domingo, 27 de fevereiro de 2011

A coragem do simples






Izaias Resplandes
Eu queria ter a coragem do simples
Para viver em uma casinha pequena,
Que desse pouco trabalho pra cuidar,
Para que tivesse como desfrutar de outros prazeres da vida,
Ao invés de passar o tempo todo tentando construir uma casa grande,
Para receber pessoas que não vêm me visitar,
Mesmo porque eu nunca estou em casa para recebê-las,
E que só serve mesmo para atrair a poeira
E para dar muito trabalho pra zelar.

Gostaria de não complicar as coisas tanto
E de ficar satisfeito com o que Deus já me tem dado;
De poder parar de correr para um e outro lado
Atrás de novidades e de outros cursos da vida;
De dizer um BASTA que me faça perder o encanto,
E que me ajude a correr de modo mais compassado,
De tal sorte que eu o escute sempre que for tentado
A ultrapassar os limites estabelecidos em minha corrida

Queria ter mais tempo para ler.
De que adianta ter na biblioteca tantos livros
Se o meu tempo vai passar e eu nem saberei
O que aqueles livros tinham para me dizer?
Servem apenas para falar que tenho livros e atrair as traças.
Essas preciosidades não podem ser só para se ver
Elas têm direito de circular por entre os seres vivos
Para mostrar-lhes o que tem e que eu não busquei
Por haver a passado a vida conjugando o verbo TER
Deixando de SER, ocupado noutras graças.

Eu gosto de ouvir o cantar dos passarinhos,
Mas quase não tenho tempo de parar meus vens e vais
E voltar-lhes alguns momentos de meus sentidos
Em meu grande quintal arborizado,
Onde eles criam seus filhotes, fazem seus ninhos,
E realizam seus mais lindos recitais.
E então esses cantores morrem e seus cantos não são ouvidos
Porque eu, platéia, estive correndo atrás dos ventos,
E entre tantos contratempos, ocupado.

De que adiantam os quartos vazios,
O corre-corre e os tantos desvarios?
De que adiantam os livros de tantas histórias,
Tantas aventuras e glórias notórias?
De que adiantam as plantas, os quintais,
E os pássaros cantores que não têm iguais?
O que adianta ter cinquenta, oitenta, cem anos,
Se não se teve a coragem do simples vivenciando?

A vida não é uma multiplicação dos anos que são passados;
Não é uma luta para conseguir objetivos inconquistáveis;
Não é o aproveitamento do tempo em qualquer inutilidade!
Viver não é conquistar a imortalidade!
A vida é o tempo apreciado e os dias efetivamente desfrutados;
É a alegria e o prazer das companhias contáveis,
Sem importar de quanto seja a nossa idade.
Viver é o tempo que passamos em plena felicidade!


Poxoréu, 27 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eunice de Brito Sol: um sorriso contagiante


Autor: Upenino Dr. João Batista Cavalcante Publicação: A Upenina nº 03 - 2010

N a s c i d a em Cuiabá-Mt no dia 22 de maio de 1925. Chegou em Poxoréu com dois anos de Nidade em companhia de seus pais Amarílio Bento de Britto e Antonia Fermina Rizzard de Araújo Britto . É descendente de portugueses, italianos e africanos. A família morou inicialmente, por alguns meses nos garimpos de São Pedro, região da Raizinha, zona rural de Poxoréu, no apogeu da produção diamantífera, onde existia um comércio pujante e uma população bastante numerosa de migrantes de todos os Estados da Federação, principalmente do nordeste brasileiro, local onde existia inclusive campo de pouso para aviões pequenos e médios, que faziam a ponte aérea Poxoréu/Rio de Janeiro.
Quando criança vivenciou com seus pais inúmeras cenas de violência decorrentes de conflitos políticos e sociais que naquela época eram comuns em Poxoréu, várias vezes palco de cenas de tiroteios e mortes protagonizadas por homens rudes e bárbaros que não conheciam nem respeitavam princípios, leis ou regras, tornando-se verdadeiros déspotas com requintes de crueldade e selvageria. Passou muitas noites em claro, junto com sua mãe, tomadas de pavor e medo, enquanto seu genitor, “Seu Amarílio”, o farmacêutico que salvou muitas vidas nestas paragens em razão de suas habilidades médicas e humanitárias, saía enfrentando o perigo para salvar as vidas de seres humanos destroçados por balas ou facas.

Leia mais e baixe o arquivo completo em: http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/2783232

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Julinda: A trajetória de uma baiana de fibra


A trajetória das pessoas da região do semi-árido é
pensada com uma quase paralisia histórica: nada muda, são
sempre as mesmas abordagens e propostas recorrentes. É
freqüente encontrarmos nos discursos de historiadores
afirmações como “O problema da seca e das migrações no
sertão nordestino é histórico”. Nesse contexto, “ser histórico” é
aquilo que sempre ocorreu e que não tem solução, isto é, tem
um sentido de permanência, contrariando a máxima
Heraclitiana que ”a única coisa permanente é a mudança”,
como, a propósito, veremos com a história de Julinda Alves
Vieira.


Autor: Upenino Prof. Gaudêncio Filho Rosa de Amorim.

Publicado: A UPENINA nº 3.


Eoni Sousa Lima: um cuiabano de chapa e cruz


Filho de Aristides de Souza Lima e Osvaldina Queiroz Lima.
Nasceu no dia 29 de maio de 1920 no Bairro do Porto, na cidade de
Cuiabá, Estado de Mato Grosso. É o segundo de uma família de onze
irmãos. Hoje estão vivos Eoni, Creone, Ivone e Iolete.
Em Cuiabá, Eoni morou nas ruas Coronel Peixoto, Prainha,
Formosa, 15 de novembro e na rua dos Porcos.
Ainda era criança quando acompanhou seu pai em algumas
viagens de trabalho pelos sertões do Estado na implantação da linha
telegráfica pela expedição do General Cândido Mariano da Silva
Rondon. Seu pai, era telegrafista.
Aos sete anos Eoni começou a estudar no Grupo Escolar André
Avelino, onde cursou até o quarto ano e fez a admissão em 1930. Com o
falecimento de seu pai em 30 de outubro de 1930 e sendo um dos filhos
mais velhos foi obrigado a interromper os estudos para trabalhar para
que pudesse ajudar sua mãe no sustento dos irmãos menores.

Autor: Comendador Prof. João de Sousa
Publicado em "A Upenina nº 3", Poxoréu, MT.

