sábado, 25 de julho de 2009

Brasão Upenino


Este é o Brasão da UPE. Foi criado pelo upenino Joaquim Moreira no ano de 1987, quando a entidade foi criada.

Do Simples para Os Simples




  • Por Izaias Resplandes

É assim que eu qualifico o escritor mato-grossense Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, autor de Linhas Históricas de Poxoréo: Um olhar sobre o nascimento dos Distritos numa contribuição às escolas e à sociedade. Livro esse incluso nos lançamentos do Centro Universitário da UNIVAG, de Várzea Grande, MT de 16/05/2001 e que conta em grande riqueza de detalhes, o processo de surgimento e povoamento dos Distritos de Paraíso do Leste, Alto Coité, Jarudore e Aparecida do Leste, que compõem a estrutura administrativa do Município de Poxoréo.
Gaudêncio Filho Rosa de Amorim é um jovem de quase 35 anos, nascido nas grupiaras dos garimpos de Poxoréo, moldado pela vida simples do homem das lides garimpeiras. Com seus pais e irmãos ocupou grande parte de sua vida entre uma e outra faiscada na busca e na cata dos ricos diamantes, ao tempo em que se preparava para outras alternativas de sobrevivência, dedicando-se com empenho aos estudos, formando-se com louvores Pedagogo, pela UFMT e pós-graduando-se em Ciência Política pela UNIVAG, de cuja trajetória “brotajorrou” como diria o escritor guiratinguense Vilela Montanha, esse seu livro Linhas Históricas de Poxoréo...
O meu encontro com Gaudêncio se deu em 1986, quando ele ingressou na Prefeitura de Poxoréo, como Professor do Programa de Educação Básica da Fundação Educar, do qual eu era o então Supervisor Local. É muito significativo para mim, lembrar-me dele justamente a partir do seu trabalho como alfabetizador de adultos, porque essa é uma tarefa que exige um professor essencialmente humano, que veja o homem como alguém de importância capital simplesmente porque é um homem e não porque ocupa uma posição na estratificação social, como soe acontecer com os educadores burgueses dessa sociedade capitalista da qual fazemos parte e que, para não serem diferentes, usam a pedagogia do opressor para libertar o oprimido (sic) e que, somente para completar o raciocínio, nunca logram obter sucesso, pois, como diria o nosso querido Paulo Freire, o oprimido somente será libertado através de uma pedagogia do oprimido. E foi nos embalos dessa orientação que Gaudêncio iniciou suas lides como educador. E é com essa mesma tendência que ele dirige a tradicional Escola Estadual de I e II Graus Pe. César Albisetti, em Poxoréo, MT, já há alguns anos, onde é querido e estimado por toda a comunidade educativa.
Em 1988, o Kautuzum Araújo Coutinho e eu, fizemos uma parceria com o Gaudêncio Amorim, a qual resultou na publicação do livro Saudades e Melancolias, muito bem recebido pela comunidade poxorense, esgotando-se rapidamente. Também nessa obra o nosso amigo revela a sua tendência de ser um escritor simples dedicado a escrever para os simples. O Gaudêncio não tem buscado a sua inspiração nas grandes e destacadas personalidades. Pelo contrário, ele se destaca pela valorização dos mais humildes e dos mais simples. Em seu livro Linhas Históricas de Poxoréo, ele não se detém a contar detalhes e mais detalhes dos políticos influentes da região, como a gente vê em quase todos os livros de história. Ele fala deles, mas em breves palavras, dedicando a maior parte do precioso espaço literário para contar os detalhes de gente simples dos Distritos de Poxoréo, como o ex-subdelegado Eurípedes Arcanjo, de Alto Coité, seo Joviniano de Alencar Bezerra, que foi durante muito anos o encarregado do abastecimento de água em Paraíso do Leste e seo Aristides Vieira dos Anjos, de Aparecida do Leste, que destaco sem menosprezar os tantos outros citados e detalhados no livro.
Também em 1988, em 31 de março para ser mais preciso, quando fundávamos a UPE – União Poxorense de Escritores, o Gaudêncio Amorim era um dos homens simples da então “Capital dos Diamantes” que se reuniu conosco na então Casa da Cultura de Poxoréo, localizada no Centro Histórico da cidade, quando traçamos não o futuro utópico que dificilmente se atinge, mas um futuro que poderia se tornar presente em nossa trajetória como escritores. Naquela histórica data, nos propusemos e ser um grupo que iria agir “em defesa da arte e da cultura”, o que temos feito nesses treze anos de existência, publicando o jornal O Upenino e a revista A Upenina, bem como realizando semanalmente o programa Momente de Arte e Cultura, inicialmente pela Rádio Cultura de Poxoréo e, atualmente, pela Rádio Sul Mato-grossense, além de organizamos retretas, tertúlias, concursos, festivais de poesia e apoiarmos todas as iniciativas culturais que surgiram na região. E, em todas essas atividades, o Gaudêncio Amorim esteve na linha de frente, sendo um exemplo para todos nós, os “upeninos” da União Poxorense de Escritores, entidade que presidiu por duas vezes com grande produção cultural.
Tendo que concluir esse breve relato, faço-o pelo império da necessidade, excusando-me por ter me proposto à tão difícil tarefa de apresentar o Gaudêncio Amorim à sociedade mato-grossense e não ter sido suficientemente competente para sintetizar uma resenha biográfica sua, justificando-me evasivamente ao dizer que isso se deve simplesmente porque é impossível diminuir a grandeza de um homem simples. De um grande homem, talvez não tivéssemos dificuldades para faze-lo, mas como se pode diminuir a grandeza de alguém que não quer ser grande e que deseja apenas ser uma pessoa Simples que escreve e vive para os Simples de nossa sociedade? Confesso minha incompetência de que não sei e não consigo fazer isso. Portanto, que me excusem os leitores por oferecer-lhes apenas este breve fragmento da vida deste jovem escritor que ainda veremos discursando em defesa da história do nosso querido Mato Grosso, esperando que ele seja o suficiente para estimula-los na leitura prazerosa de Linhas Históricas de Poxoréo: Um olhar sobre o nascimento dos Distritos numa contribuição às escolas e à sociedade e que façam um bom proveito desse trabalho de fôlego oferecido pela pena do jovem escritor de Poxoréo.
Boa leitura!

