sexta-feira, 24 de setembro de 2010

CANTO UFANO POR POXORÉU


Edinaldo Pereira


Deus te salve, minha terra
Adornada de vales e serras
Entrecortada de rios
Sacrossanto berço de homens bravios
Sequiosos das riquezas que encerras
Trabalhadores sem o menor fastio

Deus vos salve, garimpeiros
Que trabalhais os dias inteiros
E hoje ainda mais do que antes
À cata das pedras mais brilhantes
Com que sonharam os pioneiros:
Os inconquistáveis diamantes

Nos monchões e nos matames
Grupiaras e bicames
Nas dragas e lavadores
Mariquinhas e motores
Em prospecções e exames
Labutam esses senhores

Poxoréu de belos horizontes
De belas cascatas e belas fontes
Da gente aguerrida e hospitaleira
Que vive a boa vida à sua maneira
À luz do Sol e à sombra dos montes
No rebuliço das águas de tantas cachoeiras

Poxoréu dos versos dos seus escritores
Das rimas cadenciadas dos trovadores
Das imagens, pintadas em tantas telas
Ou em fotografias, ou aquarelas
Das composições de seus cantores
Das missas celebradas em suas capelas

A fé irrestrita no seu padroeiro
O Profeta-Batista, mártir cristão primeiro
A quem se dedica de forma tradicional
Dez dias de concorrido festejo anual
Com leilões e ditos jocosos dos leiloeiros
Na Praça da Matriz, o consagrado local

Há ainda crença nas preces das benzedeiras
E na alquimia antiga das raizeiras
O carro-de-boi já não range mais
Ícone de antanho que ficou para trás
Nas pragas rogadas pelas macumbeiras
Que (um dia) roubar-se-ia o carro aos animais

Relendo nos alfarrábios históricos
Os discursos laudatórios e retóricos
Gritados na praça com voz retumbante
Por políticos que dos de hoje eram mais elegantes
Em ambientes também bem mais pictóricos
Conclui-se que o agora é a deformidade do antes

Poxoréu do conflito Morbeck-Carvalhinho
Do prefeito primeiro, Coronel Luizinho
Do incêndio em São Pedro, noite de horror
Da ação de Júlio Muller, o sábio interventor
Dos bamburros na Raizinha, Cambaúva e Corguinho
Da Voz Social e Tarquínio, o primeiro locutor

A gafieira festiva na saudosa Rua Bahia
Onde as festas só terminavam com o raiar do dia
Nos cabarés repletos de tantas prostitutas
Ou “primas”, “mulheres da vida” ou, simplesmente, “putas”
Que enchiam o fim de semana de alegria
De quem passou os outros dias em desumana labuta

Cachaça no Bar da Esquina, bilhar no Sinucão
Baile no Diamante Clube, rock e luz lá no Chopão
Nos domingos, futebol no estádio Diamante Verde
Com batucada saudando mais uma bola na rede
Depois do jogo era festa, sempre houve comemoração
Isso nos anos que longe vão: ficaram apenas as paredes

Na saúde, Dr. João, Dr. Nivaldo e Amarílio
Na Rádio Cultura, Benacyr, Edízio e Fraga Filho
Na Política, Sindolfo, Chico Baio e Rochinha
E as mulheres, Irmã Zoé, Dona Mirú e Dona Filinha
Na maçonaria, Moisés, Zezé Coutinho e Teodomiro
No esporte, Protázio, Antônio Calino e Paulo Pina

Atrás dessa lista, escondem-se tantos anônimos
Que de trabalho e dignidade são exemplos e sinônimos
O velho cego que buscava a água da Biquinha
O velho Berto e Tomázia, a professora Lasinha
E tantos outros que a história registra apenas os pseudônimos
Canguçu, Pereirão, Bicanca, Pedro Pinga e Zuzinha

É impossível resumir toda a glória destes sertões
E todas as personagens que pisaram o chão destes rincões
Eis a Minha Terra, estrela há muito caída do céu
Que, por mais que o poeta tente, não cabe toda no papel
Terra que dos filhos faz bater forte os corações
A eterna Capital dos Diamantes, minha Doce Poxoréu!



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

História do Comendador José Moraes Barbosa


Fonte: http://pox.zip.net/arch2010-09-01_2010-09-30.html#2010_09-16_21_42_02-3506064-0

Por: Dr. Adauto Barbosa (à esquerda, na foto, ao lado de seu irmão, Dr. José Moraes Barbosa Filho - Moraizinho)


Após singular evento que homenageou tão destacadas figuras da sociedade poxorense, agradecido, peço permissão para melhor detalhar no histórico de José Moraes Barbosa o seguinte:

1 – De garoto pobre e retirante do agreste baiano, ainda criança, José Moraes chegou a Poxoréu, ocasião em que foi discípulo do temido Prof. João Torres, tendo como colega e amigo, dentre outros, o Dr. Edésio Cardoso, destacado médico graduado pela antiga Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro-RJ.

2 - Adolescente, enfrentou atividades garimpeiras, rurais e ainda, a de balconista em alguns bares existentes no agitado cabaré da Rua Bahia, em Poxoréu. Nesse particular, observou que tinha o traquejo para vender o que aparecesse. Temendo a violência, resolveu estabelecer um pequeno comércio (bolicho) na Rua Paraíba, esquina com Pernambuco, cuja iniciativa tornou-se possível com a ajuda do seu tão querido irmão José Euclides (Quidinho).

3 – Maduro, casado com a saudosa Diva do Valle Barbosa e com prole numerosa, dava início também a sua vida pública. Assim, na função de Juiz de Paz, substituía o Juiz de Direito, oportunidade em que promovia inúmeras conciliações. Nesse aspecto, de porco que comeu a roça de milho do vizinho a um noivo que deflorou a sua amada e caiu fora descendo o rio Poxoréu..., existiam demandas para todos os gostos. Nós ainda guris, ficávamos sempre distantes das conversas dos adultos. Confesso que dava para ouvir algo e ainda, na minha meninice, achava tudo muito divertido. Alguns casos sim, muito, muito, divertidos mesmo.

4 – Eleito vereador por duas vezes – sem qualquer remuneração - empunhou como bandeira de luta, a criação do Ginásio Estadual 7 de Setembro em Poxoréu. Logo, com outros vereadores esteve em Cuiabá por diversas ocasiões cobrando do Governo Estadual a criação do ginásio. Conseguiu. Instalado o ginásio ainda no antigo Grupo Escolar Júlio Müller, o então vereador José Moraes Barbosa entendeu que faltava uma biblioteca. Novamente, de caminhão, empreendeu viagem a Cuiabá e ao retornar numa velha Kombi da Secretaria de Educação, trouxe consigo duas caixas de fogão a gás, repletas de significativas obras de cunho pedagógico e literário. Digamos que ele quase não cabia nas suas vestes ao receber da então Diretora Drª Zilda Rocha, sempre durona, enormes elogios pela materialização de mais esse sonho.

5 - Em 1970, ao ser nomeado representante do FUNRURAL em Poxoréu, tomou conhecimento que suas atribuições estendiam-se aos municípios de General Carneiro e Barra do Garças-MT. Concordou. Logo após, incluíram sob a mesma representação, os municípios de São Félix do Araguaia e Luciara-MT. Acontece que as estradas eram quase inexistentes. Pensou em desistir. A direção do antigo INPS de MT conseguiu convencê-lo a continuar. Argumentaram que as viagens às longínquas regiões poderiam ser realizadas num "moderno" avião búfalo, tipo cargueiro, da FAB. Nessas condições, empreendeu diversas viagens à região do Vale do Araguaia indo até quase à divisa do Pará, oportunidade em que viabilizou a aposentadoria de centenas de trabalhadores rurais. Como conseqüência dessas desconfortáveis viagens aéreas, restou-lhe um problema na audição, superado após longo tratamento com especialistas em São Paulo-SP. Ao saber desse relato, Jamyle, nossa tão amada filha, expressou-se: “tadinho do vô”...!

