus pares, inclusive porque apoiava outro companheiro. Mesmo assim, assumiu a Presidência com o desejo de oferecer o seu melhor em defesa da arte e da cultura deste Município.

Na ocasião, a aluna Amanda, da Escola Cel. Júlio Müller, declamou uma poesia do upenino Gaudêncio Amorim, intitulada "O dia da mentira", sendo bastante aplaudida.

UPE ELEGE 24ª DIRETORIA


A União Poxorense de Escritores - UPE, fundada em 31 de março de 1988 elegeu na manhã deste 01/04/2011 a sua Diretoria Executiva para o próximo ano. A sessão ordinária foi presidida pelo Vereador Leônidas Machado Barcelos, Presidente da Câmara Municipal de Poxoréu, MT. Várias autoridades de Poxoréu e Primavera do Leste estiveram prestigiando o evento, como o Vereador Felipe Nogueira - Presidente da Câmara Municipal de Primavera do Leste, MT, o escritor José Antônio de Castro Leite Nogueira - autor do livro "Primavera (Com e Sem Flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano; o Verador Wellington Rosa Campos - Vice-Presidente da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMT), o Vereador Jailton Costa Xavier, advogados, professores, alunos das Escolas Pe. César Albisetti e Cel. Júlio Müller e populares.

O evento aconteceu no Plenário da Câmara Municipal de Poxoréu, tendo sido eleito os seguintes upeninos: Prof. Izaias Resplandes de Sousa - Presidente; Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim - 1º Vice-Presidente; Prof. Genivá Bezerra - 2º Vice-Presidente; Prof. João de Souza - Secretário Geral; e Prof. Luís Carlos Ferreira - Tesoureiro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Vigésimo Quarto Ano Upenino


Quem diria! Quem diria que daquela reunião singela realizada no dia 31 de março de 1988 na Casa da Cultura de Poxoréu pudesse sair alguma decisão duradoura! Poucos acreditariam. Isso não passará da criação de mais uma Organização Não Governamental para conseguir dinheiro público – alguns diriam. Fogo de palha! É mais alguém querendo aparecer – diriam outros. E poderia ter sido assim. Quantas não foram as instituições criadas neste Município e que desapareceram sem deixar qualquer pegada pelo chão de Poxoréu! A tal UPE – União Poxorense de Escritores poderia seguir a mesma trilha. Mas não seguiu. E por que será que não seguiu? Sempre que faço essa pergunta insisto em dizer que a UPE tem resistido ao tempo porque ela tem como objetivos principais defender e disseminar as idéias e os valores artísticos e culturais do povo poxoreano.

Segundo Platão, somente aquilo que existe no mundo das idéias é perfeito e, portanto subsiste. As demais coisas que possam existir nos outros mundos não passariam de cópias imperfeitas das idéias perfeitas e, portanto, estariam fadadas a desaparecer. Se tivéssemos pensado em fundar um Museu, uma Biblioteca, uma Banda de Música ou qualquer outra coisa desse gênero, provavelmente nossa criação já teria morrido como aconteceu com a Casa de Cultura de Poxoréu – que deveria promover a cultura neste Município e que acabou; a Casa da Música, fundada por nosso eterno confrade Joaquim Nunes Rocha, o “Rochinha” e que também desapareceu; a Banda de Música que tocou no primeiro evento promovido pela UPE na Praça da Liberdade no dia 13 de maio de 1988 e que deixou de existir...

Ah, meus irmãos! Nem gosto de ficar lembrando dessas coisas que não temos mais; que tivemos e perdemos porque não fomos suficientemente capazes para manter. Essas lembranças me deixam muito triste. Então eu prefiro lembrar da UPE que veio e permaneceu. Prefiro lembrar dos nossos irmãos upeninos Manoel Fraga Filho, Aquilino Sousa Silva, Delza Fernandes Zambonini, Joaquim Nunes Rocha, Gilbert Araújo Lemos, Joaquim Moreira e Jurandir da Cruz Xavier que aqui estiveram e aqui ainda continuam conosco cantando e decantando as raízes e os sentimentos desta terra poxoreana, apesar de também estarem fazendo os seus discursos na Assembléia Geral da Upe Celestial.