Izaias Resplandes de Sousa, é escritor, membro-fundador da UPE – União Poxorense de Escritores, Pedagogo, Gerente de Cidades e acadêmico de Matemática da UFMT em Primavera do Leste, MT.

A Você Tudo de Bom


A VOCÊ TUDO DE BOM.
Luis Carlos Ferreira.


Tudo De Bom É Para Você:
O Céu, Estrelas, Sol E Luar;
O Verde Da Mata,
As Quedas D’uma Cascata,
Cantigas De Serenata
E O Canto Do Sabiá . . .
Tudo De Bom É Para Você:
O Nível Do Horizonte,
O Que Há De Mais Bonito
Além Do Infinito . . .
E Sonhos Inconflitos,
As Águas E Os Montes . . .
Tudo De Bom É Para Você:
Recebendo - Como Herança -
O Eterno Bom Viver,
O Crêr Em Renascer,
A Brisa Mansa A Correr
E As Seculares Lembranças ! ! !
. . . Tudo De Bom É Para Você !!!

Pensamento: Ninguém é melhor do que ninguém; somos apenas diferentes.

Eu fui a Cuiabá


EU FUI A CUIABÁ.

Luis Carlos Ferreira


Eu Fui A Cuiabá, Mas Não Como Antigamente...
Porque O Transporte Agora Está Muito Diferente:
Em Outros Tempos Eu Ia – Assim Como Alguém Já Foi –
Andando Pelas Picadas, Ou Sobre Carros De Bois...
Pisando No Lajeado, Cortando Estradão Afora...
Trazendo O Bornal Dum Lado – Antes Do Romper D´Aurora.
Atravessando Regatos, Parando Pelas Biquinhas...
Pegando Folhas De Matos Pra Beber Águas Fresquinhas.
Caminhava Como Um Monge, Às Vezes Ouvindo Ao Longe
O Cantar D´Uma Rolinha.

Eu Fui A Cuiabá, Mas Não Como Antigamente...
Fiz A Viagem De Carro – Sem Tocar Os Pés No Barro –
E Percebi Que O Veículo Deslizou Suavemente...
Naquela Estrada Asfaltada – Da Saída À Capital –
Em Torno, Toda Plantada, Liberta Do Matagal.
Poucas Horas De Viagem, Sem Excessos Na Rodagem,
Cheguei Com Larga Vantagem
Do Que Se Fosse A Pé, Ou Se Botasse Mais Fé
No Lombo Dum Animal.