Quem desejar ler mais pode solicitar o arquivo completo por e-mail: respland@gmail.com

O tamanho do arquivo é 16.126 kb.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A morte do Comendador


Comendador Pompílio

No último dia 18 de janeiro, faleceu em Cuiabá o senhor comendador Pompílio Alves Pereira. Baiano de Barro Vermelho, município de Macaúbas (BA), Pompílio chegou à Poxoréu em 1935. Aqui se casou com dona Elza Cardoso, em 1946. Dessa união nasceram os filhos Maria Cardoso, Maria José, Rosângela e Cesar Cardoso Pereira. Pelos relevantes serviços prestados em Poxoréu, recebeu ano passado comenda “Ordem Memória Viva Pó-ceréu”, conforme destacou a revista A UPENINA.

Clique aqui e leia o artigo de Gaudêncio Amorim sobre a vida do comendador Pompílio.

Fonte: http://pox.zip.net/

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O preço do Ideal



Ideal é fé; é crença; é objetivo. Em nosso artigo intitulado “Um dia, Uma Academia...”, publicado à pag. 03 da edição do Jornal A Voz de Poxoréo” de 17 de março de 1989, dissertamos sobre a fundação da UPE – União Poxorense de Escritores e dos Upeninos, os membros da UPE; um grupo “que, sobre tudo e todos, amam e acreditam em Poxoréo; valorizam as conquistas, as lutas,o passado, o presente, a cultura e a história poxorense”. Upeninos: um grupo que ACREDITA em Poxoréo. Acreditar é crer; é ter fé. É essa crença, o objetivo maior da UPE e dos Upeninos: Acreditar em Poxoréo, lutar e viver por isso.
Viver e lutar por ideais pode ser gratificante, mas não é nada fácil quando se tem de viver mercê do Capitalismo selvagem dos Dominantes, o segmento social responsável pela morte de um exército de idealistas e pelo massacre de ideais os mais nobres que se possa conceber. Jesus Cristo, Joana D’Arc e Tiradentes são exemplos dessa verdade. Todavia, acreditamos no idealismo e achamos que somente com ideais em nossas vidas, poderemos viver com um pouco mais de dignidade e humanidade, porquê ser idealista é, acima de tudo ser humano.
O Capitalismo massacra o ideal; espezinha o ser humano. O dinheiro dá aos que o possuem um poder demoníaco. Até um provérbio para demonstrar o poder que o dinheiro exerce sobre o homem foi criado nos Estados Unidos, a sede mundial do Capitalismo: “por um dólar, fulano é capaz de vender a própria mãe ao Diabo”. Isso é absurdo, mas é real. É o poder do metal, do ouro, do dinheiro. O poder que escraviza e que domina e que impõe; o símbolo da tirania, da ditadura e outros sistemas similares. Lutar contra as hostes do Capitalismo é um preço que os idealistas, às vezes pagam até com as próprias vidas. E isso não é extremismo de esquerda. Não! Isso é a mais pura realidade.
Nós, upeninos, idealistas caracterizados pelo amor à cultura e a tantos outros valores poxorenses, diante dos Cristos, Joanas Darques e Tiradentes do passado, somos formigas próximas dos elefantes. Em relação ao inferno que eles viveram, vivemos senão no Paraíso, mas pelo menos no Purgatório.
Na “defesa da arte e da cultura” poxorense, nosso maior obstáculo é, em um paradoxo às idéias já expostas, exatamente a falta de dinheiro. Sem dúvida alguma, se comercializássemos a nossa criatividade, talvez nós tivéssemos os recursos para a nossa luta. Só que não seríamos idealistas. Seríamos tão mercenários quanto os capitalistas. E isso nós não queremos ser. Jamais! Padecer pela falta de recursos para defendermos a cultura e os valores de todos nós, idealistas e capitalistas, é o preço que pagamos para termos o nosso ideal de cada dia. Preço que pagamos com satisfação, porque acreditamos que, em um dia muito próximo, haveremos de ver aqueles que hoje servem tão somente ao Capital, converterem-se ao Idealismo Poxorense e, como nós, senão totalmente, pelo menos um pouco do Capital que possuem investirem na luta e na “defesa da arte e da cultura” poxorense. Nisso cremos; nisso apostamos e por isso haveremos de lutar e viver!
Viva Poxoréo! Viva a cultura poxorense! Viva a UPE!
Poxoréo, março de 1989.

Izaias Resplandes

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ANTÔNIO LIMA FERNANDES

Por: Dr. João Batista Cavalcante,

ANTÔNIO LIMA FERNANDES, brasileiro, viúvo, funcionário Público Estadual Aposentado (Oficial de Justiça aposentado DO TJMT), nascido em
PIABANIA, GOIÁS, (atual MIRACEMA DO NORTE, ESTADO DE TOCANTINS), em
04 de junho de 1916, filho de FAUSTINO JOSÉ FERNANDES e de ROSA PEREIRA
LIMA, veio para POXORÉO – MT, em 1º de janeiro de 1940, onde trabalhou como vaqueiro e depois como garimpeiro, casou-se com MARIA RIBEIRO
LIMA, em 05 de maio de 1942, união que perdurou por 68 anos, até que a morte os separou, recentemente, em 02/07/2010. Após o casamento
continuou trabalhando como vaqueiro e garimpeiro .

Em 05/03/1956, passou a exercer o cargo de OFICIAL DE JUSTIÇA, da Comarca de
Poxoréo, nomeado por Ato Governamental, publicado no Diário Oficial de 28/02/1956, cargo
que exerceu até a sua aposentadoria em 28/04/1988, conforme Portaria nº 219/87/CM.
Leia mais em:

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bráulio Silva: marcas de um cidadão ativo




Por: Profª Leda Figueiredo Rocha do Lago



Cidadão! é a palavra, talvez, mais
oportuna, para qualificar a pessoa e
escrever a história de vida de Braulio Silva,
sob a nossa ótica, sem o propósito de
esgotá-la e sem ignorar qualquer outra que
indica participação, colaboração, generosidade,
bondade e alto senso de humanidade.
Braulio Silva é um nordestino, baiano
original, na mais exequível das expressões e
um homem simples, dos mais simples, entre
os seres humanos, que aos 19 anos deixou o
Estado da Bahia em direção a Mato Grosso,
onde, em 1948, juntou-se a sua primeira
companheira até 1977, quando a perdeu,
vindo a contrair um novo relacionamento
somente em 1983, com Sidalva Lélis
Macedo, com quem vive até hoje
Um homem que foi garimpeiro,
pedreiro, barbeiro e capangueiro dos mais
procurados pelos garimpeiros para vender
suas vultosas partidas de diamante entre
as década de 70 e 90, quando as
limitações da visão o impediu de
continuar o negócio. Um baiano cidadão
que ajudou a construir a história de
Poxoréu, desde que aqui chegou, na
década de 40 e que aqui continua, do alto
da sua simplicidade, promovendo as suas
intervenções anônimas, sempre para o
bem estar de outro cidadão.
P.S.: Matéria publicada na Revista "A Upenina nº 3", pag. 52-55, de autoria da Profª. Leda Figueiredo Rocha do Lago, membro da Ordem Viva "Pó-Ceréu". Publicado do Recanto das Letras por Izaias Resplandes, onde pode ser baixado integralmente.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

POXORÉU DE ONTEM... NEM UM PINGO!