6 – Enfim, seja na vida pública, seja na particular como comerciante e agropecuarista, seja como filho, irmão, esposo e pai responsável, tendo sempre como lema “não dar o passo maior que as pernas ”, José Moraes Barbosa, pelo entusiasmo, esmero e determinação – a exemplo dos demais tão destacados homenageados – conseguiu ajudar a escrever a história de Poxoréu.

Parabéns, meu grande!

Adauto Barbosa é filho de José Moraes e Promotor de Justiça.
aluizbarbosa@yahoo.com.br

Fumacéu!


FUMACÉU!

Izaias Resplandes

O Morro da Mesa...
O Morro da Mesa, em Poxoréu.
O Morro da Mesa, em Poxoréu está coberto de fumaça.
Morro sufocado pela fumaça.

Pinheiro... Pinheiro...
Pinheiro queima as folhas secas
Debaixo da árvore ainda verde;
Queima as folhas secas da árvore.

As folhas verdes secam...
Secam de calor.
O calor das folhas secas queimadas.
As folhas verdes secarão.

As cinzas se espalham.
O vento do inverno espalha as cinzas.
As cinzas das folhas secas queimadas.
Poxoréu some na fumaça cinzenta.

Queimadas!
O Morro da Mesa, as folhas secas, as folhas verdes.
Tudo foi queimado, secou, sumiu,
Virou fumaça no céu.

O céu da fumaça, a fumaça do céu,
Que triste “fumacéu”!
Em meu céu, seu céu, nosso céu...
É só fumaça, no céu de Poxoréu!

Poxoréu, MT, 11 de setembro de 2010.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PRIMAVERA


PRIMAVERA

(Edinaldo Pereira)


Primavera, estação-flor

Doces aromas, néctares,

Pólens, delícias de insetos

Belezas que inspiram afetos

Multicolorido esplendor


Frescor suave nos outeiros

É tempo das primaveras,

Margaridas, cravos, malmequeres

Ramalhetes, paixões, mulheres

Policrômicos canteiros


Alvissareiros dias fecundos

Prenúncio alegre do fruto

Aquarela de uma estação festiva

Exuberância, natureza viva

Sedutores desejos profundos


Mundos floridos, fascinantes

Cálidas faces da natureza

Felicidade em mil cores

Juramentos, beijos e flores

Eterna estação dos amantes

NOCTÍVAGOS




(Edinaldo Pereira)


Jamais esqueça, companheiro,

A lua que no céu parecia morta

À sua face pálida a nossa galhofa

Voz, violão, atabaque e pandeiro


Ouvir-se podia o agradável som

Ao primeiro dedilhar das sonoras cordas

Ao primeiro repique ritmando a bossa

Cantar o amor era (e é) o nosso Dom


As ruas já desertas... As horas passando...

Boêmios cantando... Escuridão lá fora...

Vamos dar boas-vindas às luzes da aurora!

Estava nos copos a bebida esvaindo?

Cantávamos nos bares as alegrias da vida

Quando a maioria das pessoas em casa estava dormindo


(Dedicado à primeira formação do gurpo musical "Os Românticos do Samba": Josélia (voz), Amorézio Violão), Fraga Filho (pandeiro) e Edinaldo Pereira (atabaque)

VERSOS PARA UM CAMPONÊS MORTO


(Edinaldo Pereira)


A terra é para quem trabalha.

Nela germina a semente que se espalha...

O fruto é o suor do homem,

É o trabalho árduo que sacia a dor da fome

Pior do que corte de navalha


O latifúndio aparece, horrendo

Com jagunços, como que antevendo

A tragédia de quem já não tem sorte

E na luta pela vida encontra a morte

Num projétil que entra ardendo.


A nada servirão as conferências

Dos homens sábios com suas ciências

Nos países ricos que dominam os pobres

Enquanto morrerem camponeses nobres

Na terra, palco de violências.


Eis a terra que querias ver dividida

A cobrir-te eternamente no pós-vida.

Voltas ao pó por uma reforma agrária,

Mártir da luta, errante, pária,

Na cova que te cabe, recompensa da luta.


Deixas mulher, filhos e companheiros...

Deles também são teus sonhos derradeiros.

Teu sangue mancha as mãos de latifundiários,

De políticos sujos, seus fiéis sectários,


Encharca a terra o teu sangue de guerreiro

Lava-nos a alma o teu sangue vertido

E escreve o teu nome de homem destemido

Nas páginas do livro dos heróis da utopia

De que terra terão todos, um dia

Porque sonhar ainda não é proibido.

O BÊBADO


(Edinaldo Pereira)


A passo trôpego

(De etanol no encéfalo)

Cambaleante vai o ébrio


Nefastos nódulos

Afeiam seu fígado

Num caos cirrótico


Pobres neurônios:

Outrora frenéticos,

Ora agônicos


Desmaia, quase cataléptico

Não obstante o riso cínico

De um transeunte néscio


Levanta-se lúrido

Medita a sua miséria

E pranteia seu infortúnio


E o povo olha, apático

A cena tragicômica

Daquele pobre alcoólatra

ESTÁTUAS DE CERA


(Edinaldo Pereira)


É... Passou o tempo...

Perdemos a infância...

Ganhamos ares de

Adolescência e juventude:

Chegamos à maturidade.


São tantas, hoje, as responsabilidades

Que queremos ter de volta o brinquedo...

Recuperar a infância é,

Em si, tão impossível,

Que causa-nos medo.


Cada um tem seus museus,

Suas galerias pessoais,

Quadros, retratos da auto-história

Acervo valioso, intransferível.

Memórias emaranhadas nos labirintos cerebrais


Passarão também estes dias

E os homens que hoje somos

Ficarão pra sempre cristalizados

Nas mentes dos velhos que seremos

(Como nos museus as estátuas de cera).


Viver nesta terra é transitório

Que seja esta a nossa lição:

De não sermos apenas passageiros

No trem da vida, que corre

Sem jamais querer parar


Sejamos maquinistas!

Vivamos o hoje como

Se o amanhã jamais viesse a existir!

Que a nossa estátua possa eternamente sorrir

Como as crianças que um dia fomos...

