terça-feira, 5 de abril de 2011

Escola com aluno e aluno com escola



Prof.Gaudêncio Amorim


A pedagogia moderna, assim como as pedagogias, ao longo da história brasileira, modela-se e remodela-se, conforme o paradigma da época, adaptando-se as correntes intelectuais que mais se identifica, porém, com ênfase no modelo ideológico vigente que a inspira ou fundamenta.


É verdade que em todos os momentos históricos, a pedagogia demonstrou imensa preocupação com a formação intelectual dos educandos, mas é também verdade que ela se curvou frente á imposição capitalista do modelo neoliberal, embora a maioria dos profissionais que a praticam não se dão conta do fenômeno e, por isso mesmo, a legitimam o que, também, é aceitável tendo em vista as regras estruturais impostas pelo próprio sistema, afinal é muito mais cômodo seguir a correnteza do que lutar contra.


É de se considerar que até o governo Lula, a educação brasileira viveu os paradigmas dos acordos internacionais e a eles se sujeitavam, haja vista a subordinação natural da relação econômica com a elite dominante, caracterizada pelo poderio do Fundo Monetário Internacional que, entre outras obrigações, exigia a diminuição do fracasso escolar, público e notório entre os alunos egressos de famílias dos estratos populares de baixa renda; No 2° mandato do governo Lula tal exigência não se impunha, pelo menos com o vigor de antes, já que a dívida externa, típica do subdesenvolvimento e característica principal da dependência econômica de países desenvolvidos estava controlada; já não crescia ao patamar da dependência absoluta em comparação com os períodos anteriores da história brasileira desde de Dom João VI, o qual endividou-se com bancos ingleses e sobreviveu dos acordos econômicos com a Inglaterra, desde a proteção da Marinha Inglesa a sua comitiva em 1807, quando fugia das tropas de Napoleão Bonapart.


Já está provado que a tática educacional de premiar e punir não educa ninguém e se assim agirmos, muito provavelmente, reataríamos a educação dos sofistas como “mercadores do conhecimento” e postando nossa didática na contramão da difusão do verdadeiro conhecimento (no sentido da amplitude), matando todos os Sócrates (como fizera os Sofistas) e fazendo com que nossos alunos permaneçam presos à caverna platônica, ignorando a luz e se dando por satisfeitos com as sombras que povoam seus olhos na longevidade dos seus dias, e nós, orgulhosos (ou não ) do nosso ofício, fingindo que ensinamos enquanto os alunos, pelas estatísticas fingiram que aprenderam.


A educação, para ser justa, necessita da produção de iguais, pelo menos uma cópia pálida de um DNA de conhecimento com uma mutação pelo menos equivalente ou ainda melhor que os intelectuais de nossa época. Senão assim, é provável que vislumbraremos a centelha de luz, cada vez mais distante no horizonte, marcando passos no conhecimento proximal ou então, um conhecimento que, no estágio para conhecimento verdadeiro, tornou-se o próprio produto do conhecimento, dando-nos por satisfeitos, sem esperanças, céticos, numa dimensão egoísta como se dissesse: “não está bom para todos, mas está bom para mim”.


Nunca foi tão propalada a necessidade da majoração estatísticas das aprovações. Com efeito, este é um estágio que, face do desenvolvimento econômico e tecnológico a que chegou nosso país não mais se justifica, antes, já não era procedente a conduta da punição dos alunos com o fracasso escolar, embora pudesse aceitar o fenômeno, entre os vários condicionantes, com pelo menos duas vertentes: uma, de origem econômica, assentada na produção primária de um país ainda muito subdesenvolvido, outra, na formação dos intelectuais, eivado dos vícios que determinavam a punição para aqueles que não logravam êxito frente às exigências do mercado dominante, de modo que sobressaia-se, uma pedagogia reprodutiva do sistema e, em pouco ou quase nada colaborava para emancipação do educando. Entretanto, hoje, é de se exigir que o sucesso escolar não seja demonstrado apenas na variação numérica, na majoração matemática, indicada de forma estanque por um número crescente, como se os números explicassem tudo, como afirmara Pitágoras, no Sec. VI a.C. É preciso inquietar-se com a qualidade estatística que cresce, ou seja, com a dimensão espacial do número e com a possibilidade de transformação dos espaços ocupados por eles.


Explicar a educação pelo crescimento estatístico pode ser um vôo solitário se as ações daqueles que o demonstram não puderem espelhar tais resultados na expectativa social ou se, por outro lado, constatarem que o pouco conhecimento que adquiriram ainda se constitui uma alavanca frágil na concorrência com o Capital, marcado pela excelência do TER.


Assim, se o teor acima fizer sentido para uma reflexão preliminar de nossas práticas, não exalando como éter que se dissolve na oposição do ar, é possível produzir uma discussão capaz de evoluir de uma escola com alunos para alunos com escola.


Gaudêncio Amorim, 1º Vice-Presidente da UPE (gestão 2011/2012) é Professor de Filosofia e Sociologia da E.E.Pe. Cesar Albisetti, em Poxoréu, MT.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SOU ASSIM.


PROF. LUIS CARLOS FERREIRA


Imagino que sou uma árvore. Cada folha que de mim desprende, cairá próxima à raiz, tornando-se adubo para o vigor da planta. Pois assim é o meu viver: Os dias vividos são como folhas caídas, reforçando como adubo, a raiz que sustém o caule, que ostenta os galhos, que são canaletas para o transporte da seiva para novas folhas e flores e frutos! Sempre um novo alvorecer! Aqueles que estão à minha volta, são como ribeiros, ou ventos necessários... ou como se fossem as intempéries... Entretanto, árvore frondosa, roseiral florido, arvoredo de frutos cobiçados, cabeça erguida... passos determinados... sentindo pena das ervas daninhas, ervas rasteiras que não crescem à sombra e, ao relento, não sobrevivem do sol e da chuva. Ao contrário, plantas frondosas formam comigo o cenário querido dos pássaros!

sábado, 2 de abril de 2011

Circuito Alternativo Abraço da Viola

Preocupado com a crise instalada entre o Poder Público Municipal e o Sindicato Rural de Poxoréu, no que se refere ao Encontro de Violeiros, o Upenino Batistão publicou em seu Blog (http://www.pox.zip.net/) um vídeo datado de 31/03/2011, apresentando as boas condições da Concha Acústica localizada na sede do Sindicato Rural, demonstrando que a mesma se encontra em condições de abrigar não somente o "Encontro de Violeiros", mas qualquer outro evento do mesmo porte. A partir desse vídeo, conclama a Prefeitura para a promoção do entendimento, no intuito de que a festa dos violeiros seja realizada naquele espaço, o qual foi construído especialmente para finalidades como essa.

Permanecendo a recusa da Prefeitura de Poxoréu em aceitar a oferta do Sindicato Rural para que o Encontro de Violeiros seja realizado na Concha Acústica, nosso confrade propõe uma mobilização popular para organizar e realizar o Circuito Alternativo Abraço da Viola - um encontro paralelo ao encontro oficial -, o qual aconteceria no sábado, 30 de abril de 2011, durante o dia, das 9 às 18 horas, com cantores da região – e, quem sabe, com a colaboração e participação especial do grande violeiro Aurélio Miranda e convidados. Segundo ele, os custos do evento seriam bancado com patrocínios privados, com locação de espaço para restaurante, lanchonetes e barracas do artesanato regional. Seria uma boa oportunidade para mostrarmos harmonia e união, além de divulgar as belezas naturais, a arte e a cultura do nosso povo, e, também, manifestarmos nosso desagravo com a falta de respeito das autoridades públicas municipais intransigentes, que insistem em usar o poder público sem dar satisfação ao povo.


Mais informações podem ser obtidas no BlogPox http://www.pox.zip.net/

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O mais novo Imortal

Uma mistura de passado, presente e futuro; um pouco de anjo e demônio; a mescla de santo e pecador; a fusão de Zeus e Deus; a união de amor e ódio. Um homem sem público, mas com prazer em escrever, ainda que ninguém leia. Um homem apaixonado, extremamente apaixonado, loucamente apaixonado, por tudo, até por essa condição de ser humano!


....