Costumo dizer que uma pessoa está morta quando ela se torna inútil para os seres vivos; quando não tem mais nada para acrescentar; quando já deu o que tinha de dar; quando sai da condição de produtor de bens para um mero consumidor dos bens já produzidos. Desse modo, ainda que o inútil esteja respirando, se for apenas um problema, uma pedra de tropeço, uma dificuldade para os demais, um fardo pesado para os outros ou uma parasita social, então tal pessoa com certeza já morreu. Falta apenas desocupar o espaço. Aquele que ocupa um lugar da Terra tem o dever social de pelo menos inspirar os sentimentos bons ou maus de seus pares. É assim que muitos morrem, mas não morrem porque são eternos motivos para decantar as saudades, enquanto outros, ainda que "vivos", há muito tempo já estão mortos.

O Upenino não morre. A sua alma é uma idéia perfeita e as idéias perfeitas são eternas. Como a nossa própria UPE, nós upeninos também somos andarilhos a peregrinar de um lugar para outro, de uma experiência para outra, de um verso para outro. Andamos de verso em verso e de prosa em prosa. Versejamos e proseamos o sentimento da natureza que se encarna em todos os seres e criaturas. Qualquer tema é motivo para um verso e uma prosa. Eis porque somos eternos, posto que sempre haverá uma palavra escrita, falada ou pensada. A palavra é a essência da nossa imortalidade. Ela é a alma do escritor.

A UPE não tem sede própria. É uma andarilha que vai de prédio em prédio, de casa em casa e de rua em rua. A sede da UPE é a cidade de Poxoréu. Toda casa poxoreana é uma casa upenina. Onde houver um rádio, aí estará presente a UPE através do Programa Momento de Arte e Cultura, transmitido pela Rádio Sul Mato-grossense. E quando por aqui se pensar em poesias, certamente será muito difícil não pensar nos nossos upeninos. A UPE é poesia.

Como é gratificante acompanhar e ser prestigiado nos Recitais do SESC que, todos os anos, no mês de dezembro, desfraldam a bandeira upenina em um festival de declamação das poesias de nossos escritores locais. Que maravilha tem sido apresentar os Recitais Upeninos de Outubro no Salão Dom José Selva, no Externato São José, lotado de espectadores que ali aglomeram para apreciar o talento e a verve upenina. A UPE é esse sentimento de amor pela poesia da terra poxoreana. Sim, nós temos poesia em Poxoréu!

A UPE está presente nos livros dos upeninos, nas revistas “A Upenina”, nos jornais “O Upenino” e tantas outras publicações. E agora, depois que inventaram a internet, a UPE também está lá, divulgando e atuando “em defesa da arte e da cultura”. Não temos dúvidas de que vamos continuar existindo mesmo depois que todos os atuais upeninos se transferirem para a UPE do Céu. Porque a UPE da Terra é uma idéia e as idéias são perfeições que existem para sempre, sejam na Terra, sejam no Céu. É com esse espírito que iniciamos o Vigésimo Quarto Ano Upenino, desejando muita inspiração a todos os nossos companheiros dessa arte.

Viva a Idéia! Viva a Arte e a Cultura! Viva a UPE!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Eleições na UPE


As eleições para a Diretoria do 24º Ano Upenino que se inicia neste dia 31 de março acontecerão no dia 01 de abril de 2011, a partir das 9 h da manhã, no Plenário da Câmara Vereador Tarquínio Soares e Silva (foto ao lado).

Na mesma ocasião será lançado o livro "Primavera (Com e Sem Flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano", do escritor José Antônio de Castro Leite Nogueira, ex-vereador e ex-Secretário de Educação de Primavera do Leste, MT.

domingo, 27 de março de 2011

Casas Antigas


Há belas casas antigas em Poxoréu! Essa é uma delas. Quantas portas! Quantas janelas! Essa casa é da minha idade. Ela foi construída em 1958. É uma casa datada. Seu construtor teve esse importante cuidado. É claro que não é fácil resistir ao tempo. Tudo envelhece. Eu envelheço, você envelhece e essa bela casa antiga não é exceção. Ela fica na esquina da Rua Paraíba com a Rua Bahia, bem próximo ao Diamante Clube Sociedade Recreativa, o qual também é uma bela construção antiga.