Foi Dessa Forma, Enfim, Que Eu Fui À Cuiabá.
E Tenho Aqui Pra Mim Que Valeu Eu Viajar...
Embora Não Indo A Pé, Pra Melhor Observar,
Às Vezes Eu Dava Ré Para Algo Apreciar...
Foi Dessa Forma, Enfim, Que Cheguei Em Cuiabá!

Era garimpeira


ERA GARIMPEIRA

AURELIO MIRANDA

GRAÇAS A DEUS QUE EU SOU
LÁ DA TERRA GARIMPEIRA
DE UMA CIDADE PEQUENINA
MAS DE GENTE HOSPITALEIRA
SOMOS RAÇAS MISTURADAS
GUARANIS DE ALÉM FRONTEIRA
NOSSO CHÃO MONCHÃO DOURADO
DO BRUTO E LAPIDADOS
DIAMANTES DE PRIMEIRA

DOS MIGRANTES NORDESTINOS
VINDOS NO PAU-DE-ARARA
PRÁ SE TORNAR GARIMPEIROS
DO CHÃO SECO E GRUPIARA
QUEBRAR O CASCALHO VIRGEM
COM SOL E O SUOR NA CARA
TRABALHO DURO E PESADO
TEM QUE SER MACHO DOBRADO
PRÁ PEGAR A PEDRA RARA

ESSA PEDRA, É O DIAMANTE
OSTENTAÇÃO DA LUXURIA
GARIMPEIRO QUE BAMBURRA
SE VACILAR FAZ LOUCURA
E NO BORDEL VIRA REI
TEM MULHERES COM FARTURA
E SENDO O REI GRITA O NOBRE
AQUI NÃO TEM PUTA POBRE
FECHA TUDO E TRAZ A PURA...

PACOTE DE MUITOS MIL
PERDE NO JOGO E BEBIDA
E AS MULHERES SE APAIXONAM
FAZ UM SHOW NA SUA VIDA
LEVA A GRANA E DÁ-LHE UM CHUTE
SEM LHE ENSINAR A SAÍDA
EM QUINZE DIAS DE LERO
VOLTOU PRÁ ESTACA ZERO
SEM A PASSAGEM DA IDA

terça-feira, 14 de julho de 2009

Um ano no Recanto


14 de julho de 2009. Hoje está fazendo um ano que cheguei ao Recanto das Letras. Publiquei nesse espaço 211 textos e 5 e-livros, os quais obtiveram quase 40 mil acessos. Esse é um número que me deixa imensamente agradecido e me faz ver o grande potencial que a internet nos proporciona.Deixo aqui registrado os meus agradecimentos a todos aqueles que leram algum de meus livros, artigos, ou mesmo uma simples frase ou pensamento. Esclareço que nunca escrevi para mim mesmo. Sempre escrevi para os demais e não para encher meu computador. Dessa forma, divulgando meus escritos, espero ter contribuído durante esse ano para esclarecer, formar ou aperfeiçoar as idéias que expusemos. Também espero ter alimentado os debates e incentivado outras pessoas a seguirem pelo caminho das letras.Deixo aqui o meu muito obrigado a todos os que acessaram o meu Recanto, ao tempo em que renovo o convite para que continuem acessando, lendo, utilizando e comentando a nossa produção literária. Um grande abraço.

Acesso o Recanto do Izaias Resplandes em:http://recantodasletras.uol.com.br/autores/resplandes

domingo, 7 de junho de 2009

As flores dos bacuris de Linda Flor

A Chácara Linda Flor está repleta de belezas naturais, mas as flores de seus bacuris, por certo se destacam na paisagem. São lindas!















Os bacuris de Linda Flor
























Na chácara Linda Flor, do upenino Jurandir da Cruz Xavier o bacuri é uma planta nativa, crescendo com abundância. Ao fazer essa observação, perguntei ao Comendador Upenino João de Sousa: Prof., aqui tem muito bacuri, mas dizem que essa planta só dá em terra boa! E ele me respondeu: Sim, Izaias, mas essa é uma terra boa; tem pedra, mas o terreno é de barro.

Churrasco de Cabra

Upeninos Izaias Resplandes de Sousa, Luís Carlos Ferreira, Garibaldi Toledo de Moraes, João de Sousa, Josélia Neves da Silva, Jurandir da Cruz Xavier e a Srª Toledo de Moraes.



A UPE foi recepcionada neste domingo pelo historiador upenino Jurandir da Cruz Xavier em sua Chácara de Recreio "Linda Flor", localizada às margens do Ribeirão Areia, em Poxoréu.