Fonte: http://wallacerodolfo.blogspot.com/2011/04/imortal.html#comment-form

O Notável Wallace Rodolfo Pereira da Silva

Na manhã deste 01/04/2011, em sessão solene realizada no Plenário Tarquínio Soares e Silva da Câmara Municipal de Poxoréu, a UPE, por unanimidade recebeu como seu mais novo Notável, o escritor Wallace Rodolfo Pereira da Silva.

O jovem upenino teve seu pedido de ingresso feito pelos upeninos Gaudêncio Amorim, João de Souza, Izaias Resplandes e Luís Carlos Ferreira. Além de excelente declamador (inclusive declamara minutos antes da apresentação um lindo poema de Gaudêncio), Wallace acaba de ter uma de suas produções aprovadas e publicadas na Revista Africa e Africanidades - Ano III, Nº. 12 - FEv. 2011., cujo resumo segue abaixo. Além disso, o artigo pode ser lido na íntegra no link indicado ao final.

A Diretoria Upenina dá as suas mais cordiais boas-vindas ao novo membro.

MULTICULTURALISMO E MINORIAS NEGRAS: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA PARA A EDUCAÇÃO

RESUMO: Este texto tem como objetivo discutir a questão da formação da identidade, a negociação da cultura e da diferença, questões trazidas para dentro do espaço escolar. A pesquisa, de cunho bibliográfico, se baseia na reflexão e análise das idéias contidas nas obras dos autores pesquisados. O sistema escolar está pensado para homogeneizar as pessoas e/ou culturas. Não existe ainda uma educação que insira, de forma séria, em seu currículo, uma formação para se trabalhar com a diversidade cultural, é esse o ponto de partida da discussão proposta neste texto. As minorias vem sendo, cada dia mais, massacradas; os seus direitos são violados; as suas conquistas não são respeitadas. Apesar de reconhecer a existência de muitas minorias, a discussão desse artigo se focará na questão dos negros. Eles, que são os maiores construtores dessa terra, aqueles que mais contribuíram para o seu crescimento, vivem hoje à margem da sociedade, oprimidos pelo sistema, oprimidos pelo preconceito. Nos livros de história só são lembrados pelo trabalho compulsório, escravo; nas novelas só os apresentam como bandidos, empregados “engraçadinhos”, ou como políticos ricos e corruptos; não ensinam o seu culto, a sua religião, pois é “coisa do diabo”, o único culto válido, mesmo na escolas públicas, é o culto judaico-cristão. Os autores analisados para a construção desse texto apontam a educação multicultural como uma forma de combater as representações negativas que circulam em diferentes contextos e de desenvolver uma educação e um currículo que valorize as diferenças.

Palavras-chave: Cultura, diferença negra, educação.
Leia mais em: http://www.africaeafricanidades.com/documentos/12022011_18.pdf

Alunos prestigiam eleição da UPE

Os alunos do 2º ano matutino da Escola Pe. César Albisetti, acompanhado por sua Diretora, a Profª Juscinéia Teixeira e por sua Coordenadora Pedagógia, a Profª Adjair Pereira de Miranda estiveram presentes neste 1º de abril na eleição da 24 Diretoria da UPE - União Poxorense de Escritores, atendendo ao convite formulado pelo Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, então Presidente da UPE (da 23ª Diretoria) e Prof. de Filosofia da referida unidade escolar.

Também estiveram presentes os alunos do 9º ano da Escola Ce. Júlio Müller, devidamente acompanhados pela Profª Suizi Ana Fernandes, Coordenadora Pedagógica da Escola.

A UPE, através de sua 24ª Diretoria, ora eleita, agradece aos alunos que honraram a entidade e seus membros participando desse evento simples, mas singular.

O processo eletivo na UPE é tão democrático que todos os membros são candidatos natos, podendo ser votados, independente de sua manifestação nesse sentido. A votação é secreta; todos os upeninos votam. O Presidente leito, Prof. Izaias Resplandes, disse ter sido pego completamente de surpresa, pois jamais imaginava ser escolhido pelos seus pares, inclusive porque apoiava outro companheiro. Mesmo assim, assumiu a Presidência com o desejo de oferecer o seu melhor em defesa da arte e da cultura deste Município.

Na ocasião, a aluna Amanda, da Escola Cel. Júlio Müller, declamou uma poesia do upenino Gaudêncio Amorim, intitulada "O dia da mentira", sendo bastante aplaudida.

UPE ELEGE 24ª DIRETORIA


A União Poxorense de Escritores - UPE, fundada em 31 de março de 1988 elegeu na manhã deste 01/04/2011 a sua Diretoria Executiva para o próximo ano. A sessão ordinária foi presidida pelo Vereador Leônidas Machado Barcelos, Presidente da Câmara Municipal de Poxoréu, MT. Várias autoridades de Poxoréu e Primavera do Leste estiveram prestigiando o evento, como o Vereador Felipe Nogueira - Presidente da Câmara Municipal de Primavera do Leste, MT, o escritor José Antônio de Castro Leite Nogueira - autor do livro "Primavera (Com e Sem Flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano; o Verador Wellington Rosa Campos - Vice-Presidente da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMT), o Vereador Jailton Costa Xavier, advogados, professores, alunos das Escolas Pe. César Albisetti e Cel. Júlio Müller e populares.

O evento aconteceu no Plenário da Câmara Municipal de Poxoréu, tendo sido eleito os seguintes upeninos: Prof. Izaias Resplandes de Sousa - Presidente; Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim - 1º Vice-Presidente; Prof. Genivá Bezerra - 2º Vice-Presidente; Prof. João de Souza - Secretário Geral; e Prof. Luís Carlos Ferreira - Tesoureiro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Vigésimo Quarto Ano Upenino


Quem diria! Quem diria que daquela reunião singela realizada no dia 31 de março de 1988 na Casa da Cultura de Poxoréu pudesse sair alguma decisão duradoura! Poucos acreditariam. Isso não passará da criação de mais uma Organização Não Governamental para conseguir dinheiro público – alguns diriam. Fogo de palha! É mais alguém querendo aparecer – diriam outros. E poderia ter sido assim. Quantas não foram as instituições criadas neste Município e que desapareceram sem deixar qualquer pegada pelo chão de Poxoréu! A tal UPE – União Poxorense de Escritores poderia seguir a mesma trilha. Mas não seguiu. E por que será que não seguiu? Sempre que faço essa pergunta insisto em dizer que a UPE tem resistido ao tempo porque ela tem como objetivos principais defender e disseminar as idéias e os valores artísticos e culturais do povo poxoreano.

Segundo Platão, somente aquilo que existe no mundo das idéias é perfeito e, portanto subsiste. As demais coisas que possam existir nos outros mundos não passariam de cópias imperfeitas das idéias perfeitas e, portanto, estariam fadadas a desaparecer. Se tivéssemos pensado em fundar um Museu, uma Biblioteca, uma Banda de Música ou qualquer outra coisa desse gênero, provavelmente nossa criação já teria morrido como aconteceu com a Casa de Cultura de Poxoréu – que deveria promover a cultura neste Município e que acabou; a Casa da Música, fundada por nosso eterno confrade Joaquim Nunes Rocha, o “Rochinha” e que também desapareceu; a Banda de Música que tocou no primeiro evento promovido pela UPE na Praça da Liberdade no dia 13 de maio de 1988 e que deixou de existir...

Ah, meus irmãos! Nem gosto de ficar lembrando dessas coisas que não temos mais; que tivemos e perdemos porque não fomos suficientemente capazes para manter. Essas lembranças me deixam muito triste. Então eu prefiro lembrar da UPE que veio e permaneceu. Prefiro lembrar dos nossos irmãos upeninos Manoel Fraga Filho, Aquilino Sousa Silva, Delza Fernandes Zambonini, Joaquim Nunes Rocha, Gilbert Araújo Lemos, Joaquim Moreira e Jurandir da Cruz Xavier que aqui estiveram e aqui ainda continuam conosco cantando e decantando as raízes e os sentimentos desta terra poxoreana, apesar de também estarem fazendo os seus discursos na Assembléia Geral da Upe Celestial.

Costumo dizer que uma pessoa está morta quando ela se torna inútil para os seres vivos; quando não tem mais nada para acrescentar; quando já deu o que tinha de dar; quando sai da condição de produtor de bens para um mero consumidor dos bens já produzidos. Desse modo, ainda que o inútil esteja respirando, se for apenas um problema, uma pedra de tropeço, uma dificuldade para os demais, um fardo pesado para os outros ou uma parasita social, então tal pessoa com certeza já morreu. Falta apenas desocupar o espaço. Aquele que ocupa um lugar da Terra tem o dever social de pelo menos inspirar os sentimentos bons ou maus de seus pares. É assim que muitos morrem, mas não morrem porque são eternos motivos para decantar as saudades, enquanto outros, ainda que "vivos", há muito tempo já estão mortos.