Upenino João Batista de Araújo Barbosa,
o Batistão - editor do Blog Poxoréu.
www.pox.zip.net

POXORÉU DE ONTEM... NEM UM PINGO!

Aquilino de Souza

Na década de 1930, Poxoréu era apenas uma pequena vila entre o Rio Poxoréu, e os córregos Areia e Bororo, casinhas de pau a pique embarreadas e cobertas de palhas de babaçu ou zinco, onde fervilhava nos fins de semana, a garimpeirada, os compradores de diamantes, mulheres solteiras, cargueiros de água, lenhadores, tropeiros vindos de vários lugares distantes, trazendo suas mercadorias (arroz, feijão, farinha, milho, carne seca, toucinho, rapaduras, etc.) para serem vendidas na praça.
Durante a semana tudo era tranqüilo, sossegado. Mas nos finais de semana, a Vila regurgitava de gente. O comércio de diamantes e de gêneros de utilidades era intenso, farras, as bebedeiras, a jogatina, as brigas, os crimes, tudo acontecia numa seqüência violenta, refletindo o espírito da época em que o cidadão ignorava a educação, as boas maneiras, a civilidade e se aprimorava no uso das armas, na valentia.
A gravata e a caneta davam lugar à cartucheira de balas, o punhal e o (revólver) 38.
Era comum ver-se, nos sábados e domingos, desfilarem em fila indiana pelo centro da vila, um grupo de valentões denominados por grupo do Lenço Preto. Eram sete a oito homens, vestidos a caráter, calça caqui, camisas mexicanas, chapéus mangeira abas largas, cartucheiras de balas, punhal, (revólver) 38 na cintura, e o indefectível lenço preto no pescoço. Quando esse grupo chegava, todo mundo ficava sobressaltado, temendo as arruaças e brigas que terminavam em velório.
As brigas pelos melhores garimpos eram constantes.
Havia muitos homens e poucas mulheres. Daí, a disputa, as brigas por causas dessa ou daquela garota, com tiroteio, pancadaria e mortes.
As poucas famílias existentes tinham que se manter cautelosas, afastadas do burburinho, as moças de bem e as senhoras respeitáveis.
Os homens de bem tinham que se fazer respeitar, não somente pela conduta exemplar mas, especialmente, pela coragem, valentia e rapidez no uso das armas. Do contrário não sobreviveriam por muito tempo, não. Seriam seguramente uns covardes e desprezíveis defuntos.
A covardia era derrota certa. A sobrevivência estava condicionada a valentia.
Uma coisa era importante: não existiam ladrões. Brigava-se, matava-se, às vezes por causa de suma importância, mas nunca por causa de roubos.
Bebidas, jogos, mulheres, eram os m principais motivos dos crimes. Por isso quem tinha suas esposas ou companheiras as mantinham debaixo de sete chaves.
Na vila de Poxoréu não tinha iluminação, nem mesmo os lampiões de esquina posteriormente arranjados. Também não existia água encanada. À noite as famílias se recolhiam cedo, o comerciante fechava suas portas e a vila estava em plena escuridão.
E foi aí que aconteceu àquela comédia na vida do valentão e o ciumento.
João Hilário, cabra valente, prevenido, tinha uma companheira muito bonita, com quem vivia há muitos anos e tinha uma filha moça, também muito bonita. A mulher e a filha não podiam sair nem À janela, que o Hilário reclamava. Viviam trancadas, espionadas implacavelmente. Como na rua em que moravam viviam também muitas mulheres solteiras, Hilário resolveu mudar-se. Mudaram para uma esquina de rua mais afastada, fazendo o transporte de suas coisas À noite. Terminada a mudança, João Hilário cansado, armou uma rede na sala de frente para dormir, tendo antes recomendado a mulher que arrumasse a cama e dormisse com a filha, que ele iria dormir na rede.
Hilário deitou-se, mas não conseguia conciliar o sono.
Casa de esquina sabe como é, passa um, passa outro, param, conversam. Ruas escuras, transeuntes tropeçando nos caixotes que os comerciantes deixavam nas calçadas, quedas, xingamentos, palavrões, nomes feios a toda hora.
No começo João Hilário se irritou. Depois não tendo mais sono partiu para a curiosidade de ouvir as conversas da esquina, e sorrindo a valer das quedas e tropeções, dos descuidados notívagos.
Lá pelas tantas, os desocupados voltando de suas aventuras noturnas, paravam na esquina e cada um contava as suas proezas, falavam mal de todo mundo. João Hilário aguçava cada vez mais os ouvidos e só faltava morrer de rir baixinho dos casos e piadas contadas pelos malandros. Ficou sabendo de tanta patifaria que não agüentava de curiosidade. Em dado momento, chega na esquina um grupo cantando modinhas. Cantaram umas duas canções e pararam para ouvir um retardatário que chegava dando notícias de ter surpreendido um grupo de namorados, dois homens e duas mulheres se abraçando na esquina próxima. As mulheres carregavam dois baldes d’água que puseram na calçada, para abraçarem aos dois homens , comentou ele.
Quando me aproximei de mansinho e foquei a lanterna para ver quem eram, os homens se arrancaram primeiro, tropeçando nos baldes, derramando toda a água e fazendo um barulho danado. Aí o grupo caiu na gargalhada. Lá dentro em sua rede João Hilário morria de rir. Foi quando alguém perguntou: você conheceu as duas mulheres que estavam abraçadas com os homens? Conheci sim. Eram a mulher e a filha do Hilário.
Nesta altura hilário pula atordoado pela notícia e corre para a cozinha surpreendendo a mulher e a filha que chegam assustadas com os baldes vazios.
- Que diabos vocês andavam fazendo?
- Nós fomos procurar água, mas não achamos nem um pingo...!