Em 1958, através da lei estadual nº 1120, de 17-10-1958, é criado o distrito de Pombas e anexado ao município de Poxoréo. No mesmo ano, através da lei estadual nº 1191, de 20-12-1958, é criado o distrito de Jarudore (ex-povoado), o qual também foi anexado ao município de Poxoréo.


Que bom! Dois Distritos novos!


Mas... Tristeza! Foi também neste mesmo ano que Poxoréu perdeu para o Mato Grosso dois de seus Distritos: Coronel Ponce e o recém-criado Pombas, que se emanciparam, tornando-se o vizinho Município mato-grossense de Mutum, mais tarde, Dom Aquino. Isso se deu através da lei estadual nº 1196, de 22-12-1958.


É claro que o povo de Poxoréu deve ter lamentado a perda de território. Mas acima disso deve estar a alegria por ver dois filhos em condições de ganhar a independência. A questão está em saber se, passados esses quase 53 anos, a emancipação valeu a pena. Espero que sim, posto que estou contando com Dom Aquino para formar "a grande Poxoréu" (http://66.228.120.252/artigos/1120775) o mais breve possível.

sábado, 26 de março de 2011

UMA LANTERNA CHAMADA UPEninos


Lindiomar Martins (Doma)

Já dizia o poeta Antônio Cícero em seu poema Guardar “Guardar uma coisa não é escondê-las. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, isto é iluminá-la ou ser por ela iluminada”.

Pensando nisso, lembrei por ocasião de mais um aniversário da UPE, das tantas vezes que esta entidade tem guardado um pouco da cultura de nossa cidade, das histórias de nossa gente, em seus vários relatos documentados e é claro em seus programas matinais aos sábados (não sei se continua neste horário).

Sinto-me honrado quando falo aos outros desta terra, e das coisas maravilhosas que nasceram e nascem dos esforços e do objetivo comum deste povo forte. Dentre elas, nomeio a UESP (não posso me esquecer), Perspectiva 21 e da União Poxoreense de Escritores, falo com orgulho aos que conheço, que esta academia é uma das poucas que existe em Mato Grosso, e ela tem dado tantas contribuições à literatura e a história de nosso estado com vários livros.

Por isso, quando penso em minha gente, entendo como é que uma terra formada em sua maioria, pelo elemento nordestino, rústico por natureza, mas desprovido de força bruta, é incansável na sua essência transformadora para moldar antigos objetos em “desobjetos valiosos”. Eles ainda conseguem sensibilizar-se muito mais com as causas coletivas, que propriamente com as causas individuais.

Compreendo com mais clareza a criatividade deste povo, que com as poucas reservas conseguem nutri a esperança humana e assim, vão constituindo os dias que se seguem ao sabor do sol. O mesmo sol que iluminam nossos escritores, não iluminam a todos com a mesma intensidade, é isso uma fatalidade a ser corrigida com muita escolarização, e uma melhor distribuição do lazer cultural pelos poderes constituídos. Sugerimos uma campanha pela reativação da Biblioteca Municipal e da Casa da Cultura, elementos importantes de auxílio à formação de novos talentos, iluminados pelo saber clássico do sol das letras. Que são as lanternas que melhoram a nossa caminhada rumo ao progresso, dentro deste mundo digitalmente globalizado pelas economias mais fortes e pelas culturas mais avançadas.

Não sinto inveja quando falam de alguns dos nossos municípios vizinhos, a maioria deles tem pouca coisa a nos oferecer em matéria de cultura clássica, não quero dizer com isso, que, somos a pequena Grécia Mato-Grossense, mas temos muito mais, em face do menor poder aquisitivo que usufruímos em relação aos nossos vizinhos mais próximos. Carecemos de investimentos em áreas que possam dar soluções as tantas mazelas deixadas por falta de políticas públicas mais agressivas, com diagnósticos prévios e estudos de impactos por áreas ou setores da economia que move o município. Digo isso, pois, o saber é sinônimo de cultura, e precisamos de mais UPEs constituídas e ainda muito mais upeninos atuando nas várias frentes que compõe o leque desse saber cultural, que transforma a nossa gente humilde em livres pensadores.