O Upenino não morre. A sua alma é uma idéia perfeita e as idéias perfeitas são eternas. Como a nossa própria UPE, nós upeninos também somos andarilhos a peregrinar de um lugar para outro, de uma experiência para outra, de um verso para outro. Andamos de verso em verso e de prosa em prosa. Versejamos e proseamos o sentimento da natureza que se encarna em todos os seres e criaturas. Qualquer tema é motivo para um verso e uma prosa. Eis porque somos eternos, posto que sempre haverá uma palavra escrita, falada ou pensada. A palavra é a essência da nossa imortalidade. Ela é a alma do escritor.

A UPE não tem sede própria. É uma andarilha que vai de prédio em prédio, de casa em casa e de rua em rua. A sede da UPE é a cidade de Poxoréu. Toda casa poxoreana é uma casa upenina. Onde houver um rádio, aí estará presente a UPE através do Programa Momento de Arte e Cultura, transmitido pela Rádio Sul Mato-grossense. E quando por aqui se pensar em poesias, certamente será muito difícil não pensar nos nossos upeninos. A UPE é poesia.

Como é gratificante acompanhar e ser prestigiado nos Recitais do SESC que, todos os anos, no mês de dezembro, desfraldam a bandeira upenina em um festival de declamação das poesias de nossos escritores locais. Que maravilha tem sido apresentar os Recitais Upeninos de Outubro no Salão Dom José Selva, no Externato São José, lotado de espectadores que ali aglomeram para apreciar o talento e a verve upenina. A UPE é esse sentimento de amor pela poesia da terra poxoreana. Sim, nós temos poesia em Poxoréu!

A UPE está presente nos livros dos upeninos, nas revistas “A Upenina”, nos jornais “O Upenino” e tantas outras publicações. E agora, depois que inventaram a internet, a UPE também está lá, divulgando e atuando “em defesa da arte e da cultura”. Não temos dúvidas de que vamos continuar existindo mesmo depois que todos os atuais upeninos se transferirem para a UPE do Céu. Porque a UPE da Terra é uma idéia e as idéias são perfeições que existem para sempre, sejam na Terra, sejam no Céu. É com esse espírito que iniciamos o Vigésimo Quarto Ano Upenino, desejando muita inspiração a todos os nossos companheiros dessa arte.

Viva a Idéia! Viva a Arte e a Cultura! Viva a UPE!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Eleições na UPE


As eleições para a Diretoria do 24º Ano Upenino que se inicia neste dia 31 de março acontecerão no dia 01 de abril de 2011, a partir das 9 h da manhã, no Plenário da Câmara Vereador Tarquínio Soares e Silva (foto ao lado).

Na mesma ocasião será lançado o livro "Primavera (Com e Sem Flores): Crônicas Rasgadas do Cotidiano", do escritor José Antônio de Castro Leite Nogueira, ex-vereador e ex-Secretário de Educação de Primavera do Leste, MT.

domingo, 27 de março de 2011

Casas Antigas


Há belas casas antigas em Poxoréu! Essa é uma delas. Quantas portas! Quantas janelas! Essa casa é da minha idade. Ela foi construída em 1958. É uma casa datada. Seu construtor teve esse importante cuidado. É claro que não é fácil resistir ao tempo. Tudo envelhece. Eu envelheço, você envelhece e essa bela casa antiga não é exceção. Ela fica na esquina da Rua Paraíba com a Rua Bahia, bem próximo ao Diamante Clube Sociedade Recreativa, o qual também é uma bela construção antiga.


Em 1958, através da lei estadual nº 1120, de 17-10-1958, é criado o distrito de Pombas e anexado ao município de Poxoréo. No mesmo ano, através da lei estadual nº 1191, de 20-12-1958, é criado o distrito de Jarudore (ex-povoado), o qual também foi anexado ao município de Poxoréo.


Que bom! Dois Distritos novos!


Mas... Tristeza! Foi também neste mesmo ano que Poxoréu perdeu para o Mato Grosso dois de seus Distritos: Coronel Ponce e o recém-criado Pombas, que se emanciparam, tornando-se o vizinho Município mato-grossense de Mutum, mais tarde, Dom Aquino. Isso se deu através da lei estadual nº 1196, de 22-12-1958.


É claro que o povo de Poxoréu deve ter lamentado a perda de território. Mas acima disso deve estar a alegria por ver dois filhos em condições de ganhar a independência. A questão está em saber se, passados esses quase 53 anos, a emancipação valeu a pena. Espero que sim, posto que estou contando com Dom Aquino para formar "a grande Poxoréu" (http://66.228.120.252/artigos/1120775) o mais breve possível.

sábado, 26 de março de 2011

UMA LANTERNA CHAMADA UPEninos


Lindiomar Martins (Doma)

Já dizia o poeta Antônio Cícero em seu poema Guardar “Guardar uma coisa não é escondê-las. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, isto é iluminá-la ou ser por ela iluminada”.

Pensando nisso, lembrei por ocasião de mais um aniversário da UPE, das tantas vezes que esta entidade tem guardado um pouco da cultura de nossa cidade, das histórias de nossa gente, em seus vários relatos documentados e é claro em seus programas matinais aos sábados (não sei se continua neste horário).

Sinto-me honrado quando falo aos outros desta terra, e das coisas maravilhosas que nasceram e nascem dos esforços e do objetivo comum deste povo forte. Dentre elas, nomeio a UESP (não posso me esquecer), Perspectiva 21 e da União Poxoreense de Escritores, falo com orgulho aos que conheço, que esta academia é uma das poucas que existe em Mato Grosso, e ela tem dado tantas contribuições à literatura e a história de nosso estado com vários livros.

Por isso, quando penso em minha gente, entendo como é que uma terra formada em sua maioria, pelo elemento nordestino, rústico por natureza, mas desprovido de força bruta, é incansável na sua essência transformadora para moldar antigos objetos em “desobjetos valiosos”. Eles ainda conseguem sensibilizar-se muito mais com as causas coletivas, que propriamente com as causas individuais.

Compreendo com mais clareza a criatividade deste povo, que com as poucas reservas conseguem nutri a esperança humana e assim, vão constituindo os dias que se seguem ao sabor do sol. O mesmo sol que iluminam nossos escritores, não iluminam a todos com a mesma intensidade, é isso uma fatalidade a ser corrigida com muita escolarização, e uma melhor distribuição do lazer cultural pelos poderes constituídos. Sugerimos uma campanha pela reativação da Biblioteca Municipal e da Casa da Cultura, elementos importantes de auxílio à formação de novos talentos, iluminados pelo saber clássico do sol das letras. Que são as lanternas que melhoram a nossa caminhada rumo ao progresso, dentro deste mundo digitalmente globalizado pelas economias mais fortes e pelas culturas mais avançadas.

Não sinto inveja quando falam de alguns dos nossos municípios vizinhos, a maioria deles tem pouca coisa a nos oferecer em matéria de cultura clássica, não quero dizer com isso, que, somos a pequena Grécia Mato-Grossense, mas temos muito mais, em face do menor poder aquisitivo que usufruímos em relação aos nossos vizinhos mais próximos. Carecemos de investimentos em áreas que possam dar soluções as tantas mazelas deixadas por falta de políticas públicas mais agressivas, com diagnósticos prévios e estudos de impactos por áreas ou setores da economia que move o município. Digo isso, pois, o saber é sinônimo de cultura, e precisamos de mais UPEs constituídas e ainda muito mais upeninos atuando nas várias frentes que compõe o leque desse saber cultural, que transforma a nossa gente humilde em livres pensadores.

Enfim, na condição de letrado não poderia deixar jamais de registrar esta singela homenagem aos meus conterrâneos, com os quais, presenciei iniciativas que elevam ainda mais alto o orgulho de pertencer a esta municipalidade. Senhoras e senhores da plêiade Poxoreana, desejo a todos muitos aniversários e muitas realizações no caminho árduo de educar a leitura para ampliar a cultura do saber de modo geral. Por isso, ser escritor é ter desejo de construir nos outros algo melhor, “é ensinar a ver”, é libertar cotidianamente da prisão a ignorância que mora adormecida em cada um de nós.