Aquilino de Souza, falecido, foi tabelião do Cartório do 2° Ofício, membro da UPE União Poxorense de Escritores e grande conhecedor ocular da história e dos fatos pitorescos de Poxoréu. Crônica publicada no jornal A Gazeta do Estudante, edição n° 11, Poxoréu, 09 de dezembro de 1983. Transcrita do Blog Poxoréu: http://pox.zip.net/arch2011-01-01_2011-01-31.html#2011_01-08_13_00_30-9435715-0, de responsabilidade do upenino João Batista de Araújo Barbosa, o Batistão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

domingo, 26 de dezembro de 2010

AS MULHERES DE POXORÉO

O poeta Luiz Carlos entre "As Mulheres de Poxoréu",
a quem canta e decanta nesse seu belo poema.


As Mulheres Da Minha Cidade
Tem De Deus Uma Missão...
Sozinhas, Ou Em Comunidade,
Desempenham Uma Função.
Crianças, Idosos E Mocidade
Recebem Delas Uma Contribuição.

As Meninas Mais Pequenas
Ajudam Os Pais No Lar...
As Mais Crescidas, Apenas
Se Dedicam A Estudar...

As Moças Adolescentes
Estudam E Também Trabalham...
Parece Que Estão Contentes
Pois, No Trabalho Não Falham.

As Mães Desempenham Um Papel
De Boas Educadoras,
Doado Por Deus, Do Céu,
Por Suas Mãos Protetoras,
Para Serem, Em Poxoréo,
As Melhores Professoras.

E O Que Dizer Das Avós?
Elas Também Contribuem...
Não Deixando As Netas Sós:
Com Seus Conselhos Instruem.

As Cunhadas... As Titias...
As Comadres E As Madrinhas,
As Freiras E As Vizinhas...
Ajudam No Dia A Dia.

As Mulheres Da Minha Cidade,
Dessa Forma, Vão Vivendo...
Desde A Sua Mocidade,
Ensinado E Aprendendo
Com Rara Capacidade,
Sabendo O Que Estão Fazendo.


Luiz Carlos Ferreira

domingo, 19 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL, MEU IRMÃO!

É Natal, meu irmão!
De Jesus, Filho de Deus
Vindo da parte do Pai,
Para dos pecados seus
Sofrer a condenação.

É Natal, meu irmão!
Daquele que tem por missão
Dar a vida por sua vida,
Ser caminho e inspiração
À justiça e retidão.

É Natal, meu irmão!
Do que vai ser sacrificado
Por amor à humanidade;
Que morrerá na cruz pregado
Para dar-te a salvação.

É Natal, meu irmão!
De um que não teme a morte,
Se por ela conceder
Ao homem que não tem sorte,
Luz e paz ao coração.

É Natal, meu irmão!
Dá esperança ao pecador,
Que recebe de Deus o Reino
No coração cheio de dor,
Como fonte de perdão.

É Natal, meu irmão!
Daquele que nos trará
Um tempo de muita paz;
Que buscará nos livrar
Pra sempre da perdição.

É Natal, meu irmão!
Na Ceia do Deus nascido;
Sacies tua fome e sede
No corpo de sangue oferecido,
No remédio do perdão.

É Natal, meu irmão!
Há um novo rumo à Vida.
Jesus é o Caminho do Pai,
Sua jornada protegida,
Sua ponte de salvação.

É Natal, meu irmão!
Tempo de paz e esperança;
Tempo de luz e fartura;
Tempo de acerto e bonança;
Tempo de vida e união.

Feliz Natal!
Que Jesus, a fonte do puro amor;
Sol nascente e sol poente;
Seu Senhor e Salvador
Seja sua meta final.

Feliz Natal, meu irmão!
Feliz Natal!

FAMÍLIA UPENINA

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NO MEIO DAS PEDRAS HÁ DIAMANTES

Aluno do EJA da Escola Profª Juracy Macêdo, em Poxoréu, MT,
apresentando sua maquete de um lavador de cascalho,
usado por em garimpos de ouro
NO MEIO DAS PEDRAS HÁ DIAMANTES

Joaquim Moreira

No meio das pedras há diamantes,
Muitos diamantes
Borbulhantes;
No meio das pedras borbulhantes,
Muitas vidas,
Muitas vidas!

No meio das vidas há lembranças,
Muitas lembranças
De esperanças;
No meio das vidas e esperanças,
Despedidas,
Despedidas!

Pedras e diamantes,
Vidas e esperanças!

No meio das pedras e diamantes
Há despedidas
Quase perdidas;
No meio das vidas e esperanças
Há muitas vidas
Quase esquecidas!

Não, não choro,
Não choro pelas pedras mais brilhantes;
Não, não lamento,
Não lamento por despedidas intempestivas
Nem por lembranças mais agudas.

Não choro e não lamento,
Louvo, sim, os veios de vida
Que fervilham no coração
Deixados por saudades de outros diamantes!

Sem preconceitos

O jovem Emanuel Messias Lopes Pereira (à esq.);
ao centro, o Prof. Giampiero Barozi
e o Prof. Izaias Resplandes de Sousa (à dir.)
Sem preconceitos

O mundo não é branco,
Não é vermelho, amarelo,
Não é negro.
O mundo não é só dos homens,
Nem das mulheres, nem dos animais,
Ou dos humanos.
O mundo não é só ateu,
Nem apenas religioso;
Não é só dos sãos,
Ou dos doentes,
Nem dos perfeitos,
Ou dos imperfeitos.
O mundo não é uma igualdade!
O mundo é o lugar dos desiguais!
E, como tais.
Todos devem ser tratados.
Não seja branco, ou negro,
Mulher ou homem,
Gente ou animal,
Perfeito ou imperfeito.
Seja um desigual!
Assuma seus defeitos,
Seja um ser normal
E viva sem preconceitos!
Seja demais,
Sem preconceitos sociais!

Poxoréu, MT, 15 de dezembro de 2010

Izaias Resplandes de Sousa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Primavera Invernal em Poxoréu


Segunda-feira, 13/12/2010, 15 h. O Morro da Mesa
está coberto pela neblina. A temperatura cai.
É clima de inverno em Poxoréu, MT.
Estamos vivendo um dia de
Primavera Invernal.
(Abaixo, uma vista do Morro a partir da Escola Profª. Juracy Macêdo)

Primavera Invernal
Está chegando a Primavera
Com flores pra cada lado.
O descansado verá Florinda,
A flor linda do bem-amado.

O estressado está do outro lado.
Com os nervos à flor da pele...
Com a visão das flores
Não será contemplado.

Não verá cores, não sentirá odores...
Sua Primavera trará os rigores
De um inverno sem cores
E nervos à flor da pele.

Poxoréu, MT, 14/08/2008.
Prof Izaias Resplandes
Publicado no Recanto das Letras em 06/09/2008

Vista do Morro da Mesa a partir da ladeira da Vila Cruzeiro.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Seu Jurandir Xavier continua Vivo!