METAMÓRFICA


(Edinaldo Pereira)


Eu vi meninos correndo

Sua alegria se fazia no brinquedo

A bola, o chute, o gol, o riso

Não sabiam que estavam crescendo


Infância viva, iluminada

Anjos sem asas, pseudos-querubins

Saltitantes deuses-meninos

Que brincam em sua rua sagrada


Vida que corre em suas veias

Pulsa, desenvolve, adolesce

Inexoravelmente, os meninos crescem

E o destino arma-lhes suas teias


Um mundo novo se descobre

Transmutando as brincadeiras

E, zás, é homem, não mais menino

Vê - se mulher, não mais menina


Capitaneiam juntos o mundo

Rememorando, sempre a vinda infância

Homens chorões, meninas - mães

Velhos – meninos, ainda que por um segundo

CÉU DOS BOÊMIOS


(Edinaldo Pereira)


Lá em cima, nas alturas,

Onde o céu é paraíso

Há um canto mais alegre

Para as divinas criaturas


Ao violão, Noel

Acompanha Lupicínio

Lamartine é um fascínio

Adoniran decretou festa no céu


Sílvio Caldas, seresteiro,

Chama Vinícius, poeta,

Chico Alves mostra à festa

Clara Nunes no terreiro


Num chôro, Pixinguinha

Faz vibrar Ari Barroso

Donga canta, harmonioso

Com Nelson até raiar o dia


Anjo Cartola, eu te peço,

Que no céu da tua arte

Quando eu partir pra dele fazer parte

Não recuse o meu ingresso

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A UPE ESTÁ DE LUTO



A UPE ESTÁ ENLUTADA COM O FALECIMENTO DE UM DE SEUS MAIORES POETAS, OCORRIDO ONTEM, DIA 12 DE SETEMBRO DE 2010, EM CUIABÁ. O NOTÁVEL JOAQUIM MOREIRA, CÓ-FUNDADOR DA UNIÃO POXORENSE DE ESCRITORES EM 31 DE MARÇO DE 1988 DEIXOU A DIMENSÃO FÍSICA, PARTINDO PARA A DIMENSÃO ESPIRITUAL.

SEU CORPO FOI VELADO NA CAPELA DA FUNERÁRIA SÃO JOÃO BATISTA, TENDO CHEGADO EM POXORÉU POR VOLTA DAS 11 HORAS DE HOJE.

JOAQUIM MOREIRA, PAI DE CARLOS EDUARDO E ESPOSO DE DONA ANTÔNIA, A PARTIR DE AGORA IRÁ ESCREVER SONETOS E POESIAS CELESTIAIS. MAS SUA MEMÓRIA E SUA POESIA ESTARÁ GRAVADA PARA SEMPRE, COMO UM PRECIOSO DIAMANTE, NO MEIO DAS PEDRAS E DA HISTÓRIA DE POXORÉU.

A UPE REALIZOU UMA TERTÚLIA FÚNEBRE, ONDE OS UPENINOS RECITARAM TRABALHOS DE SEU CONFRADE JOAQUIM MOREIRA, EXALTANDO AS SUAS QUALIDADES E OS SEUS VALORES. AO TÉRMINO DA HOMENAGEM, TODOS CANTARAM "MINHA DOCE POXORÉU", DO UPENINO AURÉLIO MIRANDA, TERMINANDO A MELODIA COM TRÊS VIVAS AO PRÍNCIPE DOS POETAS POXOREANOS.

O SEPULTAMENTO OCORREU ÀS 17 HORAS, NO CEMITÉRIO LOCAL.

A UPE, ATRAVÉS DE TODOS OS SEUS MEMBROS DESEJA QUE O SENHOR DA FORÇA, DA GRAÇA E DA MISERICÓRDIA POSSA ACALMAR OS CORAÇÕES DE TODOS OS FAMILIARES DE MOREIRA E TAMBÉM OS NOSSOS PRÓPRIOS, POSTO QUE A AUSÊNCIA DESSE AMIGO E CÓ-ORMÃO UPENINO SERÁ SEMPRE SENTIDA ENTRE NÓS.

EM BREVE NOS ENCONTRAREMOS TODOS COM O MOREIRA E FAREMOS UMA TERTÚLUA CELESTIAL.

domingo, 12 de setembro de 2010

Batistão presta homenagem ao seu tio JOSÉ MORAES BARBOSA

Boa noite.
Excelentíssimo Senhor Prefeito Ronan Figueiredo Rocha,
Excelentíssimo Senhor Vereador,
Excelentíssimo Senhor Presidente da UPE
Demais autoridades presentes,

Agradeço a presença de todos para esta justa homenagem da família poxoreenses.

Agradeço o convite dos professores Gaudêncio Rosa Amorim e Izaias Resplandes para participar desta importante condecoração honorífica “Ordem Memória Viva Pó-ceréu” à José Moraes Barbosa (foto ao lado) e aos demais ilustres protagonistas da nossa história.

A família Barbosa entende que a comenda ao tio José Moraes, a prima Julinda Alves Vieira, a Antônio de Lima Fernandes, a Aristino Vilela, a irmã Bernadete de Lima Barros, a Bráulio Silva, a Eoni Sousa Lima,a Eunilce Rita de Brito Sol, a Pompílio Alves Pereira e a Zacarias Galvão representa uma justa e merecida homenagem a família poxoreense.

Sou filho do finado Quidinho e da finada Laurinda, sobrinho de José Moraes e primo de Julinda Alves Vieira. As homenagens que Moraes e Julinda recebem nesta noite orgulham as nossas famílias.

Honrado pelo convide, estou satisfeito pela oportunidade de falar sobre José Moraes, um eminente cidadão, pai de família exemplar, pessoa de elevado grau de sensibilidade e benevolência.

Um dia inteiro seria pouco para contar-lhes a história e os causos das muitas décadas vividas por José Moraes Barbosa. Porém, tenho poucos minutos. Assim, serei breve.

Nesta noite temos uma lição emocionante que resgata fatos e acontecimentos guardados na memória e no subconsciente, aflorando a reconstrução da nossa histórica. Reminiscências, aqui muito bem representadas pela lucidez dos ilustres homenageados, com as graças de Deus. Pessoas que aqui construíram famílias e ajudaram a construir esta cidade.
O início da história de José Moraes vem de muito longe.

Um dos nove filhos de João Francisco Barbosa e Silvina Alves Barbosa, JOSÉ MORAES BARBOSA nasceu no dia 19 de outubro de 1923, em Bom Sucesso, município de Ibitiara, Bahia. Em 08 de junho de 1932, Moraes (criança com 9 anos) deixa o sertão baiano acompanhando o pai, a mãe, os irmãos Lindaura Alves Barbosa (mãe da professora Dalvinha), José Antônio Barbosa, José Euclides Barbosa [Quidinho, meu pai], Idália Alves Barbosa (mãe da dona Julinda), Helena Alves Barbosa (avó do Adilson), Vital Alves Barbosa, Anísio Alves Barbosa (pai do Ruy) e, em gestação, Maria Alves Barbosa [a irmã caçula Lica, que nasceria quase dois meses depois, em Goiás]. Alguns com família constituída, como o caso Idália Alves Barbosa, com o marido Francisco Rodrigues e a filha Julinda Alves (nesta noite também homenageada). Nessa jornada, estavam as famílias Cândido e Rodrigues [povo dos "Abelhas"], compondo uma comitiva solidária e amiga de quase 40 pessoas.

Naquele tempo, a seca castigava a Bahia. A paisagem imitava um deserto. Em lugar do desespero, a família Alves Barbosa preferiu continuar a luta em outras bandas, aonde notícias da chuva e pedras preciosas sinalizavam uma terra prometida.

Na longa travessia, as crianças acomodadas nas bruacas de couro curtido, sobre os lombos de burros e jegues, junto aos parcos mantimentos transportados pela pequena tropa; os maiores, a pé, ora em algazarra correndo à frente, ora com as pernas bambas e alpercatas cansadas, se arrastando na retaguarda do comboio de retirantes. José Moraes Barbosa veio ora caminhando, ora em bruacas nos lombos de jegues.

Quase dois meses depois, nas proximidades do povoado de Posses (GO), foram obrigados a uma rápida parada, pois dona Silvina e dona Lindaura estavam grávidas e dariam luzes aos filhos Maria Alves [tia Lica, irmã caçula de Moraes] e Arquimedes [sobrinho]. Aproveitaram a parada, plantaram um roçado para obter o mantimento necessário para prosseguir a viagem.