Parabéns a todos vocês que foram tragados pela sensibilidade e escolhidos pelo conhecimento para transmitir seu legado poético, levando adiante consigo esta nobre missão de guardar a história de nosso povo.

Recebam a minha singela homenagem em versos a todos vocês.


Olhos de contemplação
Um anjo…Dorme ao meio dia
Abraçada pelo sofá macio
No aconchego da sala
Dorme o anjo, calmamente…
O mundo desmancha-se
Em sonhos, respira a vida,
A vida que há no ar
É o alimento de sua alma.
Um outro mundo, diferente…
Contempla o seu mundo angelical
A passos miúdos e muito lentos
Vai-se desfazendo os minutos
Na raiz dos seus pensamentos
Cujo a cabeleira loira meus
Olhos percorrem curiosos
Invejando os sofás
Que envolve anjos
E todo o seu mundo,
Todo seu sono meio-di-anjo.

Lindiomar Martins (DOMA) - É professor e Especialista Em Gestão do Trabalho Pedagógico em Sorriso - MT
E-mail:
prof.letra_mar@yahoo.com.br

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A coragem do simples






Izaias Resplandes
Eu queria ter a coragem do simples
Para viver em uma casinha pequena,
Que desse pouco trabalho pra cuidar,
Para que tivesse como desfrutar de outros prazeres da vida,
Ao invés de passar o tempo todo tentando construir uma casa grande,
Para receber pessoas que não vêm me visitar,
Mesmo porque eu nunca estou em casa para recebê-las,
E que só serve mesmo para atrair a poeira
E para dar muito trabalho pra zelar.

Gostaria de não complicar as coisas tanto
E de ficar satisfeito com o que Deus já me tem dado;
De poder parar de correr para um e outro lado
Atrás de novidades e de outros cursos da vida;
De dizer um BASTA que me faça perder o encanto,
E que me ajude a correr de modo mais compassado,
De tal sorte que eu o escute sempre que for tentado
A ultrapassar os limites estabelecidos em minha corrida

Queria ter mais tempo para ler.
De que adianta ter na biblioteca tantos livros
Se o meu tempo vai passar e eu nem saberei
O que aqueles livros tinham para me dizer?
Servem apenas para falar que tenho livros e atrair as traças.
Essas preciosidades não podem ser só para se ver
Elas têm direito de circular por entre os seres vivos
Para mostrar-lhes o que tem e que eu não busquei
Por haver a passado a vida conjugando o verbo TER
Deixando de SER, ocupado noutras graças.

Eu gosto de ouvir o cantar dos passarinhos,
Mas quase não tenho tempo de parar meus vens e vais
E voltar-lhes alguns momentos de meus sentidos
Em meu grande quintal arborizado,
Onde eles criam seus filhotes, fazem seus ninhos,
E realizam seus mais lindos recitais.
E então esses cantores morrem e seus cantos não são ouvidos
Porque eu, platéia, estive correndo atrás dos ventos,
E entre tantos contratempos, ocupado.

De que adiantam os quartos vazios,
O corre-corre e os tantos desvarios?
De que adiantam os livros de tantas histórias,
Tantas aventuras e glórias notórias?
De que adiantam as plantas, os quintais,
E os pássaros cantores que não têm iguais?
O que adianta ter cinquenta, oitenta, cem anos,
Se não se teve a coragem do simples vivenciando?

A vida não é uma multiplicação dos anos que são passados;
Não é uma luta para conseguir objetivos inconquistáveis;
Não é o aproveitamento do tempo em qualquer inutilidade!
Viver não é conquistar a imortalidade!
A vida é o tempo apreciado e os dias efetivamente desfrutados;
É a alegria e o prazer das companhias contáveis,
Sem importar de quanto seja a nossa idade.
Viver é o tempo que passamos em plena felicidade!


Poxoréu, 27 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eunice de Brito Sol: um sorriso contagiante


Autor: Upenino Dr. João Batista Cavalcante Publicação: A Upenina nº 03 - 2010

N a s c i d a em Cuiabá-Mt no dia 22 de maio de 1925. Chegou em Poxoréu com dois anos de Nidade em companhia de seus pais Amarílio Bento de Britto e Antonia Fermina Rizzard de Araújo Britto . É descendente de portugueses, italianos e africanos. A família morou inicialmente, por alguns meses nos garimpos de São Pedro, região da Raizinha, zona rural de Poxoréu, no apogeu da produção diamantífera, onde existia um comércio pujante e uma população bastante numerosa de migrantes de todos os Estados da Federação, principalmente do nordeste brasileiro, local onde existia inclusive campo de pouso para aviões pequenos e médios, que faziam a ponte aérea Poxoréu/Rio de Janeiro.
Quando criança vivenciou com seus pais inúmeras cenas de violência decorrentes de conflitos políticos e sociais que naquela época eram comuns em Poxoréu, várias vezes palco de cenas de tiroteios e mortes protagonizadas por homens rudes e bárbaros que não conheciam nem respeitavam princípios, leis ou regras, tornando-se verdadeiros déspotas com requintes de crueldade e selvageria. Passou muitas noites em claro, junto com sua mãe, tomadas de pavor e medo, enquanto seu genitor, “Seu Amarílio”, o farmacêutico que salvou muitas vidas nestas paragens em razão de suas habilidades médicas e humanitárias, saía enfrentando o perigo para salvar as vidas de seres humanos destroçados por balas ou facas.

Leia mais e baixe o arquivo completo em: http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/2783232

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Julinda: A trajetória de uma baiana de fibra


A trajetória das pessoas da região do semi-árido é
pensada com uma quase paralisia histórica: nada muda, são
sempre as mesmas abordagens e propostas recorrentes. É
freqüente encontrarmos nos discursos de historiadores
afirmações como “O problema da seca e das migrações no
sertão nordestino é histórico”. Nesse contexto, “ser histórico” é
aquilo que sempre ocorreu e que não tem solução, isto é, tem
um sentido de permanência, contrariando a máxima
Heraclitiana que ”a única coisa permanente é a mudança”,
como, a propósito, veremos com a história de Julinda Alves
Vieira.


Autor: Upenino Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim.

Publicado: A UPENINA nº 3.


Eoni Sousa Lima: um cuiabano de chapa e cruz


Filho de Aristides de Souza Lima e Osvaldina Queiroz Lima.
Nasceu no dia 29 de maio de 1920 no Bairro do Porto, na cidade de
Cuiabá, Estado de Mato Grosso. É o segundo de uma família de onze
irmãos. Hoje estão vivos Eoni, Creone, Ivone e Iolete.
Em Cuiabá, Eoni morou nas ruas Coronel Peixoto, Prainha,
Formosa, 15 de novembro e na rua dos Porcos.
Ainda era criança quando acompanhou seu pai em algumas
viagens de trabalho pelos sertões do Estado na implantação da linha
telegráfica pela expedição do General Cândido Mariano da Silva
Rondon. Seu pai, era telegrafista.
Aos sete anos Eoni começou a estudar no Grupo Escolar André
Avelino, onde cursou até o quarto ano e fez a admissão em 1930. Com o
falecimento de seu pai em 30 de outubro de 1930 e sendo um dos filhos
mais velhos foi obrigado a interromper os estudos para trabalhar para
que pudesse ajudar sua mãe no sustento dos irmãos menores.

Autor: Comendador Prof. João de Sousa
Publicado em "A Upenina nº 3", Poxoréu, MT.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A morte do Comendador


Comendador Pompílio

No último dia 18 de janeiro, faleceu em Cuiabá o senhor comendador Pompílio Alves Pereira. Baiano de Barro Vermelho, município de Macaúbas (BA), Pompílio chegou à Poxoréu em 1935. Aqui se casou com dona Elza Cardoso, em 1946. Dessa união nasceram os filhos Maria Cardoso, Maria José, Rosângela e Cesar Cardoso Pereira. Pelos relevantes serviços prestados em Poxoréu, recebeu ano passado comenda “Ordem Memória Viva Pó-ceréu”, conforme destacou a revista A UPENINA.

Clique aqui e leia o artigo de Gaudêncio Amorim sobre a vida do comendador Pompílio.