Foto 1: Lydissen, Luzinete Amorim e Olga Ferreira. Foto 2: Gaudêncio Filho. Foto 3: Lydissen Ferreira

Na ocasião, os upeninos degustaram um suculento churrasco de cabra, oferecido pelo octogenário upenino paraibano. Houve a cantoria de praxe, animada pelos upeninos Amorésio Sousa Silva e João Batista Cavalcante, acompanhados pelo convidado Luís Sol. Aliás, quase todos cantaram. Até o Presidente Upenino Professor e Comendador João de Sousa, que se embalou no ritmo de "Carinhoso". A convite do advogado upenino João Batista Cavalcante, também Presidente da OAB/MT, sub-seção de Poxoréu, MT, compareceu o bancário Lucinei e sua esposa.










Foto 1: Kautuzum. Foto 2: Garibaldi, Jurandir e Izaias. Foto 3: Jurandir Xavier.


Durante a festa, houve um momento em que a UPE se dividiu. Segundo o Dr. João Batista, era fácil de se ver a UPE boêmia e a UPE burocrática. Mas isso durou pouco, porque o grupo boêmio não deixou a UPE separada e chegou para mais perto, engrossando a burocracia que, a partir daí virou cantoria, culminando com a já declarada interpretação de "Carinhoso" por João de Sousa.










Foto 1: Cantores chegando a pé: Luís Sol e Amorésio Silva. Foto 2: João Batista e Sílvia com filhos e seus convidados, Sr. Lucinei e esposa. Foto 3: Luzinete Amorim ao violão.


Foi um lindo dia de domingo e a upeninada promete repetir a dose.










Foto 1: Josélia, Jurandir e Esmeralda, sendo servidos pelo Prof. de História Upenino Luís Carlos Ferreira. Foto 2: Luís Sol e Kautuzum Araújo Coutinho. Foto 3: Prof. Gaudêncio Amorim apresentando um cacho de cocos de Bacuri, bastante comum na Chácara "Linda Flor".


Em entrevista ao editor desse blog, o anfitrião disse que pretende construir na sua "Linda Flor" um Pesque e Pague para animar um pouco mais a chácara.










Foto 1: João Batista Cavalcante e Josélia Neves da Silva. Foto 2: Izaias Resplandes de Sousa, Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, Luís Carlos Ferreira, Josélia Neves da Silva, Jurandir da Cruz Xavier, Profª Esmeralda, Garibaldi Toledo de Morais e o Presidente João de Sousa. Foto 3: João de Sousa assando a cabra.

Aos 21 anos da UPE

Buscamos alcançar o sucesso, seguindo um ideal e uma visão de futuro contemplada há vinte e um anos passados. Os resultados desejados, antes meras possibilidades, agora já podem ser vislumbrados. Nosso sonho está se tornando uma realidade. A história de Poxoréu já alcançou os quatro cantos do planeta. A UPE não é apenas mais uma quimera sonhada por quem não tinha o que fazer. Ela é hoje um patrimônio cultural da humanidade. Sem que a nossa parte tivesse sido feita, com toda certeza o mundo atual não seria o que de fato é. Parabéns aos upeninos por terem feito a sua lição de casa e por se tornarem exemplos a serem seguidos pelos demais.

Há 21 anos a UPE – União Poxorense de Escritores vem atuando “em defesa da arte e da cultura”. A cada ano passado nós temos procurado fazer a nossa parte na construção de um mundo melhor para todos. Seguindo o ideal upenino, acreditamos que se cada um fizer o seu melhor a cada dia, então todos nós poderemos sonhar com um futuro, ao invés de simplesmente nos conformarmos com o estado de coisas que se configura no presente. O amanhã somente será possível se o hoje se tornar realidade. Se não fizermos a nossa lição de casa de cada dia, não estaremos construindo o futuro, mas apenas realizando o passado das coisas que não fizemos quando podíamos fazer.

Hoje de manhã vi algumas cenas do filme “Loser”, O Otário, dirigido por Amy Heckerling. É um filme com nove anos de idade. Uma comédia.