Ao retomar a caminhada, um desencontro divide a caravana: uma parte deslocou-se um pouco para o sul, indo parar na região de Dourados, então sul de Mato Grosso, outra parte segue o destino combinado, em direção à região da aldeia Pocereu dos índios bororos – em direção à Poxoréu, terra da vida nova.

Depois de uma longa jornada, a família Barbosa finalmente chega à Poxoréu em 18 de junho de 1933.

Na vila Poxoréu dos anos 1930 as opções de trabalhos eram poucas: o garimpo, a lavoura de subsistência e algumas ocupações intermediárias de pouca renda.

Da labuta no garimpo, o jovem Moraes Barbosa gostava não. Nessa atividade ficou pouco tempo, o suficiente para juntar uns trocados. Logo, estabeleceu sociedade com sua mãe Silvina Barbosa em uma pequena loja na Rua Nova esquina com o Beco [Atual Rua Paraíba, esquina com a Rua Pernambuco], onde vendia tecidos, máquina de costura Singer e aviamentos.

A loja comercial evoluiu e Moraes Barbosa mudou o seu comércio para a Rua Mato Grosso, rua principal, onde está estabelecido com Casa Moraes há mais de 45 anos.

Adepto da convivência familiar, logo tratou de buscar sua parceira, para com ela construir seus sonhos de família e ter filhos. Assim, Moraes conhece a jovem Diva do Valle (foto ao lado), baiana de Brejinhos, filha de Antonio do Valle e Zulmira do Valle, e inicia um prudente namoro. Ficaram noivos e o casamento acontece em 24 de dezembro de 1951 (se não me falha a memória).

A família, o trabalho, a inteligência, a amizade, e a postura conciliadora e o toque de violão de José Moraes Barbosa despertaram a atenção da UDN. O amigo Joaquim Nunes Rocha [e aqui devemos render nossas homenagens ao saudoso Rochinha e a sua família] e outros correligionários convenceram Moraes a ingressar na política. Primeiro no diretório municipal da UDN, depois candidato à vereador.

Eleito vereador duas vezes, Moraes exerceu os mandatos no período de 1955 a 1963. Foi presidente e secretário da Câmara Municipal.

Do exercício político, Moraes destaca duas ações importantes: a criação do Ginásio 7 de Setembro [posteriormente Escola Professora Juracy Macedo], conseguido junto ao Governo do Estado numa força tarefa com os demais vereadores e a doação de livros pela Secretaria de Educação para compor o acervo inicial da Biblioteca do Ginásio.

Ainda na função pública, José Moraes Barbosa exerceu a função de Juiz de Paz em Poxoréu, escolhido por eleição popular, no biênio de 1964 a 1965, substituindo eventualmente, em alguns casos, a função do juiz de direito da Comarca de Poxoréu na ausência do titular. No período de 1971 a 1972, foi chefe do posto de atendimento do FUNRURAL, agência então responsável pela aposentadoria dos trabalhadores rurais do município de Poxoréu e região.
Atualmente, Moraes Barbosa é comerciante e fazendeiro.

Do matrimonio de José Moraes Barbosa com a saudosa Diva do Valle Barbosa, nasceram os filhos José Moraes Barbosa Filho, Sandra Maria do Valle Barbosa, Simone Maria do Valle Barbosa dos Anjos, Adauto Luiz do Valle Barbosa, Maria de Fátima do Valle Barbosa. Posteriormente, chegaram os netos, para a alegria da família.

José Moraes Barbosa devoto de São João Batista, do alto dos seus 86 anos, dos quais 77 vivendo em Poxoréu, sua terra prometida, soube enfrentar com galhardia as dificuldades da vida e os problemas de saúde. Moraes Barbosa é um vencedor, forte como aroeira.

Trago em minha vida um olhar de aplauso, admiração e gratidão por tudo o que José Moraes representa para a nossa família.

Tenho a certeza que esta primeira condecoração honorífica “Ordem Memória Viva Pó-ceréu” a cada um dos “jovens” protagonistas homenageados, rejuvenesce a alma, alegra a vida e entra para a história da nossa cidade como uma noite das mais bela. Noite de encontro.

Noite histórica, em que o passado se encontra com o presente para deixar uma admirável lição de vida para o futuro.

Parabéns à comissão organizadora!
Que nos próximos anos, outras famílias possam receber com saúde e alegria o mesmo reconhecimento e a justa homenagem.

Viva José Moraes Barbosa!
Vivam os homenageados!
Que Deus vos ilumine!
Muito obrigado!



João Batista Araujo Barbosa

HOMENAGEM A JOSÉ MORAES BARBOSA

“Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas.” (Lucas 6,43-45).
Meus Amigos e Minhas Amigas,
Neste onze de setembro, a Igreja Católica, no mundo inteiro, está meditando esse trecho do Evangelho de Jesus Cristo segundo são Lucas:
“Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas.”
Que essa Palavra aqueça os nossos corações, as nossas almas e ilumine a mente de cada um de nós. Seja ela também fonte de inspiração para contemplarmos as árvores e os frutos, os frutos e as árvores, semeados no fértil território existencial dos nossos dez homenageados: Antônio de Lima Fernandes, Aristino Vilela, Bernadete de Lima Barros, Bráulio Silva, Eoni Sousa Lima, Eunilce Rita de Brito Sol, Julinda Alves Vieira, Pompílio Alves Pereira, Zacarias Galvão e José Moraes Barbosa.
O nobre orador concluiu a homenagem afirmando que o agora Comendador José Moraes Barbosa “... é antes de tudo, um forte: é aroeira!”, ou seja, uma árvore! E, “Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos!”
Coincidência?
Quem sabe? O orador mesmo disse ser o Comendador devoto de São João Batista. Portanto, nada mais do que natural a sincronicidade em compará-lo com aroeira no dia em que o mundo católico medita sobre a árvore e seus frutos, no mês da árvore, no mês primaveril!
Aroeira, como se sabe, é uma árvore mítica. Pela imponência de seu porte, pelo encanto de suas flores e pela solidez da madeira! Carrega a fama de ser a madeira mais resistente do Brasil. O cerne é considerado praticamente imputrescível. “Dura mais 100 anos”, diz o sertanejo!
Ora, “Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos!” A aroeira também!
Aroeira que também é fruto de outra aroeira! É nesta linha de raciocínio que eu quero, nesta oportunidade, convidar a todos os amigos e amigas aqui presentes (e aos ausentes, também), a entoar um hino de louvor a Deus pelo dom da vida de todos os condecorados nesta celebração e, em particular, pelo dom da vida nosso Comendador José Moraes Barbosa. Quero saborear nesse canto uma melodia de recordações a duas grandes mulheres, que estrelaram no palco do teatro existencial do Sr. José Morais.
A primeira delas é a sua querida Mãe, dona Silvina Alves Barbosa. Pessoalmente a conheci já no outono de sua peregrinação terrestre, e, mesmo assim, pude testemunhar a têmpera de uma mulher varonil.
Imaginemos o seguinte cenário: Bom Sucesso (BA), 19 de outubro de 1923. Nasce mais uma criança, um menino! Nasce com vida! Sobrevive! Ainda menino, “ganha o mundo!” Percorre caminhos, enfrenta as vicissitudes, conforme narrado, chegando, hoje, a receber a coroa do reconhecimento, no grau de Comendador!
“Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos!” Em nosso homenageado, reconhecemos que dona Silvina Alves Barbosa (e seu esposo, naturalmente) também foi uma boa árvore! A ela, as nossas gratas lembranças e agradecimentos pelo fruto que hoje dá testemunho de sua bondade!
A outra mulher, valente e dócil guerreira, é dona Diva do Valle, sua companheira fiel, de cujo ventre fecundo novos frutos brotaram e que igualmente dão testemunho da dignidade da árvore, da solidez da aroeira!
Dona Diva, mulher de coração manso, humilde, generoso e sereno! E o nosso Comendador recebeu a graça de despojá-la, de levá-la ao altar. E, foi no altar da convivência, que ela se doava em luz e calor, como uma vela acesa que vai se derretendo até o fim! Dona Diva, mulher da entrega total, que se doou por inteiro na edificação do lar, junto com o nosso Comendador!
Minhas Amigas e Meus Amigos,
É comum dizer que atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher. Ouso, porém, dizer que esse adágio é inexato. O correto mesmo é afirmar que na frente de um grande homem sempre há uma grande mulher.
E quando há duas mulheres?
À frente de um lar, de uma casa, de uma comunidade, de uma nação, há sempre grandes mulheres!
Fazendo, pois, memória a esses dois gigantes, dona Silvina Alves Barbosa e dona Diva do Valle, quero comungar desta justa homenagem ao JOSÉ MORAES BARBOSA, nosso Comendador!
Demos graças a Deus. A Deus!