Fonte: http://pox.zip.net/

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O preço do Ideal



Ideal é fé; é crença; é objetivo. Em nosso artigo intitulado “Um dia, Uma Academia...”, publicado à pag. 03 da edição do Jornal A Voz de Poxoréo” de 17 de março de 1989, dissertamos sobre a fundação da UPE – União Poxorense de Escritores e dos Upeninos, os membros da UPE; um grupo “que, sobre tudo e todos, amam e acreditam em Poxoréo; valorizam as conquistas, as lutas,o passado, o presente, a cultura e a história poxorense”. Upeninos: um grupo que ACREDITA em Poxoréo. Acreditar é crer; é ter fé. É essa crença, o objetivo maior da UPE e dos Upeninos: Acreditar em Poxoréo, lutar e viver por isso.
Viver e lutar por ideais pode ser gratificante, mas não é nada fácil quando se tem de viver mercê do Capitalismo selvagem dos Dominantes, o segmento social responsável pela morte de um exército de idealistas e pelo massacre de ideais os mais nobres que se possa conceber. Jesus Cristo, Joana D’Arc e Tiradentes são exemplos dessa verdade. Todavia, acreditamos no idealismo e achamos que somente com ideais em nossas vidas, poderemos viver com um pouco mais de dignidade e humanidade, porquê ser idealista é, acima de tudo ser humano.
O Capitalismo massacra o ideal; espezinha o ser humano. O dinheiro dá aos que o possuem um poder demoníaco. Até um provérbio para demonstrar o poder que o dinheiro exerce sobre o homem foi criado nos Estados Unidos, a sede mundial do Capitalismo: “por um dólar, fulano é capaz de vender a própria mãe ao Diabo”. Isso é absurdo, mas é real. É o poder do metal, do ouro, do dinheiro. O poder que escraviza e que domina e que impõe; o símbolo da tirania, da ditadura e outros sistemas similares. Lutar contra as hostes do Capitalismo é um preço que os idealistas, às vezes pagam até com as próprias vidas. E isso não é extremismo de esquerda. Não! Isso é a mais pura realidade.
Nós, upeninos, idealistas caracterizados pelo amor à cultura e a tantos outros valores poxorenses, diante dos Cristos, Joanas Darques e Tiradentes do passado, somos formigas próximas dos elefantes. Em relação ao inferno que eles viveram, vivemos senão no Paraíso, mas pelo menos no Purgatório.
Na “defesa da arte e da cultura” poxorense, nosso maior obstáculo é, em um paradoxo às idéias já expostas, exatamente a falta de dinheiro. Sem dúvida alguma, se comercializássemos a nossa criatividade, talvez nós tivéssemos os recursos para a nossa luta. Só que não seríamos idealistas. Seríamos tão mercenários quanto os capitalistas. E isso nós não queremos ser. Jamais! Padecer pela falta de recursos para defendermos a cultura e os valores de todos nós, idealistas e capitalistas, é o preço que pagamos para termos o nosso ideal de cada dia. Preço que pagamos com satisfação, porque acreditamos que, em um dia muito próximo, haveremos de ver aqueles que hoje servem tão somente ao Capital, converterem-se ao Idealismo Poxorense e, como nós, senão totalmente, pelo menos um pouco do Capital que possuem investirem na luta e na “defesa da arte e da cultura” poxorense. Nisso cremos; nisso apostamos e por isso haveremos de lutar e viver!
Viva Poxoréo! Viva a cultura poxorense! Viva a UPE!
Poxoréo, março de 1989.

Izaias Resplandes

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ANTÔNIO LIMA FERNANDES

Por: Dr. João Batista Cavalcante,

ANTÔNIO LIMA FERNANDES, brasileiro, viúvo, funcionário Público Estadual Aposentado (Oficial de Justiça aposentado DO TJMT), nascido em
PIABANIA, GOIÁS, (atual MIRACEMA DO NORTE, ESTADO DE TOCANTINS), em
04 de junho de 1916, filho de FAUSTINO JOSÉ FERNANDES e de ROSA PEREIRA
LIMA, veio para POXORÉO – MT, em 1º de janeiro de 1940, onde trabalhou como vaqueiro e depois como garimpeiro, casou-se com MARIA RIBEIRO
LIMA, em 05 de maio de 1942, união que perdurou por 68 anos, até que a morte os separou, recentemente, em 02/07/2010. Após o casamento
continuou trabalhando como vaqueiro e garimpeiro .

Em 05/03/1956, passou a exercer o cargo de OFICIAL DE JUSTIÇA, da Comarca de
Poxoréo, nomeado por Ato Governamental, publicado no Diário Oficial de 28/02/1956, cargo
que exerceu até a sua aposentadoria em 28/04/1988, conforme Portaria nº 219/87/CM.
Leia mais em:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bráulio Silva: marcas de um cidadão ativo




Por: Profª Leda Figueiredo Rocha do Lago



Cidadão! é a palavra, talvez, mais
oportuna, para qualificar a pessoa e
escrever a história de vida de Braulio Silva,
sob a nossa ótica, sem o propósito de
esgotá-la e sem ignorar qualquer outra que
indica participação, colaboração, generosidade,
bondade e alto senso de humanidade.
Braulio Silva é um nordestino, baiano
original, na mais exequível das expressões e
um homem simples, dos mais simples, entre
os seres humanos, que aos 19 anos deixou o
Estado da Bahia em direção a Mato Grosso,
onde, em 1948, juntou-se a sua primeira
companheira até 1977, quando a perdeu,
vindo a contrair um novo relacionamento
somente em 1983, com Sidalva Lélis
Macedo, com quem vive até hoje
Um homem que foi garimpeiro,
pedreiro, barbeiro e capangueiro dos mais
procurados pelos garimpeiros para vender
suas vultosas partidas de diamante entre
as década de 70 e 90, quando as
limitações da visão o impediu de
continuar o negócio. Um baiano cidadão
que ajudou a construir a história de
Poxoréu, desde que aqui chegou, na
década de 40 e que aqui continua, do alto
da sua simplicidade, promovendo as suas
intervenções anônimas, sempre para o
bem estar de outro cidadão.
P.S.: Matéria publicada na Revista "A Upenina nº 3", pag. 52-55, de autoria da Profª. Leda Figueiredo Rocha do Lago, membro da Ordem Viva "Pó-Ceréu". Publicado do Recanto das Letras por Izaias Resplandes, onde pode ser baixado integralmente.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

POXORÉU DE ONTEM... NEM UM PINGO!

Upenino João Batista de Araújo Barbosa,
o Batistão - editor do Blog Poxoréu.
www.pox.zip.net

POXORÉU DE ONTEM... NEM UM PINGO!