Enfim, na condição de letrado não poderia deixar jamais de registrar esta singela homenagem aos meus conterrâneos, com os quais, presenciei iniciativas que elevam ainda mais alto o orgulho de pertencer a esta municipalidade. Senhoras e senhores da plêiade Poxoreana, desejo a todos muitos aniversários e muitas realizações no caminho árduo de educar a leitura para ampliar a cultura do saber de modo geral. Por isso, ser escritor é ter desejo de construir nos outros algo melhor, “é ensinar a ver”, é libertar cotidianamente da prisão a ignorância que mora adormecida em cada um de nós.

Parabéns a todos vocês que foram tragados pela sensibilidade e escolhidos pelo conhecimento para transmitir seu legado poético, levando adiante consigo esta nobre missão de guardar a história de nosso povo.

Recebam a minha singela homenagem em versos a todos vocês.


Olhos de contemplação
Um anjo…Dorme ao meio dia
Abraçada pelo sofá macio
No aconchego da sala
Dorme o anjo, calmamente…
O mundo desmancha-se
Em sonhos, respira a vida,
A vida que há no ar
É o alimento de sua alma.
Um outro mundo, diferente…
Contempla o seu mundo angelical
A passos miúdos e muito lentos
Vai-se desfazendo os minutos
Na raiz dos seus pensamentos
Cujo a cabeleira loira meus
Olhos percorrem curiosos
Invejando os sofás
Que envolve anjos
E todo o seu mundo,
Todo seu sono meio-di-anjo.

Lindiomar Martins (DOMA) - É professor e Especialista Em Gestão do Trabalho Pedagógico em Sorriso - MT
E-mail:
prof.letra_mar@yahoo.com.br

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A coragem do simples






Izaias Resplandes
Eu queria ter a coragem do simples
Para viver em uma casinha pequena,
Que desse pouco trabalho pra cuidar,
Para que tivesse como desfrutar de outros prazeres da vida,
Ao invés de passar o tempo todo tentando construir uma casa grande,
Para receber pessoas que não vêm me visitar,
Mesmo porque eu nunca estou em casa para recebê-las,
E que só serve mesmo para atrair a poeira
E para dar muito trabalho pra zelar.

Gostaria de não complicar as coisas tanto
E de ficar satisfeito com o que Deus já me tem dado;
De poder parar de correr para um e outro lado
Atrás de novidades e de outros cursos da vida;
De dizer um BASTA que me faça perder o encanto,
E que me ajude a correr de modo mais compassado,
De tal sorte que eu o escute sempre que for tentado
A ultrapassar os limites estabelecidos em minha corrida

Queria ter mais tempo para ler.
De que adianta ter na biblioteca tantos livros
Se o meu tempo vai passar e eu nem saberei
O que aqueles livros tinham para me dizer?
Servem apenas para falar que tenho livros e atrair as traças.
Essas preciosidades não podem ser só para se ver
Elas têm direito de circular por entre os seres vivos
Para mostrar-lhes o que tem e que eu não busquei
Por haver a passado a vida conjugando o verbo TER
Deixando de SER, ocupado noutras graças.

Eu gosto de ouvir o cantar dos passarinhos,
Mas quase não tenho tempo de parar meus vens e vais
E voltar-lhes alguns momentos de meus sentidos
Em meu grande quintal arborizado,
Onde eles criam seus filhotes, fazem seus ninhos,
E realizam seus mais lindos recitais.
E então esses cantores morrem e seus cantos não são ouvidos
Porque eu, platéia, estive correndo atrás dos ventos,
E entre tantos contratempos, ocupado.

De que adiantam os quartos vazios,
O corre-corre e os tantos desvarios?
De que adiantam os livros de tantas histórias,
Tantas aventuras e glórias notórias?
De que adiantam as plantas, os quintais,
E os pássaros cantores que não têm iguais?
O que adianta ter cinquenta, oitenta, cem anos,
Se não se teve a coragem do simples vivenciando?