Suelme ‘Biela’ E. Fernandes

Conheci Jurandir Xavier na Casa da Cultura pelos idos de 1990, quando passei num concurso da prefeitura no cargo de bibliotecário e o mesmo era Coordenador de Cultura do município no governo do médico Valterly.

Nesta época comecei a conhecer suas pesquisas, bom contador e guardador de histórias, vez por outra acessava os jornais e documentos existentes naquela biblioteca misturada com arquivo e museu de rochas.

Tinha o hábito de manuscrever suas observações e a cada bate papo com curiosos aproveitava para anotar as observações advindas nas suas memórias: o caso da Caboclinha (prostituta que teria desencadeado a guerra entre Morbeck e Carvalhinhos), os bailes no Fecha Nunca (antiga denominação dos cabarés) os valentões pistoleiros Teodorinho, Plácido Maranhense, Mariano Gomes, Getulinho, Zequinha Preto, Pedro Cavaco, José Leal e Antônio Cândido da Silva o lendário Sete Escamas pai do seu Vespasiano e avô do Zebra.

Dizia que aquele seus livros iam causar muita polêmica quando fossem publicados, pois revelaria bastidores da história política local, a verdade sobre as urnas que sumiam na época do Rochinha, as manipulações dos mapas eleitorais e até dos homicídios com motivação política de Poxoréu.

Aprendi no curso de História dito por não sei quem, mas não importa, que quando um velho morre é equivalente a uma biblioteca incendiada, a frase refere-se ao imenso potencial de memórias sociais armazenada nos arquivos virtuais do cérebro de uma pessoa com muita vivência e o prejuízo decorrente destas perdas após a morte.

Para a psicologia e a neurologia não existem memórias mortas ou enterradas, experiências de pesquisas com idosos revelaram que os mais velhos na beira da morte sentem inevitavelmente a necessidade de revelar informações silenciadas por muito tempo, filhos fora do casamento, crimes cometidos... seria uma espécie de medo da morte ou do juízo final.

Aprendi também que as condições para se revelar os segredos para posteridade são históricas e precisam de condições adequadas e favoráveis para aflorarem, a consciência de Jurandir Xavier a este respeito era tanta que inclusive as registrou em seu livro: Hoje, felizmente, já livres dos opressores afastados e extintos pelas suas próprias práticas obsoletas, urge que, ainda nesse momento histórico, salvemos o nosso enferrujado, carcomido, mas glorioso passado. (...) Façamos a nossa parte publicando o que sabemos. Não sejamos conhecidos como omissos injustificáveis. (p.11 e 12).

Antes de morrer Xavier me informou que o segundo volume de seu livro estava quase pronto. Estes registros no prelo devem ser resgatados imediatamente para termos uma publicação como obras póstumas, pois estou curiosíssimo para ler o seu segundo livro, ciente de sua importância histórica, Jurandir afirmou no volume I Poxoréo e o Garças: o outro volume promete ser mais interessante, pois contará fatos mais recentes e revelará os segredos políticos dos caciques poxoreenses, mostrando, sem rebuços, as nuances de uma política arcaica e altamente perigosa, parte da qual foi vivida pelo autor. (P.12).

Sendo assim resta a pergunta: Para quem Jurandir contou estes segredos? Onde estão seus rabiscos, anotações, documentos e digitações para o próximo livro? Quem guardará seus documentos históricos pessoais? Quem publicará o segundo volume do livro?

A arte de escrever e narrar é uma estratégia dos homens para que mesmo depois de mortos permaneçam vivos entre nós, o mesmo fazem os avós sentados na varanda contando feitos heróicos de sua vida aos netos ou deixando relíquias preciosas aos seus filhos.

Sendo assim Jurandir não morreu, pois suas memórias (para além de sua presença física) permanecerão entre nós por muito mais tempo, Sócrates ao tomar a cicuta afirmou que “os filósofos não morrem” e complemento, os historiadores também não!

Para os céticos que ainda duvidam disso, abram o livro Poxoréo e o Garças e lá estará o velho paraibano lúcido e vívido cheio de lembranças sentado numa cadeira de balanço na área de sua casa com vistas para o rio Areia a narrar suas histórias e memórias, o bom e querido amigo Jurandir Xavier, nosso guardião da memória que agora se tornou imortal!

Suelme ‘Biela’ E. Fernandes. Mestre em História da Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT.
Nota do Editor: Artigo publicado originariamente no Blog Poxoréu, do upenino João Batista de Araújo Barbosa Batistão - http://pox.zip.net/.

sábado, 27 de novembro de 2010

DESPEDIDA DE JURANDIR XAVIER

Jurandir da Cruz Xavier "completou a carreira". Partiu. Foi morar na eternidade.
Seu sepultamento ocorreu às 14 horas deste 27 de novembro de 2010, no Cemitério Municipal desta cidade. A sociedade poxoreana o acompanhou até o seu último repouso.

A UPE, entidade da qual ele é e sempre será membro realizou uma tertúlia fúnebre como homenagem de despedida, a qual foi prestigiada pelos familiares e amigos presentes.

Na foto: Amorésio, Enir, João Batista, Izaias, Gaudêncio, JURANDIR e João de Sousa

Os upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim (Presidente da UPE), João de Sousa, Josélia Neves da Silva e Izaias Resplandes de Sousa usaram a palavra. Muito emocionado, o upenino Amorésio Sousa Silva, também presente, preferiu não falar. O vereador Jailton Costa Xavier (Jajá) falou pela família. Poucas palavras, mas cheias de muita emoção. Despedindo-se de seu pai-exemplo na política, Jajá disse que honrará o nome da família nesse campo.

Na foto: Jurandir com o Prof. João de Sousa, a esposa Sulene e as netas.
O upenino João de Sousa relembrou a trajetória de Joaquim Paraibano, o pai de Jurandir, narrando suas aventuras desde a Paraíba até os seringais do Acre onde encontrou aquela que seria sua esposa e depois da Paraíba até o Mato Grosso, para onde se mudou com a família. Muito emocionado, recitou o poema "Meus Oitenta Anos", de autoria do homenageado póstumo, produzido em 2009.


Na foto: Jurandir e uma das filhas. Aquela que cuidou dele em seus últimos dias de vida.

A upenina Josélia se lembrou dos bons momentos em que ela e Jurandir degustaram um bom vinho, que, de cálice em cálice, terminaram em várias garrafas. Dirigiu emocionantes palavras. João de Sousa disse que também participou algumas vezes dessa degustação.

O Presidente Gaudêncio Amorim falou dos últimos momentos em que esteve com Jurandir.