Aquilino de Souza

Na década de 1930, Poxoréu era apenas uma pequena vila entre o Rio Poxoréu, e os córregos Areia e Bororo, casinhas de pau a pique embarreadas e cobertas de palhas de babaçu ou zinco, onde fervilhava nos fins de semana, a garimpeirada, os compradores de diamantes, mulheres solteiras, cargueiros de água, lenhadores, tropeiros vindos de vários lugares distantes, trazendo suas mercadorias (arroz, feijão, farinha, milho, carne seca, toucinho, rapaduras, etc.) para serem vendidas na praça.
Durante a semana tudo era tranqüilo, sossegado. Mas nos finais de semana, a Vila regurgitava de gente. O comércio de diamantes e de gêneros de utilidades era intenso, farras, as bebedeiras, a jogatina, as brigas, os crimes, tudo acontecia numa seqüência violenta, refletindo o espírito da época em que o cidadão ignorava a educação, as boas maneiras, a civilidade e se aprimorava no uso das armas, na valentia.
A gravata e a caneta davam lugar à cartucheira de balas, o punhal e o (revólver) 38.
Era comum ver-se, nos sábados e domingos, desfilarem em fila indiana pelo centro da vila, um grupo de valentões denominados por grupo do Lenço Preto. Eram sete a oito homens, vestidos a caráter, calça caqui, camisas mexicanas, chapéus mangeira abas largas, cartucheiras de balas, punhal, (revólver) 38 na cintura, e o indefectível lenço preto no pescoço. Quando esse grupo chegava, todo mundo ficava sobressaltado, temendo as arruaças e brigas que terminavam em velório.
As brigas pelos melhores garimpos eram constantes.
Havia muitos homens e poucas mulheres. Daí, a disputa, as brigas por causas dessa ou daquela garota, com tiroteio, pancadaria e mortes.
As poucas famílias existentes tinham que se manter cautelosas, afastadas do burburinho, as moças de bem e as senhoras respeitáveis.
Os homens de bem tinham que se fazer respeitar, não somente pela conduta exemplar mas, especialmente, pela coragem, valentia e rapidez no uso das armas. Do contrário não sobreviveriam por muito tempo, não. Seriam seguramente uns covardes e desprezíveis defuntos.
A covardia era derrota certa. A sobrevivência estava condicionada a valentia.
Uma coisa era importante: não existiam ladrões. Brigava-se, matava-se, às vezes por causa de suma importância, mas nunca por causa de roubos.
Bebidas, jogos, mulheres, eram os m principais motivos dos crimes. Por isso quem tinha suas esposas ou companheiras as mantinham debaixo de sete chaves.
Na vila de Poxoréu não tinha iluminação, nem mesmo os lampiões de esquina posteriormente arranjados. Também não existia água encanada. À noite as famílias se recolhiam cedo, o comerciante fechava suas portas e a vila estava em plena escuridão.
E foi aí que aconteceu àquela comédia na vida do valentão e o ciumento.
João Hilário, cabra valente, prevenido, tinha uma companheira muito bonita, com quem vivia há muitos anos e tinha uma filha moça, também muito bonita. A mulher e a filha não podiam sair nem À janela, que o Hilário reclamava. Viviam trancadas, espionadas implacavelmente. Como na rua em que moravam viviam também muitas mulheres solteiras, Hilário resolveu mudar-se. Mudaram para uma esquina de rua mais afastada, fazendo o transporte de suas coisas À noite. Terminada a mudança, João Hilário cansado, armou uma rede na sala de frente para dormir, tendo antes recomendado a mulher que arrumasse a cama e dormisse com a filha, que ele iria dormir na rede.
Hilário deitou-se, mas não conseguia conciliar o sono.
Casa de esquina sabe como é, passa um, passa outro, param, conversam. Ruas escuras, transeuntes tropeçando nos caixotes que os comerciantes deixavam nas calçadas, quedas, xingamentos, palavrões, nomes feios a toda hora.
No começo João Hilário se irritou. Depois não tendo mais sono partiu para a curiosidade de ouvir as conversas da esquina, e sorrindo a valer das quedas e tropeções, dos descuidados notívagos.
Lá pelas tantas, os desocupados voltando de suas aventuras noturnas, paravam na esquina e cada um contava as suas proezas, falavam mal de todo mundo. João Hilário aguçava cada vez mais os ouvidos e só faltava morrer de rir baixinho dos casos e piadas contadas pelos malandros. Ficou sabendo de tanta patifaria que não agüentava de curiosidade. Em dado momento, chega na esquina um grupo cantando modinhas. Cantaram umas duas canções e pararam para ouvir um retardatário que chegava dando notícias de ter surpreendido um grupo de namorados, dois homens e duas mulheres se abraçando na esquina próxima. As mulheres carregavam dois baldes d’água que puseram na calçada, para abraçarem aos dois homens , comentou ele.
Quando me aproximei de mansinho e foquei a lanterna para ver quem eram, os homens se arrancaram primeiro, tropeçando nos baldes, derramando toda a água e fazendo um barulho danado. Aí o grupo caiu na gargalhada. Lá dentro em sua rede João Hilário morria de rir. Foi quando alguém perguntou: você conheceu as duas mulheres que estavam abraçadas com os homens? Conheci sim. Eram a mulher e a filha do Hilário.
Nesta altura hilário pula atordoado pela notícia e corre para a cozinha surpreendendo a mulher e a filha que chegam assustadas com os baldes vazios.
- Que diabos vocês andavam fazendo?
- Nós fomos procurar água, mas não achamos nem um pingo...!

Aquilino de Souza, falecido, foi tabelião do Cartório do 2° Ofício, membro da UPE União Poxorense de Escritores e grande conhecedor ocular da história e dos fatos pitorescos de Poxoréu. Crônica publicada no jornal A Gazeta do Estudante, edição n° 11, Poxoréu, 09 de dezembro de 1983. Transcrita do Blog Poxoréu: http://pox.zip.net/arch2011-01-01_2011-01-31.html#2011_01-08_13_00_30-9435715-0, de responsabilidade do upenino João Batista de Araújo Barbosa, o Batistão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

domingo, 26 de dezembro de 2010

AS MULHERES DE POXORÉO

O poeta Luiz Carlos entre "As Mulheres de Poxoréu",
a quem canta e decanta nesse seu belo poema.


As Mulheres Da Minha Cidade
Tem De Deus Uma Missão...
Sozinhas, Ou Em Comunidade,
Desempenham Uma Função.
Crianças, Idosos E Mocidade
Recebem Delas Uma Contribuição.

As Meninas Mais Pequenas
Ajudam Os Pais No Lar...
As Mais Crescidas, Apenas
Se Dedicam A Estudar...

As Moças Adolescentes
Estudam E Também Trabalham...
Parece Que Estão Contentes
Pois, No Trabalho Não Falham.

As Mães Desempenham Um Papel
De Boas Educadoras,
Doado Por Deus, Do Céu,
Por Suas Mãos Protetoras,
Para Serem, Em Poxoréo,
As Melhores Professoras.

E O Que Dizer Das Avós?
Elas Também Contribuem...
Não Deixando As Netas Sós:
Com Seus Conselhos Instruem.

As Cunhadas... As Titias...
As Comadres E As Madrinhas,
As Freiras E As Vizinhas...
Ajudam No Dia A Dia.

As Mulheres Da Minha Cidade,
Dessa Forma, Vão Vivendo...
Desde A Sua Mocidade,
Ensinado E Aprendendo
Com Rara Capacidade,
Sabendo O Que Estão Fazendo.


Luiz Carlos Ferreira

domingo, 19 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL, MEU IRMÃO!

É Natal, meu irmão!
De Jesus, Filho de Deus
Vindo da parte do Pai,
Para dos pecados seus
Sofrer a condenação.

É Natal, meu irmão!
Daquele que tem por missão
Dar a vida por sua vida,
Ser caminho e inspiração
À justiça e retidão.

É Natal, meu irmão!
Do que vai ser sacrificado
Por amor à humanidade;
Que morrerá na cruz pregado
Para dar-te a salvação.

É Natal, meu irmão!
De um que não teme a morte,
Se por ela conceder
Ao homem que não tem sorte,
Luz e paz ao coração.

É Natal, meu irmão!
Dá esperança ao pecador,
Que recebe de Deus o Reino
No coração cheio de dor,
Como fonte de perdão.

É Natal, meu irmão!
Daquele que nos trará
Um tempo de muita paz;
Que buscará nos livrar
Pra sempre da perdição.

É Natal, meu irmão!
Na Ceia do Deus nascido;
Sacies tua fome e sede
No corpo de sangue oferecido,
No remédio do perdão.

É Natal, meu irmão!
Há um novo rumo à Vida.
Jesus é o Caminho do Pai,
Sua jornada protegida,
Sua ponte de salvação.

É Natal, meu irmão!
Tempo de paz e esperança;
Tempo de luz e fartura;
Tempo de acerto e bonança;
Tempo de vida e união.

Feliz Natal!
Que Jesus, a fonte do puro amor;
Sol nascente e sol poente;
Seu Senhor e Salvador
Seja sua meta final.

Feliz Natal, meu irmão!
Feliz Natal!

FAMÍLIA UPENINA

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NO MEIO DAS PEDRAS HÁ DIAMANTES

Aluno do EJA da Escola Profª Juracy Macêdo, em Poxoréu, MT,
apresentando sua maquete de um lavador de cascalho,
usado por em garimpos de ouro
NO MEIO DAS PEDRAS HÁ DIAMANTES

Joaquim Moreira

No meio das pedras há diamantes,
Muitos diamantes
Borbulhantes;
No meio das pedras borbulhantes,
Muitas vidas,
Muitas vidas!

No meio das vidas há lembranças,
Muitas lembranças
De esperanças;
No meio das vidas e esperanças,
Despedidas,
Despedidas!

Pedras e diamantes,
Vidas e esperanças!

No meio das pedras e diamantes
Há despedidas
Quase perdidas;
No meio das vidas e esperanças
Há muitas vidas
Quase esquecidas!