VALFRAN DOS ANJOS

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A história de um cão


Gaudêncio Amorim
I

Era domingo – dia de relativa paz!
daqueles que a família reunida,
na lida doméstica aquecida
Repousa-se sem se cansar.
Parece que naquela paz serena e mansa
É o dia que a gente mais descansa
Antes da segunda feira – dia de trabalhar.

II
Na varanda solitária, o latido da cachorrinha
Que mais parecia uma campainha
Anunciar visitantes na porta de entrada.
As vezes latia tanto à exaustão
Passando merecer, o bichinho de estimação
Umas violentas e boas chicotadas.

III
Mas era a nossa cachorrinha...
Esperta, travessa, ligeirinha
Que latia ás noites e embalsamava os dias
Era aquele bicho doméstico tão querido
Que sem os seus incansáveis latidos
Nossa casa parecia uma lata vazia.

IV
Ela era a Duda e parecia uma decoração
Daquelas que a ordem vigente
Sugere de forma eloqüente
preservar para nunca morrer.
Mas nesta vida não há eternidade
E um dia, contra a nossa vontade.
Tudo que prezamos tende a desaparecer.

V
Foi assim com a Duda, nossa cadela
Que numa tarde, nostágica e amarela
Escreveu o seu negro destino.
Naquele dia, indefesa, a pobre coitada
Sucumbiu-se a vida nas ferozes dentadas
De um cão monstruoso e assassino.


VI
Cão maldito, maldito cão!
Negro de cor, alma de tição
Como pode matar minha pequena?
Ela jamais ofendeu uma pessoa
Não havia ali cadela tão boa
..não merecia aquela horroroza cena.

VI
Mas cão pitbul e desgraçado
Perverso, vil desenfronhado
Ser negro! dos santos desconjurar.
Enquanto a minha Duda, sem merecer
Sempre conjugando o verbo viver
Viu aquele cão conjugar o verbo matar.

VII
A probrezinha ainda convalescendo é trazida
Na tentativa de curar-lhe as feridas
No socorro que já lhe veio tarde.
E estendida no chão, tentamos devolver-lhe o alento
Salvar-lhe daquele desejo sarnento
Das malditas dentadas do ptibul covarde. .

VIII
A dona do cão, soberba e ingrata,
Na cena fúnebre, receita desata
Pra diminuir a culpa e aumentar o perdão
- Lá em casa tem terramicina
- Dê-lhe uma dose que ela logo se anima
.... E ela não morrer não!.

IX
Ledo engano, o remédio não fez efeito
Embora a quiséssemos viva com ou sem defeito
Deixamos convalescida num canto da porta.
Mas quando voltamos lá sangrava-lhe as feridas
Dura, inerte, estremecida:
....Olhos arregalados...estava morta!

X
E o meu pequeno revoltado chora
Pede impensadamente, sem demora
- Mata aquele cão desgraçado, pai!
De faca, machado, não importa
Aí está minha cachorrinha morta
Prá ele não matar outras mais.

XI
Meu filho! A violência gera violência
Não se preocupe .... um dia sem clemência
O seu destino também o mundo traga.
Pois a lógica que a vida encerra
É o que: o que faz na terra
Na terra se paga.

OLHANDO NO ESPELHO



Gaudêncio Amorim


Que queres tu de mim
Se parece que tudo lhe convém?
Que arte é esta de amar...?!
Que completa-se sem se completar...
Será que assim há de amar-me, também ?

Um Ser especial para seres de valores desiguais:
Um, amando sem esforço para ignorar
Outro, esforçando para se saciar,
Num vendaval de vidas sem vida
Mas um é história mal começada.
O outro - começo de uma história retardada.
Numa história que já vai longe, incontida.

Amor dividido, quer dizer, que amor ?
Amor não se divide
Quando acontece, agride
E machuca o sentimento mais profundo.
E polarizado no extremo da dualidade
É, ora a dor eterna da extrema felicidade
É, ora a dor mais dolorida do mundo.

Há, deveras, três extremos acesos.
Entretanto, além de agora, um há de fenecer,
Cicatrizado pelas rugas e feridas do sofrer
Desatará no destino incerto de um morteiro
E no jogo do destino ou da razão
Jaz uma história que se agoniza na conclusão
De quem não quer ser o último, nem o primeiro.

A decisão pode ser do destino ou da razão
Da mesma forma, a do mais atirado
Em contraste do menos ousado
Riscará as páginas do infinito amar.
Não há como salvar três amores:
O fato é que um turbilhão de dores
É o destino do primeiro que se “matar”.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Matemática da vida



Izaias Resplandes

Fim de mês é data boa
Que faz a nossa alegria.
Ao receber nosso salário
Do patrão da Companhia.

Mas também é de tristeza
Quando a gente volta a casa
Pois o bolso do empregado
No mercado tudo vaza.

Mal dá pra nossa comida
Do puro arroz com feijão.
E sem um centavo no bolso
O mês vira solidão.

Não tem jeito de sair
À noite, em diversão.
Ninguém quer saber de gente
Com bolsos sem um tostão.

Nessa situação danada
Vi sem jeito de ficar
Eu tinha que mudar de vida
Antes dela se acabar.

Então pensei na escola
Que eu tinha deixado pra lá...
Será que depois de anos
Adiantaria eu voltar?

Pensei, pensei, fiz as contas:
Se eu fizesse o supletivo,
Talvez eu viesse aprender
A ser um cara mais vivo.

Se eu aprendesse matemática,
Somaria melhor minha conta,
Diminuiria um pouco meu gasto...
Talvez molhasse a garganta!

Foi essa avaliação o que me fez decidir
Voltar à escola, ao ponto em que desisti,
Dividir meu tempo de trabalho
Pra buscar o que perdi.

E assim voltei estudar
Na primeira fase do EJA.
Sempre bastante cansado
Do pós dia de peleja.

Mas peguei firme com Deus
Que eu haveria de dar conta.
Estudei cada operação
Fiquei tal barata tonta.

O mundo girava em números...
Unidades, dezenas... Unidades de milhar;
Milhões de bilhões e trilhões;
Ninguém conseguia contar.