A vida não é uma multiplicação dos anos que são passados;
Não é uma luta para conseguir objetivos inconquistáveis;
Não é o aproveitamento do tempo em qualquer inutilidade!
Viver não é conquistar a imortalidade!
A vida é o tempo apreciado e os dias efetivamente desfrutados;
É a alegria e o prazer das companhias contáveis,
Sem importar de quanto seja a nossa idade.
Viver é o tempo que passamos em plena felicidade!


Poxoréu, 27 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eunice de Brito Sol: um sorriso contagiante


Autor: Upenino Dr. João Batista Cavalcante Publicação: A Upenina nº 03 - 2010

N a s c i d a em Cuiabá-Mt no dia 22 de maio de 1925. Chegou em Poxoréu com dois anos de Nidade em companhia de seus pais Amarílio Bento de Britto e Antonia Fermina Rizzard de Araújo Britto . É descendente de portugueses, italianos e africanos. A família morou inicialmente, por alguns meses nos garimpos de São Pedro, região da Raizinha, zona rural de Poxoréu, no apogeu da produção diamantífera, onde existia um comércio pujante e uma população bastante numerosa de migrantes de todos os Estados da Federação, principalmente do nordeste brasileiro, local onde existia inclusive campo de pouso para aviões pequenos e médios, que faziam a ponte aérea Poxoréu/Rio de Janeiro.
Quando criança vivenciou com seus pais inúmeras cenas de violência decorrentes de conflitos políticos e sociais que naquela época eram comuns em Poxoréu, várias vezes palco de cenas de tiroteios e mortes protagonizadas por homens rudes e bárbaros que não conheciam nem respeitavam princípios, leis ou regras, tornando-se verdadeiros déspotas com requintes de crueldade e selvageria. Passou muitas noites em claro, junto com sua mãe, tomadas de pavor e medo, enquanto seu genitor, “Seu Amarílio”, o farmacêutico que salvou muitas vidas nestas paragens em razão de suas habilidades médicas e humanitárias, saía enfrentando o perigo para salvar as vidas de seres humanos destroçados por balas ou facas.

Leia mais e baixe o arquivo completo em: http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/2783232

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Julinda: A trajetória de uma baiana de fibra


A trajetória das pessoas da região do semi-árido é
pensada com uma quase paralisia histórica: nada muda, são
sempre as mesmas abordagens e propostas recorrentes. É
freqüente encontrarmos nos discursos de historiadores
afirmações como “O problema da seca e das migrações no
sertão nordestino é histórico”. Nesse contexto, “ser histórico” é
aquilo que sempre ocorreu e que não tem solução, isto é, tem
um sentido de permanência, contrariando a máxima
Heraclitiana que ”a única coisa permanente é a mudança”,
como, a propósito, veremos com a história de Julinda Alves
Vieira.


Autor: Upenino Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim.

Publicado: A UPENINA nº 3.


Eoni Sousa Lima: um cuiabano de chapa e cruz


Filho de Aristides de Souza Lima e Osvaldina Queiroz Lima.
Nasceu no dia 29 de maio de 1920 no Bairro do Porto, na cidade de
Cuiabá, Estado de Mato Grosso. É o segundo de uma família de onze
irmãos. Hoje estão vivos Eoni, Creone, Ivone e Iolete.
Em Cuiabá, Eoni morou nas ruas Coronel Peixoto, Prainha,
Formosa, 15 de novembro e na rua dos Porcos.
Ainda era criança quando acompanhou seu pai em algumas
viagens de trabalho pelos sertões do Estado na implantação da linha
telegráfica pela expedição do General Cândido Mariano da Silva
Rondon. Seu pai, era telegrafista.
Aos sete anos Eoni começou a estudar no Grupo Escolar André
Avelino, onde cursou até o quarto ano e fez a admissão em 1930. Com o
falecimento de seu pai em 30 de outubro de 1930 e sendo um dos filhos
mais velhos foi obrigado a interromper os estudos para trabalhar para
que pudesse ajudar sua mãe no sustento dos irmãos menores.

Autor: Comendador Prof. João de Sousa
Publicado em "A Upenina nº 3", Poxoréu, MT.

Quem desejar ler mais pode solicitar o arquivo completo por e-mail: respland@gmail.com

O tamanho do arquivo é 16.126 kb.