Na foto, flagrantes das pessoas presentes no funeral durante e tertúlia upenina

Gaudêncio disse que o velho upenino fazia questão de ligar para ele todos os dias para dizer como estava de saúde. Se estava bem, se tinha passado mal. Falou também de sua alegria em poder estar bem presente na vida dele nesta reta final, dando apoio moral e material à filha que estava cuidando dele.

O upenino Izaias Resplandes apresentou a mensagem "O Adeus de Jurandir da Crux Xavier" em nome da União Poxorense de Escritores. Encerrou sua fala com o tradicional triplo Viva a Jurandir, no que foi acompanhado pelos presentes.

A família e os irmãos de fé cantaram hinos e cânticos espirituais. A foto abaixo registra o momento dos cânticos e das homenagens ao paraibano upenino.

É mais um companheiro da UPE que nos deixa. Dizia ao Amorésio Sousa Silva que a UPE do Céu está ficando maior que a UPE da Terra. Mas, bom ou ruim, o que importa é que aqui ou lá sempre seremos upeninos com muito amor para dar a todos os que nos rodearem em prol da defesa da arte e da cultura poxoreana.

Viva a UPE! Viva aos companheiros que partiram! Viva os que ficaram! Viva o povo de Poxoréu! E viva o Jurandir da Cruz Xavier!

Viva! Viva! Viva!



Pela Comunidade Upenina, Izaias Resplandes de Sousa.

O ADEUS DE JURANDIR DA CRUZ XAVIER

Upeninos Gaudêncio Filho Rosa de Amorim,
JURANDIR DA CRUZ XAVIER e Izaias Resplandes de Sousa,
na festa dos 80 anos do Jurandir, em sua Chácara Flor-de-Liz,
em 2009, Poxoréu, MT.

A dor atinge mais uma vez a família upenina.

Nessa sexta-feira, 26 de novembro de 2010, o decano da UPE Jurandir da Cruz Xavier, aos 81 anos, autor do livro "Poxoréo e o Garças", foi chamado para escrever suas narrativas históricas no Reino dos Céus.


Ele não foi pego de surpresa. Já faz um bom tempo que sua maior preocupação era transferir o seu legado cultural. A maioria de suas vivências e experiências ocorreu na terra poxoreana, para onde esse paraibano veio ainda menino. Ele faz parte da plêiade dos velhos companheiros que viram surgir nesse vale as primeiras manifestações de progresso.

Na condição de testemunha ocular da história, Jurandir teve muito que contar, mas, infelizmente, não pode contar tudo, diante da dificuldade de se documentar e registrar o que viu e o que sentiu enquanto percorreu as ruas, os cantos e os recantos deste lugar. Não temos dúvidas que ele levou consigo um acervo de conhecimentos incomparável, o qual colocou à disposição do povo de Poxoréu durante todo o percurso de sua vida como homem público, escritor, amigo, companheiro e pai.

Sua partida na manhã de ontem, segundo a família, se deu de forma tranquila, silenciosa, sem dor, sem alarde e sem sofrimento. Vale dizer que era assim que esse homem vivia. Jurandir era um homem de paz e transmitia uma sensação agradável e carismática quando andava pelas ruas desta cidade por seus passos de ancião. A sua voz mansa e agradável tornava o seu discurso cativante.

Em seu último dia entre nós, ele se levantou, fez a higiene matinal, barbeou-se e pediu à filha que lhe fizesse um suco de laranja. Nesse ínterim, enquanto ela atendia ao seu pedido, o velho companheiro mansamente fechou os olhos, adormeceu e foi-se encontrar com os nossos antigos companheiros Aquilino Sousa Silva, Fraga Filho, Gilbert Araújo Lemos, Joaquim Nunes Rocha, Delza Fernandes Zambonini e Joaquim Moreira, que o precederam na longa jornada celestial.

A UPE da Terra se despede de seu Notável confrade, desejando que no além ele venha ser bem recebido por Deus e pelos Notáveis companheiros da UPE do Céu. Segundo o Notável Willian Shakespeare, “há muito mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”. Jurandir sabia de muitas dessas coisas e queria nos contá-las, mas não teve tempo para isso, de sorte que somente ficaremos sabendo delas quando a nossa hora chegar e pudermos ir nos encontrar com ele na eternidade. Ali então tudo ficará mais claro. Já não haverá segredos e coisas ocultas. Ali tudo é claro e transparente. Essa é uma das vantagens do além.

Aqui na Terra nós vivemos cercados pelas aparências. Nós também somos aparência de alguma coisa que desejamos. Essa é a forma que nós encontramos para nos defender da maldade humana. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem e aqui na Terra existe uma eterna guerra de todos contra todos”.

Já na eternidade, essa luta será desnecessária. Primeiro, porque ali teremos outra forma. Já não seremos carne, sangue e ossos, mas apenas seres espirituais. Seremos semelhantes a uma energia que poderá ser materializada na forma que se fizer necessário. Já não poderemos mais fazer mal uns aos outros. Viveremos para cumprir uma missão que estará de acordo com o planejamento do Arquiteto do Universo. Segundo, porque todos os nossos desejos serão satisfeitos. Afinal, ali será o nosso Paraíso tão sonhado e desejado, lamentavelmente perdido pelo Adão espiritual do Éden.

É claro que as revelações sobre a eternidade têm muito mais a ver com a nossa religiosidade do que com qualquer outra coisa. Mas a religião é o nosso maior bem. É ela que mantém acesa a chama da esperança de dias melhores. Se acreditássemos que a vida acabasse aqui, então seríamos piores do que os animais de pouco ou nenhum entendimento, porque eles apenas vivem o “cada dia” sem qualquer preocupação com o futuro, enquanto nós vivemos com a certeza de que a cada dia que passa nós estamos mais pertos da morte.

Então a religião nos dá uma nova visão da vida, dizendo-nos que a morte é apenas uma passagem para uma outra dimensão, um outro estágio do nosso desenvolvimento. E que, na verdade, nós somos na verdadeira extensão do verbo SER. E o que é não pode deixar de ser, mas sempre SERÁ. É com essa crença e convicção que vivia o nosso amigo Jurandir Xavier e também a maioria dos homens da Terra.

É claro que a vida na Terra tem um sabor diferente e que vale a pena experimentar. É aqui que nós aprendemos a cooperar e a fazer alguma coisa pelos demais. É aqui que nós extravasamos o AMOR que o Criador plantou em nossos corações.

É por essa razão que o apóstolo São Paulo, escrevendo aos Filipenses disse que se sentia dividido entre ficar mais um tempo na Terra ou partir para o Além. Refletia que se permanecesse aqui, com certeza ainda seria de grande utilidade para a humanidade. Mas, por outro lado, ele também tinha o desejo de partir e estar com Cristo, o que para ele era ainda muito melhor.