Então veio o dia de prova.
Oh, que terrível tensão!
Foi zero pra cá, zero pra lá,
Uma total reprovação.

Então o professor explicou
Que na Matemática é assim.
O que no começo se erra,
Se aprende tim-tim por tim-tim.

Então ele fez outra prova
Sob nova orientação
Passo a passo nos mostrando
Como refazer a lição.

Nas contas com os inteiros
E também os decimais:
Vírgula debaixo da vírgula
É assim nas “contas de mais”.

Quando eram as de vezes,
Contas de multiplicar.
As casas depois da vírgula,
Nessas, tinha de contar.

Nas de dividir, então...
É mais fácil de explicar.
Bastavam as decimais
Antes de tudo, igualar.

A prova foi um sucesso
Depois dessa explicação.
Não teve quem tirou zero
Foi total a aprovação

Então o mestre explicou
Que foi nossa decisão
Diante dos resultados
Que dos nos deu motivação.

Disse que nessa terra
Todo mundo nasce igual
E o que faz a diferença
É não querer ser tal qual.

Todos podem aprender
A somar... Multiplicar.
Só uma coisa é preciso:
Coragem pra começar.

E isso aqui tem de sobra...
Tutano melhor tá pra vir.
Então não pode haver Matemática
Que nos faça desistir!

Um mais um soma dois
Duas vezes dois somam quatro
Aprendendo mais Matemática
Teremos mais feijão no prato.

Como filho dessa terra
Lutarei até o fim.
E as glórias que vêm dos céus
Serão também para mim.

E viva a Matemática,
Que nos ensina a contar
As bênçãos que a aprendizagem
Nos ajuda acumular.

Coco Amigo


Izaias Resplandes

Coco amigo da folia
Batistão meu camarada,
Já chegou o nosso dia
De fazer a batucada.

E depôs vamos beber,
Com limão nossa cachaça,
Fazendo tê-rê-tê-tê,
Evaporar-se com a fumaça.

Araújos e Barbosas,
Plantadores de coqueiros,
Dê os cocos aos “butequeiros”
Para enche-los com gasosa.
E depôs vamos beber,
Com limão nossa cachaça,
Fazendo tê-rê-tê-tê
Evaporar-se com a fumaça.

Cadê o velho pandeiro,
Batistão querido amigo
Quero enroscar, meu parceiro
Com a morena no umbigo.

E depôs vamos beber,
Com limão nossa cachaça,
Fazendo tê-rê-tê-tê,
Evaporar-se com a fumaça

A parte que parte um poeta



Izaias Resplandes

O poeta escreveu uma parte de seu imaginário e me fez pensar.
Bendito sejas tu e a tua arte!
Você me deu a oportunidade do aparte.
A partir da tua idéia inspiradora, também me pus a partir.
Parti o todo que consome minhas conjecturas.
E retirei de lá essa pequena reflexão.
Esse aparte que partiu daquela parte...

Não partimos por partir.
Partimos no exercício da arte.
Queremos unir; não queremos dividir.
Partimos para acrescentar,
Para somar e multiplicar.
Partimos para fazer um todo,
Que se torne cada vez maior
Maior do que a soma de suas partes

Primavera Invernal


Izaias Resplandes

Está chegando a Primavera
Com flores pra cada lado.
O descansado verá Florinda,
A flor linda do bem-amado.

O estressado está do outro lado.
Com os nervos à flor da pele...
Com a visão das flores
Não será contemplado.

Não verá cores, não sentirá odores...
Sua Primavera trará os rigores
De um inverno sem cores
E nervos à flor da pele

Exaltação a Poxoréo



Izaias Resplandes

Um grito alto, bem alto, eleva-se hoje ao céu
Pois na terra dos bororos, já existe Poxoréo.
Foi Antônio de Carvalho seu grande descobridor
E João Ayrenas Teixeira, o seu nobre fundador.

Salve, salve Poxoréo, Capital do Diamante,
Esplendor de Mato Grosso, nosso Estado tão pujante,
A terra que o garimpeiro oriundo do Nordeste,
Vira ser seu paraíso, tão sonhado no agreste.

O 26 de outubro, cantamos em tom maior,
E lembramos Júlio Müller, o augusto interventor.
Ele nos fez soberano, deu-nos a emancipação,
A ele também a glória, nesses versos de emoção.

Morro da Mesa, Lagoa e Bororo ou Pará,
São algumas das belezas deste tão lindo lugar
E a poxorense menina, de morena meiga cor,
É o postal que a cidade, lhe apresenta com amor.

“Minha doce Poxoréo!”, assim canta o artista,
Veio estrela lá do céu, uma estrela nunca vista.
Planejada assim por Deus, ela foi então fundada,
E, como berço Seu, natal, sempre assim será cantada.

Salve, salve Poxoréo, capital do diamante,
Esplendor de Mato Grosso, nosso Estado tão pujante,
A terra que o garimpeiro, oriundo do Nordeste,
Vira ser seu paraíso, tão sonhado no Agreste.

Eu e Você


Izaias Resplandes

Que eu não seja omisso contra ti
E tenha a coragem de falar
A verdade que você precisa escutar
Para não perecer, para não cair;

Que você seja forte e valente
E enfrente o mal com altivez
Preferindo até morrer de vez
Que voltar a servi-lo novamente.

Que eu seja um servo fiel
E cumpra os mandamentos de amor
Ao meu próximo, seja ele quem for
E o conduza ao reino do céu.

Que você seja um vaso escolhido
Para receber as bênçãos que Deus
Preparou para os filhos Seus
Que em Jesus Cristo tenham crido.

Que nós estejamos sempre unidos
Nessa caminhada para o lar
Eu te apoiando, você a me ajudar
Para que jamais possamos ser vencidos.

Dias de férias


Izaias Resplandes

Quando chegam nossas férias,
A cama então toma conta
Da turma toda de casa.
É a época em que se desconta
Os olhos de sono que se têm
Nas aulas que se nos vêm
Antes que o sol desponta.

Ninguém quer acordar cedo,
Nem tampouco madrugar.
Todos querem mais um pouco,
O bom sono aproveitar.
O sol, bem que insistente chama
Pra que todos deixem a cama
E se ponham a levantar.

A cada manhã ele diz
Na hora de despertar:
Pessoal, já amanheceu,
Vamos, vamos aprumar.
Já despontei no horizonte
E da Mesa do grande monte,
Vê-se Poxoréu trabalhar.

Mas nada, ninguém se meche.
Nas férias, a cama é boa,
É só deitar e rolar.
É tempo de estar à toa,
De ficar sem fazer nada,
Comer biju e goiabada
E se banhar na Lagoa!

Ao voltar pro sacrifício
Das aulas de todo dia,
Então se recupera a forma
Que mamãe sempre pedia,
Até que chegue outra vez
As férias de mais de mês,
Noutro ciclo de alegria

A Primavera



Izaias Resplandes

Já chegou a Primavera.
Trouxe-a flores para mim,
Perfumou a minha terra,
Enfeitou o meu jardim!

E o floral?
O floral floriu.
Floresceu o floral.
A natureza sorriu
Um sorriso natural

E o beija-flor?
O beija-flor está em festa,
Pulula de flor em flor
Buscando ver entre essas
A razão do seu amor.

E o floral?
O floral floriu.
Floresceu o floral.
A natureza sorriu
Um sorriso natural

A partida...