No enredo:

Paul Tannek (Jason Biggs) é um jovem deslocado que vive numverdadeiro buraco
naUniversidade de Nova York. As garotas o rejeitam e osdemais companheiros
defaculdade simplesmente o ignoram. Até que ele conheceDora Diamond
(MenaSuvari), uma jovem estudante que é tão deslocada nacidade quanto ele. Dora
nãotem dinheiro nem lugar para morar, e seunamorado, o Professor Edward
Alcott(Greg Kinnear), está mais interessado emmanipulá-la do que em amá-la.
Pauldecide então ajudá-la a conseguir umemprego e a se vestir melhor,
aprendendoele mesmo a aproveitar melhor acidade em que vive.
Antes de ir para a Universidade, o jovem Paul Tannek expressou ao seu pai a sua preocupação quanto à sua adaptação no meio universitário. Ele temia ser desinteressante e ter dificuldades para conseguir amigos. Então seu pai lhe disse que o segredo para se obter amigos é ser interessado. Disse ele: “é interessante aquele que é interessado”. E explicou que todas as pessoas têm uma história e querem contá-la, mas nem sempre encontra alguém disposto a ouvi-la. E assim, quando alguém se dispõe a ser o ouvido, tal pessoa passa a ser considerada interessante e sua amizade e presença, passam a ser desejadas. Então o jovem foi para a universidade, onde tentou aplicar o conselho paterno, mas ninguém estava a fim de sua amizade. Paul é um jovem dedicado aos estudos e às coisas sérias. Os jovens de sua idade não estão dispostos a isso. O que eles querem são coisas fúteis como bebida, festa, sexo e drogas.

O mundo de Paul Tannek não é muito diferente do nosso. Afinal, não é por acaso que alguém já disse que a ficção é um retrato das realidades possíveis. Então sempre poderemos aprender um pouco com esse gênero literário. É o que sempre buscamos. Acreditamos que a ficção, ainda não tendo acontecido, é um sonho que pode ser materializado e, portanto, deve ser apreciado com seriedade, buscando ver o que o autor desejou mostrar a cada detalhe de sua história.

A UPE sempre foi um sonho. Apesar desses vinte e um anos, ela ainda é muito mais uma ficção do que uma realidade. E é bom que assim seja, porque isso significa que ainda temos algo planejado para ser construído e não estamos caminhando ao léu. Todavia, todos nós sabemos que a marca upenina e tudo o que ela significa para Poxoréu é muito maior do que a própria UPE.
Ainda me lembro de cada aniversário e dos upeninos que foram agregados à nossa confraria a cada ano. Cada um de nós é bem diferente do outro, mas todos nós sempre estivemos dispostos a ser o ouvido dos demais, compreendendo e registrando as mais diferentes histórias de vida. Não tenho dúvidas de que esse apreço pela história dos outros seja o elo que une essa sociedade de escritores poxorenses. Apesar de também gostarmos de comer, beber, festar e de tantas outras coisas importantes e necessárias, nós temos disposto uma boa parte de nossa vida para ouvir os nossos semelhantes e realizarmos o seu registro para que as gerações vindouras, partindo do que nós fizemos, possam avançar, ao invés de terem que começar tudo outra vez.

Talvez sejamos tão otários quanto Paul Tannek aos olhos de nossos contemporâneos, por estarmos investindo tempo e dinheiro na realização do projeto social upenino de defender a arte e a cultura. Todavia, não devemos culpá-los por não conseguirem ter uma visão de futuro semelhante à nossa.

Em relação a essa falta de visão, há poucos dias discutia com minha esposa Maria de Lourdes Resplandes, que o problema dessa geração não é o fato de verem as coisas acontecendo e serem insensíveis a elas. Pelo contrário, disse-lhe, o problema dessa geração é a incapacidade para ver o que acontece. De forma que, ao invés de criticá-los, devemos continuar tentando abrir seus olhos para que possam ver. Se conseguirmos isso, então seremos bem sucedidos, porque ter sucesso não significa realizar os seus próprios sonhos, mas sim ajudar os demais a realizar os seus.

A UPE tem feito a sua lição de casa. Os upeninos têm sido espelhos para que os jovens dessa geração possam ver e construir o futuro. Cada um de nós é uma pedra do alicerce do mundo que será construído sobre nossas idéias, sobre nossos sonhos e sobre tudo o que temos feito.

Ao ensejo do dia 31 de março, data de fundação da UPE, na condição de pioneiro dessa escola, quero dizer aos meus confrades e aos membros da sociedade poxoreana como um todo, que tenham fé, esperança e confiança em si mesmos e em cada de seus semelhantes; que continuem fazendo o seu melhor em favor dos demais. Essa é a única forma de termos sucesso em nossa missão upenina. Esse será o nosso legado para o mundo.

Feliz aniversário à Nação Upenina!