Não, não choro,
Não choro pelas pedras mais brilhantes;
Não, não lamento,
Não lamento por despedidas intempestivas
Nem por lembranças mais agudas.

Não choro e não lamento,
Louvo, sim, os veios de vida
Que fervilham no coração
Deixados por saudades de outros diamantes!

Sem preconceitos

O jovem Emanuel Messias Lopes Pereira (à esq.);
ao centro, o Prof. Giampiero Barozi
e o Prof. Izaias Resplandes de Sousa (à dir.)
Sem preconceitos

O mundo não é branco,
Não é vermelho, amarelo,
Não é negro.
O mundo não é só dos homens,
Nem das mulheres, nem dos animais,
Ou dos humanos.
O mundo não é só ateu,
Nem apenas religioso;
Não é só dos sãos,
Ou dos doentes,
Nem dos perfeitos,
Ou dos imperfeitos.
O mundo não é uma igualdade!
O mundo é o lugar dos desiguais!
E, como tais.
Todos devem ser tratados.
Não seja branco, ou negro,
Mulher ou homem,
Gente ou animal,
Perfeito ou imperfeito.
Seja um desigual!
Assuma seus defeitos,
Seja um ser normal
E viva sem preconceitos!
Seja demais,
Sem preconceitos sociais!

Poxoréu, MT, 15 de dezembro de 2010

Izaias Resplandes de Sousa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Primavera Invernal em Poxoréu


Segunda-feira, 13/12/2010, 15 h. O Morro da Mesa
está coberto pela neblina. A temperatura cai.
É clima de inverno em Poxoréu, MT.
Estamos vivendo um dia de
Primavera Invernal.
(Abaixo, uma vista do Morro a partir da Escola Profª. Juracy Macêdo)

Primavera Invernal
Está chegando a Primavera
Com flores pra cada lado.
O descansado verá Florinda,
A flor linda do bem-amado.

O estressado está do outro lado.
Com os nervos à flor da pele...
Com a visão das flores
Não será contemplado.

Não verá cores, não sentirá odores...
Sua Primavera trará os rigores
De um inverno sem cores
E nervos à flor da pele.

Poxoréu, MT, 14/08/2008.
Prof Izaias Resplandes
Publicado no Recanto das Letras em 06/09/2008

Vista do Morro da Mesa a partir da ladeira da Vila Cruzeiro.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Seu Jurandir Xavier continua Vivo!



Suelme ‘Biela’ E. Fernandes

Conheci Jurandir Xavier na Casa da Cultura pelos idos de 1990, quando passei num concurso da prefeitura no cargo de bibliotecário e o mesmo era Coordenador de Cultura do município no governo do médico Valterly.

Nesta época comecei a conhecer suas pesquisas, bom contador e guardador de histórias, vez por outra acessava os jornais e documentos existentes naquela biblioteca misturada com arquivo e museu de rochas.

Tinha o hábito de manuscrever suas observações e a cada bate papo com curiosos aproveitava para anotar as observações advindas nas suas memórias: o caso da Caboclinha (prostituta que teria desencadeado a guerra entre Morbeck e Carvalhinhos), os bailes no Fecha Nunca (antiga denominação dos cabarés) os valentões pistoleiros Teodorinho, Plácido Maranhense, Mariano Gomes, Getulinho, Zequinha Preto, Pedro Cavaco, José Leal e Antônio Cândido da Silva o lendário Sete Escamas pai do seu Vespasiano e avô do Zebra.

Dizia que aquele seus livros iam causar muita polêmica quando fossem publicados, pois revelaria bastidores da história política local, a verdade sobre as urnas que sumiam na época do Rochinha, as manipulações dos mapas eleitorais e até dos homicídios com motivação política de Poxoréu.

Aprendi no curso de História dito por não sei quem, mas não importa, que quando um velho morre é equivalente a uma biblioteca incendiada, a frase refere-se ao imenso potencial de memórias sociais armazenada nos arquivos virtuais do cérebro de uma pessoa com muita vivência e o prejuízo decorrente destas perdas após a morte.

Para a psicologia e a neurologia não existem memórias mortas ou enterradas, experiências de pesquisas com idosos revelaram que os mais velhos na beira da morte sentem inevitavelmente a necessidade de revelar informações silenciadas por muito tempo, filhos fora do casamento, crimes cometidos... seria uma espécie de medo da morte ou do juízo final.

Aprendi também que as condições para se revelar os segredos para posteridade são históricas e precisam de condições adequadas e favoráveis para aflorarem, a consciência de Jurandir Xavier a este respeito era tanta que inclusive as registrou em seu livro: Hoje, felizmente, já livres dos opressores afastados e extintos pelas suas próprias práticas obsoletas, urge que, ainda nesse momento histórico, salvemos o nosso enferrujado, carcomido, mas glorioso passado. (...) Façamos a nossa parte publicando o que sabemos. Não sejamos conhecidos como omissos injustificáveis. (p.11 e 12).

Antes de morrer Xavier me informou que o segundo volume de seu livro estava quase pronto. Estes registros no prelo devem ser resgatados imediatamente para termos uma publicação como obras póstumas, pois estou curiosíssimo para ler o seu segundo livro, ciente de sua importância histórica, Jurandir afirmou no volume I Poxoréo e o Garças: o outro volume promete ser mais interessante, pois contará fatos mais recentes e revelará os segredos políticos dos caciques poxoreenses, mostrando, sem rebuços, as nuances de uma política arcaica e altamente perigosa, parte da qual foi vivida pelo autor. (P.12).

Sendo assim resta a pergunta: Para quem Jurandir contou estes segredos? Onde estão seus rabiscos, anotações, documentos e digitações para o próximo livro? Quem guardará seus documentos históricos pessoais? Quem publicará o segundo volume do livro?

A arte de escrever e narrar é uma estratégia dos homens para que mesmo depois de mortos permaneçam vivos entre nós, o mesmo fazem os avós sentados na varanda contando feitos heróicos de sua vida aos netos ou deixando relíquias preciosas aos seus filhos.

Sendo assim Jurandir não morreu, pois suas memórias (para além de sua presença física) permanecerão entre nós por muito mais tempo, Sócrates ao tomar a cicuta afirmou que “os filósofos não morrem” e complemento, os historiadores também não!

Para os céticos que ainda duvidam disso, abram o livro Poxoréo e o Garças e lá estará o velho paraibano lúcido e vívido cheio de lembranças sentado numa cadeira de balanço na área de sua casa com vistas para o rio Areia a narrar suas histórias e memórias, o bom e querido amigo Jurandir Xavier, nosso guardião da memória que agora se tornou imortal!

Suelme ‘Biela’ E. Fernandes. Mestre em História da Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT.
Nota do Editor: Artigo publicado originariamente no Blog Poxoréu, do upenino João Batista de Araújo Barbosa Batistão - http://pox.zip.net/.

sábado, 27 de novembro de 2010

DESPEDIDA DE JURANDIR XAVIER

Jurandir da Cruz Xavier "completou a carreira". Partiu. Foi morar na eternidade.
Seu sepultamento ocorreu às 14 horas deste 27 de novembro de 2010, no Cemitério Municipal desta cidade. A sociedade poxoreana o acompanhou até o seu último repouso.

A UPE, entidade da qual ele é e sempre será membro realizou uma tertúlia fúnebre como homenagem de despedida, a qual foi prestigiada pelos familiares e amigos presentes.

Na foto: Amorésio, Enir, João Batista, Izaias, Gaudêncio, JURANDIR e João de Sousa

Os upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (Presidente da UPE), João de Sousa, Josélia Neves da Silva e Izaias Resplandes de Sousa usaram a palavra. Muito emocionado, o upenino Amorésio Sousa Silva, também presente, preferiu não falar. O vereador Jailton Costa Xavier (Jajá) falou pela família. Poucas palavras, mas cheias de muita emoção. Despedindo-se de seu pai-exemplo na política, Jajá disse que honrará o nome da família nesse campo.

Na foto: Jurandir com o Prof. João de Sousa, a esposa Sulene e as netas.
O upenino João de Sousa relembrou a trajetória de Joaquim Paraibano, o pai de Jurandir, narrando suas aventuras desde a Paraíba até os seringais do Acre onde encontrou aquela que seria sua esposa e depois da Paraíba até o Mato Grosso, para onde se mudou com a família. Muito emocionado, recitou o poema "Meus Oitenta Anos", de autoria do homenageado póstumo, produzido em 2009.