De forma que vejo o Jurandir como um ser privilegiado. Vivendo mais de 81 anos, com certeza ele deixa um grande legado para o povo de Poxoréu. Além disso, teve alegria dos filhos e netos que carregarão o seu sangue e a sua carga genética de influências por ene gerações.

Todavia, essa partida súbita, inegavelmente, gera um vazio entre nós, o qual não será facilmente preenchido. Por isso precisamos uns dos outros. Desse modo, já com muitas saudades, dor e pesar no coração e na alma, nós upeninos nos unimos para pedir ao Criador que conceda aos familiares de Jurandir, a necessária paz e conforto espiritual pela perda desse ente querido.

Que o calor de nossa amizade e dos demais amigos possa ser um conforto na vida de toda a família Cruz Xavier.

Adeus, Notável Upenino Jurandir da Cruz Xavier. Seu nome estará para sempre gravado nos anais dessa entidade que não poupará esforços para mantê-lo vivo na galeria dos imortais.
Izaias Resplandes, advogado, matemático e pedagogo, sócio-fundador da UPE - União Poxorense de Escritores, Poxoréu, MT.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ADEUS DE JURANDIR XAVIER

Notável Upenino Jurandir da Cruz Xavier, por
ocasião de seu octogésimo aniversário, em 2009,
em sua Chácara Flor de Liz, em Poxoréu, MT.
A dor atinge mais uma vez a família upenina. Dessa feita foi o decano Jurandir da Cruz Xavier.
Aos 81 anos, autor do livro "Poxoréu e o Garças" ele foi chamado para escrever suas narrativas históricas no Reino dos Céus. (http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/1912935).
Ele não foi pego de surpresa. Já faz um bom tempo que sua maior preocupação era transferir o seu legado cultural. A maioria de suas vivências e experiências ocorreu na terra poxoreana, para onde esse paraibano veio ainda menino. Ele faz parte da plêiade dos velhos companheiros que viram surgir nesse Vale as primeiras manifestações de progresso.
Na foto ao lado, Jurandir se faz acompanhar de seus familiares presentes na festa de seu 80º aniversário, em 2009.
Na condição de testemunha ocular da história, Jurandir teve muito o que contar, mas, infelizmente, não pode contar tudo, diante da difuculdade de se documentar e registrar o que viu e o que sentiu enquanto percorreu as ruas, os cantos e os recantos deste lugar

Sua partida se deu na manhã de hoje, de forma tranquila, silenciosa, sem dor, sem alarde e sem sofrimento.
Ele se levantou, fez a higiene matinal, se barbeou e pediu à filha que lhe fizesse um suco de laranja. Nesse ínterim, fechou os olhos, adormeceu e foi se encontrar com os nossos companheiros Aquilino Sousa Silva, Fraga Filho, Gilbert Araújo Lemos, Joaquim Nunes Rocha, Delza Fernandes Zambonini e Joaquim Moreira.
A UPE da Terra se despede de seu Notável confrade, desejando que no além ele venha ser bem recebido por Deus e pelos Notáveis compnhairos da UPE do Céu.

Na foto ao lado, os Notaveis Upeninos Amorésio Sousa Silva, Enir Arge Conceição, João Batista Cavalcante, Izaias Resplandes de Sousa, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, JURANDIR DA CRUZ XAVIER e João de Sousa, em 2009.

Com saudades, dor e pesar no coração e na alma, nós upeninos nos unimos para pedir ao Criador que conceda aos familiares de Jurandir, a necessária paz e conforto espiritual pela perda do ente querido.

Que o calor da amizade dos amigos possa ser um conforto em suas vidas.


Adeus, Notável Upenino Jurandir da Cruz Xavier. Seu nome estará para sempre gravado nos anais dessa entidade que não poupará esforços para mantê-lo vivo na galeria dos imortais.

Na foto ao lado, os Upeninos se fizeram presentes na Chácara Flor de Liz para um Churrasco de Cabra oferecido pelo confrade Jurandir em 7 de junho de 2009. Somos: Izaias Resplandes de Sousa, Luís Carlos Ferreira, Garibaldi Toledo de Moraes, João de Sousa, Josélia Neves da Silva, Jurandir da Cruz Xavier e a Srª Toledo de Moraes.

sábado, 20 de novembro de 2010

II Caminhada da Natureza

A foto registra um flagrante da II Caminhada da Natureza.

II CAMINHADA ECOLÓGICA

Duda Sampaio

A Prefeitura Municipal de Poxoréu, através da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente e em parceria com a SEDTUR- Secretaria Estadual do Desenvolvimento do Turismo, realizaram no último domingo, dia 19 de setembro, a II Caminhada da Natureza. Participaram da caminhada mais de 300 pessoas entre jovens, crianças, adultos , pessoal da 3ª idade, alunos das Escolas de Poxoréu e Primavera de Leste.

A caminhada começou às 7h com uma concentração na Praça da Igreja Matriz, seguida de um café da manhã reforçado e alongamento comandado pela Profª de educação física Maria Iva. Dando sequencia, os participantes partiram rumo ao Bairro Alameda Monchão Dourado e seguiram para visitar gruta e casa de pedra subterrânea feita pela natureza. Atravessaram o Rio Poxoréu, passando pela fazenda do Sr° Mano, percorrendo trilhas na mata e chegando à usina hidrelétrica , retornando, finalmente ao centro da cidade de Poxoréu.

A secretária Municipal de Turismo, Teodomira Alves, disse que "a cada ano que passa a comunidade vem participando ativamente da caminhada da natureza e com isso estamos conscientizando a todos da importância de apreciarmos nossas belezas naturais e ao mesmo tempo educando para sua preservação. A II Caminhada da Natureza obteve o sucesso alcançado, graças ao apoio da administração municipal sob o comando do prefeito Ronan Figueiredo e das parcerias com o Corpo de Bombeiros, Secretaria Municipal de Saúde e toda a equipe da Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente.

Escrito por autor acima[poxoreo@uol.com.br às 19:33

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Jornal O UPENINO nº 21


A UPE está preparando mais uma edição do Jornal "O Upenino". É a edição nº 21, prevista para ser lançada ainda no mês de novembro. Aguardem.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pompílio Alves Pereira - A Upenina nº 3 - Setembro de 2010


Por Gaudêncio Amorim

Quem escreve, escreve motivado por algo ou por alguém. O assunto que será aventado é resultado dessa simbiose do escritor e dos fatos, gentilmente narrados por personagens do tecido social, a maioria, testemunhos oculares do enredo que ora se inicia.