Izaias Resplandes

Vais partir?
Não podes mesmo ficar?
É realmente o que você quer?
Então vá, amigo!
Caminhes com fé e coragem!
A jornada é muito longa.
Deve preparar-te bem para percorrê-la.
Se puderes,
Escolhas o caminho das flores...
Das cores...
Dos odores.
Assim, por onde quer que fores,
Sua vida será mais alegre
E você mais feliz!
Que Deus te acompanhe!

Você é...


Izaias Resplandes

Você é...
O sol que me ilumina os caminhos da vida;
O raio de luz que me tira a dúvida e me traz a paz;
A energia que reaviva em mim a chama do amor;
O calor, que em nós gera amizade pura,
Que não morrerá com a idade.
Você é...
Tudo que dentro de mim continuará existindo:
Um sol que ilumina, uma luz que esclarece,
Um calor que gere paz!
E enquanto eu iluminar, esclarecer e semear a paz,
Você continuará, irmanada, como alma gêmea,
Existindo também,
Naqueles que eu gerar,Pela luz, pelo calor e pela paz!

Recado de Poxoréo

Izaias Resplandes

Ó filho que Poxoréo
No mundo estabeleceu...
Lembrai-vos deste torrão
Que te deu à luz um dia
E que nunca admitia
Deixá-lo entre outras mãos.

Tu foste daqui embora
Para voltar sem demora
E parece que esqueceu;
Não viu tua cidadezinha
Ser coroada a rainha
Do leste que floresceu!

Bem longe do seu lugar
Onde fostes estudar
Para adquirir formação...
Tu tornaste um doutor
Mas esfriou seu amor
Pelo distante rincão.

A sua terra, tão bairrista,
Não admite que exista
Um filho desnaturado...
Que depois de instruído
Para melhor ser ouvido
Lhe tenha abandonado.

Mesmo daí, tão distante,
Poderás levar avante
O nome de POXORÉO!
Proclames a sua grandeza
Exaltes a sua beleza
Não deixe-o vagar ao léu!

Sua riqueza nunca é vista
Em qualquer lugar que exista
Do Norte ao Sul do Brasil!
São diamantes milionários,
Espalhados nos lendários
Garimpos pra mais de mil!

Orgulhe-se de sua terra,
Sejas um peito que encerra
POXORÉO bem-aventurada!
Zelando por essa sorte,
Não permitas que na morte
Caia sua Pátria amada!

Que tu, a partir de agora,
Sejas diamante, lá fora
Na luta por POXORÉO...
Digas ao mundo que é brilhante
Na Capital do Diamante,
As bênçãos que vem do céu!

Em Poxoréu

Izaias Resplandes

Em Poxoréu
Há vários recantos
Cheio de encantos...
Parece um céu.

Em Poxoréu
Há muitas flores.
Perfumados primores...
Cheiros do céu.

Em Poxoréu
Há muitas serras.
São lindas terras,
Bem perto do céu.


Em Poxoréu
Há diversos escritores
Que falam das cores
Que pintam o céu.

Esmeralda de Goiás


Izaias Resplandes

Minha senhora,
Esmeralda preciosa de Goiás,
Sonho de outrora,
O meu presente é você que sempre faz.
O meu amor é por você um sol brilhante
Que no eterno horizonte sempre sai
E aquece a vida, fazendo a luz continuar,
No seu eterno caminhar,
Gerando paz

Beleza Interior


Izaias Resplandes

Mesmo sendo um cara feio
E com fama de durão
Não há razão pra receio:
Cara não é coração.

A beleza é um detalhe
Que tem pouca importância,
Não diz o que alguém vale
Não guarda a eqüidistância.

Ao olhar uma pessoa
Veja o seu interior
Isso te dirá se é boa
Seja que aparência for.

Se alguém te der a mão
Querendo te ajudar
Não lhe feche o coração
Convide-o para entrar.

Dê-lhe a coroa de louro
Mostrando-lhe que você
Possui um coração de ouro
E que sabe conviver.

Deus te abençoe!


Izaias Resplandes

Desde pequeno aprendi
Pedir benção a minha mãe
Ao depois que o sol se põe!
No momento de dormir.

Na doce terra natal
Onde passei minha infância
Era de suma importância
Esse gesto maternal

Trata de um costume antigo
Passado de mãe p’ra filho,
Que não maculou seu brilho
E nem jamais foi esquecido.

Lá naquele meu sertão
Onde mamãe bendizia
Eu – menino –, não dormia
Se não recebesse a bênção.

Sem mamãe me proteger
Eu começava inventar
Bichos para me pegar
Mal se punha a escurecer.

Cada qual o mais terrível
Que se possa imaginar,
Difícil de retratar
De tanto que era horrível.

De manso então levantava
E no quarto de mamãe eu ia
Dizer-lhe que não dormia
Tal o medo que eu estava.

Ela então me acalentava
Entre os seus braços de amor
Libertando-me do horror
Dos bichos que eu criava.

Ao depois me conduzia
Outra vez de volta ao leito
E apertando-me ao seu peito
Um pedido a Deus fazia.

Para que me desse a bênção
E do mal me protegesse,
Que nada me acontecesse
Sob a guarda de sua mão.

E nesse embalo eu dormia
Só pensando em coisa boa
E que ainda hoje povoa
Meu desejo de um bom dia.

Por isso, mãe, peço que ecoe
Ao quatro cantos do mundo
Meu pedido mais profundo
Pra que Deus a abençoe!

A atitude do pródigo



Izaias Resplandes

Misericórdia, Senhor! Misericórdia!
"Pequei contra o céu, pequei contra ti";
Falei mal dos irmãos, espalhei a discórdia,
Até do seu nome, zombei e esqueci.

Perdão, meu Pai! Perdão!
"Já não sou digno de ser chamado seu filho".
Deixei sua luz perfeita, preferi a escuridão.
Meu rosto já está morto, já não tem mais o seu brilho.

Oh, Deus! Oh, Deus! Livra-me do submundo das dores
Dá-me uma nova chance de estar ao seu lado.
"Trate-me apenas como um dos seus trabalhadores",
Mas não me deixe lá, sozinho e abandonado.

Sei que fui um tolo quando parti
Dos seus braços amorosos e desse lar paterno.
Não há lugar melhor do que aqui
A vida lá fora é um verdadeiro inferno.

Aqui, cada servo é chamado de seu amigo,
O Senhor lhes confia até o íntimo segredo,
Eles se sentam à mesa e ceiam contigo
Com toda confiança, sem receio e sem medo.

Sei que nada fiz para merecer o seu amor;
"Dissipei os seus bens, vivi dissolutamente"...
Mas eu não agüento mais viver com essa dor
Que me consome o coração e a mente.

Deixa-me ficar! Eu preciso de paz!
Não suporto mais esse tormento.
Sei que pelo que fiz, nada é demais,
Mas eu não agüento tanto sofrimento.

Quero ficar na paz desse seu recanto,
Viver para sempre nesse lar de amor
Quero adormecer ao som de seu acalanto
E encher minha vida de seu brilho e cor.

É bem verdade que nada disso mereço
Mesmo assim venho fazer-lhe esse pedido
Pelo qual, desde já, lhe agradeço
Quando por sua graça puder ser atendido.

sábado, 17 de abril de 2010

Parabéns, Lyddyssen Geannes


A jovem Lyddyssen Geannes, filha do nosso confrade, o poeta do morro, o Notável Prof. Luiz Carlos Ferreira está de parabéns. Ela foi selecionada para o curso de Agronomia da UNEMAT de Alta Floresta e já está matriculada.