Na foto: Jurandir e uma das filhas. Aquela que cuidou dele em seus últimos dias de vida.

A upenina Josélia se lembrou dos bons momentos em que ela e Jurandir degustaram um bom vinho, que, de cálice em cálice, terminaram em várias garrafas. Dirigiu emocionantes palavras. João de Sousa disse que também participou algumas vezes dessa degustação.

O Presidente Gaudêncio Amorim falou dos últimos momentos em que esteve com Jurandir.

Na foto, flagrantes das pessoas presentes no funeral durante e tertúlia upenina

Gaudêncio disse que o velho upenino fazia questão de ligar para ele todos os dias para dizer como estava de saúde. Se estava bem, se tinha passado mal. Falou também de sua alegria em poder estar bem presente na vida dele nesta reta final, dando apoio moral e material à filha que estava cuidando dele.

O upenino Izaias Resplandes apresentou a mensagem "O Adeus de Jurandir da Crux Xavier" em nome da União Poxorense de Escritores. Encerrou sua fala com o tradicional triplo Viva a Jurandir, no que foi acompanhado pelos presentes.

A família e os irmãos de fé cantaram hinos e cânticos espirituais. A foto abaixo registra o momento dos cânticos e das homenagens ao paraibano upenino.

É mais um companheiro da UPE que nos deixa. Dizia ao Amorésio Sousa Silva que a UPE do Céu está ficando maior que a UPE da Terra. Mas, bom ou ruim, o que importa é que aqui ou lá sempre seremos upeninos com muito amor para dar a todos os que nos rodearem em prol da defesa da arte e da cultura poxoreana.

Viva a UPE! Viva aos companheiros que partiram! Viva os que ficaram! Viva o povo de Poxoréu! E viva o Jurandir da Cruz Xavier!

Viva! Viva! Viva!



Pela Comunidade Upenina, Izaias Resplandes de Sousa.

O ADEUS DE JURANDIR DA CRUZ XAVIER

Upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim,
JURANDIR DA CRUZ XAVIER e Izaias Resplandes de Sousa,
na festa dos 80 anos do Jurandir, em sua Chácara Flor-de-Liz,
em 2009, Poxoréu, MT.

A dor atinge mais uma vez a família upenina.

Nessa sexta-feira, 26 de novembro de 2010, o decano da UPE Jurandir da Cruz Xavier, aos 81 anos, autor do livro "Poxoréo e o Garças", foi chamado para escrever suas narrativas históricas no Reino dos Céus.


Ele não foi pego de surpresa. Já faz um bom tempo que sua maior preocupação era transferir o seu legado cultural. A maioria de suas vivências e experiências ocorreu na terra poxoreana, para onde esse paraibano veio ainda menino. Ele faz parte da plêiade dos velhos companheiros que viram surgir nesse vale as primeiras manifestações de progresso.

Na condição de testemunha ocular da história, Jurandir teve muito que contar, mas, infelizmente, não pode contar tudo, diante da dificuldade de se documentar e registrar o que viu e o que sentiu enquanto percorreu as ruas, os cantos e os recantos deste lugar. Não temos dúvidas que ele levou consigo um acervo de conhecimentos incomparável, o qual colocou à disposição do povo de Poxoréu durante todo o percurso de sua vida como homem público, escritor, amigo, companheiro e pai.

Sua partida na manhã de ontem, segundo a família, se deu de forma tranquila, silenciosa, sem dor, sem alarde e sem sofrimento. Vale dizer que era assim que esse homem vivia. Jurandir era um homem de paz e transmitia uma sensação agradável e carismática quando andava pelas ruas desta cidade por seus passos de ancião. A sua voz mansa e agradável tornava o seu discurso cativante.

Em seu último dia entre nós, ele se levantou, fez a higiene matinal, barbeou-se e pediu à filha que lhe fizesse um suco de laranja. Nesse ínterim, enquanto ela atendia ao seu pedido, o velho companheiro mansamente fechou os olhos, adormeceu e foi-se encontrar com os nossos antigos companheiros Aquilino Sousa Silva, Fraga Filho, Gilbert Araújo Lemos, Joaquim Nunes Rocha, Delza Fernandes Zambonini e Joaquim Moreira, que o precederam na longa jornada celestial.

A UPE da Terra se despede de seu Notável confrade, desejando que no além ele venha ser bem recebido por Deus e pelos Notáveis companheiros da UPE do Céu. Segundo o Notável Willian Shakespeare, “há muito mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”. Jurandir sabia de muitas dessas coisas e queria nos contá-las, mas não teve tempo para isso, de sorte que somente ficaremos sabendo delas quando a nossa hora chegar e pudermos ir nos encontrar com ele na eternidade. Ali então tudo ficará mais claro. Já não haverá segredos e coisas ocultas. Ali tudo é claro e transparente. Essa é uma das vantagens do além.

Aqui na Terra nós vivemos cercados pelas aparências. Nós também somos aparência de alguma coisa que desejamos. Essa é a forma que nós encontramos para nos defender da maldade humana. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem e aqui na Terra existe uma eterna guerra de todos contra todos”.

Já na eternidade, essa luta será desnecessária. Primeiro, porque ali teremos outra forma. Já não seremos carne, sangue e ossos, mas apenas seres espirituais. Seremos semelhantes a uma energia que poderá ser materializada na forma que se fizer necessário. Já não poderemos mais fazer mal uns aos outros. Viveremos para cumprir uma missão que estará de acordo com o planejamento do Arquiteto do Universo. Segundo, porque todos os nossos desejos serão satisfeitos. Afinal, ali será o nosso Paraíso tão sonhado e desejado, lamentavelmente perdido pelo Adão espiritual do Éden.

É claro que as revelações sobre a eternidade têm muito mais a ver com a nossa religiosidade do que com qualquer outra coisa. Mas a religião é o nosso maior bem. É ela que mantém acesa a chama da esperança de dias melhores. Se acreditássemos que a vida acabasse aqui, então seríamos piores do que os animais de pouco ou nenhum entendimento, porque eles apenas vivem o “cada dia” sem qualquer preocupação com o futuro, enquanto nós vivemos com a certeza de que a cada dia que passa nós estamos mais pertos da morte.

Então a religião nos dá uma nova visão da vida, dizendo-nos que a morte é apenas uma passagem para uma outra dimensão, um outro estágio do nosso desenvolvimento. E que, na verdade, nós somos na verdadeira extensão do verbo SER. E o que é não pode deixar de ser, mas sempre SERÁ. É com essa crença e convicção que vivia o nosso amigo Jurandir Xavier e também a maioria dos homens da Terra.

É claro que a vida na Terra tem um sabor diferente e que vale a pena experimentar. É aqui que nós aprendemos a cooperar e a fazer alguma coisa pelos demais. É aqui que nós extravasamos o AMOR que o Criador plantou em nossos corações.

É por essa razão que o apóstolo São Paulo, escrevendo aos Filipenses disse que se sentia dividido entre ficar mais um tempo na Terra ou partir para o Além. Refletia que se permanecesse aqui, com certeza ainda seria de grande utilidade para a humanidade. Mas, por outro lado, ele também tinha o desejo de partir e estar com Cristo, o que para ele era ainda muito melhor.

De forma que vejo o Jurandir como um ser privilegiado. Vivendo mais de 81 anos, com certeza ele deixa um grande legado para o povo de Poxoréu. Além disso, teve alegria dos filhos e netos que carregarão o seu sangue e a sua carga genética de influências por ene gerações.

Todavia, essa partida súbita, inegavelmente, gera um vazio entre nós, o qual não será facilmente preenchido. Por isso precisamos uns dos outros. Desse modo, já com muitas saudades, dor e pesar no coração e na alma, nós upeninos nos unimos para pedir ao Criador que conceda aos familiares de Jurandir, a necessária paz e conforto espiritual pela perda desse ente querido.

Que o calor de nossa amizade e dos demais amigos possa ser um conforto na vida de toda a família Cruz Xavier.

Adeus, Notável Upenino Jurandir da Cruz Xavier. Seu nome estará para sempre gravado nos anais dessa entidade que não poupará esforços para mantê-lo vivo na galeria dos imortais.
Izaias Resplandes, advogado, matemático e pedagogo, sócio-fundador da UPE - União Poxorense de Escritores, Poxoréu, MT.