Entretanto, para ser justo à essência dos escritos, cumpreme ressaltar que este trabalho, pesquisado a quatro mãos, duas delas, generosamente emprestadas por César Cardoso Pereira, (filho do biogrado) a serviço da pesquisa e da análise do resultado, a quem deixo registrado os meus agradecimentos e o faço, com mesmo zelo, a Dona Elza Cardoso Pereira, cujo testemunho e material bibliográfico foram fundamentais ao subitem: “Dr. Edésio Cardoso: Um médico a serviço da vida” e pela forma carinhosa com que nos recebeu em sua residência, em Cuiabá.

Agradeço ainda a Leônidas Alves de Matos que, numa tarde ensolarada de domingo enriqueceu este trabalho com ricas informações sobre o Hospital e Maternidade São João Batista, sobre a FAG e sobre o trabalho titânico do Pe. Pedro Melesi, desenvolvido em prol do hospital. Agradeço a Jurandir da Cruz Xavier, afilhado de casamento de Pompílio e Dona Elza e ainda Almitônia Vieira Ruicci e Maria do Carmo Ruicci, funcionárias do Banco Brasil, agência de Poxoréu, pela cordialidade, simpatia e eficiência com as quais se apresentaram à produção desta pesquisa, além de agradecer também a memória viva e sempre prestativa de Francisco Dorilêo, cujas contribuições enriqueceram o tema sobre a Mineração São José e a Vinda do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Poxoréu em 1979, na época, líder sindical da região do ABC paulista, constante da 2ª parte desta história.

Agradeço por fim aos anônimos, cuja pesquisa, pelo método da oralidade dialógica, sobressaiu fatos inusitados desvelando verdade que, por mais alguns anos, seriam impossível resgatá-los.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Morre Um Poeta - POXORÉU FICA MAIS TRISTE

O Dr. Ruy Nogueira Barbosa (à esquerda), juntamente
com os Notáveis Upeninos Dr. João Batista de Araújo Barbosa
e Prof. Edinaldo Pereira de Sousa, no dia 11/09/2010,
durante a entrega da Comenda Pó-Cereú a cidadãos que
se destacaram na história de Poxoréu, MT.
Ruy Nogueira Barbosa

Na tarde desta segunda feira (18.10.2010), por volta das 15h00, faleceu o incompreendido poeta “Paulo Doido”.

Paulo que com sua boa vontade e muito suor, efetivamente muito ajudara na construção do Centro Juvenil, escola de muitos;

Paulo que participara de vários troféus da juventude no Centro Juvenil;

Paulo efetivo partícipe operário que muito auxiliara na reforma do Balneário Lagoa, onde fatidicamente se acidentara;

Paulo filho, irmão, tio, amigo, que era torcedor do Palmeiras.

Paulo poeta, que jamais se prendera às rimas perfeitas ou imperfeitas, sílabas poéticas ou gramaticais, ritmos, estrofes ou métricas, não..., simplesmente permitia jorrar o seu pensar, se sublimando em escancarado regozijo, pouco se importando em agradar, paparicar, atacar ou enaltecer com segundas e/ou terceiras intenções.

Sua postura verbal se assemelhava às tiradas do inesquecível “Chico Moleza”, do seriado “O Bem Amado” de Dias Gomes, haja vista que o importante era expressar sua espetacular sinceridade.

Paulo partiu. Suas cantorias permanecem.

Poxoréu está mais triste, quer seja por que perdera mais um de seus filhos, bem como, por que perdera alguém de alma pura, de pensar incompreendido, entretanto, onde você se encontre Paulo Doido, certamente tem alegria, tem riso, pois em você reside poesia.

Descanse em paz pensador.

Publicado originalmente no Blog Poxoréu: http://pox.zip.net/

A UPE se junta ao Dr. Ruy Nogueira Barbosa nessa homenagem ao Poeta Paulo Doido.

Recital Upenino 2010

O Presidente da UPE Prof. Gaudêncio Amorim fazendo a
sua mensagem na abertura do Recital Upenino de Poesias
de 2010, no Externato São José, em Poxoréu, MT.
A UPE - União Poxorense de Escritores, presidida pelo Notável Upenino Professor e Cientista Político Gaudêncio Filho Rosa de Amorim em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Poxoréu Theodomira Alves de Oliveira Lima realizou mais um Recital Upenino de Poesias, o qual aconteceu nas dependências do Externato São José (Salão Dom José Selva), nos dias 15 e 16 de outubro de 2010.
A apresentação ficou a cargo do Notável Upenino e Comendador Prof. João de Sousa, sendo que na abertura, o Upenino Amorésio Sousa Silva cantou canções populares e de sua autoria em homenagem a Poxoréu.

A Comissão Julgadora no dia 16 de outubro foi compostapelo Notável Upenino Amorésio Sousa Silva, pela Acadêmica de Direito da UNIC de Primavera do Leste (concluinte de 2010) Mariza Resplandes, pela Bacharela em Direito e Oficiala do Registro de Imóveis da Comarca de Poxoréu Drª Maria Aparecida Bianchin Pacheco, pela Professora e Cientista Política Eunice Rodrigues da Silva e pelo Bacharel em Direito e Oficial de Justiça da Comarca de Poxoréu Dr. Ranieri Farias Pinto. Também atuaram nos julgamentos de conflito os Notáveis Upeninos Dr. João Batista Cavalcante e Profª Josélia Porto de Bragança Neves da Silva.

A presença no Recital de Poesias de 2010

Upeninos: Izaias Resplandes de Sousa, Amorésio Sousa Silva, João de Souza, Josélia Neves da Silva, Edinaldo Pereira de Souza, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim e Luiz Carlos Ferreira. Esposas Upeninas: Sulene, Luzinete e Lourdes
Vários upeninos estiveram presentes no Recital de Poesias de 2010, prestigiando a interpretação de suas poesias. Neste ano o Regulamento exigia que as poesias declamadas fossem de autores locais. O fato é que o Recital tem o objetivo de promover a arte e a cultura poxoreana, que por sinal é bastante representativa.
Os alunos deram um show de qualidade. Todos mereceriam ser classificados em primeiro lugar, em face da qualidade das apresentações. Infelizmente, apenas um pode ocupar essa posição, tanto que se houver empate deve haver nova apresentação para dirimir as dúvidas.

A população compareceu massissamente para prestigiar o evento, apenas do tempo chuvoso no dia. A UPE agradece a todos que compareceram, já deixando o convite para o próximo ano.

Em defesa da arte e da cultura poxorense - eis o lema upenino.