A nova acadêmica concluiu o ensino médio em 2009, na Escola Pe. César Albisetti, em Poxoréu, MT. Tive a felicidade de tê-la entre minhas alunas nas aulas de Matemática. Fico muito feliz com o seu desempenho e vou ficar na torcida para que o seu progresso no curso seja cada vez mais vertical e que você venha se tornar uma excelente profissional desse ramo.

Sucesso!

Aceite o nosso abraço upenino, também extensivo aos seus pais, prof. Luís Carlos e dona Olga.

Você segue a brilhante trajetória dos Ferreira, uma família de gente inteligente e bem sucedida.

Tudo de bom e mais uma vez, parabéns!


Prof. Izaias Resplandes

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Abençoando os leitores

Meu Deus, abencoe este meu irmão que visitou este site, cura-lhes as doenças, alegra este coração dando-lhe a paz por nosso Senhor Jesus Cristo. Repreenda todo o mal, coloque anjos para o guardar e livrar, dá-lhe o pão de cada dia, em nome de Jesus, amém.

Tenha fé em Deus e mesmo que você esteja condenado à morte, você viverá, porque Jesus tem poder.

Alô leitor internauta, eu sou poeta, Evangelista da Igreja Assembleia de Deus - Ministério de Madureira. Ouça o Programa Momento de Arte e Cultura pela Rádio Sul Mato Grossense de Poxoréu, aos domingo, das oito às nove horas. Este programa é para divulgar a boa música brasileira e divulgar a UPE - União Poxorense de Escritores.

Temos à venda o livro "Antologia Poética", escrito por doze poetas upeninos.

Leia e se divirta com a boa literatura mato-grossense; e, se desejar, colabore com esta entidade para que possamos fazer mais em prol da cultura mato-grossense.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Visita à Família Resplandes

O Presidente da UPE, Rev. Kautuzun Araújo Coutinho com o upenino Prof. Izaias Resplandes de Sousa

O novo Presidente da UPE, Rev. Kautuzun Araújo Coutinho esteve visitando a Família Resplandes nesta data (13/04/2010). Na ocasião, conversour, em especial, com o jovem Ricardo Resplandes, caçula da fmília, o qual foi recentemente submetido a uma cirurgia intra-craniana em Goiânia, GO, operação que foi bem sucedida.

O jovem Ricardo Resplandes ao lado do Presidente da UPE, Rev. Kautuzun Araújo Coutinho.

Na ocasião o Presidente trouxe uma palavra de apoio para a família.

Na mesma oportunidade, conversou com o upenino Izaias Resplandes sobre os seus projetos frente à UPE, a serem desenvolvidos em 2010.

sábado, 27 de março de 2010

Os Vinte e Dois Anos Upeninos

Upeninos Izaias Resplandes e João de Sousa



A solidariedade da fraternidade upenina não tem preço. São vinte e dois anos de convivência, de lutas comuns, de ideais compartilhados, equilibrados por alguns conflitos naturais que além de corroborar o entendimento, nos dizem que não somos meros depósitos das idéias alienígenas, mas que também pensamos e temos opinião e influência nas decisões de nosso colegiado.

Hoje é dia de eleição upenina. Nem todos votarão. Isso é normal em qualquer processo democrático. Não impedirá a eleição, principalmente porque ninguém discutirá o resultado por não ter comparecido. Todos acatarão a vontade soberana e democrática de nossa fraternidade. É assim que sempre foi. E os trabalhos upeninos haverão de continuar, garantindo a memória e a história de nossa cidade, a qual não existiria sem os escritores de suas peripécias, fábulas e realizações.

Estando presentes ou ausentes nessa eleição, nós não deixaremos de ser os sempre fraternos upeninos. Apoiaremos as lutas e as propostas da nossa entidade, “em defesa da arte e da cultura” e ficaremos satisfeitos de poder olhar pelas janelas do passado e ver lindas paisagens coloridas pelos matizes upeninos; e, mais feliz ainda, veremos que, apesar de muitos de nós já estarmos com os cabelos embranquecidos, o futuro continuará garantido através da juventude da maioria de nós que nunca envelhecerá.

Nessa oportunidade, quero registrar os meus agradecimentos aos companheiros que lideram essa entidade e que encabeçaram uma campanha de amor em prol do tratamento médico de meu filho Ricardo Resplandes, infelizmente acometido por grave enfermidade cerebral. Essa é a UPE que eu conheço e que acompanho com alegria. Ela não falta nas horas que nós mais precisamos. Faz presença. Atitudes como essas comprovam que, de fato, nós somos irmãos. Carregamos o sobrenome Upenino, que não somente nos politiza como homens do povo, da cidade e do mundo, mas que também nos irmana sob o mesmo telhado e faz os nossos corações pulsarem no mesmo entusiasmo. Obrigado por tudo o que estão fazendo por mim, por meu filho e por minha família.

Estou viajando hoje para Goiânia, com Lourdes (minha esposa) e Ricardo (meu filho caçula), o qual, no dia 15 de abril completará dezenove anos e que fará uma operação intracraniana para a eliminação de um angioma cavernoso que se encontra alojado em seu cérebro. Vou devagar, observando as mudanças na paisagem que estará emoldurada pela janela do meu carro, ao tempo em que vou refletindo no poder de um Deus para o qual impossibilidades não existem. Então o meu coração de crente me fará acreditar que apenas estamos indo saciar em uma das fontes da vida que Ele tem naquela cidade, para nos revigorarmos; e então retornaremos para mais uma década de labores em prol de nossa “doce e amada Poxoréu”.

Percorreremos a velha estrada que liga as históricas cidades de Cuiabá e Goiás. Atravessaremos os rios Araguaia, Caiapó, Claro e tantas outras águas. Veremos Barra do Garças, onde almoçaremos com os familiares; continuaremos pela BR-070, passando por Jussara e atingindo a histórica cidade de Goiás, patrimônio da humanidade, a terra da doceira poetisa Cora Coralina. Veremos as cerâmicas e outras peças de seu rico artesanato. E, por fim, pernoitaremos em Goiânia, capital de Goiás. No percurso, por várias vezes vou chamar a atenção de meu filho Ricardo para rever uma serra ou um rio que já serviu de cenário para nossas fotografias, em alguma de nossas diversas viagens nesse caminho. Ele sorrirá e fará um breve comentário. E eu ficarei feliz por ouvi-lo. Todo pai gosta de ouvir a voz de seu filho. E faremos de tudo para que essa viagem seja a mais agradável possível. Para tanto, cantarei hinos e coros que retratem a nossa esperança de vida.

Enfim, essa é a velha jornada dos homens, desde que o mundo é mundo. Não há nada de novo. Estaremos seguindo o caminho dos nômades pré-históricos, fazendo a nossa eterna viagem pelo planeta, objetivando descobrir os benefícios das novas tecnologias científicas utilizadas pela medicina goiana. Mas não perderemos de vista as nossas ligações com essa fraternidade, para onde esperamos trazer mais uma medalha de ouro por uma conquista vitoriosa de nosso jovem Ricardo Resplandes em sua corrida pela vida.

E que a UPE, contemporânea de Ricardo, continue a sua gloriosa trajetória de lutas em prol de Poxoréu, que, vale dizer, também é a sua terra natal. Vamos em frente. Ainda há muita coisa para se fazer em prol de nossos filhos. Eles merecem todo o nosso empenho, a nossa dedicação, a nossa fé e o nosso entusiasmo. Um abraço upenino a todos. Muito obrigado.

Poxoréu, 28 de março de 2010.

Prof. Izaias Resplandes de Sousa, Upenino.